sexta-feira, novembro 25, 2005

preliminares

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Tarde da noite, Gerardo cortou caminho por dentro de um cemitério.
Escutou umas batidas.
Seu coração acelerou um pouco, mas ele continuou seu caminho.
Quando as batidas se tornaram mais fortes, Gerardo foi ficando mais assustado.
De repente, encontrou um homem talhando uma lápide.
Aliviado, disse:
- Ufa!... Graças a Deus! Você me pregou um susto e tanto!... O que está fazendo a esta hora por aqui?
- É que escreveram meu nome errado...

quinta-feira, novembro 24, 2005

Lisboa, 1775

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O mercado da Praça da Figueira, em Lisboa, ao lado do Rossio,
é aberto ao público em 23 de Novembro de 1775.

quarta-feira, novembro 16, 2005

LETRAS DE MODAS ALENTEJANAS

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CAMPONÊS ALENTEJANO

O pobre trabalhador
Todo o mal consigo tem
Trabalha e não tem valor
No mundo não é ninguém



Camponês alentejano
Camponês agricultor
Tu trabalhas todo o ano
Dás produto ao lavrador
Dás produto ao lavrador
Tua vida é um engano
Nem por isso tens valor
Camponês alentejano



Quem canta seu mal espanta
Quem chora seu mal aumenta
Eu canto para disfarçar
Uma paixão que me apoquenta

poetas e pintores alentejanos

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..Resistência
Não apenas a música
mas o som
o ruído que envolve
o oculto grito

Não o nome somente
mas vestígio
o timbre recordado de seu
espaço

Não apenas figura
mas silêncio
silhueta ou contorno
na memória


Não o medo ou o azougue
sobre esta carne morta
Mas um vívido traço
ainda que incompleto

Mas singeleza como
um corpo inconformado



Nicolau Saião é o pseudónimo literário/artístico de Francisco Ludovino Cleto Garção, nascido em Monforte do Alentejo no ano de 1946 e residente em Portalegre desde os três anos. Exerceu as profissões de meteorologista, jornalista e escriturário. Actualmente é o funcionário responsável do Centro de Estudos “José Régio” de Portalegre
Participou em mostras de Arte Postal em países como Espanha, França, Itália, Polônia, Brasil, Canadá, Estados Unidos, e Austrália, além de ter exposto individual e colectivamente em lugares como Paris, Lisboa, Porto e Sevilha. Organizou, com Mário Cesariny e Carlos Martins, a exposição “O Fantástico e o Maravilhoso” (1984),
Poeta, pintor, publicista e actor/declamador, concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico “Mapa de Viagens” (Rádio Portalegre), que entrou para o ranking dos programas mais ouvidos das rádios regionais, e onde entrevistou personalidades como: José Bento, António Luís Moita, Rui Mário Gonçalves, Fernando Vendrell, José Manuel Anes, Diniz Machado, José do Carmo Francisco, etc..

Tem colaborado em revistas e jornais literários e artísticos, tais como “Ler”, “Colóquio-Letras”, “Apeadeiro” “Sílex”, “Célula Cinzenta”, “A Cidade”, ”Bicicleta/Mandrágora”, “Bíblia”, “Ciclo Cultural”, ”Jornal de Poetas e Trovadores”, ”Callipole” “Podium”, ”A Xanela”(Betanzos), “Abril em Maio”, “DiVersos” (Bruxelas), “Albatroz” (Paris), “Artes & Artes”, “Mele”(Honolulu), “Ave Azul” , “Espacio/Espaço Escrito”(Badajoz),etc.

Como pintor participou em mostras de Arte Postal em diversos países (Espanha, França, Itália, Polónia, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Mali, etc.), além de ter exposto individual e colectivamente em diversas localidades.

sexta-feira, novembro 11, 2005

AS JÓIAS DA TERRA

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AS JÓIAS DA TERRA
de
JOSE FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

As jóias da terra são os recantos onde os meninos brincam agachados, empurrando carrinhos, imaginando estradas infindas, seguindo com o olhar uma folha levada num regato como se fora uma embarcação num rio caudaloso. São as esquinas, as calçadas que se pisam amiúde e já se lhes adivinha os rebaixos e os encalhos, são os poiais que diariamente se sobem e no verão servem de assento para se apanhar o fresco depois da ceia enquanto se cavaqueia e o calor do dia se vai despegando do corpo.
São as ruas, feitas de mil passos, das gentes que nelas andaram percorrendo a vida, andares todos diferentes que gravamos na retina e depois mais tarde, continuamos a visualizar em cenários de saudade. Ruas caiadas, de barrinhas feitas com craveiro á porta que o povo baptizava com nomes seus, por motivos relevantes, mas que as placas toponímicas chamam agora com a graça deste ou daquele que nunca sequer as pisou mas por ser de fora, por ser figura nacional, passou a ser a nossa direcção.
Jóias da terra são os jardins onde as pessoas descansam e convivem , onde se sentem bem como em casa e por isso fazem entrar nos seus hábitos de lazer. São os largos, cheios de abraços, cumprimentos, falas e afectos, onde se faz uma pausa, se pousa o saco das compras, se dão e recebem novidades. Onde se espraia o sentimento de estarmos num lugar nosso e por isso nos demoramos sem cuidados.
São as vendas e as mercearias, onde se compram só as precisões e ao balcão também se despacham palavras de amizade, embrulhadas em gestos carinhosos de um sentir verdadeiro, se necessário solidário, desprendido da ganância pura dos neons onde não se vende fiado.
Jóias da terra são as rádios locais que manhã cedo nos acordam falando do que temos e daquilo que nos falta, seguem dia fora tocando as músicas de cá, afugentando tanta solidão, dando tanta companhia, e até à deita, persistem elogiando os nossos valores, enaltecendo as nossas obras, fazendo eco dos nossos sonhos.
São os clubes e as associações, as comissões de festas, que engendram maneiras de ocupar, dinamizar, recrear e valorizar as gentes, envolvendo-as, responsabilizando-as, fazendo delas artífices do seu bem estar e não meros consumidores da animação.
Jóias da terra são os poetas populares, os artesãos, os tocadores e os cantadores que ainda inventam brio nesta vida cinzenta para continuarem a levar por diante os testemunhos da tradição.
Gente sem pelouros nem obrigações mas que não regateiam tempo do seu tempo para dar e dedicar às coisas que outros pensam ser já de outro tempo.
Lembramo-nos do Antero que em Amoreiras Gare estrebucha por paixão à terra. Não tem horário nem mau jeito, nem há contrariedade que lhe trave o passo na sua caminhada para fazer valer os trunfos da cultura. Por devoção, todos os dias acende a vela da esperança de ver melhorar o pensamento que agora nos arreda daquilo que é nosso, das nossas raízes e dos nossos costumes.
Pacientemente insiste em não se deixar ofuscar pela modernidade reinante que do passado pretende fazer terra queimada e acredita também que num futuro, não importa quando, os valores culturais locais possam vir a ser uma jóia comum e os nossos meninos já com os olhos despregados da televisão, possam imaginar grandes veleiros ao ver passar uma folha arrastada num regato.

LENDA DO TOURO E A COBRA

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O que significa a cabeça de touro que aparece no brazão da cidade de Beja?

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"Muito antes dos lusitanos, o local onde hoje se encontra a nobre cidade de Beja com as suas muralhas romanas, era um pequeno povo que vivia em cabanas cobertas de colmo, que apenas se empregavam no exercício da caça."

A LENDA DIZ QUE:
Todos estes campos ubérrimos de pão que vemos hoje, era um compacto matagal, impossível em alguns pontos de ser penetrado pelo homem. Aí habitava uma serpente monstruosa que tudo matava, tudo triturava. Era horrível preocupação do povo que habitava no local, que mais tarde,no tempo dos romanos se chamariaa Pax-Júlia, .Um dia um habitante da região imaginou um ardil :Envenenar um touro, deitá-lo para onde existia a tal serpente.Aprovada por todos esta ideia, o touro foi envenenado e deitado para o local indicado.

A luta foi tremenda entre as duas feras, acabando o touro por ser mordido pela serpe e sucumbido aos efeitos do veneno. Já mortalmente ferido pelas investidas da serpente monstro e vencido, serviu de repasto à serpente vencedora.Mas... alguns dias depois, a serpente foi encontrada morta ao lado dos restos do touro salvador, e a região libertada .

A explicação oficial é a de que o touro representa a abundâcia de gado na região.

quinta-feira, novembro 10, 2005

novos provérbios

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«Quem ri por último, é ...retardado!
«Os últimos são sempre..desclassificados!
«Quem o feio ama,...é porque vê mal como tudo!
«Deitar cedo e cedo erguer, dá...um sono do caraças.
«Quem não arrisca, não ..se lixa.
«Filho de peixe...é tão feio como o pai!
«O pior cego é aquele que...se recusa a ter cão.
«Há males que vêm... para piorar.
«Gato escaldado...morre,.. naturalmente!

quarta-feira, novembro 09, 2005

quarta-feira, novembro 02, 2005

A FEIRA DE CASTRO - uma gratidão que não temos

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FEIRA DE CASTRO – UMA GRATIDÃO QUE NÃO TEMOS
de
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO


Mandavam nestas terras os espanhóis quando por decreto régio a feira se armou em Castro, transferida da desaparecida vila de Padrões, para que com os proventos dos terradegos , se fizessem as obras de necessidade na arruinada igreja dos Remédios.
Nesse tempo Castro era uma terreola, praticamente um cordão de casas baixinhas, de taipa erguidas, unindo num traçado enviesado a dita igreja em ruínas e uma outra , a matriz, que como ela se erguia dando graças aos céus pelo milagre de Ourique acontecido por estas bandas.
Poucos anos antes, em peregrinação mais bélica que religiosa, por ambas tinha passado o senhor rei D. Sebastião que chocado com a pequenez e o estado indigno dos templos face à grandeza do feito cantado, ordenara que obras urgentes se fizessem para os engrandecer e ampliar.
Para passar pelos ditos templos teve o mesmo senhor rei de pernoitar de véspera em Entradas dado que em Castro não havia casa capaz em dimensão nem em cómodo para o receber, já que como dissemos, a vila era então um pequeno e pobre povoado só reconhecido pela importância da batalha que se lhe associava e pela decorrente monumentalidade clerical.
Vencida a peleja judicial com a usurpada vila de Padrões, a feira , ano após ano, foi trazendo mais e mais forasteiros, por ela atraídos, para ela arrebatados desde os confins do imenso sul que durante semanas se enleavam com o mercadejar, com a folia, com a pedinchice, com o cardenho, percorridas léguas e léguas, para cá e para lá, a butes, de besta ou de churrião .
Uma vez no ano, Castro trepava ao cimo das conversas , no antes, no flagrante e no depois da feira, pelas novidades, pelas carestias, pelo deslumbre, pelo que se acareava vendendo, pelo que se trazia empregando as economias amochiladas meses a fio.
De longe vinham caravanas, uma semana antes, acampando aqui e acolá, juntando-se a outros feirantes que vinham de bandas diversas e se já eram conhecidos de Outubros anteriores, folgam em conjunto, repartiam merendas, falavam do tempo, palpitavam negócios, contavam aventuras e depois partiam engrossando o fluxo que de todas as direcções confluía no arraial.
Depressa correu a fama, cedo se juntaram multidões, em pouco tempo de boca em boca passava a missiva, depois mil vezes repetida até ser ponto assente de que não havia feira como a de Castro.
E a vila, pequenina, acanhada e pobre foi-se estendendo, abrindo novas ruas como braços para alojar a feira, a rua dos legumes, a rua das cangas, os quartos dos ourives ou a rua nova da feira que se entrelaçavam e depressa constituíram a malha urbana primeira da vila actual.
Pouco depois, os lavradores dos concelhos vizinhos, muito antes de preferirem Monte Gordo ou Quarteira, começaram a fazer gala em ter uma casa aqui para se aquartelarem enquanto durava o alvoroço. Com as casas de pousada, novas ruas foram surgindo, como a da bela vista, de Ourique, do acampamento ou da aclamação, numa expansão deslumbrante para os nativos e para os visitantes que de ano para ano vinham em maior número.
Castro nasceu com a fé de fora e cresceu com a feira dentro de si. Se a fé se foi perdendo por ser transcendente, a feira alojou-se no habito dos castrenses , na sua identidade, na seu modo de lidar com a vida e com as gentes.
Durante séculos, muitas gerações vibraram, abriram as portas e os corações para receber a feira e os feirantes. Desarmavam-se as camas, juncavam-se os quartos, estendiam-se colchões, para dar guarida ou pernoita a quem de fora vinha e ali ficava de paga ou por amor em graça.
Um mês antes, de casa a casa, faziam-se as caiações, as limpezas profundas, alindava-se quanto podia, e começava-se a falar da feira. Do chove não chove, este ano ainda vai ser maior, o tempo tem vindo mau, o ano passado era um gentio de gente, vamos lá a ver, oxalá que sim, ai vai vai, já por aí andam os marchantes a contratar argolas nas manjedouras para acomodar o gado, fulano e beltrano já tiveram de despender de dois porque não têm água na cisterna à vondo para tanto caldeirão .Todas as conversas batiam no mesmo ponto.
O ar impregnava-se de uma magia estranha e começava a cheirar diferente. Vinham à memória odores antigos guardados na profundidade do ser que antecipavam o ambiente de negócio e festa. Tudo lembrava, o cheiro dos pêros de Monchique, das castanhas assadas, do azedo-doce dos figos secos, da aguardente de medronho, das azeitonas britadas, das mantas de estemenha enzeitadas, do pó e bosta da corredoura, da pólvora seca que rebentava quando a força do braço era bastante para aplicar na marreta, dos sacos das alcagoitas, das frituras, dos cabedais, dos barros de cantareira e mais ainda o que exalava dos pífaros e dos apitos de olaria de pintura fresca e colorida que obrigatoriamente se aproximavam do nariz para se poderem tocar.
Como estas lembranças apareciam, vinham também naturalmente os ciganos,e os mendigos exibindo os maiores erros da natureza e que por via dos seus aleijões tanto comoviam os adultos como acagaçavam as crianças.
Depois deles, chegavam as carroças dos vendedores de barro, cheiinhas de palha até aos taipais. Buscavam o seu sitio,desprendiam a mula, e com muito jeito baixavam os varais até ao chão. Um subia para cima da carrada , enterrava o braço no palhuço e tacteando desenterrava ora uma enfusa, um mealheiro, um alguidar, um fogareiro, que entregava às mãos estendidas da mulher que o ajudava na descarga. Eram também dos últimos a abalar juntamente com os das empreitas.
Durante uma semana, vendia-se de tudo, mais o necessário do que o supérfluo, plicos, samarras, safões, botas, chapéus, gorros e toda a farpela, mantas, cajados, bordões, escadas e varejas, arcas, mesas e tabuleiros, loiças, trempes, triângulos, tenazes e canudos, capachos, empreitas., gorpelhas, cangas e canzis, cabrestadas e molins, arreatas e barrigueiras, bicos de charrua e aivecas, machados, alferces, picaretas e barrenas.
Nas barracas dos comes, dias a fio, não despegava o cante. Cantava-se a moda, mas o mais era o despique. Reteniam as violas campaniças que mestres afamados , faziam tanger em noites sem fim sustentando as vozes que se desafiavam em cantigas que rodavam razões e poesia.
Destes tempos ficou a fama e também deveria ter ficado, mas já não perdura, uma grande gratidão de Castro pela feira, um sentimento de que sem ela não teríamos deixado de ser um pequeno povoado, praticamente um cordão de casas baixinhas, de taipa erguidas, unindo num traçado enviesado duas igrejas levantadas à conta de uma fé perdida.

terça-feira, novembro 01, 2005

dia de todos os santos

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DIA DE TODOS OS SANTOS
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São Pedro pôs no Diário
Que lhe tinham roubado um galo
Deu com as chaves em S. Paulo
Por causa de São Macário
Os santos do Breviário
Quando fizeram a bulha armada
Fizeram uma embaixada
Trataram de se esconder
Foi quando ouviram dizer
Que S. João deu uma facada.
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Estava lá Santo Agostinho
Estava todo escamado
Que já lhe tinham roubado
Uma garrafa de vinho
Vem dali o S. Martinho
Cala-te que eu sei bem quem é
Podes perder-lhe a fé
Que não a tornas mais a ver
Já a foram beber
A casa de S. Tomé.
:

Previsões para NOVEMBRO

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Previsão agrícola

Cava fundo em Novembro, para plantares em Janeiro.
Pelo S. Martinho semeia o teu cebolinho.
Por S. Martinho, nem favas nem vinho.
Se queres pasmar o teu vizinho, lavra sacha e esterca pelo S. Martinho.
Por S. Martinho semeia fava e linho.
:
Chuva:
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De Todos os Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
Por Santo André todo o dia noite é.
Em Novembro, chuva, frio e sol; e deixa o resto.
Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-eis pelo S. Martinho.
:
Vinho:
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Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
No dia de Santo André diz o porco «quié-quié»
No dia de Santo André quem não tem porco mata a mulher.
Pelo S. Martinho, nem nado nem no cabacinho.
Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te não faz dano.
Por S. Martinho todo o mosto é bom vinho.

preliminares

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ALERTA À POPULAÇÃO:

DEVIDO AO PROVÁVEL SURTO DE GRIPE DAS AVES, AVISA-SE A POPULAÇÃO DE QUE SE DEVEM DEITAR O MAIS TARDE POSSIVEL.
NUNCA, MAS MESMO NUNCA SE DEITEM COM AS GALINHAS !!!!!!

quarta-feira, outubro 26, 2005

poema O FALAR ALENTEJANO

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O FALAR ALENTEJANO

M'nina que tá à j'nela
Regand'o lind'cravêro
Ó há-de ser para mim
Ó p'ró mê rico pracêro.

Ê nã sô p'ra vocêi
Nê p'ró sê rico pracêro
Que me tá mê pai criendo
P'ró más lind' sapatêro.

Ó m'enina ê sô sapatêro
Hê-d'ir p'rá sapataria
Hê-d'le fazer uns sapatos
Cá maior galantaria.

Ê nã quer'os sês sapatos
Dê-os lá a quê qu'séra
Qu'o marot' que tal diz
Nã mereec' uma mulhéra.

Entes ê qu'ria ser carnêro
Enxertado na raiz
Ê nã qu'ria ser marido
Da magana que tal diz.

Entes ê qu´ria ser porco
Que fossasse num velado
Ê nã qu'ria ser ispôsa
Dum tã frac' namorado.

cartazes políticos III

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terça-feira, outubro 25, 2005

sexta-feira, outubro 21, 2005

LETRAS DE MODAS ALENTEJANAS

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MEU ALENTEJO QUERIDO

Fiz uma cova na areia
Para enterrar minha mágoa
Entrou por ela o mar todo
Não encheu a cova de água

Meu Alentejo querido
Cheio de sol e calor
És meu torrão preferido
Meu Baixo Alentejo
És para nós encantador
És para nós encantador
Embora vivas esquecido
Cheio de sol e calor
Meu Baixo Alentejo
Meu Alentejo querido

quarta-feira, outubro 19, 2005

sexta-feira, outubro 14, 2005

autores populares alentejanos

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MANUEL LOÊNDRERO
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o nosso blog REVELA HOJE UM AUTOR POPULAR ALENTEJANO
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O Blé ou o Blezinho é o nome popular que no Alentejo é usado para designar todos os que são MANUEL ou Manel e portanto os Manéis do Alentejo... O Manel Loendrêro é um autor desconhecido, que na dédcada de 80, publicava as suas MEMÓRIAS, num Jornal, de Moura, "A PLANÍCIE.
É dele esta delicioca crónica:

"Vinha ê uma vez pá vila a cavalo no burro pa fazê o avio, condo óvi atrás de mim um altemoven de esgalha bordão por a estrada adiente.

Passô por mim ca força toda... Tamein si nã passassi más valia uma botas e condo começô a subiri a barrêra do ôto lado da estrada, dê um estralo e começô às panderêtas até que se parô. “olhó! - pensi eu - já está escangalhado”. Fui lá ó pei pa vê o que tinha acontecido. Tava o home arroda de um pineu. Pergunti-lhe donde ele era e disse quera de Lisboa.

Pá, tá tudo dito - pensi eu. Vinha-me imbora condo o vi priparado pa mudá o pineu mas volti pa trás, porque vi o baboso, que nã tinha gêto ninhum páquilo.

Dexi-me do burro, desviio e comeci a mudar a roda, mas vi logo caquilo nã era só do pineu. Espoji-me no chão e espreti pa debaxo do carro pa vê o qué caquela moenga tinha e vi o enxo e a jente, tudo entrotado.

Condo ia a livantar-me vi o home mexendo num ninho d’abêsperas.

- Que bichos são estes? - preguntou eli.

- Nã mexa nisso! Nã as trilhe! - Griti-lhe eu. Tá bem dexa!

Foi mêmo o quele foi fazeri. As abêsperas alivantaram voio e hôve uma que le deu uma nicada nos bêços cu fez dar um berro, ôtra foi-se ó burro. O burro assim cas viu zunindo de roda das orelhas, escarampatô-se e esgalhô fugindo por a chapada árriba. Ê rasgui fugindo atrás deli pó apanhari. Daí a podaço condo volti todo esbrazeado, tava o ôtro cum lenço nos bêços quêxando-se.

- Vocei é mesmo enchaparrado - disse-le. - Atã vocei na sabe que na se pode mexeri num ninho d’asbesperas? E vá lá teve sorti...

Ati o burro a uma arve e fui veri so home tinha os beços munto anchados. Hei mãe! Tava cumas beiçoletas que pareciom o bebrum dum penico! Atão o bocana nã queria pôr pomada naquilo?! Lá o convenci a pori lama nos bêços porque pá picada na há melhori. Condo estava cos beços enlameados, disse-le cu melhor era vir cumigo à vila à busca dum mecânico. Montô-se, em cima do burro e lá fomos. O engraçado é que condo chigámos e me desmonti, olhi pa trás e ele nã estava lá. Devi ter escorregado da albarda, porque eles sabem andari de cu tremido, mas de burro, anda cá se queres... Já no volti pa trás, porque tinha de fazê o avio à minha Bia e despois fechavam as lojas. Tóoouuu!


M.L.

sexta-feira, outubro 07, 2005

domingo, outubro 02, 2005

letras de modas alentejanas

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COMADRE MARIA FRANCISCA


Quem me dera, dera, dera
Estar sempre a dar a dar
Beijinhos ao desafio
Abraços sem descansar

Comadre Maria Francisca
Você diz que dá, que dá
Uma manta retalheira
Daquelas que usam lá
Daquelas que usam lá
Usam lá para Lisboa
Comadre Maria Francisca
Ai, ai, que mulher tão boa
Ai, ai, que mulher tão boa
Ai, ai, que mulher tão má
Comadre Maria Francisca
Você diz que dá, que dá
Você diz que dá, que dá
Você diz que dá, que deu
Comadre Maria Francisca
Quem manda nela sou seu
Quem manda nela sou eu
Quem manda nela, ah, ah
Comadre Maria Francisca
Você diz que dá, que dá

Daqui para a minha terra
Tudo é caminho e chão
Tudo são cravos e rosas
Dispostas por minha mão

sábado, outubro 01, 2005

previsoes para outubro

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Previsão agrícola:
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No São Simão, fava no chão.
Em Outubro, centeio rubro.
Outubro chuvoso, faz o lavrador venturoso.
Outubro seca tudo.
Por Santa Ireia pega nos bois e semeia.
Por São Lucas sabem as uvas.
Quando o Outubro for erveiro guarda para Março o palheiro.
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Animais:
:
Com a vinha, em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.
:
Calor:
:
Outubro quente traz o diabo no ventre.
Outrubro suão, negaças de Verão.
:
Pesca:
:
Andar, marinheiro, andar, não te apanhe São Simão no mar.
Outubro, Novembro e Dezembro, não busques o pão no mar, mas torna a teu celeiro e abre o teu mealheiro.
:
Trabalho:
:
Outubro recolhe tudo.
Por São Francisco semeia teu trigo; e a velha que o dizia semeado o tinha.
Quem planta no Outono leva um ano de abono.
Vindima em Outubro, que São Martinho to dirá.
Com a vinha, em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.
Por São Lucas mata teus porcos e tapa tuas cubas.

sexta-feira, setembro 30, 2005

poetas e poemas do alentejo

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Poeta português, natural do Alvito. Foi colaborador das revistas Távola Redonda e Árvore e Cadernos de Poesia, que, na década de 50, conglomeravam de forma irregular, mas activa, poetas de várias sensibilidades.

Raul de Carvalho

Nascimento: 1920/09/04 Alvito, Baixo Alentejo
Morte: 1984/09/03 Porto
País: Portugal


A obra deste poeta, onde se encontram evocações da sua infância alentejana, revela a sua ligação ao neo-realismo. A fidelidade ao humano e o estilo enumerativo e anafórico são marcas da sua poesia.
Os seus títulos englobam As Sombras e as Vozes (1949), Poesia, (1955), Mesa de Solidão (1955), Parágrafos (1956), Versos - Poesia II (1958), A Aliança (1958), Talvez Infância (1968), Realidade Branca (1968), Tautologias (1968), Poemas Inactuais (1971), Duplo Olhar (1978), Um e o Mesmo Livro (1984) e Obras de Raul de Carvalho — I — Obra Publicada em Livro (editada postumamente em 1993).
Recebeu, em 1956, o Prémio Simón Bolívar, do concurso internacional de poesia realizado em Siena, Itália
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Perdão

I

Regresso à minha terra; andei perdido...
Chamem-me réprobo, ignaro, o que quiserem...
Sou como o pássaro que, depois de ferido,
Que Deus lhe dê a campa que lhe derem...

Não olho altares, não rezo, não ajoelho,
Mas em minha alma a comoção dorida
De quem volta de longe, de bem longe...,
E encontra à sua espera toda a sua vida...

Ouço as primeiras falas que empreguei,
Vejo as primeiras luzes que enxerguei,
Amo as primeiras coisas que dei
O amor que Deus pôs em quanto amei...

E trago tudo junto, aqui, no peito
Neste albergue de vozes, gentes, passos,
Lúgubre às vezes, soalhento às vezes,
E tanto, tanto meu, que lhe criei o gosto

Verdadeiro de quem ama e já não chora
Porque o chorar passou... a despedida
Melhor que um poeta pode dar à Vida
É despedir-se dela num sorriso:

Talvez num beijo... Talvez numa criança
Que o mundo, ao largo mundo vem mandada
Por seus pais que a criaram, sua terra que a viu
Quando ela foi por Deus nada e criada...

Agora temos tempo de fartura
(Quer faça sol ou vento, ou entristeça
A minha mente, e a minha voz se esqueça...)
De ir cantando de novo, à aventura...

À aventura dos limos e das seivas,
Das secas e dos montes, dos moinhos,
Dos pais que não se fartam de sentir
A dor sublime de ver crescer os filhos...

Terra de alqueives, ou monda, ou de pousio,
Terra de largos trigueirais ao sol,
— Quem vos mandou contaminar-me,
E para sempre, do vosso resplendor?...

Poalha luminosa, mas agreste;
Folha de zinco em brasa; imensidão;
A toda a volta — Tanto em vós como em mim —
Implantou Deus a solidão.

Solidão! de hastes curvas no silêncio
Que dá a volta inteira à terra inteira,
Solidão que eu invoco como se
Vos conhecesse pela primeira vez!...

Subo os degraus a medo; páro e ouço...
O que ouço eu? a voz dos sinos? minha mãe?
É com palavras simples e em segredo
Que eu beijo a terra onde nasci também,

Bernardim, Florbela, meu louco e bom Fialho,
Meus irmãos de pobreza, e solidão, e amor preso,
Aqui vos trago o que hoje tenho: Um coração
Sofredor como o vosso, e como o vosso ileso!

Ó planície de alma! ó vento sem ser vento!
Ó ásperas vertentes ao nascente;
Ó fontes que estais secas, ó passeios
Da minha mágoa adolescente...

Como eu vos quero ainda! como eu sinto
Que tudo o mais é tédio e é traição...
Pode-se amar tudo na Vida, mas
Nunca se pode trair o coração.

Dele nos vem, mais tarde a confiança.
Do coração nos sobe, um certo dia,
Uma satisfação que já não pode
Sequer chamar-se-lhe alegria.

E todavia tanta... A de sabermos
Que ainda em nós se ergue e não distrai
A casa da esquina onde nascemos...
A torre que dá horas e não cai...

II

Peço perdão a Deus de ter voltado
Mais pobre e mais feliz: mais perdoado!

III

Voltei à minha terra; aqui faz sol!

quinta-feira, setembro 29, 2005

a nossa galeria

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MERENDA
ACRÍLICO SOBRE TELA
de
EUNICE ROSADO

quarta-feira, setembro 28, 2005

sexta-feira, setembro 23, 2005

imagens do alentejo - PIAS

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ainda as tabernas de castro verde

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EM CASTRO VERDE está patente ao público uma mostra fotográfica
sobre as tabernas da vila.


Exposição alusiva às tabernas de Castro Verde
Desde a Planície Mediterrânica que as paredes da Taberna do João das Cabeças sustentam doze fotografias, da autoria de Rui Pedro Tremoceiro.

As fotografias também disponíveis numa colecção de postais, reflectem pormenores e gestos associados às várias tabernas do concelho.

A exposição pode ser visitada até à Feira de Castro, que acontece no terceiro fim-de-semana de Outubro.

quinta-feira, setembro 22, 2005

preliminares

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Em um determinado país foi criado um programa de incentivo à natalidade,pois o número de habitantes estava caindo e a proporção de idosos
crescia assustadoramente.
Necessitando de mão-de-obra, o governo decretou uma lei que obrigava os casais a terem um certo número de filhos. Previa também uma tolerância de cinco anos após o casamento, no fim dos quais, o casal deveria ter pelo menos um pimpolho.
Aos casais que no fim do prazo não conseguissem ter um filho, o governo destacaria um agente auxiliar para que a criança fosse gerada.
Neste cenário se deu o seguinte diálogo entre um Casal:
MULHER: Querido, completamos hoje 5 anos de casamento!
MARIDO: É... e infelizmente não tivemos nenhum filho.
MULHER: Será que eles vão mandar o tal agente?
MARIDO: Não sei... talvez mandem.
MULHER: E se ele vier?
MARIDO: Bem, eu não posso fazer nada.
MULHER: E eu, menos ainda...
MARIDO: Vou sair, já estou atrasado para o trabalho.
Logo após a saída do MARIDO, bateram à porta.
A MULHER abriu e encontrou um HOMEM de boa aparência à espera.
Tratava-se de um fotógrafo que saiu para atender um chamado de uma família que queria fotografar sua criança recém-nascida, mas que por um
engano, errara o endereço procurado e o diálogo se seguiu:
HOMEM: Bom dia! Eu sou...
MULHER: Ah, já sei! Pode entrar.
HOMEM: Obrigado. Seu esposo está em casa?
MULHER: Não. Ele foi trabalhar.
HOMEM: Presumo que esteja a par.
MULHER: Sim, ele já está sabendo de tudo. Eu também concordo.
HOMEM: Ótimo. Então vamos começar.
MULHER: Mas já? Tão rápido...
HOMEM: Preciso ser breve, pois tenho ainda 16 casas para visitar.
MULHER: Minha nossa! O senhor agüenta?
HOMEM: O segredo é que eu gosto do meu trabalho, me dá muito prazer!
MULHER: Então vamos começar. Como faremos?
HOMEM: Permita-me sugerir: uma no quarto, duas no tapete, duas no sofá.
MULHER: Serão necessárias tantas? HOMEM: Bem, talvez possamos acertar na mosca já na primeira tentativa.
MULHER: O senhor já visitou alguma casa neste bairro?
HOMEM: Não, mas tenho comigo algumas amostras do meu trabalho mostrou algumas fotos de crianças). Não são lindas??
MULHER: Como são belos estes bebês! Foi o senhor mesmo quem fez?
HOMEM: Sim. Veja esta aqui, por exemplo, foi conseguida na porta do supermercado.
MULHER: Que horror! O senhor não acha muito público?
HOMEM: Sim, mas a mãe queria muita publicidade.
MULHER: Eu não teria coragem!!!
HOMEM: Esta aqui foi em cima do ônibus.
MULHER: Cacilda!!!
HOMEM: Foi um dos serviços mais difíceis que já fiz.
MULHER: Claro, eu imagino!
HOMEM: Esta foi feita no inverno, em um parque de diversões.
MULHER: Credo! Como o senhor conseguiu? Não sentiu frio?
HOMEM: Não foi fácil! Como se não bastasse a neve caindo, tinha uma multidão em volta. Quase não consegui acabar.
MULHER: Ainda bem que sou discreta, e não quero ninguém nos olhando.
HOMEM: Ótimo, eu também prefiro assim. Agora, se me dá licença, eu preciso armar o tripé.
MULHER: Tripé?!!!
HOMEM: Sim madame, pois o negócio, além de pesado, depois de armado mede quase um metro.
A MULHER desmaiou.........

quarta-feira, setembro 07, 2005

cozinha alentejana

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MIGAS À ALENTEJANA
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As migas à alentejana constituem um dos mais conhecidos pratos da gastronomia do Alentejo. Tal como as açordas e outros pratos desta região portuguesa, o ingrediente de base é o pão, produto tradicional do Alentejo (antes chamado de "celeiro" de Portugal, devido à produção de cereais ). A carne utilizada é a de porco, outro produto regional com grandes tradições.

O pão a utilizar deve ter as características do pão tradicional alentejano - muito do pão comercializado noutros lugares, demasiado fofo e friável, poderá dar mau resultado.

Ingredientes
Pão (cerca de 150 gramas por pessoa), caseiro, tipo alentejano, de preferência.
Alho a gosto
Massa de pimentão a gosto (algumas colheres)
sal a gosto
Carne de porco (entrecosto, lombo) - de preferência com alguma gordura, para poder fritar com a própria gordura (é aconselhável a utilzação de pedaços de toucinho)
água a ferver (apenas o suficiente para amaciar o pão e formar uma pasta não muito húmida)

Confecção
Os pedaços de carne de porco devem ser barrados com a massa de pimentão e alho, ficando assim durante algum tempo, um dia de preferência, tal como se fazia na ocasião de temperar a carne para os enchidos. O alho deve ser pisado juntamente com algum sal num almofariz (no Alentejo chamam-lhe "graal").

A primeira coisa a fazer com a carne é fritá-la. O objectivo não é, unicamente, cozinhar a carne mas, sim, obter o pingo ou gordura que é, desta forma, produzido. Ainda que se possam utilizar muitos tipos de recipientes, a tigela-de-fogo (recipiente de barro vidrado, estreito na base e largo em cima) é a que é tradicionalmente utilizada. Note-se que muitos dos recipientes de barro vidrado que se compram não podem ir ao lume. Convém informar-se sobre qual a cerâmica mais adequada a esta operação. Para que o pingo não fique cheio de pedaços de carne carbonizada, deve-se vigiar com atenção a forma como a carne frita. Para isso, pode ir borrifando com água, sempre que verificar que há tendência a queimar. Vai-se retirando a carne à medida que esta vai ficando devidamente cozinhada, ao seu gosto (alourada fica bem).

O pingo é retirado da tigela-de-fogo e convém ser coado (passar por uma rede, de forma a separar os resíduos).

O pão é cortado em fatias e colocado dentro da mesma tigela de onde se retirou o pingo e é amassado imediatamente com água a ferver. A colher-de-pau é o utensílio preferido por muitos cozinheiros (tradicionalmente) para este género de operação.

Em seguida, vai-se deitando o pingo que foi reservado, de forma a ligar-se ao pão e temperá-lo. Deve-se ter cuidado para não exagerar - caso contrário, ficam com demasiada gordura. Entretanto, vai-se rodando a massa até formar um bola - é o que se chama "enrolar as migas". Faz-se isto até as migas ficarem com uma crosta dourada (sem queimar). Servem-se acompanhadas da carne frita.

domingo, setembro 04, 2005

TENORES DI BITTI e RICARDO TESI

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São alguns dos que vão estar no Festival de Castro Verde
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Castro Verde recebe uma das mais curiosas produções deste verão: três espectáculos especialmente criados para o "Planície Mediterrânica", que reúnem no mesmo palco artistas como Rão Kyao e Ricardo Tesi ou o guitarrista Marco Reis e os marroquinos Nour Eddini e Jamal Ouassini.

São três produções musicais especialmente criadas para o Festival "Planície Mediterrânica" (integrado no Festival Sete Sóis Sete Luas). O compositor e flautista Rão Kyao lidera uma, com a cantora de flamenco Argentina, o coro de Vila Nova de Milfontes e o acordeonista italiano Ricardo Tesi.

Uma outra reúne o guitarrista de flamenco José Luis Rodriguez, o também guitarrista português Marco Reis e os músicos marroquinos Nour Eddini e Jamal Ouassini. Na terceira, dirigida pelo compositor italiano Luigi Cinque, participam o coro Ganhões de Castro Verde e os valencianos Mara Aranda (cantora de flamenco), Efrén López (orquestrador) e El Choro (bailarino).

Este ano o festival aborda a temática "O Sabor do Tempo e do Vinho", homenageando as tabernas do concelho e os gestos que lhe estão associados.

O festival conta ainda com Bailes de Danças Tradicionais com os Monte Lunai (dia 9) e os italianos Rosapaeda (dia 10). As Oficinas de dança ficam a cargo da professora Mercedes Prieto.

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10 Setembro - Castro Verde
TENORES DI BITTI

Os Tenores de Bitti surgiram em 1974. Bitti è a sua cidade, situada perto de Nuoro na ilha da Sardenha. O grupo è muito activo na pesquisa das tradições culturais locais e, em especial, do canto "a tenores". Conseguiram valiosos reconhecimento seja pela melodia do seu canto que pela preservação e respeito da tradição mais genuina e autentica. Recentemente, na Inglaterra os "Tenores" gravaram o seu último CD na prestigiada casa discográfica "Real World" de Peter Gabriel.

10 Setembro - Castro Verde
RICARDO TESI

Rccardo Tesi é um dos mais destacados expoentes da investigação do folclore europeu. Em Œ78 descobre o acordeão diatónico e decide estudá-lo com a ajuda de músicos tradicionais. Aprendeu portanto diferente estilos e técnicas de execução existentes na Itália: do "saltarello" do centro à "tarantella" do sul, ao "ballo tondo" da Sardenha. Com esta banda propõe uma música que sintetiza linguagens diferentes: além da música tradicional italiana, o jazz, o rock, o baile de salão, a canção...

sábado, setembro 03, 2005

CASTRO VERDE de novo em festa

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CASTRO VERDE DE NOVO EM FESTA
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Já aqui reproduzimos o cartaz a anunciar o "FESTIVAL SETE SÓIS SETE LUAS" em Castro Verde.
Hoje aqui deixamos em síntese o programa:
Abertura da Exposição de Fotografia e Apresentação do Catálogo (08-09-2005)
"O Sabor do Tempo e do Vinho"

Fotografias de Fausto G...

Rão Kyao, Argentina, Ricardo Tesi e Ganhões de Castro Verde (08-09-2005)
“As Terras do Vinho, do Azeite e do Trigo”.

Rão Kyao...

Workshop de Danças de Tradição (09-09-2005)
À semelhança de outras culturas, também as danças tradiciona...

Apresentação do Livro - "A Abetarda" de Pedro Rocha (09-09-2005)
* Iniciativa desenvolvida no âmbito da Planície Mediterrânic...

Luigi Cinque & El Choro, Ganhões, Mara Aranda, Efrén Lopez (09-09-2005)
Luigi Cinque, famoso compositor italiano, maestro das fusões...

Baile de Danças de Tradição - Monte Lunai (09-09-2005)
Monte Lunai transporta-nos para a época medieval e para as d...

Workshop de Cante Alentejano (10-09-2005)
Esta actividade será dinamizada por um grupo coral do concel...

Feira da Terra (10-09-2005)
Neste espaço vendem-se hortaliças, mel, doces tradicionais, ...

Workshop de Acordeão (10-09-2005)

Workshop dinamizado por Ricardo Tesi
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Grupo Coral "As Papoilas do Corvo" (10-09-2005)
Animação de Fim de Tarde...

Tenores di Biti (10-09-2005)
Os Tenores Di Biti surgiram em 1974. Biti é a sua cidade, si...

Ricardo Tesi & Banditaliana (10-09-2005)
Compositor, instrumentista, investigador. São estas as almas...

Workshop de Dança (10-09-2005)
* iniciativa desenvolvida no âmbito da Planície Mediterrânic...

Visita à Herdade da Malhadinha (11-09-2005)
Inscrições limitadas/ Posto de Turismo (286 328 148)

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Visita ao Núcleo Urbano de Castro Verde (11-09-2005)
Inscrições limitadas/ Posto de Turismo (286 328 148)...

Workshop de Modas Campaniças (11-09-2005)
* iniciativa desenvolvida no âmbito da Planície Mediterrânic...

Roteiro das Tabernas (11-09-2005)
João das Cabeças – 16h00 – Apresentação de Colecção de Posta...

IGUARIAS DO ALENTEJO

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iguarias do alentejo
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Na taberna do JOÃO DAS CABEÇAS, em Castro Verde, a especialidade é :
Cabeças de borrego assadas no forno
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Como se faz?

2 cabeças de borrego
6 dentes de alho
louro
banha
vinho branco
sal

Depois de cuidadosamente limpas e cortadas as extremidades das narinas, barre as cabeças inteiras com a massa de alhos pisados, banha e sal. Esmague o louro e espalhe-o por cima. Aconchegue as cabeças numa assadeira de barro ou tabuleiro e leve ao forno a assar com calor mediano. Caso consiga em forno padeiro, está a cumprir na integra todos os requisitos. Quando a assadura se aproximar do desejável, borrife-as com o vinho branco. Deixe terminar a assadura e parta-as ao meio.

Provérbios de Setembro

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Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta.
Em Setembro, ardem os montes e secam as fontes.
Setembro, ou seca as fontes ou leva as pontes.
Nuvens em Setembro: chuva em Novembro e neve em Dezembro.
Em Setembro, planta, colhe e cava, que é mês para tudo.
Lua Nova setembrina sete vezes domina.
Se por acaso em Setembro a cigarra cantar, não compres trigo para o vires a guardar.
Para que o ano não vá mal, hão-de encher os rios três vezes entre S. Mateus e o Natal.
Pelo S. Mateus, pega nos bois e lavra com Deus.
Setembro, cara de poucos amigos e manhã de figos.
Setembro molhado, figo estragado.
Setembro que enche o celeiro dá triunfo ao rendeiro.
Pelo S. Mateus não peças chuva a Deus.
Águas verdadeiras, por S. Mateus as primeiras.
No S. Mateus vindimam os sisudos e semeiam os sandeus.
Agosto madura, Setembro vindima.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Crónica no Monte da Ribeira

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Reencontro no Monte da Ribeira
Quarenta e dois graus registava o termómetro do carro, na hora em que chegámos ao Monte da Ribeira.
E essas temperatura do ar estendeu-se ao ambiente de fraternidade criado entre todos nós, juntos em mais uma visita à "casa-mãe", lá, onde tudo começou.
Irmãos estavam cinco. Ao anfitrião António, juntaram-se a Ana, a Alice, a Lena e o Zé Batista.
Ali, na casa onde tantas traquinices protagonizaram, tantas partidas pregaram, tantas "estórias" ouviram e contaram, tantos afectos trocaram, o pretexto foi o almoço, o resultado - uma tarde de memórias, o desfilar de recordações, o lembrar sentido daqueles que por cá passaram e já nos deixaram.
Neste exercício de recordar, participaram também a Maria Rita e o João, que de França vieram rever os seus, reavivar as suas memórias, as próprias e as comuns com os da casa.
À mesa , recordaram-se as noites do Monte, os jogos e as brincadeiras com que se preenchiam os serões dum tempo ainda sem televisão.
Já aqui referi em escritos anteriores, as sessões de leitura, ou , de estórias contadas de viva voz. Agora , recordámos as do Tio Branco, que tão bem prendia a atenção de todos com o "Cavalinho de Pau","A Princesa d'Austria",ou as do Avô Luis, mestre da palavra com a "Princesa Magalona", "O touro Azul" e "Rosa do Adro".e ainda "A raposa e o ouriço", contada pelo Tio António Jesuína.
Além dos contos, como lembrou a Ana, havia o "jogo do 31", o "jogo dos disparates", e o chamado jogo do "Estou pensando".
Para o "Jogo dos disparates", existia um livro com uma série de perguntas numeradas de 1 a 31, a que correspondiam, também numeradas de 1 a 31, respostas de acordo com a sequência numérica escolhida.
A pessoa que por sorteio ficava na posse do "livro", lia as questões, como por exemplo:
..n.3 - COM QUEM QUER CASAR?
ou
..nº6 - COM QUEM VAI JANTAR?
A que corresponderia, de acordo com o número escolhido, respostas do tipo:
- COM UM BURRO
ou
- COM UM CÃO
- COM UM CAMÊLO
e aí por diante.
No outro jogo, o chamado "Estou pensando", um jogador tentava adivinhar em que pessoa o outro jogador estaria a pensar, através de perguntas a ele dirigidas, tais como?
- HOMEM OU MULHER?
- CASADO OU SOLTEIRO?
- QUANTOS FILHOS TEM?
e acabavam por levar à descoberta.
Como se tratava quase sempre de pessoas da terra, ou arredores, que todos mais ou menos conheciam, não era dificil encontrar a solução. Por outro lado, acabava-se de , por vezes, se descobrir factos novos, segredos até, ligados à personagem que se tentava descobrir.
Não só o pessoal da casa se divertia com estes jogos aos serões, mas também vizinhos e amigos dos montes próximos, que frequentemente apareciam e participavam. Foram recordados a Judite, o Manuel Francisco, a Maria Deolinda, o António Luis e muitos outros.
Às tantas, apercebi-me que começava a sentir uma pontinha de inveja de não ter tido o privilégio de ter vivido aqueles tempos mágicos, naquele envolvente ambiente de pertença

domingo, agosto 28, 2005

letras de modas alentejanas

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BALEISÃO

Se Baleisão fosse meu
Como eu tinha na vontade
Fazia de Beja aldeia
De Baleisão, cidade

Ó Baleisão, Baleisão,
Ó terra baleisoeira,
Eu hei-de ir pra lá morar,
Queira o teu pai ou não queira!
Queira o teu pai ou não queira,
Queira a tua mãe ou não,
Ó terra baleisoeira,
Ó Baleisão, Baleisão!

Em terra de Baleisão,
Morreu uma camponesa.
Só por querer ganhar o pão,
Para os filhos, que tristeza!

Ó Baleisão, Baleisão,
Ó terra baleisoeira,

sexta-feira, agosto 26, 2005

imagens do alentejo

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CORTE ZORRINHO

ALDEIA DO JORGE E DA MARIA INÁCIA

terça-feira, agosto 23, 2005

a nossa galeria

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"FIM DE TARDE" acrílico de EUNICE ROSADO

sexta-feira, agosto 19, 2005

Imagens do alentejo MILFONTES

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VILA NOVA DE MILFONTES - A BELEZA DO ALENTEJO DO LITORAL

Há muitos séculos que a foz do rio Mira é usada pelos marinheiros para se abrigarem das tempestades. Por ali andaram celtas, fenícios, gregos, cartagineses e, claro, romanos e árabes.

No século XIII, já a localidade tinha dimensão para receber carta de foral, outorgada por D. Afonso III. No entanto, viria a ficar deserta, na segunda metade do século XV, na sequência de um saque por piratas argelinos.

Foi D. Manuel quem decidiu repovoar a importante praça costeira. Deu-lhe novo foral, já com o nome de Vila Nova de Mil Fontes, em 1512, e abundantes privilégios, para atrair colonos. Na reorganização administrativa de 1855, perde a categoria de vila, que só retomará em 1988.

Dois dos mais importantes momentos da história de Milfontes podem ser recordados no actual Largo Brito Pais. A fortaleza (actualmente uma unidade hoteleira) foi mandada construir por D. João IV, para prevenir incursões pelo rio. O monumento aos aviadores recorda que foi dos campos vizinhos que descolaram Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, em 1924, para um arriscado voo que os levaria a Macau.

quarta-feira, agosto 17, 2005

O CANTE ALENTEJANO

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O CANTE ALENTEJANO
J.F. Colaço Guerreiro

Da companhia nasce a vontade, o relaxo espevita o apetite e do longe vêm os sons que galvanizam os ânimos, depois os olhares vidram-se fixados em vultos, sombras ou sóis que flamejam, a mente começa a regurgitar memórias estilizadas que passam à fio como anátemas, de mão dada, reflectindo-se disformes no quadro do pensamento. Das entranhas soltam-se ais e gritos, trovões de razões caladas , murmúrios perdidos desde a antiguidade, risadas também, libertas em tempos passados, em espaços abertos, donde o vento as levou para sempre, sem deixar sequer um eco para hoje ser sorriso.
As bocas vão ficando mais escancaradas à medida que o sentimento incha nos peitos, notam-se então os corpos possessos duma magia que transparece nas vaias, crispam-se as mãos e os olhos cerram-se, a inspiração acende-se, o deleite aumenta, abre fervura, transborda e quanto mais se canta, maior é o esplendor das vozes impregnadas na mística que o próprio cante produz.
É a alma de um povo derramada em sonoridades que escorrem numa cadencia de preceitos, como fio de água que passa eterno no mesmo serpentear da corrente. E não cansa fazê-lo nem dá tédio observá-lo, porque embora aparente monotonia, os modos como arrastam as palavras têm o sortilégio de produzir em cada instante sensações diversas, sentires distintos em momentos que são sempre outros.
As modas que são poemas enfeitados de melodia , repetem-se com o mesmo fervor com que os aflitos renovam as preces, uma, duas, vezes sem conto, sempre sem desânimo, buscando uma satisfação inconfessada ou tentando alcançar a perfeição do cântico, para igualar na afinação a interpretação que no imaginário se guarda.
Há um que começa lançando para o ar dizeres já sabidos envoltos numa toada que todos conhecem e os mais, ficam expectantes, agarrados ao chão à espera da sua vez, totalmente entregues ao apelo, fazem em silencio o percurso do evoluir ondulante da voz do ponto. A meio, como que param a respiração, depois cresce-lhes um frenesim que aguça ainda mais a necessidade da sua expressão vocal e inspiram ,sustêm o fôlego como se fossem mergulhar no vazio, como que aguardando um sinal para entrarem .De rompante, solta-se a voz do alto, mais fininha, estridente, fazendo a chamada. É então que o coro desata as gargantas e os vozeirões dos baixos respondem despejando em tom grave o continuar da moda .E fazem-no com a determinação, a convicção, a postura e o sentir de quem toca o absoluto.
Casam-se tão bem as vozes que o cante parece nascer de uma só vontade, jorrar de uma só garganta, num brado talhado de pausas e preceitos, ornado com melismas, que penetra, arrepia e chega a ser comovente .
Os intérpretes entregam-se completamente à toada do cante que depressa se apodera deles, tornando-os maleáveis, moldando-os a uma plástica donde só sobressai a forma imprimida pelo conjunto. Gera-se entre eles uma corrente de afecto que os percorre e carrega de prazer, germina no grupo um sentir quase lascivo e por isso ficam brandos, capazes de gestos eivados de ternura. Apetece-lhes colarem os corpos tal como sobrepõem as vozes e assim balançam levados e trazidos pela melopeia, cadenciando enleiam os braços, como fazem as silvas para prender em redor.






E sempre que o destino os empurra para a lonjura que é sempre imensa qualquer que seja a distância que os separa do berço, quando estão ausentes, perdidos nos descaminhos, desviados do sítio, afastados desta luz, o crenço agiganta-se e as afinidades com os traços comuns são então mais evidentes.
Buscam a identidade no falar, nos dizeres, nas lembranças, nas coisas que se contam carregadas de sentires fortes de que os outros, seus iguais, também comungam. São as lembranças da escola, as belhoretas de gaito, as brincadeiras de pequeno, e os velhos, a memória da gente ida é também trazida ao de cima ,com referencias aos seus modos, aos seus hábitos, a histórias reveladoras de um tipicismo que sabe bem recordar.
Por isso se juntam amiude, de propósito, por necessidade.
Em cima da mesa colocam-se os comeres e as lembranças que se petiscam em cumplicidade e se saboreiam com o paladar da nostalgia . E por fim canta-se sempre.
A moda exulta os espiritos, suaviza a dôr da partida, funciona como um bálsamo que sem curar alivia as queixas .
Amorna as mágoas porque este cante é para isso mesmo. Não nasce das alegrias mas brota das paixões, dum pensar profundo, de preocupações .Por isso constrange quando se interpreta, por essa razão arrepia quando nos envolve.
Tem uma espiritualidade evidente qualquer seja a sua raíz. Cantochão, gregoriano ou fá-bordão poderão estar na sua génese mas a moda tem certamente impregnadas na sua estrutura as marcas dum povo com certo sentir, os sons e as falas, os gestos e os sonhos duma gente antiga que aqui moirejava. E o cante temperou-se nas fornalhas dos restolhos, aveludou-se em primaveras coloridas, absorveu a imensidão do horizonte, captou os gemidos da solidão, ganhou formas próprias em lavouras custosas.
Desse caldo de valores e referencias se fez o cante e neste ambiente nasceram os mestres, seus interpretes ímpares seus cultores maiores.

CONTADOR DE VISITAS

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Desde hoje ,17 de Agosto, foi colocado no nosso Blog, um contador de visitas, que nos vai dar uma ideia da afluência dos nossos amigos.
Vamos lá a mexer com os números!!!

sexta-feira, agosto 12, 2005

quarta-feira, agosto 10, 2005

EM SETEMBRO,em CASTRO VERDE

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Poetas populares alentejanos

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Em cada alentejano surpreende-se um poeta.
Neste ultimo fim de semana aproveitei a ida a Castro Verde para mais umas recolhas.
E foi assim que tomei contacto com o versejar do poeta popular Vitorino Palma Cavaco, graças a uma rápida leitura de um exemplar de um seu livro "Realidades", que me foi facultado pela Ana Catarina.
Natural de Alcoutim , a viver em Ervidel, é assim que o poeta sente o Alentejo.

VISTA DE ERVIDEL, ONDE VIVE O POETA
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Gostosamente reproduzo alguns exertos da sua obra:
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POEMA DEDICADO AO PROGRAMA PATRIMÓNIO:
(Algumas quadras)
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Programa Património
vai aumentando a fama
transmitido às quintas feiras
este lindo programa.
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Apresentando diversa cultura
muitos costumam participar
a todos a minha homenagem
em alguns vou falar.
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Do Monte do Tacanho
canta baldão o Luizinho
nas suas lamentações
fala sempre do seu gadinho.
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...
É seu apresentador
dr.José Francisco Colaço
a tende a todos com vigor
para ele um grande abraço.
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AS RUAS DE CASTRO VERDE
(algumas quadras)
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As artérias de Castro Verde
vila em desenvolvimento
aqui vou mencioná-las
começo pela rua do Acampamento
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Rua Raul Carvalho
Largo e Rua São Sebastião
Rua da Coopenave
Rua da Aclamação
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Praça do Municipio
Zeca Afonso é avenida
Praceta de São Pedro
e Travessa da Zunida.
....
VERSOS DEDICADOS AO ALENTEJO
(Algumas quadras)
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Um terço do nosso país
é ocupado pelo Alentejo
temos o Alto e o Baixo
Do Algarve ao Ribatejo
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Também ainda confronta
com Beira Baixa e Extremadura
tem gente hospitaleira
é uma provincia pura.
....
....
Terrenos com fertilidade
que metem muita cobiça
dá arroz, cevada, milho e azeite
algodão, lenha e cortiça
.
...
A colheita do trigo
é a sua maior produção
tem girasol e grão de bico
pois é o celeiro da nação
....
...
Na qualidade do vinho
nenhuma outra zona o bate
seus terrenos também criam
beterraba, melão e tomate
...
...
Tem bom pão e queijo a sério
as planícies parecem um sonho
no subsolo tem minério
e na serra tem medronho.
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segunda-feira, agosto 08, 2005

PREVISÕES PARA AGOSTO

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Provérbios de Agosto


O :
Previsão agrícola
:
Agosto nos farta, Agosto nos mata.
Água de Agosto, açafrão, mel e mosto.
A quem não tem pão semeado, de Agosto se faz Maio.
Cava e esterca de Agosto, ao lavrador alegra o rosto.
Em Agosto deve o milho ferver no carolo.
:
Caça
:
Em Agosto, espingarda ao rosto.
Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, está cheio o covil; Maio, pio-pio pelo mato; Junho, como um punho; Em Agosto, as tomarás a coso.
:
Calor
:
Corra o ano como for, haja em Agosto e Setembro calor.
Em Agosto dá o sol pelo rosto.
Em Agosto secam os montes, em Setembro as fontes e em Outubro seca tudo.
:
Comida
:
Couves em Agosto, tumba à porta.
Em Agosto, toda a fruta tem seu gosto.
Queres ver teu marido morto? Dá-lhe couves em Agosto.
:
Trabalho
:
Em Agosto aguilhoa o preguiçoso e sê cuidadoso.
Quem Agosto ara, riquezas prepara.
Quem malha em Agosto, malha com desgosto.
:
Vinho
:
Agosto e vindima não vêm cada dia, mas sim cada ano; uns com ganância, outros com dano.
Agosto amadura, Setembro vindima.
Em Agosto vale mais vinagre que mosto.
Em Agosto, nem vinho nem mosto.
Chuva de Agosto apressa o mosto.
Em Agosto, sardinha e mosto.
Não é bom o mosto colhido em Agosto.
Quando chove em Agosot, chove mel e mosto.

quarta-feira, agosto 03, 2005

CANTO D'ALMA

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CANTO D´ALMA

José Francisco Colaço Guerreiro

As letras,as palavras ditas,são o que menos importa .Por isso, neste cante,as sílabas derretem-se, prolongam-se desmedidas, só sustidas pelo fim do fôlego e no ar enleiam-se umas nas outras como silvas , num emaranhado onde se perde o sentido do sentir do poeta que escreveu a rima.

Apesar disso, todos acompanham vibrantes de emoção a sonoridade projectada pelas bocas que ora se escancaram como cocharros ora se cerram como frinchas, para soltar no devido tempo as vaias precisas,impostas, em cada momento da moda. Assim é porque todos têm retidos na memória os versos ouvidos em repetições infinitas ,em insistencias incontáveis. Escalfam-se as gargantas num afã de teimosia ,numa mística de paixão ,num querer incessante de fazer ecoar como preces ou ladainhas as mesmas melodias para sublimar agruras, infortúnios ou tristezas e só muito raramente para marcar estados de júbilo. Não precisam de explicitar os vocábulos,nem tornar perceptíveis os versos porque a grandiosidade das obras que interpretam está contida na sua sonoridade .È a melodia que tudo diz, é ela que tão bem sugere , elevando consigo os interpretes aos píncaros da emoção numa embriaguez que os tolda e os enlaça , formando magotes, desenhando esculturas de corpos numa fusão quase irreal.

Para tanto se abraçam,e o grupo em simultâneo arfeja como um fole,tomando o ar,retendo-o, expelindo-o depois , no estender manso das vaias . Precisam sentir em conjunto a sua doçura,deleitam-se com elas, depois elevam-se, finalmente, ao cimo do prazer quando os olhos se cerram ou alvejam e os corpos estremecem percorridos por um arrepio que das entranhas se solta.

Este cantar precisa de grande empatia colectiva para se expremir de modo conveniente à satisfação da sua dimensão verdadeira que a final , se aproxima do extase. Para tanto contribui o alto que como requinta espevita as emoções, conduzindo o coro para níveis de concentração e entrega que arrancam esses prazeres tão evidentes no reflexo dos rostos.

A moda começa sempre marcada com um verso trinado pela garganta aveludada de um ponto que rompe o silencio e a atenção expectante dos demais.Mete a emoção a caminho ,lado a lado com a melodia e vai desenhando lentamente o bordado do estilo esperado.O conjunto fica-se, já agarrado aos sons,já preso às requebras, mas ainda carente do impulso que depois o alto lhe empresta levantando a moda. È aí que todos se jogam como se tratasse de uma ajuda,de uma pega, de um trabalho,de uma força que tem de ser exercida à uma com gana e preceito.Mas acicatando as vozes e exacerbando as emoções o alto continua sempre a fazer-se ouvir, a sobrepôr-se no tom ao eco grave dos baixos.

Então,fermenta nos peitos o viço deste canto d´alma e os sons desprendidos já arrebatam e a emoção gerada já embriaga.Uma,outra e outra, vezes e modas sem fim, parecendo ecos do tempo ido a sacudir o estar presente. Quem canta delicia-se, quem ouve emociona-se sem saber porquê.

È este cante que esta terra escuta quando o demais pára e as gentes cadenciam a melancolia ao som dos seus passos , prosseguindo o rumo que a tradição sugere.

a nossa galeria

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ACRILICO EM TELA "Alentejo" de EUNICE ROSADO
Aldeia de Montes Velhos

segunda-feira, agosto 01, 2005

FRANCISCO DUARTE

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No dia 30 de JULHO, logo após a hora de almoço, recebi uma msg SMS, que dizia:
"Já cá estou! 3 Kilos e benfiquista.
Ass. Francisco Duarte"
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Mais um alentejanito
A "CASA-DAS-PRIMAS", felicita efusivamente os pais do Francisco Duarte, o João Tiago e a Carla, os avós e bisavós.Ao Zé Francisco, nosso companheiro de Blog, saudamos a entrada no clube dos avós, vai gostar...
Se seguir as pisadas do pai e do avô, brevemente teremos o FRANCISCO DUARTE a participar no nosso Blog.
Parabéns e benvindo!!!

terça-feira, julho 26, 2005

AS CAMPONESAS NO FESTIVAL "FOLKSEGÓVIA"

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Nos passados dias 1,2 e 3 de Julho o Grupo Coral e Etnográfico 'As Camponesas' de Castro Verde participaram em Segóvia (Espanha) no Festival 'Folksegóvia' que prima pela qualidade dos participantes e pelo esmero na organização.
O Alentejo cantou e encantou os muitos milhares de participantes e assistentes do Festival, provocando uma verdadeira onda de curiosidade, de admiração e de apreço manifestados nas sistemáticas abordagens que nos eram feitas em que se procurava indagar tanto sobre o modo de cantar como sobre a forma de vestir.
'As Camponesas' foram agraciadas como enormes ovações do publico e regressaram ainda mais confiantes de que o trabalho que vêm a desenvolver ha mais de vinte anos é de elevado gabarito cultural.

sexta-feira, julho 22, 2005

imagens do alentejo-MESSEJANA

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A IGREJA DE MESSEJANA

A vila de Messejana é de origem muito antiga, ignorando-se quem a fundou. No entanto deve o seu nome aos árabes, aos quais foi conquistada, em 1235, pelos Cavaleiros da Ordem de Santiago de Espada, tendo sido anexada ao termo de Al-justrel. Recebeu de D. Dinis a categoria de concelho, que seria confirmado pelo Foral Novo, dado por D. Manuel I, em 1 de Julho de 1512. Messejana chegou a ser sede da vastíssima Comarca de Campo d’Ourique. O concelho foi extinto em 24 de Outubro de 1855, sendo as suas 7 freguesias repartidas pelos 4 concelhos limítrofes. A Freguesia de Messejana integrou então o Concelho de Aljustrel.
Messejana chegou a ter onze igrejas. Hoje em dia, persistem a Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Ermida de Nossa Senhora da Assunção e Ermida dos Santos Reis e a recente capela da Aldeia dos Elvas. Podem ainda ser observados na freguesia, as ruí-nas do Castelo Medieval, a Torre do Relógio, o Fontanário de Alonso Gomes, o Cruzeiro da Inde-pendência, algumas casas solarengas, o Museu Etnográfico e Biblioteca Pública e as ruínas do Con-vento Franciscano de Nossa Senhora da Piedade.
Por outro lado, a história da Ermida de Nossa Se-nhora de Assunção ou Ermida de Nossa Senhora de Entre-as-Vinhas, situada nos termos de Messejana, está ligada às visitações dos frades da Ordem de Santiago, que a administraram entre 1534 e 1755.
Uma das mais antigas e enraizadas tradições de Messejana é a tourada. Já em 1573, quando D. Sebastião esteve no Sul do país e passou 4 dias em Messejana, aqui se realizaram três touradas.
No Museu de Messejana, encontram-se algumas preciosidades: uma sala reconstituindo o escritório de Soares Victor, filho ilustre da terra, os cântaros utilizados por Francisco Manuel Bartolomeu, último aguadeiro de Messejana, reconstituição de várias dependências das casas típicas alentejanas, no-meadamente as cozinhas, a despensa, o quarto de cama e a casa da costura.

letras de modas alentejanas

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Ó rama, ó que linda rama,
Ó rama da oli veira!
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda in teira!

Que anda aqui na roda inteira,
Aqui e em qualquer lugar,
Ó rama, que linda rama,
Ó rama do olival!

Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu.
Se houvera quem me ensinara,
Quem aprendia era eu!

Não m'invejo de quem tem
Parelhas, éguas e montes;
Só m'invejo de quem bebe
A água em todas as fontes.

Fui à fonte beber água,
Encontrei um ramo verde;
Quem o perdeu tinha amores,
Quem o achou tinha sede.

Debaixo da oliveira
Não se pode namorar;
A folha é miudinha,
Deixa passar o luar.

crónica

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Crónica radio castrense – 26/2/02
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DE
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
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O cronista espreguiçou as ideias num chão de quimeras, bocejou pensamentos repetidos e apeteceu-lhe estiraçar-se sobre os sonhos que enchiam fofas almofadas e almofadões sobrepostos no seu tempo.
O cronista acordou sem vontade de falar sobre Alqueva, a barragem da utopia onde vão ficar inundadas as esperanças/ quase certezas de um Alentejo próspero, militante, camarada. Nem Alqueva, nem Aldeia da Luz, espelho do nosso comportamento, fonte de tanta nostalgia, pretexto também para a afirmação de protagonismos que invectivam o poder da rosa murcha.
Não, nem a iliteracia que as estatisticas comunitárias revelaram imensa, nem o abandono escolar, nem o insucesso, nem a sua má qualidade praticada nas escolas/distracção dos meninos, tiveram dimensão para fixar o raciocinio do cronista ausente.
As imagens ultimas do Savimbi, cadaver/trofeu, descendo à tumba, patenteando a fragilidade da vida, logo dobradas pelas palavras protocolares, correram devagarinho sem se fixarem na tela da atenção.
Acrescentava-se ainda o facto de o Benfica correr novo risco com a obra do seu ex-estadio em consequencia de alguem ter redescoberto que o clube não tinha a situação contributiva regularizada.
Somou-se o surto da meningite e as vacinas não vacinas e o ministro masi a comissão científica, e o medo e o pavor e a facturação dos laboratórios.
Nem as eleições próximas e as súplicas dos crentes da política, a ladainha das sereias, o encostanço ao outro lado já que isto cá é como um baloiço, o fizeram pestanejar.

Nem o arrependimento dos que deviam ter feito melhor e fizeram mal ou nada fizeram para bem deste país que anda à deriva como uma rolha soprada pelo vento do acaso, o fizeram comover.
Nada, mesmo nada desconcentra o cronista que não lhe agrada vivenciar activamente este presente e prefere continuar a espreguiçar as odeias pelo chão das quimeras onde às vezes acontecem os sonhos plantados.

quarta-feira, julho 06, 2005

FLORBELA ESPANCA

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Versos de orgulho

O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!

O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
- O jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos, pão bendito...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
- São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.

Florbela Espanca

preliminares

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Uma senhora vai ao Ikea comprar um armário novo. Para que lhe saia mais
barato, compra um em kit.
Ao chegar a casa, monta-o e fica perfeito.


Nesse momento passa o comboio (ela mora junto à estação de comboios) e o
armário desmonta-se todo.
Monta novamente o armário. E este volta a cair com o passar do comboio.
À terceira tentativa falhada, telefona para a Ikea e exige a presença de um
técnico.
O técnico chega, monta o armário e, quando passa o comboio, desmonta-se
todo.
O técnico monta novamente o armário, passa outro comboio e, armário
novamente desmontado.
Então, o técnico tem uma brilhante ideia:
- Escute, minha senhora, eu vou montar novamente o armário, meto-me lá
dentro e espero que passe o comboio para ver porque é que o armário se estás
desmontar.
E assim fez.
Nisto o marido entra no quarto e diz:
- Querida, que armário tão bonito! - e abre a porta.
Ao ver o técnico da Ikea pergunta:
- O que é que você faz aí?
Este responde:
- Estou quase tentado a dizer-lhe que vim engatar a sua mulher. Porque, se lhe
digo que estou à espera do comboio, não vai acreditar.

sexta-feira, julho 01, 2005

PROVERBIOS DE JULHO

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O mês de Julho

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Previsão agrícola
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Em Julho reina o gorgulho.
Julho, o verde e o maduro.
Não há melhor amigo que Julho com o seu trigo.
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Trabalhos
:
Em Julho ceifo o trigo e o debulho; e em o vento soprando o vou limpando.
Julho quente, seco e ventoso trabalha sem repouso.
Por todo o mês de Julho o celeiro atulho.
Quem trabalho em Julho para si trabalha.
:
Animais
:
Em Julho abafadiço fica a abelha no cortiço.
:
Vinho
:
No S. Tiago pinta o bago.
Pelo S. Tiago na vinha acharás bago, se não for maduro será inchado.
S. Tiaguinho sempre traz seu cabacinho.
  

CASTRO VERDE EM FESTA

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CASTRO VERDE ESTÁ EM FESTA
DE 1 A 3 DE JULHO VAI TER AS SUAS
FESTAS DA VILA

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Festas da Vila nos dias 1, 2 e 3 de Julho
Os primeiros dias de Julho são de Festa no Largo da Feira. As comemorações do Feriado Municipal acontecem nos dias 1, 2 e 3 de Julho, em honra do padroeiro S. Pedro.

O programa é vasto e traz até Castro Verde nomes bem conhecidos do panorama musical português, como Tony Carreira, João Pedro Pais, Terrakota ou Trio Odemira.

TERRACOTA

Mas nem só de música se fazem as Festas da Vila. Do artesanato local à gastronomia regional, são muitas as propostas para estes três dias. Não vão faltar os petiscos bem temperados pelas Associações e Colectividades do concelho nem a animação para os mais novos.
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Festas da Vila
Comemorações do Feriado Municipal
1, 2 e 3 de Julho

LARGO DA FEIRA

Sexta-feira – 01 Julho

18h30 – Abertura do recinto da festa
21h00 – Início do Baile com o Grupo “Ritmo Jovem”
23h00 – Concerto com Tony Carreira
24h00 – Continuação do Baile

Sábado – 02 Julho
18h30 – Abertura do recinto da festa
19h00 – Grupo Coral “Os Cardadores” da Sete - Grupo de Música Popular
21h30 – Baile com o Grupo “Ritmo Jovem”
23h00 – Concerto com João Pedro Pais
00h30 – Concerto com o Grupo Terrakota

Domingo – 03 Julho
09h30 – Torneio da Malha – Final Concelhia Jogos Concelhios
10h00 – 4º Encontro de Ciclomotores Antigos
- Concentração Largo da Feira
Desfile Ruas de Castro Verde
18h00 – Abertura do recinto da festa
18h30 – Grupo Coral “As Atabuas” de São Marcos da Atabueira
19h00 – Baile com o Acordeonista Nuno Ramires
22h00 – Concerto com Trio Odemira e Septeto Café Cuba*
23h30 – Continuação do Baile


Exposição “O Acordeão” patente ao público no Pavilhão do Largo da Feira durante os dias da festa.

quinta-feira, junho 30, 2005

O MIGUEL FAZ HOJE 2 ANOS

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30 de Junho

O MIGUEL FAZ HOJE 2 ANOS.
Teve uma festinha rodeada de afectos dos pais. Ana Lúcia e Pedro, avós, tios, tias e a priminha mais nova a Francisca.
Cantou o "Parabens a você", "tocam os sinos", e brincou até à exaustão com os novos brinquedos que ganhou de presente.

A festinha com os coleguinhas da escola vai decorrer no Domingo, e tem palhaços...

TOM JOBIM

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TOM "CYBER" JOBIM
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Se Tom Jobim usasse o Windows...
O seu poema seria assim:
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É pau
É vírus
É o fim do programa
É um erro fatal
O começo do drama.
É o turbo Pascal
Diz que falta um login
Não me mostra onde é
E já trava no fim.
É dois, é três, é um 486
É comando ilegal
Essa m.... bloqueia
É um erro e trava
É um disco mordido
HD estragado
Ai meu Deus tô ......
São as barras de espaço
Exibindo um borrão
É a promessa de vídeo
Escondendo um trojão
É o computador
Me fazendo de otário
Não compila o programa
Salva só o comentário.
É ping, é pong
O meu micro me chuta
O scan não retira
O Windows não entra
E nem volta pro DOS
Não funciona o reset
Me detona a voz
É abort, é retry
Disco mal formatado
PCTools não resolve
Norton trava o teclado
É impressora sem tinta
Engolindo o papel
Meu trabalho de dias
Foi cuspido pro céu!...

terça-feira, junho 28, 2005

salvé o 28 de Junho , dia do ZÉ FRANCISCO

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É dia 28 de Junho, é dia de festa no Blog, e em Castro Verde, e no Alentejo.

O Zé Francisco festeja o seu aniversário, nós festejamos o dia do Zé Francisco.
Não conheço nenhum alentejano , mais arreigado ao Alentejo , mais Alentejano que o Zé Francisco.
Por isso não só nós, cá do Blog, devemos estar com ele neste dia festivo.
A Alentejo deve-lhe imenso a sua divulgação.
As violas campaniças existem mais, soam mais vezes, dobram os sons..
O cante é hoje mais ouvido, mais cantado, mais badalado, mais discutido.
Em grupos de Cante, há mais "Ganhões", mais "Camponesas", mais "Carapinhas"
Com o Baldão há mais Feira de Castro, há mais cantar, há mais tradição.
Com o "Património", há mais rádio, há mais palavra, mais comunicação.
Com a Cortiçol mais património, mais ambiente, mais cultura, mais divulgação.
O nosso Blog festeja ruidosamente o Zé Francisco e lembra-lhe que gosta de doces!!!!

sexta-feira, junho 24, 2005

preliminares

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UM AMIGO ENCONTRA UM EX-COLEGA DE TRABALHO :
-"ME SEPAREI DA MINHA MULHER E JÁ FIZEMOS A DIVISÃO DOS BENS."
O COLEGA PERGUNTA:
-"E OS FILHOS?"
O OUTRO RESPONDE:
-"O JUIZ, SABIAMENTE, DECIDIU QUE FICARIAM COM AQUELE QUE MAIS BENS RECEBEU AO FINAL DO PROCESSO.
-"HOJE MEUS DOIS FILHOS ESTÃO VIVENDO COM O ADVOGADO".

quinta-feira, junho 23, 2005

IMAGENS DO ALENTEJO - CASTRO DA COLA

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CASTRO DA COLA

No povoado de Castro da Cola encontram-se poucos vestígios romanos, mas uma herança muçulmana interessantíssima e traços cristãos da época medieval que...

De Castro da Cola, em Ourique, rezam lendas de assombrações, de tesouros ou mouras encantadas e à sua volta espalham-se na paisagem as marcas que o Homem deixou desde tempos imemoriais.

Entre a descoberta de antigos povoados e monumentos funerários, faça o circuito arqueológico e viaje em poucas horas desde o Neolítico à Idade Média, passando pela Idade do Bronze.

Antas, necrópoles da Idade do Ferro ou povoados da mesma época, uma povoação calcolítica, são 15 as paragens seleccionadas entre os 30 sítios arqueológicos que se conhecem na região, num percurso arqueológico pensado para visualizar como viviam os nossos antepassados.

Agricultura, caça, pesca, são muitas as actividades que se desenvolveram determinando a ocupação permanente desta terra fértil, dominada pelo rio Mira.

Nesta zona única para o conhecimento da nossa história, aproveite também para visitar a ermida da Nossa Senhora da Cola que todos os anos se enche com peregrinos que aí vão pagar as suas promessas.


Celebra a Natividade de Nossa Senhora e tem grande devoção popular do povo do Baixo Alentejo. A sua construção data do século XVII. A substituir a Imagem primitiva, do século XIV, existe uma em talha dourada, do século XVII. A principal romaria realiza-se a 7 e 8 de Setembro, mas no mês de Maio também se efectuam diversas manifestações religiosas, sem data fixa.


Este local, além de ser muito concorrido por peregrinos, tem a atracção arqueológica do "Castro da Cola".

CASTRO VERDE NO FEIJÓ

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CASTRO VERDE NO FEIJÓ
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Houve festas no Feijó
celebrou-se o Alentejo
Castro Verde deu o nó
com os seus filhos do Tejo
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Com o rio aqui tão perto
as gentes do sul cantaram
no seu sotaque lento e certo
e a toda a gente encantaram
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De Castro vieram cantoras
poetas e tocadores
teatro de amadoras
suas vidas, seus amôres
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Ao som das campaniças
belas modas se cantaram
o fabrico de chouriças
as veteranas mimaram
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A vida real recordaram
do palaíto aos sobreiros
e todos se emocionaram
com o hino dos mineiros
.
"Morreram, quatro mineiros"
até a pele se eriçou
"vêjam lá companheiros"
o Alentejo está aqui, chegou!!!
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JÚLIO

quinta-feira, junho 16, 2005

O CANTE E OS SEUS INTERPRETES

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O CANTE E OS SEUS INTERPRETES
de
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

Nas vilas os grupos resistem, lá para as bandas da cidade capital ,onde em quantidade e qualidade dantes refulgiam, os corais agora envelhecem e definham, nas aldeias ,apesar de toda a conjuntura desfavorável, continuam ainda a desabrochar, pontualmente , iniciativas credíveis que tentam corporizar a tradição e mereciam ser devidamente acalentadas.
No actual panorama, já obviamente preocupante e cujo agravamento tendencialmente se irá aprofundando, praticamente só a MODA- Associação do Cante Alentejano vai esboçando, timidamente, alguns gestos de inconformismo e de denuncia do estado de penúria para onde vai sendo atirado aquele que é o torrão mais rico da nossa cultura popular.
Com cerca de meia centena de grupos associados, a MODA vai promovendo encontros, reuniões e debates onde se desenvolve a reflexão sobre as questões mais candentes e pertinentes que afectam a vida e o futuro do cante alentejano.
Temos consciência do estado de abandono a que os corais têm sido votados , vivendo de costas voltadas uns para os outros e entregues a si próprios, sem beneficiarem de qualquer tipo de enquadramento ou cuidado adequados por parte do governo e das autarquias , estas que se têm limitado a facultar-lhes, quando muito, o transporte para as saídas.
Mas mesmo que esta facilidade subsistisse, contrariamente ao que tem vindo agora a suceder em muitos lugares, tal não era suficiente para dar o alento vital que se impunha, face à crise em que os grupos mergulharam e às características ,às debilidades e à natureza intrínseca dos interpretes do cante alentejano.
Antes de mais, e desde logo ,importava que o poder local, já nem falamos do outro, tivesse a sensibilidade, ganhasse a consciência do papel e da importância que a moda tem na realidade cultural do Alentejo como elemento agregador das gentes e como factor motivador da nossa identidade.
Para além da sua vertente meramente artística, que só por si seria o bastante para dar relevo ao nosso cante , para justificar todo o empenho por parte de quem detém a responsabilidade da vida cultural nos nossos concelhos , acresce ainda a sua valia maior que reside na circunstancia do mesmo ser o único elo que aqui a todos une. A nossa memória colectiva está impregnada de cante. A nossa afectividade foi moldada com a poesia e a melodia das modas e, por sua vez, influenciou o nosso modo de cantar.
Tudo isto justificava que o cante fosse eleito como prioridade primeira dos afazeres dos pelouros da cultura das autarquias. Têm os meios ,a vocação e a obrigação de zelar pelo nosso património. Por isso , deviam cuidar de reflectir colectivamente sobre o cante e os seus interpretes.
Deviam, antes de mais, assumir a problemática do cante como um problema seu.
Urgia que interiorizassem as mazelas dos grupos e se deitassem com elas,para depois poderem sonhar com um estar diferente para os agentes culturais mais entusiásticos e generosos dos seus concelhos.
Sem paternalismos , deviam apoiar, sem interferir deviam promover.
Sem grandes custos , podiam fazer um levantamento da actual realidade coral, inventariando as suas potencialidades e as suas fraquezas de modo a imprimir-se um estar e uma atitude diferentes no dia a dia dos grupos.
Para a sobrevivência do cante é essencial dignificar.
Os grupos têm de deixar de ser olhados como os parentes pobres que se arrastam por gosto e pedem que os oiçam por amor de Deus. Não podem continuar a ser olhados como a imagem viva do tempo da servidão. Se quisermos dar futuro a um tão rico património, é essencial que se dinamizem acções tendentes a mudar a mentalidade reinante que faz afastar os jovens do cante com uma atitude de desprezo incutido por anos de marginalização.Com efeito, importa actuar já, embora tardiamente, com vista a ser valorizado, dignificado, elogiado como merece, o nosso modo de expressão vocal. Nas escolas, nas praças, nos nossos corações.
Condição essencial para começar é que o cante seja considerado Património do Alentejo e os seus intérpretes sejam tidos como parceiros culturais privilegiados pelo poder que nos rege.

quarta-feira, junho 15, 2005

imagens do alentejo - ALTER DO CHÃO

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Estiveram conosco nesta Semana do Concelho de Castro Verde no Feijó, 2 grupos de ALTER DO CHÃO.
O Grupo de Música Popular "Abelterium" e o o Rancho Folclórico "As ceifeiras" de Alter do Chão.
Ambos muito bons, e que espalharam a sua alegria a cantar e a dançar.
Por isso, o nosso Blog, publica hoje um pequeno retrato da urbe alentejana.


CONCELHO DE ALTER DO CHÃO:

Concelho constituído por quatro freguesias: Alter do Chão, Seda Chança e Cunheira.

Área: 361 Km2, representando 6% da área total do Alentejo.

População: 4 019 habitantes (concelho), distribuídos por cerca de 2 612 habitantes na sede de concelho (Alter do Chão), 96 habitantes (lugar de Alter Pedroso), 537 habitantes (Chancelaria), 391 habitantes (Seda) e 479 habitantes (Cunheira) segundo últimos dados dos Censos 2001.

Localização:
Da capital de Distrito (Portalegre) dista 36 Km, de Évora 90 Km e de Lisboa 190 Km.
De Alter do Chão a Seda: 12 Km.
De Alter do Chão a Chança: 18 Km.
De Alter do Chão a Cunheira: 26 Km.
De Alter do Chão a Alter Pedroso: 3 Km.

Estatistica:
Densidade população: 12,3 hab/Km2
Taxa de desemprego: 8,4%
Taxa de actividade: 33,7%
Emprego no sector primário: 22,5%
Emprego no sector secundário: 21,2%
Emprego no sector terciário: 56,2%
Taxa de analfabetismo: 24,9%
Pop. Com Ensino Superior Completo: 1,1%

Encontra-se em implementação um pequeno centro de excelência industrial na fileira da cortiça, na área da primeira transformação.


CASTELO DE ALTER DO CHÃO
Nota Histórica:

A origem de Alter do Chão poderá ser atribuída a um povoado romano, fundado a partir de um aglomerado da Idade do Ferro em Alter Pedroso.
De Abelterium, cidade romana que vem referenciada no Itinerário de Antonino Pio, terá provavelmente nascido Alter do Chão.
No reinado de D. Sancho II, o Bispo da Diocese da Guarda D. Vicente, propôs “restaurar e povoar Alter”, atribuindo-lhe o 1º Foral no ano de 1232. D. Afonso III com o objectivo de incentivar o povoamento, manda reconstruí-la e terá concedido novo Foral em 1249. D. Dinis atribui-lhe dois Forais em anos consecutivos, o último data de 25 de Março de 1293 e conferia-lhe todos os privilégios de Santarém.
Em 1359, D. Pedro I mandou edificar o actual Castelo e confirma-lhe, através de nova carta de Foral os privilégios anteriores.
D. João I, Mestre da Ordem de Avis, cede em senhorio a D. Nuno Álvares Pereira, passando os bens para a Casa de Barcelos e posteriormente para a Casa de Bragança, fundada pelo casamento de D. Beatriz, filha do Condestável com D. Afonso, filho bastardo do progenitor da Ínclita Geração.
O Foral de Leitura Nova, foi-lhe atribuído a 1 de Junho de 1512 no decurso da nova reforma mandada efectivar por D. Manuel.
Do período quinhentista as construções que subsistem mostram a vitalidade e importância que a vila tomou.
São deste período o Chafariz Renascentista, Igreja de Nossa Senhora da Alegria e a Janela Geminada, na Rua General Blanco.
Prova evidente do desenvolvimento que Alter alcançou no período Barroco, e do qual se pode orgulhar, são as várias construções civis e religiosas de entre elas algumas imponentes, das quais se destacam: Coudelaria de Alter, mandada construir por D. João V em 1748 por iniciativa do Príncipe D. José, para a produção do cavalo Lusitano, cujo destino era a Arte Equestre, muito em voga nas cortes daquela época; o Palácio do Álamo, Igreja do Senhor Jesus do Outeiro, Igreja do Convento de Santo António e os chafarizes da Barreira e dos Bonecos.

os nossos poetas

...
"RECORDAR É VIVER"
.
A desassete de Novembro de mil novecentos e quarenta e sete
havia grande fervôr
chegava a Vigem a Fátima
resplandescente no seu andor.
.
Com os meus oito aninhos
andava numa euforia
ia vestida de anjinho
para os pés da Virgem Maria
.
Eram os velhos e novos
o povo ninguém engana
a Virgem vinha chegando
à altura da Serrana.
.
Como recordar é viver
eu recordo esse dia
vem chegamdo à Serrana
diz "Tótó" com alegria
.
"Tótó" diminuitivo de António
era assim que era tratado
um primo muito querido
por nós todos muito amado
.
A Vila estava branquinha
toda ela engalanada
para receber a visita
que há muito era esperada
.
Com as minhas asas brancas
como pomba a esvoaçar
perdi o meu lencinho branco
não pôde as lágrimas secar
.
Até posso parecer tola
do passado estar a falar
está na minha memória
o que gosto de recordar
.
Os anos já se passaram
continuo a recordar
dos tempo que já passaram
e não tornam a voltar
.
Cinquenta e quatro anos
muitos anos na idade
já vou estando vèlhinha
tudo recordo com "saudade"
.
Poema de
MARIA BARBARA CONTREIRAS APOLÓNIA

terça-feira, junho 14, 2005

ALVARO CUNHAL

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ALVARO CUNHAL já não está entre nós.
Da sua vida releva-se a sua luta persistente contra o fascismo e noutro plano , a obra plática que nos deixou.


Álvaro Barreirinhas Cunhal, filho de Avelino Cunhal e Mercedes Cunhal, nasceu na freguesia da Sé Nova em Coimbra, no dia 10 de Novembro de 1913.
A sua infância foi vivida em Seia, terra de seu pai.
Com onze anos de idade muda-se com a família para Lisboa, onde faz os seus estudos secundários no Pedro Nunes e mais tarde no liceu Camões.
Em 1931, com dezassete anos, ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa, onde inicia a sua actividade política. Neste mesmo ano filia-se no PCP e faz parte da Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional.
Em 1934 torna-se representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário, mas devido à intensa actividade política a faculdade acaba por passar para segundo plano.
Segundo uma biografia publicada em 1954, pelo Secretariado do PCP, Álvaro Cunhal terá entrado na clandestinidade em 1935 e participado no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista em Moscovo.
Em 1936 entra para o Comité Central do PCP, que o envia a Espanha, onde vive os primeiros cinco meses da guerra civil.
Em Junho de 1937 é preso pela primeira vez. É levado para o Aljube e posteriormente transferido para Peniche. Um ano depois é libertado, mas por razões políticas é obrigado a cumprir o serviço militar, em Dezembro de 1939, na Companhia Disciplinar de Penamacor. Por razões de saúde, Álvaro Cunhal acaba por ser dispensado pela Junta Médica Militar.
Ao longo da década de 30, Cunhal foi colaborador de vários jornais e revistas, entre os quais se contam "O Diabo"; "Sol Nascente"; "Seara Nova"; "Vértice"; e nas publicações clandestinas do PCP, "Avante" e "Militante", onde escreveu artigos de intervenção política e ideológica.
Em Maio de 1940 é novamente preso e faz o seu exame final na Faculdade de Direito de Lisboa sob escolta policial. Apresenta uma tese sobre a realidade social do aborto, que seria avaliada por um júri composto por Marcelo Caetano, Paulo Cunha e Cavaleiro Ferreira, figuras destacadas do regime Salazarista. A sua classificação final foi de 16 valores.
Em 1941 trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares, pai de Mário Soares, função que desempenhou até Dezembro do mesmo ano, altura em que entrou de novo na clandestinidade.
Em 1947, faz uma viagem clandestina à URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e França, a fim de restabelecer as relações do PCP, com o movimento internacional.
A 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal é preso pela terceira vez, numa casa clandestina do Luso. Com ele são também presos Militão Ribeiro e Sofia Ferreira.
O seu julgamento ocorreu um ano depois. Neste julgamento Cunhal fez uma declaração em que se afirmava "filho adoptivo do proletariado" e dirigiu um forte ataque ao regime salazarista.
Foi condenado e preso na Penitenciária de Lisboa, sendo transferido para a prisão-fortaleza de Peniche em 1958.
Em 1953 desenvolve-se um movimento internacional de solidariedade pela sua libertação, que conta com a participação de inúmeros intelectuais e artistas estrangeiros. Destes destacam-se Jorge Amado e Pablo Neruda, que lhe dedica o poema "Lámpara Marina", que a seguir reproduzimos:

Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,

pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.



Dos onze anos que esteve encarcerado, foi mantido incomunicável durante catorze meses e passou oito em total isolamento.
Em Janeiro de 1960 dá-se a famosa fuga do Forte de Peniche.
Após a fuga, Cunhal fica ainda cerca de dois anos em Portugal, na clandestinidade. Durante este período viveu em casas clandestinas de vários pontos do país como: Sintra, Ericeira, Amadora, Coimbra, Porto.
Em 1961 é eleito Secretário-geral do PCP.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris onde vive clandestino durante cerca de oito anos. Assiste em Paris ao Maio de 68 e é lá que a Revolução de Abril o vai surpreender.
Regressa a Portugal a 30 de Abril de 1974.
A 15 de Maio do mesmo ano toma posse como ministro sem pasta no I Governo Provisório. Mantém o mesmo cargo nos II, III e IV Governos Provisórios.
Em 1975 é eleito deputado à Assembleia Constituinte e até 1992, altura em que se afasta do cargo de Secretário-geral do PCP, é eleito deputado à Assembleia da República, por Lisboa, em todas as eleições legislativas (1976; 1979; 1980; 1983; 1985; 1987). Só por curtos prazos ocupará esse lugar.
Em 1982 torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandona em 1992.
No ano de 1992 abandona o cargo de Secretário-geral do PCP, que passa a ser ocupado por Carlos Carvalhas, e é eleito pelo Comité Central para o então criado cargo de Presidente do Conselho Nacional do PCP.
Liberto das suas funções de liderança partidária, Álvaro Cunhal, a par da actividade política corrente, assume claramente a sua condição de romancista e esteta. Neste sentido, em 1995 reconhece publicamente ser o romancista Manuel Tiago e um ano mais tarde publica um ensaio sobre estética, onde apresenta as suas reflexões neste domínio.