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VAMOS TER O FILME IRANIANO - "O QUADRO NEGRO"

QUADRO NEGRO de Samira Makhmalbaf
Jovem e já consagrada diretora iraniana mostra calvário dos professores nômades com seu "Quadros Negros"
Merecidamente vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes deste ano, "Blackboards", da jovem diretora iraniana Samira Makhalbaf ("A Maçã", também vencedor de prêmios em Cannes/1998), impressionou a todos os críticos de cinema presentes no preview do filme no Festival de Filmes de Londres.
Mais uma vez, mostrando para o ocidente o que o cinema iraniano sabe fazer de melhor: retratar o sofrimento e força do seu povo, Samira Makhalbaf, conta em "Blackborads", com enorme sensibilidade e realismo, a história de um grupo de nove professores perambulando pela perigosíssima fronteira do Irão com o Iraque em busca de alunos.
Logo nos primeiro minutos do filme, o grupo de professores, com a aparência extremamente castigada pela vida que são obrigados a levar devido aos anos de conflito com o Oriente Médio, ouve um helicóptero aproximando-se e em pânico se escondem de baixo dos quadros-negros que carregam nas costas. Por pura sorte o helicóptero passa e não os vê, mas mesmo assim, como uma medida preventiva, eles camuflam as lousas com lama, pois caso o helicóptero volte os pilotos os confundiriam com a paisagem arida das montanhas.
Dois deles decidem se separar do grupo. Reeboir (Baham Ghobadi) junta-se a um grupo de garotos que faz contrabando de mercadorias do Irã para o Iraque e vice e versa. Todos os garotos são analfabetos e totalmente embrutecidos pela terrível realidade. A falta de perspectiva de qualquer tipo de mudança e principalmente o fato de que a luta pela sobrevivência ocupa todo o tempo dos pobres meninos, os impossibilita de enxergar os benefícios que o estudo poderia trazer. Said (Said Mohamadi), o outro professor, une-se a um grupo de nômades a procura de sua terra natal e promete guiá-los até a fronteira.
A maneira de filmar lúcida e ao mesmo tempo surreal usada por Samira Makhalbaf lembrou-me Walter Salles em "Central do Brasil". Seqüências como a do ritual do casamento de Said com a única mulher no meio do grupo de dezenas de nômades, ilustram perfeitamente que a religião e a devoção a Deus é onde os sofredores como os nossos nordestinos e os iraquianos e iranianos encontram algum tipo de conforto ou até mesmo de conformismo.
A insistência e a perseverança de Reeboir está em tentar convencer os garotos que a única chance de melhorar a vida é através do aprendizado. Depois de algum tempo, ele consegue persuadir somente um garoto que o pede para ensiná-lo a escrever o seu nome. Reeboir o faz repetir o alfabeto enquanto sobem e descem as trilhas de pedra das montanhas da fronteira até que os sons das letras faça algum sentido para o menino.
"Blackboards", 84 mins, Irã, 2000 Direção: Samira Makhmalbaf. Com: Said Mohamadi, Bahman Ghobardi, Behnaz Jafari.