.
A sala estava cheia.
Cheia daquelas pessoas que às quintas feiras costumam sentar-se lá em casa, lá no monte, à volta dum aparelho de rádio a ouvir e a participar no Programa "Património".
Sim, a participar, pois é esse o grande objectivo do "Património", estabelecer com os ouvintes uma relação de intimidade que os leve a partilhar com a comunidade os seus pequenas e grandes sonhos, os seus pequenos e grandes talentos para cantar, vercejar, tocar instrumentos ,dizer adivinhas, contar piadas, falar no que lhes vai na alma, enfim.
E tudo isso sob a batuta do apresentador que há 20 anos lhes destrava a língua, lhes liberta o ego, os faz sentir importantes,-o José Francisco Colaço Guerreiro- o "senhor doutor" como carinhosamente lhe chamam. E este tratamento não tem nada a vêr com o grau académico, é mais do que isso, é a matriz que os faz ser íntimos daquela voz que os trata tão especialmente.
No dia da festa anual têm a vantagem de poder juntar à voz, a imagem do seu interlocutor, alguns , pela primeira vez.
A sala estava cheia, sim, e a Festa foi uma vez mais um êxito.
Vários artistas se foram sucedendo no palco do Cine Teatro de Castro Verde, alternando com dois poetas populares, o Manuel Mira e o Mestre Sobreiral, um contador de piadas o Jesuino Coelho, e um tocador de armónio, o Manuel , que preencheram sempre o espaço entre cada actuação dos cantadores.