sábado, maio 09, 2026

POETAS POPULARES ALEENTEJANOS,

 .

NÃO EXISTE UM ALENTEJANO QUE NUNCA

TENHA CREADO UMA QUADRA...

A poesia alentejana é rica e diversa, abrangendo desde nomes consagrados na literatura portuguesa, como Florbela Espanca e Manuel da Fonseca, a poetas populares de tradição oral. Figuras como José Régio, Garcia de Resende, Bernardim Ribeiro, e contemporâneos como José Luís Peixoto, definem a identidade literária da região.Principais Poetas Alentejanos (Clássicos e Modernos)Florbela Espanca: Nascida em Vila Viçosa, é uma das vozes mais intensas da poesia amorosa.Manuel da Fonseca: Natural de Santiago do Cacém, retratou o Alentejo e a sua gente.José Régio: Ligado à região, é uma figura central do modernismo.Bernardim Ribeiro: Poeta renascentista, autor de Menina e Moça.Garcia de Resende: Poeta e cronista do século XVI.

Garcia de Resende: Poeta e cronista do século XVI.José Luís Peixoto: Autor contemporâneo nascido em Galveias.Mário Beirão e José Duro: Poetas referenciados na cultura da região.Poesia Popular AlentejanaPoetas de Grândola: Conhecidos pela tradição das cantigas de "40 pontos" (quadra com glosa em décimas).Manuel Inácio Veladas (Ti Limpas): Poeta popular de Ferreira de Capelins.Outros nomes: Joaquim da Loica, Abel Carvalho, António Serafim, Chico Caturra, Pardal e Doroteia.Estes autores, tanto eruditos como populares, moldaram a identidade da poesia alentejana, focando-se na paisagem, nas vivências rurais e na sensibilidade passional.


POEMA E MANUEL DA FONSECA

Dona Abastança

«A caridade é amor»

Proclama dona Abastança

Esposa do comendador

Senhor da alta finança.


Família necessitada

A boa senhora acode

Pouco a uns a outros nada

«Dar a todos não se pode.»


Já se deixa ver

Que não pode ser

Quem

O que tem

Dá a pedir vem.


O bem da bolsa lhes sai

E sai caro fazer o bem

Ela dá ele subtrai

Fazem como lhes convém

Ela aos pobres dá uns cobres

Ele incansável lá vai

Com o que tira a quem não tem

Fazendo mais e mais pobres.


Já se deixa ver

Que não pode ser

Dar

Sem ter

E ter sem tirar.


Todo o que milhões furtou

Sempre ao bem-fazer foi dado

Pouco custa a quem roubou

Dar pouco a quem foi roubado.


Oh engano sempre novo

De tão estranha caridade

Feita com dinheiro do povo

Ao povo desta cidade.


Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"