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NÃO EXISTE UM ALENTEJANO QUE NUNCA
TENHA CREADO UMA QUADRA...
A poesia alentejana é rica e diversa, abrangendo desde nomes consagrados na literatura portuguesa, como Florbela Espanca e Manuel da Fonseca, a poetas populares de tradição oral. Figuras como José Régio, Garcia de Resende, Bernardim Ribeiro, e contemporâneos como José Luís Peixoto, definem a identidade literária da região.Principais Poetas Alentejanos (Clássicos e Modernos)Florbela Espanca: Nascida em Vila Viçosa, é uma das vozes mais intensas da poesia amorosa.Manuel da Fonseca: Natural de Santiago do Cacém, retratou o Alentejo e a sua gente.José Régio: Ligado à região, é uma figura central do modernismo.Bernardim Ribeiro: Poeta renascentista, autor de Menina e Moça.Garcia de Resende: Poeta e cronista do século XVI.
Garcia de Resende: Poeta e cronista do século XVI.José Luís Peixoto: Autor contemporâneo nascido em Galveias.Mário Beirão e José Duro: Poetas referenciados na cultura da região.Poesia Popular AlentejanaPoetas de Grândola: Conhecidos pela tradição das cantigas de "40 pontos" (quadra com glosa em décimas).Manuel Inácio Veladas (Ti Limpas): Poeta popular de Ferreira de Capelins.Outros nomes: Joaquim da Loica, Abel Carvalho, António Serafim, Chico Caturra, Pardal e Doroteia.Estes autores, tanto eruditos como populares, moldaram a identidade da poesia alentejana, focando-se na paisagem, nas vivências rurais e na sensibilidade passional.
POEMA E MANUEL DA FONSECA
Dona Abastança
«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.
Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»
Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.
O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.
Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.
Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.
Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.
Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"