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O CANTE ALENTEJANO , a forma mais pura de celebrar o mundo rural, vai ser candidato a PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE.
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Minha voz é minha espada
toda apontada pró cante
por cant'ar à minha amada
"chamaste-ne" estravagante"
Das noitadas sou amante
quero a garganta molhada
dum vinho tinto elegante
e pra cantar à minha amada
(VITORINO)
Há mesmo um projecto-piloto de apoio ao cante alentejano, a lançar em 2007, que prevê a apresentação de candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade.
O lançamento do projecto, a realizar em parceria com o Ministério da Educação, foi feito na vila alentejana de Cuba, no coração do Alentejo, onde a ministra foi recebida por grupos corais alentejanos, femininos e masculinos.
"É um projecto-piloto que visa a promoção, preservação e a salvaguarda deste bem imaterial que é o cante alentejano", a admitir uma candidatura à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Além das vertentes cultural e pedagógica, o projecto prevê também uma componente de investigação em torno do cante alentejano.
O Cante alentejano é uma polifonia simples a duas vozes em unissono e
à terceira superior, como ensina o Padre António Alfaiate Marvão.
A sua origem é do sec. XVI, "numa época em que a polifonia tinha o primeiro lugar na música, toda ela vocal, a que se deu o nome de Milénio vocal"
O primeiro rancho de Cante organizado de se conhece foi o Grupo Coral e Cultural de Serpa que terá actuado em 1929 no Casino Estoril.
A denominação de Cante e não Canto, tem a vêr com a forma de falar dos alentejanos, o que na opinião de Lindley Cintra,"revela uma prova de inteligência do povo " que modifica as palavras para facilitar a sua pronúncia enquadrada na melodia.
O cante é sincopado e andado ao ritmo do coração, transmitindo a cadência do dia-a- dia rural e sazonal. Vive de 3 elementos essenciais:
-o ponto (quen começa a melodia)
-o alto (a segunda vos e a única que tem liberdade para ornamentar a melodia principal)
- e o coro