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CANTO D´ALMA
José Francisco Colaço Guerreiro
As letras,as palavras ditas,são o que menos importa .Por isso, neste cante,as sílabas derretem-se, prolongam-se desmedidas, só sustidas pelo fim do fôlego e no ar enleiam-se umas nas outras como silvas , num emaranhado onde se perde o sentido do sentir do poeta que escreveu a rima.
Apesar disso, todos acompanham vibrantes de emoção a sonoridade projectada pelas bocas que ora se escancaram como cocharros ora se cerram como frinchas, para soltar no devido tempo as vaias precisas,impostas, em cada momento da moda. Assim é porque todos têm retidos na memória os versos ouvidos em repetições infinitas ,em insistencias incontáveis. Escalfam-se as gargantas num afã de teimosia ,numa mística de paixão ,num querer incessante de fazer ecoar como preces ou ladainhas as mesmas melodias para sublimar agruras, infortúnios ou tristezas e só muito raramente para marcar estados de júbilo. Não precisam de explicitar os vocábulos,nem tornar perceptíveis os versos porque a grandiosidade das obras que interpretam está contida na sua sonoridade .È a melodia que tudo diz, é ela que tão bem sugere , elevando consigo os interpretes aos píncaros da emoção numa embriaguez que os tolda e os enlaça , formando magotes, desenhando esculturas de corpos numa fusão quase irreal.
Para tanto se abraçam,e o grupo em simultâneo arfeja como um fole,tomando o ar,retendo-o, expelindo-o depois , no estender manso das vaias . Precisam sentir em conjunto a sua doçura,deleitam-se com elas, depois elevam-se, finalmente, ao cimo do prazer quando os olhos se cerram ou alvejam e os corpos estremecem percorridos por um arrepio que das entranhas se solta.
Este cantar precisa de grande empatia colectiva para se expremir de modo conveniente à satisfação da sua dimensão verdadeira que a final , se aproxima do extase. Para tanto contribui o alto que como requinta espevita as emoções, conduzindo o coro para níveis de concentração e entrega que arrancam esses prazeres tão evidentes no reflexo dos rostos.
A moda começa sempre marcada com um verso trinado pela garganta aveludada de um ponto que rompe o silencio e a atenção expectante dos demais.Mete a emoção a caminho ,lado a lado com a melodia e vai desenhando lentamente o bordado do estilo esperado.O conjunto fica-se, já agarrado aos sons,já preso às requebras, mas ainda carente do impulso que depois o alto lhe empresta levantando a moda. È aí que todos se jogam como se tratasse de uma ajuda,de uma pega, de um trabalho,de uma força que tem de ser exercida à uma com gana e preceito.Mas acicatando as vozes e exacerbando as emoções o alto continua sempre a fazer-se ouvir, a sobrepôr-se no tom ao eco grave dos baixos.
Então,fermenta nos peitos o viço deste canto d´alma e os sons desprendidos já arrebatam e a emoção gerada já embriaga.Uma,outra e outra, vezes e modas sem fim, parecendo ecos do tempo ido a sacudir o estar presente. Quem canta delicia-se, quem ouve emociona-se sem saber porquê.
È este cante que esta terra escuta quando o demais pára e as gentes cadenciam a melancolia ao som dos seus passos , prosseguindo o rumo que a tradição sugere.
BLOGUE que canta, escreve e mostra o Alentejo. Nasceu entre alentejanos da região de Castro Verde e Almodôvar . MADRINHA DE HONRA DO BLOGUE: TIA MARIA BÁRBARA MARQUES
quarta-feira, agosto 03, 2005
segunda-feira, agosto 01, 2005
FRANCISCO DUARTE
..
No dia 30 de JULHO, logo após a hora de almoço, recebi uma msg SMS, que dizia:
"Já cá estou! 3 Kilos e benfiquista.
Ass. Francisco Duarte"
.

Mais um alentejanito
A "CASA-DAS-PRIMAS", felicita efusivamente os pais do Francisco Duarte, o João Tiago e a Carla, os avós e bisavós.Ao Zé Francisco, nosso companheiro de Blog, saudamos a entrada no clube dos avós, vai gostar...
Se seguir as pisadas do pai e do avô, brevemente teremos o FRANCISCO DUARTE a participar no nosso Blog.
Parabéns e benvindo!!!
No dia 30 de JULHO, logo após a hora de almoço, recebi uma msg SMS, que dizia:
"Já cá estou! 3 Kilos e benfiquista.
Ass. Francisco Duarte"
.
Mais um alentejanito
A "CASA-DAS-PRIMAS", felicita efusivamente os pais do Francisco Duarte, o João Tiago e a Carla, os avós e bisavós.Ao Zé Francisco, nosso companheiro de Blog, saudamos a entrada no clube dos avós, vai gostar...
Se seguir as pisadas do pai e do avô, brevemente teremos o FRANCISCO DUARTE a participar no nosso Blog.
Parabéns e benvindo!!!
terça-feira, julho 26, 2005
AS CAMPONESAS NO FESTIVAL "FOLKSEGÓVIA"
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Nos passados dias 1,2 e 3 de Julho o Grupo Coral e Etnográfico 'As Camponesas' de Castro Verde participaram em Segóvia (Espanha) no Festival 'Folksegóvia' que prima pela qualidade dos participantes e pelo esmero na organização.
O Alentejo cantou e encantou os muitos milhares de participantes e assistentes do Festival, provocando uma verdadeira onda de curiosidade, de admiração e de apreço manifestados nas sistemáticas abordagens que nos eram feitas em que se procurava indagar tanto sobre o modo de cantar como sobre a forma de vestir.
'As Camponesas' foram agraciadas como enormes ovações do publico e regressaram ainda mais confiantes de que o trabalho que vêm a desenvolver ha mais de vinte anos é de elevado gabarito cultural.
Nos passados dias 1,2 e 3 de Julho o Grupo Coral e Etnográfico 'As Camponesas' de Castro Verde participaram em Segóvia (Espanha) no Festival 'Folksegóvia' que prima pela qualidade dos participantes e pelo esmero na organização.
O Alentejo cantou e encantou os muitos milhares de participantes e assistentes do Festival, provocando uma verdadeira onda de curiosidade, de admiração e de apreço manifestados nas sistemáticas abordagens que nos eram feitas em que se procurava indagar tanto sobre o modo de cantar como sobre a forma de vestir.
'As Camponesas' foram agraciadas como enormes ovações do publico e regressaram ainda mais confiantes de que o trabalho que vêm a desenvolver ha mais de vinte anos é de elevado gabarito cultural.
sexta-feira, julho 22, 2005
imagens do alentejo-MESSEJANA
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A IGREJA DE MESSEJANA
A vila de Messejana é de origem muito antiga, ignorando-se quem a fundou. No entanto deve o seu nome aos árabes, aos quais foi conquistada, em 1235, pelos Cavaleiros da Ordem de Santiago de Espada, tendo sido anexada ao termo de Al-justrel. Recebeu de D. Dinis a categoria de concelho, que seria confirmado pelo Foral Novo, dado por D. Manuel I, em 1 de Julho de 1512. Messejana chegou a ser sede da vastíssima Comarca de Campo d’Ourique. O concelho foi extinto em 24 de Outubro de 1855, sendo as suas 7 freguesias repartidas pelos 4 concelhos limítrofes. A Freguesia de Messejana integrou então o Concelho de Aljustrel.
Messejana chegou a ter onze igrejas. Hoje em dia, persistem a Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Ermida de Nossa Senhora da Assunção e Ermida dos Santos Reis e a recente capela da Aldeia dos Elvas. Podem ainda ser observados na freguesia, as ruí-nas do Castelo Medieval, a Torre do Relógio, o Fontanário de Alonso Gomes, o Cruzeiro da Inde-pendência, algumas casas solarengas, o Museu Etnográfico e Biblioteca Pública e as ruínas do Con-vento Franciscano de Nossa Senhora da Piedade.
Por outro lado, a história da Ermida de Nossa Se-nhora de Assunção ou Ermida de Nossa Senhora de Entre-as-Vinhas, situada nos termos de Messejana, está ligada às visitações dos frades da Ordem de Santiago, que a administraram entre 1534 e 1755.
Uma das mais antigas e enraizadas tradições de Messejana é a tourada. Já em 1573, quando D. Sebastião esteve no Sul do país e passou 4 dias em Messejana, aqui se realizaram três touradas.
No Museu de Messejana, encontram-se algumas preciosidades: uma sala reconstituindo o escritório de Soares Victor, filho ilustre da terra, os cântaros utilizados por Francisco Manuel Bartolomeu, último aguadeiro de Messejana, reconstituição de várias dependências das casas típicas alentejanas, no-meadamente as cozinhas, a despensa, o quarto de cama e a casa da costura.
A IGREJA DE MESSEJANA
A vila de Messejana é de origem muito antiga, ignorando-se quem a fundou. No entanto deve o seu nome aos árabes, aos quais foi conquistada, em 1235, pelos Cavaleiros da Ordem de Santiago de Espada, tendo sido anexada ao termo de Al-justrel. Recebeu de D. Dinis a categoria de concelho, que seria confirmado pelo Foral Novo, dado por D. Manuel I, em 1 de Julho de 1512. Messejana chegou a ser sede da vastíssima Comarca de Campo d’Ourique. O concelho foi extinto em 24 de Outubro de 1855, sendo as suas 7 freguesias repartidas pelos 4 concelhos limítrofes. A Freguesia de Messejana integrou então o Concelho de Aljustrel.
Messejana chegou a ter onze igrejas. Hoje em dia, persistem a Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Ermida de Nossa Senhora da Assunção e Ermida dos Santos Reis e a recente capela da Aldeia dos Elvas. Podem ainda ser observados na freguesia, as ruí-nas do Castelo Medieval, a Torre do Relógio, o Fontanário de Alonso Gomes, o Cruzeiro da Inde-pendência, algumas casas solarengas, o Museu Etnográfico e Biblioteca Pública e as ruínas do Con-vento Franciscano de Nossa Senhora da Piedade.
Por outro lado, a história da Ermida de Nossa Se-nhora de Assunção ou Ermida de Nossa Senhora de Entre-as-Vinhas, situada nos termos de Messejana, está ligada às visitações dos frades da Ordem de Santiago, que a administraram entre 1534 e 1755.
Uma das mais antigas e enraizadas tradições de Messejana é a tourada. Já em 1573, quando D. Sebastião esteve no Sul do país e passou 4 dias em Messejana, aqui se realizaram três touradas.
No Museu de Messejana, encontram-se algumas preciosidades: uma sala reconstituindo o escritório de Soares Victor, filho ilustre da terra, os cântaros utilizados por Francisco Manuel Bartolomeu, último aguadeiro de Messejana, reconstituição de várias dependências das casas típicas alentejanas, no-meadamente as cozinhas, a despensa, o quarto de cama e a casa da costura.
letras de modas alentejanas
..
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Ó rama, ó que linda rama,
Ó rama da oli veira!
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda in teira!
Que anda aqui na roda inteira,
Aqui e em qualquer lugar,
Ó rama, que linda rama,
Ó rama do olival!
Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu.
Se houvera quem me ensinara,
Quem aprendia era eu!
Não m'invejo de quem tem
Parelhas, éguas e montes;
Só m'invejo de quem bebe
A água em todas as fontes.
Fui à fonte beber água,
Encontrei um ramo verde;
Quem o perdeu tinha amores,
Quem o achou tinha sede.
Debaixo da oliveira
Não se pode namorar;
A folha é miudinha,
Deixa passar o luar.
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Ó rama, ó que linda rama,
Ó rama da oli veira!
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda in teira!
Que anda aqui na roda inteira,
Aqui e em qualquer lugar,
Ó rama, que linda rama,
Ó rama do olival!
Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu.
Se houvera quem me ensinara,
Quem aprendia era eu!
Não m'invejo de quem tem
Parelhas, éguas e montes;
Só m'invejo de quem bebe
A água em todas as fontes.
Fui à fonte beber água,
Encontrei um ramo verde;
Quem o perdeu tinha amores,
Quem o achou tinha sede.
Debaixo da oliveira
Não se pode namorar;
A folha é miudinha,
Deixa passar o luar.
crónica
..
Crónica radio castrense – 26/2/02
.
DE
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
.
O cronista espreguiçou as ideias num chão de quimeras, bocejou pensamentos repetidos e apeteceu-lhe estiraçar-se sobre os sonhos que enchiam fofas almofadas e almofadões sobrepostos no seu tempo.
O cronista acordou sem vontade de falar sobre Alqueva, a barragem da utopia onde vão ficar inundadas as esperanças/ quase certezas de um Alentejo próspero, militante, camarada. Nem Alqueva, nem Aldeia da Luz, espelho do nosso comportamento, fonte de tanta nostalgia, pretexto também para a afirmação de protagonismos que invectivam o poder da rosa murcha.
Não, nem a iliteracia que as estatisticas comunitárias revelaram imensa, nem o abandono escolar, nem o insucesso, nem a sua má qualidade praticada nas escolas/distracção dos meninos, tiveram dimensão para fixar o raciocinio do cronista ausente.
As imagens ultimas do Savimbi, cadaver/trofeu, descendo à tumba, patenteando a fragilidade da vida, logo dobradas pelas palavras protocolares, correram devagarinho sem se fixarem na tela da atenção.
Acrescentava-se ainda o facto de o Benfica correr novo risco com a obra do seu ex-estadio em consequencia de alguem ter redescoberto que o clube não tinha a situação contributiva regularizada.
Somou-se o surto da meningite e as vacinas não vacinas e o ministro masi a comissão científica, e o medo e o pavor e a facturação dos laboratórios.
Nem as eleições próximas e as súplicas dos crentes da política, a ladainha das sereias, o encostanço ao outro lado já que isto cá é como um baloiço, o fizeram pestanejar.
Nem o arrependimento dos que deviam ter feito melhor e fizeram mal ou nada fizeram para bem deste país que anda à deriva como uma rolha soprada pelo vento do acaso, o fizeram comover.
Nada, mesmo nada desconcentra o cronista que não lhe agrada vivenciar activamente este presente e prefere continuar a espreguiçar as odeias pelo chão das quimeras onde às vezes acontecem os sonhos plantados.
Crónica radio castrense – 26/2/02
.
DE
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
.
O cronista espreguiçou as ideias num chão de quimeras, bocejou pensamentos repetidos e apeteceu-lhe estiraçar-se sobre os sonhos que enchiam fofas almofadas e almofadões sobrepostos no seu tempo.
O cronista acordou sem vontade de falar sobre Alqueva, a barragem da utopia onde vão ficar inundadas as esperanças/ quase certezas de um Alentejo próspero, militante, camarada. Nem Alqueva, nem Aldeia da Luz, espelho do nosso comportamento, fonte de tanta nostalgia, pretexto também para a afirmação de protagonismos que invectivam o poder da rosa murcha.
Não, nem a iliteracia que as estatisticas comunitárias revelaram imensa, nem o abandono escolar, nem o insucesso, nem a sua má qualidade praticada nas escolas/distracção dos meninos, tiveram dimensão para fixar o raciocinio do cronista ausente.
As imagens ultimas do Savimbi, cadaver/trofeu, descendo à tumba, patenteando a fragilidade da vida, logo dobradas pelas palavras protocolares, correram devagarinho sem se fixarem na tela da atenção.
Acrescentava-se ainda o facto de o Benfica correr novo risco com a obra do seu ex-estadio em consequencia de alguem ter redescoberto que o clube não tinha a situação contributiva regularizada.
Somou-se o surto da meningite e as vacinas não vacinas e o ministro masi a comissão científica, e o medo e o pavor e a facturação dos laboratórios.
Nem as eleições próximas e as súplicas dos crentes da política, a ladainha das sereias, o encostanço ao outro lado já que isto cá é como um baloiço, o fizeram pestanejar.
Nem o arrependimento dos que deviam ter feito melhor e fizeram mal ou nada fizeram para bem deste país que anda à deriva como uma rolha soprada pelo vento do acaso, o fizeram comover.
Nada, mesmo nada desconcentra o cronista que não lhe agrada vivenciar activamente este presente e prefere continuar a espreguiçar as odeias pelo chão das quimeras onde às vezes acontecem os sonhos plantados.
quarta-feira, julho 06, 2005
FLORBELA ESPANCA
.
Versos de orgulho
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
- O jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos, pão bendito...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
- São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
Florbela Espanca
Versos de orgulho
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
- O jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos, pão bendito...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
- São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
Florbela Espanca
preliminares
..
Uma senhora vai ao Ikea comprar um armário novo. Para que lhe saia mais
barato, compra um em kit.
Ao chegar a casa, monta-o e fica perfeito.
Nesse momento passa o comboio (ela mora junto à estação de comboios) e o
armário desmonta-se todo.
Monta novamente o armário. E este volta a cair com o passar do comboio.
À terceira tentativa falhada, telefona para a Ikea e exige a presença de um
técnico.
O técnico chega, monta o armário e, quando passa o comboio, desmonta-se
todo.
O técnico monta novamente o armário, passa outro comboio e, armário
novamente desmontado.
Então, o técnico tem uma brilhante ideia:
- Escute, minha senhora, eu vou montar novamente o armário, meto-me lá
dentro e espero que passe o comboio para ver porque é que o armário se estás
desmontar.
E assim fez.
Nisto o marido entra no quarto e diz:
- Querida, que armário tão bonito! - e abre a porta.
Ao ver o técnico da Ikea pergunta:
- O que é que você faz aí?
Este responde:
- Estou quase tentado a dizer-lhe que vim engatar a sua mulher. Porque, se lhe
digo que estou à espera do comboio, não vai acreditar.
Uma senhora vai ao Ikea comprar um armário novo. Para que lhe saia mais
barato, compra um em kit.
Ao chegar a casa, monta-o e fica perfeito.
Nesse momento passa o comboio (ela mora junto à estação de comboios) e o
armário desmonta-se todo.
Monta novamente o armário. E este volta a cair com o passar do comboio.
À terceira tentativa falhada, telefona para a Ikea e exige a presença de um
técnico.
O técnico chega, monta o armário e, quando passa o comboio, desmonta-se
todo.
O técnico monta novamente o armário, passa outro comboio e, armário
novamente desmontado.
Então, o técnico tem uma brilhante ideia:
- Escute, minha senhora, eu vou montar novamente o armário, meto-me lá
dentro e espero que passe o comboio para ver porque é que o armário se estás
desmontar.
E assim fez.
Nisto o marido entra no quarto e diz:
- Querida, que armário tão bonito! - e abre a porta.
Ao ver o técnico da Ikea pergunta:
- O que é que você faz aí?
Este responde:
- Estou quase tentado a dizer-lhe que vim engatar a sua mulher. Porque, se lhe
digo que estou à espera do comboio, não vai acreditar.
sexta-feira, julho 01, 2005
PROVERBIOS DE JULHO
.
O mês de Julho

:
Previsão agrícola
:
Em Julho reina o gorgulho.
Julho, o verde e o maduro.
Não há melhor amigo que Julho com o seu trigo.
:
Trabalhos
:
Em Julho ceifo o trigo e o debulho; e em o vento soprando o vou limpando.
Julho quente, seco e ventoso trabalha sem repouso.
Por todo o mês de Julho o celeiro atulho.
Quem trabalho em Julho para si trabalha.
:
Animais
:
Em Julho abafadiço fica a abelha no cortiço.
:
Vinho
:
No S. Tiago pinta o bago.
Pelo S. Tiago na vinha acharás bago, se não for maduro será inchado.
S. Tiaguinho sempre traz seu cabacinho.
O mês de Julho

:
Previsão agrícola
:
Em Julho reina o gorgulho.
Julho, o verde e o maduro.
Não há melhor amigo que Julho com o seu trigo.
:
Trabalhos
:
Em Julho ceifo o trigo e o debulho; e em o vento soprando o vou limpando.
Julho quente, seco e ventoso trabalha sem repouso.
Por todo o mês de Julho o celeiro atulho.
Quem trabalho em Julho para si trabalha.
:
Animais
:
Em Julho abafadiço fica a abelha no cortiço.
:
Vinho
:
No S. Tiago pinta o bago.
Pelo S. Tiago na vinha acharás bago, se não for maduro será inchado.
S. Tiaguinho sempre traz seu cabacinho.
CASTRO VERDE EM FESTA
.
CASTRO VERDE ESTÁ EM FESTA
DE 1 A 3 DE JULHO VAI TER AS SUAS
FESTAS DA VILA

.
Festas da Vila nos dias 1, 2 e 3 de Julho
Os primeiros dias de Julho são de Festa no Largo da Feira. As comemorações do Feriado Municipal acontecem nos dias 1, 2 e 3 de Julho, em honra do padroeiro S. Pedro.
O programa é vasto e traz até Castro Verde nomes bem conhecidos do panorama musical português, como Tony Carreira, João Pedro Pais, Terrakota ou Trio Odemira.

TERRACOTA
Mas nem só de música se fazem as Festas da Vila. Do artesanato local à gastronomia regional, são muitas as propostas para estes três dias. Não vão faltar os petiscos bem temperados pelas Associações e Colectividades do concelho nem a animação para os mais novos.
.
Festas da Vila
Comemorações do Feriado Municipal
1, 2 e 3 de Julho
LARGO DA FEIRA
Sexta-feira – 01 Julho
18h30 – Abertura do recinto da festa
21h00 – Início do Baile com o Grupo “Ritmo Jovem”
23h00 – Concerto com Tony Carreira
24h00 – Continuação do Baile
Sábado – 02 Julho
18h30 – Abertura do recinto da festa
19h00 – Grupo Coral “Os Cardadores” da Sete - Grupo de Música Popular
21h30 – Baile com o Grupo “Ritmo Jovem”
23h00 – Concerto com João Pedro Pais
00h30 – Concerto com o Grupo Terrakota
Domingo – 03 Julho
09h30 – Torneio da Malha – Final Concelhia Jogos Concelhios
10h00 – 4º Encontro de Ciclomotores Antigos
- Concentração Largo da Feira
Desfile Ruas de Castro Verde
18h00 – Abertura do recinto da festa
18h30 – Grupo Coral “As Atabuas” de São Marcos da Atabueira
19h00 – Baile com o Acordeonista Nuno Ramires
22h00 – Concerto com Trio Odemira e Septeto Café Cuba*
23h30 – Continuação do Baile
Exposição “O Acordeão” patente ao público no Pavilhão do Largo da Feira durante os dias da festa.
CASTRO VERDE ESTÁ EM FESTA
DE 1 A 3 DE JULHO VAI TER AS SUAS
FESTAS DA VILA
.
Festas da Vila nos dias 1, 2 e 3 de Julho
Os primeiros dias de Julho são de Festa no Largo da Feira. As comemorações do Feriado Municipal acontecem nos dias 1, 2 e 3 de Julho, em honra do padroeiro S. Pedro.
O programa é vasto e traz até Castro Verde nomes bem conhecidos do panorama musical português, como Tony Carreira, João Pedro Pais, Terrakota ou Trio Odemira.
TERRACOTA
Mas nem só de música se fazem as Festas da Vila. Do artesanato local à gastronomia regional, são muitas as propostas para estes três dias. Não vão faltar os petiscos bem temperados pelas Associações e Colectividades do concelho nem a animação para os mais novos.
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Festas da Vila
Comemorações do Feriado Municipal
1, 2 e 3 de Julho
LARGO DA FEIRA
Sexta-feira – 01 Julho
18h30 – Abertura do recinto da festa
21h00 – Início do Baile com o Grupo “Ritmo Jovem”
23h00 – Concerto com Tony Carreira
24h00 – Continuação do Baile
Sábado – 02 Julho
18h30 – Abertura do recinto da festa
19h00 – Grupo Coral “Os Cardadores” da Sete - Grupo de Música Popular
21h30 – Baile com o Grupo “Ritmo Jovem”
23h00 – Concerto com João Pedro Pais
00h30 – Concerto com o Grupo Terrakota
Domingo – 03 Julho
09h30 – Torneio da Malha – Final Concelhia Jogos Concelhios
10h00 – 4º Encontro de Ciclomotores Antigos
- Concentração Largo da Feira
Desfile Ruas de Castro Verde
18h00 – Abertura do recinto da festa
18h30 – Grupo Coral “As Atabuas” de São Marcos da Atabueira
19h00 – Baile com o Acordeonista Nuno Ramires
22h00 – Concerto com Trio Odemira e Septeto Café Cuba*
23h30 – Continuação do Baile
Exposição “O Acordeão” patente ao público no Pavilhão do Largo da Feira durante os dias da festa.
quinta-feira, junho 30, 2005
O MIGUEL FAZ HOJE 2 ANOS
..
30 de Junho

O MIGUEL FAZ HOJE 2 ANOS.
Teve uma festinha rodeada de afectos dos pais. Ana Lúcia e Pedro, avós, tios, tias e a priminha mais nova a Francisca.
Cantou o "Parabens a você", "tocam os sinos", e brincou até à exaustão com os novos brinquedos que ganhou de presente.

A festinha com os coleguinhas da escola vai decorrer no Domingo, e tem palhaços...
30 de Junho
O MIGUEL FAZ HOJE 2 ANOS.
Teve uma festinha rodeada de afectos dos pais. Ana Lúcia e Pedro, avós, tios, tias e a priminha mais nova a Francisca.
Cantou o "Parabens a você", "tocam os sinos", e brincou até à exaustão com os novos brinquedos que ganhou de presente.
A festinha com os coleguinhas da escola vai decorrer no Domingo, e tem palhaços...
TOM JOBIM
..
TOM "CYBER" JOBIM
..
Se Tom Jobim usasse o Windows...
O seu poema seria assim:
.
É pau
É vírus
É o fim do programa
É um erro fatal
O começo do drama.
É o turbo Pascal
Diz que falta um login
Não me mostra onde é
E já trava no fim.
É dois, é três, é um 486
É comando ilegal
Essa m.... bloqueia
É um erro e trava
É um disco mordido
HD estragado
Ai meu Deus tô ......
São as barras de espaço
Exibindo um borrão
É a promessa de vídeo
Escondendo um trojão
É o computador
Me fazendo de otário
Não compila o programa
Salva só o comentário.
É ping, é pong
O meu micro me chuta
O scan não retira
O Windows não entra
E nem volta pro DOS
Não funciona o reset
Me detona a voz
É abort, é retry
Disco mal formatado
PCTools não resolve
Norton trava o teclado
É impressora sem tinta
Engolindo o papel
Meu trabalho de dias
Foi cuspido pro céu!...
TOM "CYBER" JOBIM
..
Se Tom Jobim usasse o Windows...
O seu poema seria assim:
.
É pau
É vírus
É o fim do programa
É um erro fatal
O começo do drama.
É o turbo Pascal
Diz que falta um login
Não me mostra onde é
E já trava no fim.
É dois, é três, é um 486
É comando ilegal
Essa m.... bloqueia
É um erro e trava
É um disco mordido
HD estragado
Ai meu Deus tô ......
São as barras de espaço
Exibindo um borrão
É a promessa de vídeo
Escondendo um trojão
É o computador
Me fazendo de otário
Não compila o programa
Salva só o comentário.
É ping, é pong
O meu micro me chuta
O scan não retira
O Windows não entra
E nem volta pro DOS
Não funciona o reset
Me detona a voz
É abort, é retry
Disco mal formatado
PCTools não resolve
Norton trava o teclado
É impressora sem tinta
Engolindo o papel
Meu trabalho de dias
Foi cuspido pro céu!...
terça-feira, junho 28, 2005
salvé o 28 de Junho , dia do ZÉ FRANCISCO
..

É dia 28 de Junho, é dia de festa no Blog, e em Castro Verde, e no Alentejo.

O Zé Francisco festeja o seu aniversário, nós festejamos o dia do Zé Francisco.
Não conheço nenhum alentejano , mais arreigado ao Alentejo , mais Alentejano que o Zé Francisco.
Por isso não só nós, cá do Blog, devemos estar com ele neste dia festivo.
A Alentejo deve-lhe imenso a sua divulgação.
As violas campaniças existem mais, soam mais vezes, dobram os sons..
O cante é hoje mais ouvido, mais cantado, mais badalado, mais discutido.
Em grupos de Cante, há mais "Ganhões", mais "Camponesas", mais "Carapinhas"
Com o Baldão há mais Feira de Castro, há mais cantar, há mais tradição.
Com o "Património", há mais rádio, há mais palavra, mais comunicação.
Com a Cortiçol mais património, mais ambiente, mais cultura, mais divulgação.
O nosso Blog festeja ruidosamente o Zé Francisco e lembra-lhe que gosta de doces!!!!
É dia 28 de Junho, é dia de festa no Blog, e em Castro Verde, e no Alentejo.
O Zé Francisco festeja o seu aniversário, nós festejamos o dia do Zé Francisco.
Não conheço nenhum alentejano , mais arreigado ao Alentejo , mais Alentejano que o Zé Francisco.
Por isso não só nós, cá do Blog, devemos estar com ele neste dia festivo.
A Alentejo deve-lhe imenso a sua divulgação.
As violas campaniças existem mais, soam mais vezes, dobram os sons..
O cante é hoje mais ouvido, mais cantado, mais badalado, mais discutido.
Em grupos de Cante, há mais "Ganhões", mais "Camponesas", mais "Carapinhas"
Com o Baldão há mais Feira de Castro, há mais cantar, há mais tradição.
Com o "Património", há mais rádio, há mais palavra, mais comunicação.
Com a Cortiçol mais património, mais ambiente, mais cultura, mais divulgação.
O nosso Blog festeja ruidosamente o Zé Francisco e lembra-lhe que gosta de doces!!!!
sexta-feira, junho 24, 2005
preliminares
..
UM AMIGO ENCONTRA UM EX-COLEGA DE TRABALHO :
-"ME SEPAREI DA MINHA MULHER E JÁ FIZEMOS A DIVISÃO DOS BENS."
O COLEGA PERGUNTA:
-"E OS FILHOS?"
O OUTRO RESPONDE:
-"O JUIZ, SABIAMENTE, DECIDIU QUE FICARIAM COM AQUELE QUE MAIS BENS RECEBEU AO FINAL DO PROCESSO.
-"HOJE MEUS DOIS FILHOS ESTÃO VIVENDO COM O ADVOGADO".
UM AMIGO ENCONTRA UM EX-COLEGA DE TRABALHO :
-"ME SEPAREI DA MINHA MULHER E JÁ FIZEMOS A DIVISÃO DOS BENS."
O COLEGA PERGUNTA:
-"E OS FILHOS?"
O OUTRO RESPONDE:
-"O JUIZ, SABIAMENTE, DECIDIU QUE FICARIAM COM AQUELE QUE MAIS BENS RECEBEU AO FINAL DO PROCESSO.
-"HOJE MEUS DOIS FILHOS ESTÃO VIVENDO COM O ADVOGADO".
quinta-feira, junho 23, 2005
IMAGENS DO ALENTEJO - CASTRO DA COLA
..

CASTRO DA COLA
No povoado de Castro da Cola encontram-se poucos vestígios romanos, mas uma herança muçulmana interessantíssima e traços cristãos da época medieval que...
De Castro da Cola, em Ourique, rezam lendas de assombrações, de tesouros ou mouras encantadas e à sua volta espalham-se na paisagem as marcas que o Homem deixou desde tempos imemoriais.
Entre a descoberta de antigos povoados e monumentos funerários, faça o circuito arqueológico e viaje em poucas horas desde o Neolítico à Idade Média, passando pela Idade do Bronze.
Antas, necrópoles da Idade do Ferro ou povoados da mesma época, uma povoação calcolítica, são 15 as paragens seleccionadas entre os 30 sítios arqueológicos que se conhecem na região, num percurso arqueológico pensado para visualizar como viviam os nossos antepassados.
Agricultura, caça, pesca, são muitas as actividades que se desenvolveram determinando a ocupação permanente desta terra fértil, dominada pelo rio Mira.
Nesta zona única para o conhecimento da nossa história, aproveite também para visitar a ermida da Nossa Senhora da Cola que todos os anos se enche com peregrinos que aí vão pagar as suas promessas.
Celebra a Natividade de Nossa Senhora e tem grande devoção popular do povo do Baixo Alentejo. A sua construção data do século XVII. A substituir a Imagem primitiva, do século XIV, existe uma em talha dourada, do século XVII. A principal romaria realiza-se a 7 e 8 de Setembro, mas no mês de Maio também se efectuam diversas manifestações religiosas, sem data fixa.
Este local, além de ser muito concorrido por peregrinos, tem a atracção arqueológica do "Castro da Cola".
CASTRO DA COLA
No povoado de Castro da Cola encontram-se poucos vestígios romanos, mas uma herança muçulmana interessantíssima e traços cristãos da época medieval que...
De Castro da Cola, em Ourique, rezam lendas de assombrações, de tesouros ou mouras encantadas e à sua volta espalham-se na paisagem as marcas que o Homem deixou desde tempos imemoriais.
Entre a descoberta de antigos povoados e monumentos funerários, faça o circuito arqueológico e viaje em poucas horas desde o Neolítico à Idade Média, passando pela Idade do Bronze.
Antas, necrópoles da Idade do Ferro ou povoados da mesma época, uma povoação calcolítica, são 15 as paragens seleccionadas entre os 30 sítios arqueológicos que se conhecem na região, num percurso arqueológico pensado para visualizar como viviam os nossos antepassados.
Agricultura, caça, pesca, são muitas as actividades que se desenvolveram determinando a ocupação permanente desta terra fértil, dominada pelo rio Mira.
Nesta zona única para o conhecimento da nossa história, aproveite também para visitar a ermida da Nossa Senhora da Cola que todos os anos se enche com peregrinos que aí vão pagar as suas promessas.
Celebra a Natividade de Nossa Senhora e tem grande devoção popular do povo do Baixo Alentejo. A sua construção data do século XVII. A substituir a Imagem primitiva, do século XIV, existe uma em talha dourada, do século XVII. A principal romaria realiza-se a 7 e 8 de Setembro, mas no mês de Maio também se efectuam diversas manifestações religiosas, sem data fixa.
Este local, além de ser muito concorrido por peregrinos, tem a atracção arqueológica do "Castro da Cola".
CASTRO VERDE NO FEIJÓ
..
.
CASTRO VERDE NO FEIJÓ
..
Houve festas no Feijó
celebrou-se o Alentejo
Castro Verde deu o nó
com os seus filhos do Tejo
.
Com o rio aqui tão perto
as gentes do sul cantaram
no seu sotaque lento e certo
e a toda a gente encantaram
.
De Castro vieram cantoras
poetas e tocadores
teatro de amadoras
suas vidas, seus amôres
.
Ao som das campaniças
belas modas se cantaram
o fabrico de chouriças
as veteranas mimaram
.
A vida real recordaram
do palaíto aos sobreiros
e todos se emocionaram
com o hino dos mineiros
.
"Morreram, quatro mineiros"
até a pele se eriçou
"vêjam lá companheiros"
o Alentejo está aqui, chegou!!!
.
JÚLIO
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CASTRO VERDE NO FEIJÓ
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Houve festas no Feijó
celebrou-se o Alentejo
Castro Verde deu o nó
com os seus filhos do Tejo
.
Com o rio aqui tão perto
as gentes do sul cantaram
no seu sotaque lento e certo
e a toda a gente encantaram
.
De Castro vieram cantoras
poetas e tocadores
teatro de amadoras
suas vidas, seus amôres
.
Ao som das campaniças
belas modas se cantaram
o fabrico de chouriças
as veteranas mimaram
.
A vida real recordaram
do palaíto aos sobreiros
e todos se emocionaram
com o hino dos mineiros
.
"Morreram, quatro mineiros"
até a pele se eriçou
"vêjam lá companheiros"
o Alentejo está aqui, chegou!!!
.
JÚLIO
quinta-feira, junho 16, 2005
O CANTE E OS SEUS INTERPRETES
..
O CANTE E OS SEUS INTERPRETES
de
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
Nas vilas os grupos resistem, lá para as bandas da cidade capital ,onde em quantidade e qualidade dantes refulgiam, os corais agora envelhecem e definham, nas aldeias ,apesar de toda a conjuntura desfavorável, continuam ainda a desabrochar, pontualmente , iniciativas credíveis que tentam corporizar a tradição e mereciam ser devidamente acalentadas.
No actual panorama, já obviamente preocupante e cujo agravamento tendencialmente se irá aprofundando, praticamente só a MODA- Associação do Cante Alentejano vai esboçando, timidamente, alguns gestos de inconformismo e de denuncia do estado de penúria para onde vai sendo atirado aquele que é o torrão mais rico da nossa cultura popular.
Com cerca de meia centena de grupos associados, a MODA vai promovendo encontros, reuniões e debates onde se desenvolve a reflexão sobre as questões mais candentes e pertinentes que afectam a vida e o futuro do cante alentejano.
Temos consciência do estado de abandono a que os corais têm sido votados , vivendo de costas voltadas uns para os outros e entregues a si próprios, sem beneficiarem de qualquer tipo de enquadramento ou cuidado adequados por parte do governo e das autarquias , estas que se têm limitado a facultar-lhes, quando muito, o transporte para as saídas.
Mas mesmo que esta facilidade subsistisse, contrariamente ao que tem vindo agora a suceder em muitos lugares, tal não era suficiente para dar o alento vital que se impunha, face à crise em que os grupos mergulharam e às características ,às debilidades e à natureza intrínseca dos interpretes do cante alentejano.
Antes de mais, e desde logo ,importava que o poder local, já nem falamos do outro, tivesse a sensibilidade, ganhasse a consciência do papel e da importância que a moda tem na realidade cultural do Alentejo como elemento agregador das gentes e como factor motivador da nossa identidade.
Para além da sua vertente meramente artística, que só por si seria o bastante para dar relevo ao nosso cante , para justificar todo o empenho por parte de quem detém a responsabilidade da vida cultural nos nossos concelhos , acresce ainda a sua valia maior que reside na circunstancia do mesmo ser o único elo que aqui a todos une. A nossa memória colectiva está impregnada de cante. A nossa afectividade foi moldada com a poesia e a melodia das modas e, por sua vez, influenciou o nosso modo de cantar.
Tudo isto justificava que o cante fosse eleito como prioridade primeira dos afazeres dos pelouros da cultura das autarquias. Têm os meios ,a vocação e a obrigação de zelar pelo nosso património. Por isso , deviam cuidar de reflectir colectivamente sobre o cante e os seus interpretes.
Deviam, antes de mais, assumir a problemática do cante como um problema seu.
Urgia que interiorizassem as mazelas dos grupos e se deitassem com elas,para depois poderem sonhar com um estar diferente para os agentes culturais mais entusiásticos e generosos dos seus concelhos.
Sem paternalismos , deviam apoiar, sem interferir deviam promover.
Sem grandes custos , podiam fazer um levantamento da actual realidade coral, inventariando as suas potencialidades e as suas fraquezas de modo a imprimir-se um estar e uma atitude diferentes no dia a dia dos grupos.
Para a sobrevivência do cante é essencial dignificar.
Os grupos têm de deixar de ser olhados como os parentes pobres que se arrastam por gosto e pedem que os oiçam por amor de Deus. Não podem continuar a ser olhados como a imagem viva do tempo da servidão. Se quisermos dar futuro a um tão rico património, é essencial que se dinamizem acções tendentes a mudar a mentalidade reinante que faz afastar os jovens do cante com uma atitude de desprezo incutido por anos de marginalização.Com efeito, importa actuar já, embora tardiamente, com vista a ser valorizado, dignificado, elogiado como merece, o nosso modo de expressão vocal. Nas escolas, nas praças, nos nossos corações.
Condição essencial para começar é que o cante seja considerado Património do Alentejo e os seus intérpretes sejam tidos como parceiros culturais privilegiados pelo poder que nos rege.
O CANTE E OS SEUS INTERPRETES
de
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
Nas vilas os grupos resistem, lá para as bandas da cidade capital ,onde em quantidade e qualidade dantes refulgiam, os corais agora envelhecem e definham, nas aldeias ,apesar de toda a conjuntura desfavorável, continuam ainda a desabrochar, pontualmente , iniciativas credíveis que tentam corporizar a tradição e mereciam ser devidamente acalentadas.
No actual panorama, já obviamente preocupante e cujo agravamento tendencialmente se irá aprofundando, praticamente só a MODA- Associação do Cante Alentejano vai esboçando, timidamente, alguns gestos de inconformismo e de denuncia do estado de penúria para onde vai sendo atirado aquele que é o torrão mais rico da nossa cultura popular.
Com cerca de meia centena de grupos associados, a MODA vai promovendo encontros, reuniões e debates onde se desenvolve a reflexão sobre as questões mais candentes e pertinentes que afectam a vida e o futuro do cante alentejano.
Temos consciência do estado de abandono a que os corais têm sido votados , vivendo de costas voltadas uns para os outros e entregues a si próprios, sem beneficiarem de qualquer tipo de enquadramento ou cuidado adequados por parte do governo e das autarquias , estas que se têm limitado a facultar-lhes, quando muito, o transporte para as saídas.
Mas mesmo que esta facilidade subsistisse, contrariamente ao que tem vindo agora a suceder em muitos lugares, tal não era suficiente para dar o alento vital que se impunha, face à crise em que os grupos mergulharam e às características ,às debilidades e à natureza intrínseca dos interpretes do cante alentejano.
Antes de mais, e desde logo ,importava que o poder local, já nem falamos do outro, tivesse a sensibilidade, ganhasse a consciência do papel e da importância que a moda tem na realidade cultural do Alentejo como elemento agregador das gentes e como factor motivador da nossa identidade.
Para além da sua vertente meramente artística, que só por si seria o bastante para dar relevo ao nosso cante , para justificar todo o empenho por parte de quem detém a responsabilidade da vida cultural nos nossos concelhos , acresce ainda a sua valia maior que reside na circunstancia do mesmo ser o único elo que aqui a todos une. A nossa memória colectiva está impregnada de cante. A nossa afectividade foi moldada com a poesia e a melodia das modas e, por sua vez, influenciou o nosso modo de cantar.
Tudo isto justificava que o cante fosse eleito como prioridade primeira dos afazeres dos pelouros da cultura das autarquias. Têm os meios ,a vocação e a obrigação de zelar pelo nosso património. Por isso , deviam cuidar de reflectir colectivamente sobre o cante e os seus interpretes.
Deviam, antes de mais, assumir a problemática do cante como um problema seu.
Urgia que interiorizassem as mazelas dos grupos e se deitassem com elas,para depois poderem sonhar com um estar diferente para os agentes culturais mais entusiásticos e generosos dos seus concelhos.
Sem paternalismos , deviam apoiar, sem interferir deviam promover.
Sem grandes custos , podiam fazer um levantamento da actual realidade coral, inventariando as suas potencialidades e as suas fraquezas de modo a imprimir-se um estar e uma atitude diferentes no dia a dia dos grupos.
Para a sobrevivência do cante é essencial dignificar.
Os grupos têm de deixar de ser olhados como os parentes pobres que se arrastam por gosto e pedem que os oiçam por amor de Deus. Não podem continuar a ser olhados como a imagem viva do tempo da servidão. Se quisermos dar futuro a um tão rico património, é essencial que se dinamizem acções tendentes a mudar a mentalidade reinante que faz afastar os jovens do cante com uma atitude de desprezo incutido por anos de marginalização.Com efeito, importa actuar já, embora tardiamente, com vista a ser valorizado, dignificado, elogiado como merece, o nosso modo de expressão vocal. Nas escolas, nas praças, nos nossos corações.
Condição essencial para começar é que o cante seja considerado Património do Alentejo e os seus intérpretes sejam tidos como parceiros culturais privilegiados pelo poder que nos rege.
quarta-feira, junho 15, 2005
imagens do alentejo - ALTER DO CHÃO
..
Estiveram conosco nesta Semana do Concelho de Castro Verde no Feijó, 2 grupos de ALTER DO CHÃO.
O Grupo de Música Popular "Abelterium" e o o Rancho Folclórico "As ceifeiras" de Alter do Chão.
Ambos muito bons, e que espalharam a sua alegria a cantar e a dançar.
Por isso, o nosso Blog, publica hoje um pequeno retrato da urbe alentejana.

CONCELHO DE ALTER DO CHÃO:
Concelho constituído por quatro freguesias: Alter do Chão, Seda Chança e Cunheira.
Área: 361 Km2, representando 6% da área total do Alentejo.
População: 4 019 habitantes (concelho), distribuídos por cerca de 2 612 habitantes na sede de concelho (Alter do Chão), 96 habitantes (lugar de Alter Pedroso), 537 habitantes (Chancelaria), 391 habitantes (Seda) e 479 habitantes (Cunheira) segundo últimos dados dos Censos 2001.
Localização:
Da capital de Distrito (Portalegre) dista 36 Km, de Évora 90 Km e de Lisboa 190 Km.
De Alter do Chão a Seda: 12 Km.
De Alter do Chão a Chança: 18 Km.
De Alter do Chão a Cunheira: 26 Km.
De Alter do Chão a Alter Pedroso: 3 Km.
Estatistica:
Densidade população: 12,3 hab/Km2
Taxa de desemprego: 8,4%
Taxa de actividade: 33,7%
Emprego no sector primário: 22,5%
Emprego no sector secundário: 21,2%
Emprego no sector terciário: 56,2%
Taxa de analfabetismo: 24,9%
Pop. Com Ensino Superior Completo: 1,1%
Encontra-se em implementação um pequeno centro de excelência industrial na fileira da cortiça, na área da primeira transformação.

CASTELO DE ALTER DO CHÃO
Nota Histórica:
A origem de Alter do Chão poderá ser atribuída a um povoado romano, fundado a partir de um aglomerado da Idade do Ferro em Alter Pedroso.
De Abelterium, cidade romana que vem referenciada no Itinerário de Antonino Pio, terá provavelmente nascido Alter do Chão.
No reinado de D. Sancho II, o Bispo da Diocese da Guarda D. Vicente, propôs “restaurar e povoar Alter”, atribuindo-lhe o 1º Foral no ano de 1232. D. Afonso III com o objectivo de incentivar o povoamento, manda reconstruí-la e terá concedido novo Foral em 1249. D. Dinis atribui-lhe dois Forais em anos consecutivos, o último data de 25 de Março de 1293 e conferia-lhe todos os privilégios de Santarém.
Em 1359, D. Pedro I mandou edificar o actual Castelo e confirma-lhe, através de nova carta de Foral os privilégios anteriores.
D. João I, Mestre da Ordem de Avis, cede em senhorio a D. Nuno Álvares Pereira, passando os bens para a Casa de Barcelos e posteriormente para a Casa de Bragança, fundada pelo casamento de D. Beatriz, filha do Condestável com D. Afonso, filho bastardo do progenitor da Ínclita Geração.
O Foral de Leitura Nova, foi-lhe atribuído a 1 de Junho de 1512 no decurso da nova reforma mandada efectivar por D. Manuel.
Do período quinhentista as construções que subsistem mostram a vitalidade e importância que a vila tomou.
São deste período o Chafariz Renascentista, Igreja de Nossa Senhora da Alegria e a Janela Geminada, na Rua General Blanco.
Prova evidente do desenvolvimento que Alter alcançou no período Barroco, e do qual se pode orgulhar, são as várias construções civis e religiosas de entre elas algumas imponentes, das quais se destacam: Coudelaria de Alter, mandada construir por D. João V em 1748 por iniciativa do Príncipe D. José, para a produção do cavalo Lusitano, cujo destino era a Arte Equestre, muito em voga nas cortes daquela época; o Palácio do Álamo, Igreja do Senhor Jesus do Outeiro, Igreja do Convento de Santo António e os chafarizes da Barreira e dos Bonecos.
Estiveram conosco nesta Semana do Concelho de Castro Verde no Feijó, 2 grupos de ALTER DO CHÃO.
O Grupo de Música Popular "Abelterium" e o o Rancho Folclórico "As ceifeiras" de Alter do Chão.
Ambos muito bons, e que espalharam a sua alegria a cantar e a dançar.
Por isso, o nosso Blog, publica hoje um pequeno retrato da urbe alentejana.
CONCELHO DE ALTER DO CHÃO:
Concelho constituído por quatro freguesias: Alter do Chão, Seda Chança e Cunheira.
Área: 361 Km2, representando 6% da área total do Alentejo.
População: 4 019 habitantes (concelho), distribuídos por cerca de 2 612 habitantes na sede de concelho (Alter do Chão), 96 habitantes (lugar de Alter Pedroso), 537 habitantes (Chancelaria), 391 habitantes (Seda) e 479 habitantes (Cunheira) segundo últimos dados dos Censos 2001.
Localização:
Da capital de Distrito (Portalegre) dista 36 Km, de Évora 90 Km e de Lisboa 190 Km.
De Alter do Chão a Seda: 12 Km.
De Alter do Chão a Chança: 18 Km.
De Alter do Chão a Cunheira: 26 Km.
De Alter do Chão a Alter Pedroso: 3 Km.
Estatistica:
Densidade população: 12,3 hab/Km2
Taxa de desemprego: 8,4%
Taxa de actividade: 33,7%
Emprego no sector primário: 22,5%
Emprego no sector secundário: 21,2%
Emprego no sector terciário: 56,2%
Taxa de analfabetismo: 24,9%
Pop. Com Ensino Superior Completo: 1,1%
Encontra-se em implementação um pequeno centro de excelência industrial na fileira da cortiça, na área da primeira transformação.
CASTELO DE ALTER DO CHÃO
Nota Histórica:
A origem de Alter do Chão poderá ser atribuída a um povoado romano, fundado a partir de um aglomerado da Idade do Ferro em Alter Pedroso.
De Abelterium, cidade romana que vem referenciada no Itinerário de Antonino Pio, terá provavelmente nascido Alter do Chão.
No reinado de D. Sancho II, o Bispo da Diocese da Guarda D. Vicente, propôs “restaurar e povoar Alter”, atribuindo-lhe o 1º Foral no ano de 1232. D. Afonso III com o objectivo de incentivar o povoamento, manda reconstruí-la e terá concedido novo Foral em 1249. D. Dinis atribui-lhe dois Forais em anos consecutivos, o último data de 25 de Março de 1293 e conferia-lhe todos os privilégios de Santarém.
Em 1359, D. Pedro I mandou edificar o actual Castelo e confirma-lhe, através de nova carta de Foral os privilégios anteriores.
D. João I, Mestre da Ordem de Avis, cede em senhorio a D. Nuno Álvares Pereira, passando os bens para a Casa de Barcelos e posteriormente para a Casa de Bragança, fundada pelo casamento de D. Beatriz, filha do Condestável com D. Afonso, filho bastardo do progenitor da Ínclita Geração.
O Foral de Leitura Nova, foi-lhe atribuído a 1 de Junho de 1512 no decurso da nova reforma mandada efectivar por D. Manuel.
Do período quinhentista as construções que subsistem mostram a vitalidade e importância que a vila tomou.
São deste período o Chafariz Renascentista, Igreja de Nossa Senhora da Alegria e a Janela Geminada, na Rua General Blanco.
Prova evidente do desenvolvimento que Alter alcançou no período Barroco, e do qual se pode orgulhar, são as várias construções civis e religiosas de entre elas algumas imponentes, das quais se destacam: Coudelaria de Alter, mandada construir por D. João V em 1748 por iniciativa do Príncipe D. José, para a produção do cavalo Lusitano, cujo destino era a Arte Equestre, muito em voga nas cortes daquela época; o Palácio do Álamo, Igreja do Senhor Jesus do Outeiro, Igreja do Convento de Santo António e os chafarizes da Barreira e dos Bonecos.
os nossos poetas
...
"RECORDAR É VIVER"
.
A desassete de Novembro de mil novecentos e quarenta e sete
havia grande fervôr
chegava a Vigem a Fátima
resplandescente no seu andor.
.
Com os meus oito aninhos
andava numa euforia
ia vestida de anjinho
para os pés da Virgem Maria
.
Eram os velhos e novos
o povo ninguém engana
a Virgem vinha chegando
à altura da Serrana.
.
Como recordar é viver
eu recordo esse dia
vem chegamdo à Serrana
diz "Tótó" com alegria
.
"Tótó" diminuitivo de António
era assim que era tratado
um primo muito querido
por nós todos muito amado
.
A Vila estava branquinha
toda ela engalanada
para receber a visita
que há muito era esperada
.
Com as minhas asas brancas
como pomba a esvoaçar
perdi o meu lencinho branco
não pôde as lágrimas secar
.
Até posso parecer tola
do passado estar a falar
está na minha memória
o que gosto de recordar
.
Os anos já se passaram
continuo a recordar
dos tempo que já passaram
e não tornam a voltar
.
Cinquenta e quatro anos
muitos anos na idade
já vou estando vèlhinha
tudo recordo com "saudade"
.
Poema de
MARIA BARBARA CONTREIRAS APOLÓNIA
"RECORDAR É VIVER"
.
A desassete de Novembro de mil novecentos e quarenta e sete
havia grande fervôr
chegava a Vigem a Fátima
resplandescente no seu andor.
.
Com os meus oito aninhos
andava numa euforia
ia vestida de anjinho
para os pés da Virgem Maria
.
Eram os velhos e novos
o povo ninguém engana
a Virgem vinha chegando
à altura da Serrana.
.
Como recordar é viver
eu recordo esse dia
vem chegamdo à Serrana
diz "Tótó" com alegria
.
"Tótó" diminuitivo de António
era assim que era tratado
um primo muito querido
por nós todos muito amado
.
A Vila estava branquinha
toda ela engalanada
para receber a visita
que há muito era esperada
.
Com as minhas asas brancas
como pomba a esvoaçar
perdi o meu lencinho branco
não pôde as lágrimas secar
.
Até posso parecer tola
do passado estar a falar
está na minha memória
o que gosto de recordar
.
Os anos já se passaram
continuo a recordar
dos tempo que já passaram
e não tornam a voltar
.
Cinquenta e quatro anos
muitos anos na idade
já vou estando vèlhinha
tudo recordo com "saudade"
.
Poema de
MARIA BARBARA CONTREIRAS APOLÓNIA
terça-feira, junho 14, 2005
ALVARO CUNHAL
..
..

.
ALVARO CUNHAL já não está entre nós.
Da sua vida releva-se a sua luta persistente contra o fascismo e noutro plano , a obra plática que nos deixou.

Álvaro Barreirinhas Cunhal, filho de Avelino Cunhal e Mercedes Cunhal, nasceu na freguesia da Sé Nova em Coimbra, no dia 10 de Novembro de 1913.
A sua infância foi vivida em Seia, terra de seu pai.
Com onze anos de idade muda-se com a família para Lisboa, onde faz os seus estudos secundários no Pedro Nunes e mais tarde no liceu Camões.
Em 1931, com dezassete anos, ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa, onde inicia a sua actividade política. Neste mesmo ano filia-se no PCP e faz parte da Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional.
Em 1934 torna-se representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário, mas devido à intensa actividade política a faculdade acaba por passar para segundo plano.
Segundo uma biografia publicada em 1954, pelo Secretariado do PCP, Álvaro Cunhal terá entrado na clandestinidade em 1935 e participado no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista em Moscovo.
Em 1936 entra para o Comité Central do PCP, que o envia a Espanha, onde vive os primeiros cinco meses da guerra civil.
Em Junho de 1937 é preso pela primeira vez. É levado para o Aljube e posteriormente transferido para Peniche. Um ano depois é libertado, mas por razões políticas é obrigado a cumprir o serviço militar, em Dezembro de 1939, na Companhia Disciplinar de Penamacor. Por razões de saúde, Álvaro Cunhal acaba por ser dispensado pela Junta Médica Militar.
Ao longo da década de 30, Cunhal foi colaborador de vários jornais e revistas, entre os quais se contam "O Diabo"; "Sol Nascente"; "Seara Nova"; "Vértice"; e nas publicações clandestinas do PCP, "Avante" e "Militante", onde escreveu artigos de intervenção política e ideológica.
Em Maio de 1940 é novamente preso e faz o seu exame final na Faculdade de Direito de Lisboa sob escolta policial. Apresenta uma tese sobre a realidade social do aborto, que seria avaliada por um júri composto por Marcelo Caetano, Paulo Cunha e Cavaleiro Ferreira, figuras destacadas do regime Salazarista. A sua classificação final foi de 16 valores.
Em 1941 trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares, pai de Mário Soares, função que desempenhou até Dezembro do mesmo ano, altura em que entrou de novo na clandestinidade.
Em 1947, faz uma viagem clandestina à URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e França, a fim de restabelecer as relações do PCP, com o movimento internacional.
A 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal é preso pela terceira vez, numa casa clandestina do Luso. Com ele são também presos Militão Ribeiro e Sofia Ferreira.
O seu julgamento ocorreu um ano depois. Neste julgamento Cunhal fez uma declaração em que se afirmava "filho adoptivo do proletariado" e dirigiu um forte ataque ao regime salazarista.
Foi condenado e preso na Penitenciária de Lisboa, sendo transferido para a prisão-fortaleza de Peniche em 1958.
Em 1953 desenvolve-se um movimento internacional de solidariedade pela sua libertação, que conta com a participação de inúmeros intelectuais e artistas estrangeiros. Destes destacam-se Jorge Amado e Pablo Neruda, que lhe dedica o poema "Lámpara Marina", que a seguir reproduzimos:
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
Dos onze anos que esteve encarcerado, foi mantido incomunicável durante catorze meses e passou oito em total isolamento.
Em Janeiro de 1960 dá-se a famosa fuga do Forte de Peniche.
Após a fuga, Cunhal fica ainda cerca de dois anos em Portugal, na clandestinidade. Durante este período viveu em casas clandestinas de vários pontos do país como: Sintra, Ericeira, Amadora, Coimbra, Porto.
Em 1961 é eleito Secretário-geral do PCP.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris onde vive clandestino durante cerca de oito anos. Assiste em Paris ao Maio de 68 e é lá que a Revolução de Abril o vai surpreender.
Regressa a Portugal a 30 de Abril de 1974.
A 15 de Maio do mesmo ano toma posse como ministro sem pasta no I Governo Provisório. Mantém o mesmo cargo nos II, III e IV Governos Provisórios.
Em 1975 é eleito deputado à Assembleia Constituinte e até 1992, altura em que se afasta do cargo de Secretário-geral do PCP, é eleito deputado à Assembleia da República, por Lisboa, em todas as eleições legislativas (1976; 1979; 1980; 1983; 1985; 1987). Só por curtos prazos ocupará esse lugar.
Em 1982 torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandona em 1992.
No ano de 1992 abandona o cargo de Secretário-geral do PCP, que passa a ser ocupado por Carlos Carvalhas, e é eleito pelo Comité Central para o então criado cargo de Presidente do Conselho Nacional do PCP.
Liberto das suas funções de liderança partidária, Álvaro Cunhal, a par da actividade política corrente, assume claramente a sua condição de romancista e esteta.
Neste sentido, em 1995 reconhece publicamente ser o romancista Manuel Tiago e um ano mais tarde publica um ensaio sobre estética, onde apresenta as suas reflexões neste domínio.
..
.
ALVARO CUNHAL já não está entre nós.
Da sua vida releva-se a sua luta persistente contra o fascismo e noutro plano , a obra plática que nos deixou.
Álvaro Barreirinhas Cunhal, filho de Avelino Cunhal e Mercedes Cunhal, nasceu na freguesia da Sé Nova em Coimbra, no dia 10 de Novembro de 1913.
A sua infância foi vivida em Seia, terra de seu pai.
Com onze anos de idade muda-se com a família para Lisboa, onde faz os seus estudos secundários no Pedro Nunes e mais tarde no liceu Camões.
Em 1931, com dezassete anos, ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa, onde inicia a sua actividade política. Neste mesmo ano filia-se no PCP e faz parte da Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional.
Em 1934 torna-se representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário, mas devido à intensa actividade política a faculdade acaba por passar para segundo plano.
Segundo uma biografia publicada em 1954, pelo Secretariado do PCP, Álvaro Cunhal terá entrado na clandestinidade em 1935 e participado no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista em Moscovo.
Em 1936 entra para o Comité Central do PCP, que o envia a Espanha, onde vive os primeiros cinco meses da guerra civil.
Em Junho de 1937 é preso pela primeira vez. É levado para o Aljube e posteriormente transferido para Peniche. Um ano depois é libertado, mas por razões políticas é obrigado a cumprir o serviço militar, em Dezembro de 1939, na Companhia Disciplinar de Penamacor. Por razões de saúde, Álvaro Cunhal acaba por ser dispensado pela Junta Médica Militar.
Ao longo da década de 30, Cunhal foi colaborador de vários jornais e revistas, entre os quais se contam "O Diabo"; "Sol Nascente"; "Seara Nova"; "Vértice"; e nas publicações clandestinas do PCP, "Avante" e "Militante", onde escreveu artigos de intervenção política e ideológica.
Em Maio de 1940 é novamente preso e faz o seu exame final na Faculdade de Direito de Lisboa sob escolta policial. Apresenta uma tese sobre a realidade social do aborto, que seria avaliada por um júri composto por Marcelo Caetano, Paulo Cunha e Cavaleiro Ferreira, figuras destacadas do regime Salazarista. A sua classificação final foi de 16 valores.
Em 1941 trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares, pai de Mário Soares, função que desempenhou até Dezembro do mesmo ano, altura em que entrou de novo na clandestinidade.
Em 1947, faz uma viagem clandestina à URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e França, a fim de restabelecer as relações do PCP, com o movimento internacional.
A 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal é preso pela terceira vez, numa casa clandestina do Luso. Com ele são também presos Militão Ribeiro e Sofia Ferreira.
O seu julgamento ocorreu um ano depois. Neste julgamento Cunhal fez uma declaração em que se afirmava "filho adoptivo do proletariado" e dirigiu um forte ataque ao regime salazarista.
Foi condenado e preso na Penitenciária de Lisboa, sendo transferido para a prisão-fortaleza de Peniche em 1958.
Em 1953 desenvolve-se um movimento internacional de solidariedade pela sua libertação, que conta com a participação de inúmeros intelectuais e artistas estrangeiros. Destes destacam-se Jorge Amado e Pablo Neruda, que lhe dedica o poema "Lámpara Marina", que a seguir reproduzimos:
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
Dos onze anos que esteve encarcerado, foi mantido incomunicável durante catorze meses e passou oito em total isolamento.
Em Janeiro de 1960 dá-se a famosa fuga do Forte de Peniche.
Após a fuga, Cunhal fica ainda cerca de dois anos em Portugal, na clandestinidade. Durante este período viveu em casas clandestinas de vários pontos do país como: Sintra, Ericeira, Amadora, Coimbra, Porto.
Em 1961 é eleito Secretário-geral do PCP.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris onde vive clandestino durante cerca de oito anos. Assiste em Paris ao Maio de 68 e é lá que a Revolução de Abril o vai surpreender.
Regressa a Portugal a 30 de Abril de 1974.
A 15 de Maio do mesmo ano toma posse como ministro sem pasta no I Governo Provisório. Mantém o mesmo cargo nos II, III e IV Governos Provisórios.
Em 1975 é eleito deputado à Assembleia Constituinte e até 1992, altura em que se afasta do cargo de Secretário-geral do PCP, é eleito deputado à Assembleia da República, por Lisboa, em todas as eleições legislativas (1976; 1979; 1980; 1983; 1985; 1987). Só por curtos prazos ocupará esse lugar.
Em 1982 torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandona em 1992.
No ano de 1992 abandona o cargo de Secretário-geral do PCP, que passa a ser ocupado por Carlos Carvalhas, e é eleito pelo Comité Central para o então criado cargo de Presidente do Conselho Nacional do PCP.
Liberto das suas funções de liderança partidária, Álvaro Cunhal, a par da actividade política corrente, assume claramente a sua condição de romancista e esteta.
quinta-feira, junho 09, 2005
Castro Verde, está connosco
..
Decorre com o êxito já esperado a Semana de Castro Verde, organizada pelo Grupo Recrativo do Feijó, Câmara de Almada e de Castro Verde.
Estivemos no desfile de Sábado à noite na Rua dos Pescadores da Costa da Caparica, e também, na excelente matinée de Domingo, na sede do Grupo .
Ao desfile, inúmeros alentejanos residentes na região de Almada, compareceram e vibraram com as modas e a animação, que durou até à meia noite, com os grupos a actuarem no palco instalado na Praça do Mercado,bem no centro da Costa.
Apesar do vento forte que se fazia sentir , as pessoas não arredaram pé, a trautearem as letras que conheciam , e a curtirem bons momentos de convívio com gente da sua terra.
A sessão de Domingo foi muito animada, e com a sala pejada de gente, o grupo de Teatro "as Veteranas de Castro Verde" espalhou a surpresa e a boa disposição, ao interpretar com grande realidade "O dia a dia de um pastor". Sem texto escrito, laborando sobre ideias já faladas e trabalhadas em grupo, as "actrizes" deram-nos uma imagem muito real e divertida da azáfama na casa dum pastor alentejano, que com sua família e amigos, participam numa matança de porco, e da festança a que a mesma serve de pretexto. O palco enche-se de vida e às tantas parece-nos que estamos todos a participar naquela festa, a comer aqueles petiscos e a rir a bandeiras despregadas com as "falas" daquela família:
"A comadre Maria não fala na vida das pessoas da família" "só da dos outros"-logo, contapõe a filha mais nova...
-"Queres pão com manteiga, filha" "quero sim senhora minha mãe. mas bote-lhe açucar amarelo dos dois lados".
.
-"mãe, mãe, esta chouriça é para quem?"
"É pró teu pai"
"mãe, mãe, e aquela ali?"
"Essa é para mim"
"mãe, mãe, e aquela ?"
"é pra tua tia"
"atão e para mim?"
"atão pra ti levas um palaíto"
.
"esta manhã achei
debaixo da minha janela
uma cartinha d.amôr
quem ficaria sem ela?"
vai cantando a filha mais nova , enquanto , contrariada, vai varrendo o chão.
.
A sessão terminou com a actuação bem divertida , do grupo BANZA, que entre uma canção e uma piada bem apimentada, a todos dispuseram bem.
Na sede do Clube Recreativo. assistimos ontem à noite a outro belissimo espectáculo. Foi a noite das violas campaniças e de fado.
..

Ao som mavioso e único das violas campaniças, dedilhadas pelos dois únicos jovens que as sabem tocar, liderados por Pedro Mestre, que além de exímio tocador, é também artesão construtor das mesmas, ouviram-se belissimas modas alentejanas, entre elas a "Mariana Campaniça", entoadas pela grupo ,com algum feed back da plateia, rendida à magia criada a partir do palco. Foram momentos altos os que se viveram na sala, encantada pelo virtuosismo dos tocadores e das letras que lhes traziam saudosas memórias do seu Alentejo.
.
MARIANA CAMPANIÇA.
A mariana campaniça
Que lindos olhos que tem
Do monte da légua às pias
À missa não vai ninguém
À missa não vai ninguém
Á missa já ninguém vai
A Mariana campaniça
Coitadinha não tem pai
Coitadinha não tem pai
E mãe também já não tem
A Mariana campaniça
Que lindos olhos que tem
.
Prossegue a Semana de Castro com o desfile de logo à noite na Cova da Piedade.
Vamos todos lá!!!
Decorre com o êxito já esperado a Semana de Castro Verde, organizada pelo Grupo Recrativo do Feijó, Câmara de Almada e de Castro Verde.
Estivemos no desfile de Sábado à noite na Rua dos Pescadores da Costa da Caparica, e também, na excelente matinée de Domingo, na sede do Grupo .
Ao desfile, inúmeros alentejanos residentes na região de Almada, compareceram e vibraram com as modas e a animação, que durou até à meia noite, com os grupos a actuarem no palco instalado na Praça do Mercado,bem no centro da Costa.
Apesar do vento forte que se fazia sentir , as pessoas não arredaram pé, a trautearem as letras que conheciam , e a curtirem bons momentos de convívio com gente da sua terra.
A sessão de Domingo foi muito animada, e com a sala pejada de gente, o grupo de Teatro "as Veteranas de Castro Verde" espalhou a surpresa e a boa disposição, ao interpretar com grande realidade "O dia a dia de um pastor". Sem texto escrito, laborando sobre ideias já faladas e trabalhadas em grupo, as "actrizes" deram-nos uma imagem muito real e divertida da azáfama na casa dum pastor alentejano, que com sua família e amigos, participam numa matança de porco, e da festança a que a mesma serve de pretexto. O palco enche-se de vida e às tantas parece-nos que estamos todos a participar naquela festa, a comer aqueles petiscos e a rir a bandeiras despregadas com as "falas" daquela família:
"A comadre Maria não fala na vida das pessoas da família" "só da dos outros"-logo, contapõe a filha mais nova...
-"Queres pão com manteiga, filha" "quero sim senhora minha mãe. mas bote-lhe açucar amarelo dos dois lados".
.
-"mãe, mãe, esta chouriça é para quem?"
"É pró teu pai"
"mãe, mãe, e aquela ali?"
"Essa é para mim"
"mãe, mãe, e aquela ?"
"é pra tua tia"
"atão e para mim?"
"atão pra ti levas um palaíto"
.
"esta manhã achei
debaixo da minha janela
uma cartinha d.amôr
quem ficaria sem ela?"
vai cantando a filha mais nova , enquanto , contrariada, vai varrendo o chão.
.
A sessão terminou com a actuação bem divertida , do grupo BANZA, que entre uma canção e uma piada bem apimentada, a todos dispuseram bem.
Na sede do Clube Recreativo. assistimos ontem à noite a outro belissimo espectáculo. Foi a noite das violas campaniças e de fado.
..
Ao som mavioso e único das violas campaniças, dedilhadas pelos dois únicos jovens que as sabem tocar, liderados por Pedro Mestre, que além de exímio tocador, é também artesão construtor das mesmas, ouviram-se belissimas modas alentejanas, entre elas a "Mariana Campaniça", entoadas pela grupo ,com algum feed back da plateia, rendida à magia criada a partir do palco. Foram momentos altos os que se viveram na sala, encantada pelo virtuosismo dos tocadores e das letras que lhes traziam saudosas memórias do seu Alentejo.
.
MARIANA CAMPANIÇA.
A mariana campaniça
Que lindos olhos que tem
Do monte da légua às pias
À missa não vai ninguém
À missa não vai ninguém
Á missa já ninguém vai
A Mariana campaniça
Coitadinha não tem pai
Coitadinha não tem pai
E mãe também já não tem
A Mariana campaniça
Que lindos olhos que tem
.
Prossegue a Semana de Castro com o desfile de logo à noite na Cova da Piedade.
Vamos todos lá!!!
terça-feira, junho 07, 2005
POESIA
..
É COM MUITO GÔSTO QUE PUBLICAMOS
HOJE, UM POEMA DE MARIA BARBARA
CONTREIRAS, DE CASTRO VERDE ,
TAMBÉM A RESIDIR NO FEIJÓ.
ESPEREMOS QUE SEJA O PRIMEIRO
DE MUITOS,
.
"O MEU PERCURSO DE VIDA"
.
Fui à "Casa das Primas"
não pedi licença para entrar
como sou de Castro Verde
também quis colaborar
.
Aos sete anos fui para a escola
aprender a lêr e a escrever
voltei lá aos 20 anos
para um futuro melhor poder ter
.
Eu voltar àquela escola
foi para mim um privilégio
só que já não era escola
mas sim era , um colégio.
.
Doutor António Francisco Colaço
nome do seu patrono
o colégio, era de todos
nínguém conhecia o dono.
.
Foi o Doutor Chico Alegre
o meu primeiro director
hoje passados tantos anos
recordo-o com muito amôr
.
Passados dezoito anos
por a minha vida mudar
eu deixei o Alentejo
para o Vale Fetal vir morar
.
No Monte da Caparica
uma escola fui estrear
era tudo tão diferente
a maneira de sêr, e de estar
.
Neste meu percurso de vida
ainda voltei a mudar
vim para a escola do Laranjeiro
para mais perto de casa estar.
.
Como tudo tem principio, e fim
os anos foram passando
hoje a vivêr no Feijó
a minha reforma vou gozando
.
Para o "Alentejo"
um dia penso voltar
para a terra onde nasci
a mesma me poder gastar
.
MARIA BARBARA CONTREIRAS APOLÓNIA
É COM MUITO GÔSTO QUE PUBLICAMOS
HOJE, UM POEMA DE MARIA BARBARA
CONTREIRAS, DE CASTRO VERDE ,
TAMBÉM A RESIDIR NO FEIJÓ.
ESPEREMOS QUE SEJA O PRIMEIRO
DE MUITOS,
.
"O MEU PERCURSO DE VIDA"
.
Fui à "Casa das Primas"
não pedi licença para entrar
como sou de Castro Verde
também quis colaborar
.
Aos sete anos fui para a escola
aprender a lêr e a escrever
voltei lá aos 20 anos
para um futuro melhor poder ter
.
Eu voltar àquela escola
foi para mim um privilégio
só que já não era escola
mas sim era , um colégio.
.
Doutor António Francisco Colaço
nome do seu patrono
o colégio, era de todos
nínguém conhecia o dono.
.
Foi o Doutor Chico Alegre
o meu primeiro director
hoje passados tantos anos
recordo-o com muito amôr
.
Passados dezoito anos
por a minha vida mudar
eu deixei o Alentejo
para o Vale Fetal vir morar
.
No Monte da Caparica
uma escola fui estrear
era tudo tão diferente
a maneira de sêr, e de estar
.
Neste meu percurso de vida
ainda voltei a mudar
vim para a escola do Laranjeiro
para mais perto de casa estar.
.
Como tudo tem principio, e fim
os anos foram passando
hoje a vivêr no Feijó
a minha reforma vou gozando
.
Para o "Alentejo"
um dia penso voltar
para a terra onde nasci
a mesma me poder gastar
.
MARIA BARBARA CONTREIRAS APOLÓNIA
PROVÉRBIOS DE JUNHO
..

.
Provérbios de Junho
PREVISÃO AGRÍCOLA:
:
- Pelo S. João, lavra se queres ter pão.
- Em Junho, foicinha em punho.
- Feno alto ou baixo, em Junho é segado.
- No S. João semeia de gabão.
.
CALÔR:
:
- Junho calmoso, ano formoso.
- Sol de Junho madruga muito.
:
ANIMAIS:
:
- Galinhas de S. João, pelo Natal poedeiras são.
- Porco no S. João, meão; se meão se achar podes continuar; se mais de meão, acanha a ração.
:
VINHO:
:
Nem no Inverno sem capa, nem no Verão sem cabaça.
:

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Provérbios de Junho
PREVISÃO AGRÍCOLA:
:
- Pelo S. João, lavra se queres ter pão.
- Em Junho, foicinha em punho.
- Feno alto ou baixo, em Junho é segado.
- No S. João semeia de gabão.
.
CALÔR:
:
- Junho calmoso, ano formoso.
- Sol de Junho madruga muito.
:
ANIMAIS:
:
- Galinhas de S. João, pelo Natal poedeiras são.
- Porco no S. João, meão; se meão se achar podes continuar; se mais de meão, acanha a ração.
:
VINHO:
:
Nem no Inverno sem capa, nem no Verão sem cabaça.
:
terça-feira, maio 31, 2005
CASTRO VERDE , entre nós
..
TAL COMO JÁ TINHAMOS NOTICIADO
ENTRE 4 E 11 DE JUNHO VAMOS
TER CASTRO VERDE ENTRE NÓS:
.
8ª SEMANA CULTURAL ALENTEJANA NO CONCELHO DE ALMADA
Inserida nas Festas da Cidade de Almada e Divulgação Cultural do Concelho de Castro Verde, de 4 a 11 de Junho de 2005
.


.
A semana do Concelho de Castro Verde promovida pelo Grupo Recreativo do Feijó e a Câmara de Almada é um acontecimento a que o nosso Blog não pode nem deve ser alheio. Muitos dos alentejanos que residem no Feijó, Laranjeiro, Cova da Piedade, Corroios , Fogueteiro, Torre da Marinha, Cavadas, são da região de Castro Verde.
É com esperada emoção que verão os grupos de cante de Castro e arredores , calcorrearem, cantando as modas que tão bem conhecem, por estas ruas que são as que todos os dias são as suas.
Haverão colóquios e debates, cujo tema será centralizado no "Cante Arte e Técnica", e sobre a "Comunidade Alentejana em Almada, e o seu impacto no Concelho".
- PROGRAMA -
.
SÁBADO
4 de JUNHO às 17 horas – no Clube Recreativo do Feijó
1- Abertura Solene com exposições e concerto pela Banda da Sociedade Recreativa e Filarmónica 1º de Janeiro de Castro Verde
2- Actuação do Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó

3 -Às 21 horas, Noite de Cantares Alentejanos na COSTA DA CAPARICA, desfile dos Grupos Convidados da Rua dos Pescadores até ao Largo do Mercado
Participam:
- Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
- Grupo Coral Etnográfico de Viana do Alentejo
- Grupo Coral “Os Ceifeiros”, de Cuba
- Grupo Coral de Cantares de Évora
- Grupo Coral Etnográfico “Vozes de Casével”
- Grupo Coral Feminino “Antigas Mondadeiras de Casével”
- Grupo Coral Alentejano da Brandoa
- Grupo Musical “Diversos do Alentejo” de Pinhal de Frades, Seixal
.
DOMINGO
dia 5 de Junho às 18 horas – no Clube Recreativo do Feijó
-Grupo de Teatro Amador “As Veteranas” de Castro Verde
-Grupo vocal Banza” Paio Pires, Seixal
TERÇA-FEIRA
dia 7 de Junho às 21.30 horas – na Junta de Freguesia do Laranjeiro
- Colóquio – Debate
Tema: O Cante – Arte e Técnica
Intervenções: Dr. José Alberto Sardinha – Investigador de Musicologia
Dr. José Filipe Guerreiro – Director do Conservatório de Música do Baixo Alentejo
.
QUARTA - FEIRA
dia 8 de Junho às 21.30 horas – no Clube Recreativo do Feijó
- Grupo de Violas Campaniças
Com: 2 tocadores e 3 vozes
QUINTA FEIRA
.
dia 9 de Junho às 21.30 horas – no Clube Recreativo do Feijó
.
-Noite de Música Popular Alentejana (Grupo a designar)
.
SEXTA - FEIRA
.
dia 10 de Junho às 21 horas – na Cova da Piedade
.
- Noite de Cantares Alentejanos -
¯ Desfile dos Grupos a partir da Praça Comandante José Bráz – Bombeiros
Palco instalado no Salão de Festas da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense
.

Participam:
- Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
- Grupo Coral da Casa do Povo de Stº Aleixo da Restauração
- Grupo Coral “O Guadiana”, de Mértola
- Grupo Coral e Etnográfico “Os Ganhões”, de Castro Verde
- Grupo Coral Feminino “As Camponesas”, de Castro Verde
- Grupo Coral Os Alentejanos da Damaia
- Grupo Coral Eco do Alentejo da Casa do Povo de Corroios, Seixal
- Grupo de Música Popular “Abelterium”, de Alter do Chão

.
SÁBADO.
dia 11 de Junho às 20.30 horas – no Feijó
¯ Encerramento da 8ª Semana Cultural Alentejana no Concelho de Almada com o 18º Encontro de Cantares Alentejanos com
- Desfile dos Grupos convidados a partir do Largo da Igreja do Feijó para o Complexo Municipal dos Desportos “Cidade de Almada” no Feijó
.
Participam:

CARDADORES DA SETE
- Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
- Grupo Coral “Os Cardadores” da Sete, de Castro Verde
- Grupo Coral do Centro Republicano “Os Cigarras”, de Aljustrel
- Grupo Coral do Externato António Sérgio de Beringel
- Grupo Coral Os Amigos do Cante “Os Cubenses”, de Cuba
- Grupo Coral Alentejano da Sociedade Filarmónica Recreio Artístico, da Amadora
- Grupo Coral Alentejano “Amigos do Barreiro”
- Grupo Coral Operário Alentejano das Paivas, do Seixal
- Grupo Coral Etnográfico Feminino "As Papoilas", do Corvo, de Castro Verde
- Rancho Folclórico “As Ceifeiras”, de Alter-do-Chão
- Grupo Musical e Instrumental “Arco Íris”, de Vale de Vargo,de Serpa

AS PAPOILAS DO CORVO
TAL COMO JÁ TINHAMOS NOTICIADO
ENTRE 4 E 11 DE JUNHO VAMOS
TER CASTRO VERDE ENTRE NÓS:
.
8ª SEMANA CULTURAL ALENTEJANA NO CONCELHO DE ALMADA
Inserida nas Festas da Cidade de Almada e Divulgação Cultural do Concelho de Castro Verde, de 4 a 11 de Junho de 2005
.
.
A semana do Concelho de Castro Verde promovida pelo Grupo Recreativo do Feijó e a Câmara de Almada é um acontecimento a que o nosso Blog não pode nem deve ser alheio. Muitos dos alentejanos que residem no Feijó, Laranjeiro, Cova da Piedade, Corroios , Fogueteiro, Torre da Marinha, Cavadas, são da região de Castro Verde.
É com esperada emoção que verão os grupos de cante de Castro e arredores , calcorrearem, cantando as modas que tão bem conhecem, por estas ruas que são as que todos os dias são as suas.
Haverão colóquios e debates, cujo tema será centralizado no "Cante Arte e Técnica", e sobre a "Comunidade Alentejana em Almada, e o seu impacto no Concelho".
- PROGRAMA -
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SÁBADO
4 de JUNHO às 17 horas – no Clube Recreativo do Feijó
1- Abertura Solene com exposições e concerto pela Banda da Sociedade Recreativa e Filarmónica 1º de Janeiro de Castro Verde
2- Actuação do Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
3 -Às 21 horas, Noite de Cantares Alentejanos na COSTA DA CAPARICA, desfile dos Grupos Convidados da Rua dos Pescadores até ao Largo do Mercado
Participam:
- Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
- Grupo Coral Etnográfico de Viana do Alentejo
- Grupo Coral “Os Ceifeiros”, de Cuba
- Grupo Coral de Cantares de Évora
- Grupo Coral Etnográfico “Vozes de Casével”
- Grupo Coral Feminino “Antigas Mondadeiras de Casével”
- Grupo Coral Alentejano da Brandoa
- Grupo Musical “Diversos do Alentejo” de Pinhal de Frades, Seixal
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DOMINGO
dia 5 de Junho às 18 horas – no Clube Recreativo do Feijó
-Grupo de Teatro Amador “As Veteranas” de Castro Verde
-Grupo vocal Banza” Paio Pires, Seixal
TERÇA-FEIRA
dia 7 de Junho às 21.30 horas – na Junta de Freguesia do Laranjeiro
- Colóquio – Debate
Tema: O Cante – Arte e Técnica
Intervenções: Dr. José Alberto Sardinha – Investigador de Musicologia
Dr. José Filipe Guerreiro – Director do Conservatório de Música do Baixo Alentejo
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QUARTA - FEIRA
dia 8 de Junho às 21.30 horas – no Clube Recreativo do Feijó
- Grupo de Violas Campaniças
Com: 2 tocadores e 3 vozes
QUINTA FEIRA
.
dia 9 de Junho às 21.30 horas – no Clube Recreativo do Feijó
.
-Noite de Música Popular Alentejana (Grupo a designar)
.
SEXTA - FEIRA
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dia 10 de Junho às 21 horas – na Cova da Piedade
.
- Noite de Cantares Alentejanos -
¯ Desfile dos Grupos a partir da Praça Comandante José Bráz – Bombeiros
Palco instalado no Salão de Festas da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense
.
Participam:
- Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
- Grupo Coral da Casa do Povo de Stº Aleixo da Restauração
- Grupo Coral “O Guadiana”, de Mértola
- Grupo Coral e Etnográfico “Os Ganhões”, de Castro Verde
- Grupo Coral Feminino “As Camponesas”, de Castro Verde
- Grupo Coral Os Alentejanos da Damaia
- Grupo Coral Eco do Alentejo da Casa do Povo de Corroios, Seixal
- Grupo de Música Popular “Abelterium”, de Alter do Chão
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SÁBADO.
dia 11 de Junho às 20.30 horas – no Feijó
¯ Encerramento da 8ª Semana Cultural Alentejana no Concelho de Almada com o 18º Encontro de Cantares Alentejanos com
- Desfile dos Grupos convidados a partir do Largo da Igreja do Feijó para o Complexo Municipal dos Desportos “Cidade de Almada” no Feijó
.
Participam:
CARDADORES DA SETE
- Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó
- Grupo Coral “Os Cardadores” da Sete, de Castro Verde
- Grupo Coral do Centro Republicano “Os Cigarras”, de Aljustrel
- Grupo Coral do Externato António Sérgio de Beringel
- Grupo Coral Os Amigos do Cante “Os Cubenses”, de Cuba
- Grupo Coral Alentejano da Sociedade Filarmónica Recreio Artístico, da Amadora
- Grupo Coral Alentejano “Amigos do Barreiro”
- Grupo Coral Operário Alentejano das Paivas, do Seixal
- Grupo Coral Etnográfico Feminino "As Papoilas", do Corvo, de Castro Verde
- Rancho Folclórico “As Ceifeiras”, de Alter-do-Chão
- Grupo Musical e Instrumental “Arco Íris”, de Vale de Vargo,de Serpa
AS PAPOILAS DO CORVO
sexta-feira, maio 27, 2005
Semana islâmica de Mértola
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"Espírito do Al-ândalus regressou às ruas de Martulah"
Durante quatro dias, as cores, os sons e os cheiros que há mil anos faziam o quotidiano de Martulah regressaram, relembrando a importância deste porto comercial nas rotas do Mediterrâneo e a herança islâmica das gentes de Mértola. A música, as artes e o tradicional souk são algumas das iniciativas.
.
A música foi uma constante no festival com a animação permanente do souk com um grupo de folclore de Marrocos e com as actuações de “Oojami” (20 de Maio), Majid Bekkas e Nour-Eddine (21 de Maio), Grupo Coral Guadiana de Mértola e Grupo folclórico Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho (22 de Maio).
No segundo dia do Festival teve lugar uma mesa redonda aberta a todos os visitantes do festival onde foi debatido “O Islão nos nossos tempos” e a noite de Dikra (celebração da comunidade islâmica em que a população e visitantes do festival são convidados a partilhar uma refeição). No sábado, dia 21 de Maio, além da azáfama do souk, do trabalho dos artesãos ao vivo reve lugar o colóquio “Dois geólogos perante a História: Ignácio Olague e Oliveira Martins – construção de um método de leitura” e o lançamento da revista Arqueologia Medieval n.º 9. A noite termina com uma Dance Party.
.
Os passeios de barco pelo Guadiana, as compras no souk de produtos árabes, o ambiente árabe enfim, fizeram deste fim de semana alentejano-árabe um grande sucesso.
O Miguel adorou todo este movimento, e vestido de árabe curtiu muito esta sua primeira experiência em Mértola.
"Espírito do Al-ândalus regressou às ruas de Martulah"
Durante quatro dias, as cores, os sons e os cheiros que há mil anos faziam o quotidiano de Martulah regressaram, relembrando a importância deste porto comercial nas rotas do Mediterrâneo e a herança islâmica das gentes de Mértola. A música, as artes e o tradicional souk são algumas das iniciativas.
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A música foi uma constante no festival com a animação permanente do souk com um grupo de folclore de Marrocos e com as actuações de “Oojami” (20 de Maio), Majid Bekkas e Nour-Eddine (21 de Maio), Grupo Coral Guadiana de Mértola e Grupo folclórico Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho (22 de Maio).
No segundo dia do Festival teve lugar uma mesa redonda aberta a todos os visitantes do festival onde foi debatido “O Islão nos nossos tempos” e a noite de Dikra (celebração da comunidade islâmica em que a população e visitantes do festival são convidados a partilhar uma refeição). No sábado, dia 21 de Maio, além da azáfama do souk, do trabalho dos artesãos ao vivo reve lugar o colóquio “Dois geólogos perante a História: Ignácio Olague e Oliveira Martins – construção de um método de leitura” e o lançamento da revista Arqueologia Medieval n.º 9. A noite termina com uma Dance Party.
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Os passeios de barco pelo Guadiana, as compras no souk de produtos árabes, o ambiente árabe enfim, fizeram deste fim de semana alentejano-árabe um grande sucesso.
O Miguel adorou todo este movimento, e vestido de árabe curtiu muito esta sua primeira experiência em Mértola.
quarta-feira, maio 25, 2005
preliminares
..
..
Tinha acabado de chegar ao Alentejo uma excursão de espanhóis. Ao verem um alentejano, o guia comunicou aos passageiros:
-Ahora me voy hablar con ese portugues... - e foi ter com o alentejano:
- Hola, como to llamas?
- Toino...
- Yo también me llamo Antonio ! Cual és tu profesión ?
- Sou músico...
- Yo también soy musico... Y que tocas ?
- Toco trompete, e tu ?
- Yo también toco trompete. Una vez fue a la Fiesta de Nuestra Señora de los Remédios y toqué tan bien, que la Señora bajó del andor y empezó a llorar.
E replicou o alentejano:
- E ê fui uma vez à Festa do Senhor dos Passos e toquei tan bem, tambem, que o Senhor largou a cruz, agarrou-se a mim e disse-me: "Ah,g'anda Toino, tocaste melhor que o cabrão do espanhol que fez chorar a minha mãezinha!"
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Tinha acabado de chegar ao Alentejo uma excursão de espanhóis. Ao verem um alentejano, o guia comunicou aos passageiros:
-Ahora me voy hablar con ese portugues... - e foi ter com o alentejano:
- Hola, como to llamas?
- Toino...
- Yo también me llamo Antonio ! Cual és tu profesión ?
- Sou músico...
- Yo también soy musico... Y que tocas ?
- Toco trompete, e tu ?
- Yo también toco trompete. Una vez fue a la Fiesta de Nuestra Señora de los Remédios y toqué tan bien, que la Señora bajó del andor y empezó a llorar.
E replicou o alentejano:
- E ê fui uma vez à Festa do Senhor dos Passos e toquei tan bem, tambem, que o Senhor largou a cruz, agarrou-se a mim e disse-me: "Ah,g'anda Toino, tocaste melhor que o cabrão do espanhol que fez chorar a minha mãezinha!"
sexta-feira, maio 20, 2005
poetas alentejanos - JOAQUIM NAMORADO
..
CONTINUAMOS A DIVULGAR
POETAS ALENTEJANOS
.
..
JOAQUIM NAMORADO
.
Joaquim Namorado (1914-1986) nasceu em Alter do Chão, Alentejo. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Unviersidade de Coimbra, dedicando-se ao ensino. Notabilizou-se como poeta neo-realista, tendo colaborado nas revistas Seara Nova, Sol Nascente, Vértice, etc. Obras poéticas: Aviso à Navegação (1941), Incomodidade (1945), A Poesia Necessária (1966). Ensaio: Uma Poética da Culutra (1994).
.
Joaquim Namorado
MANHÃ DE ABRIL
.
Olho o céu nas poças da rua
que a chuva de ontem deixou,
como pássaros verdes as primeiras folhas
empoleiram-se nos ramos enegrecidos a do inverno
e o sol entorna sobre o casario miserável
uma chuva de falso oiro.
Que raiva me dá...
foi hoje a enterrar aquela miúda loura
que via brincar na rua
com as tranças apertadas nos laços vermelhos
— morressem antes os velhos
que da vida nada esperam,
já sem amor, já sem esperança,
roídos de chagas e da lepra dos dias.
que não morresse ninguém, valá!
mas ela...
levaram-lhe flores os outros meninos da rua,
iam contentes como para uma festa,
e a mãe atrás do caixão chorando,
e as folhas verdes
e as flores nos canteiros e nas janelas
como se florir fosse uma coisa natural e inevitável
e o velho mendigo cego estendendo a mão,
e a gente educada tirando o chapéu por hábito...
que raiva me dá
CONTINUAMOS A DIVULGAR
POETAS ALENTEJANOS
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JOAQUIM NAMORADO
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Joaquim Namorado (1914-1986) nasceu em Alter do Chão, Alentejo. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Unviersidade de Coimbra, dedicando-se ao ensino. Notabilizou-se como poeta neo-realista, tendo colaborado nas revistas Seara Nova, Sol Nascente, Vértice, etc. Obras poéticas: Aviso à Navegação (1941), Incomodidade (1945), A Poesia Necessária (1966). Ensaio: Uma Poética da Culutra (1994).
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Joaquim Namorado
MANHÃ DE ABRIL
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Olho o céu nas poças da rua
que a chuva de ontem deixou,
como pássaros verdes as primeiras folhas
empoleiram-se nos ramos enegrecidos a do inverno
e o sol entorna sobre o casario miserável
uma chuva de falso oiro.
Que raiva me dá...
foi hoje a enterrar aquela miúda loura
que via brincar na rua
com as tranças apertadas nos laços vermelhos
— morressem antes os velhos
que da vida nada esperam,
já sem amor, já sem esperança,
roídos de chagas e da lepra dos dias.
que não morresse ninguém, valá!
mas ela...
levaram-lhe flores os outros meninos da rua,
iam contentes como para uma festa,
e a mãe atrás do caixão chorando,
e as folhas verdes
e as flores nos canteiros e nas janelas
como se florir fosse uma coisa natural e inevitável
e o velho mendigo cego estendendo a mão,
e a gente educada tirando o chapéu por hábito...
que raiva me dá
preliminares
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Um casal vinha por uma estrada do interior sem dizer uma palavra.
Uma discussão anterior havia levado a uma briga, e nenhum dos dois queria dar o braço a torcer.
Ao passarem por uma quinta em que havia mulas e porcos, o marido perguntou, sarcástico:
- Parentes teus?
- Sim - respondeu ela - cunhados e sogra.
Um casal vinha por uma estrada do interior sem dizer uma palavra.
Uma discussão anterior havia levado a uma briga, e nenhum dos dois queria dar o braço a torcer.
Ao passarem por uma quinta em que havia mulas e porcos, o marido perguntou, sarcástico:
- Parentes teus?
- Sim - respondeu ela - cunhados e sogra.
quinta-feira, maio 19, 2005
sexta-feira, maio 13, 2005
GRUPOS DE CANTARES ALENTEJANOS
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OS MINEIROS DE ALJUSTREL
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A primeira vez que ouvi os MINEIROS DE ALJUSTREL a interpretar o HINO DOS MINEIROS, fiquei arrepiado. A qualidade deste grupo é por demais reconhecida.
.
.
Um conjunto de vozes, umas suaves outras roucas, um fato de trabalho azul, um capacete que lhes ilumina o caminho e um lenço de cores portuguesas. São estes os elementos que constituem um dos mais carismático e singular grupo na história do cantar tradicional do Alentejo e de Portugal: O Grupo Coral do Sindicato Mineiro de Aljustrel. Companheiros de profissão, que depois de mais um dia de trabalho duro e exaustivo, ganharam o hábito de cantar em tabernas e igrejas. O cante alentejano, uma vibrante e sobrevivente tradição polifónica – comparável aos “ensembles vocais da Corsega e Sardenha- tem nos Mineiros de Aljustrel um mais que digno representante e divulgador. Nas suas vozes a magia acontece, a tristeza agita-se , a saudade oprime e o amor enaltace. É o canto de trabalho, amor, saudade e luta, na sua forma mais pura, autentica, em todo o seu explendor. Apesar das inúmeras actuações, o grupo conta com um reduzido número de gravações de estúdio. Quatro álbuns, um single e várias participações em compilações de cantares alentejanos. Estes poucos registos para que os “Mineiros de Aljustrel, se tornasse num dos mais respeitado e solicitado no meio do cante tradicional
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OS MINEIROS DE ALJUSTREL
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A primeira vez que ouvi os MINEIROS DE ALJUSTREL a interpretar o HINO DOS MINEIROS, fiquei arrepiado. A qualidade deste grupo é por demais reconhecida.
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Um conjunto de vozes, umas suaves outras roucas, um fato de trabalho azul, um capacete que lhes ilumina o caminho e um lenço de cores portuguesas. São estes os elementos que constituem um dos mais carismático e singular grupo na história do cantar tradicional do Alentejo e de Portugal: O Grupo Coral do Sindicato Mineiro de Aljustrel. Companheiros de profissão, que depois de mais um dia de trabalho duro e exaustivo, ganharam o hábito de cantar em tabernas e igrejas. O cante alentejano, uma vibrante e sobrevivente tradição polifónica – comparável aos “ensembles vocais da Corsega e Sardenha- tem nos Mineiros de Aljustrel um mais que digno representante e divulgador. Nas suas vozes a magia acontece, a tristeza agita-se , a saudade oprime e o amor enaltace. É o canto de trabalho, amor, saudade e luta, na sua forma mais pura, autentica, em todo o seu explendor. Apesar das inúmeras actuações, o grupo conta com um reduzido número de gravações de estúdio. Quatro álbuns, um single e várias participações em compilações de cantares alentejanos. Estes poucos registos para que os “Mineiros de Aljustrel, se tornasse num dos mais respeitado e solicitado no meio do cante tradicional
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sábado, maio 07, 2005
SEMANA DE CANTE ALENTEJANO NO FEIJÓ de 4 a 11 de junho
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NA SEMANA DE 4 A 11 DE JUNHO
Vai ter lugar a semana de cante alentejano.
Muitos grupos vão actuar na Cova da Piedade, Laranjeiro e Feijó.
O fecho vai ser como sempre no Parque do Pavilhão Desportivo do Feijó.
Entre outros estarão presentes os GANHÕES DE CASTRO VERDE, AS CAMPONESAS DE CASTRO VERDE, OS CARDADORES DA SETE, AS PAPOILAS DO CORVO ETC..

NA FOTO OS CARDADORES DA SETE
.
No dia 10, alguns destes grupos (Os Cardadores e as Papoilas) irão desfilar no Feijó, partindo da Igreja do Feijó, descerão pela Alameda Guerra Junqueiro até ao Pavilhão Gimnodesportivo, onde actuarão.
Vamos todos lá . claro!!!
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(EM BREVE MOSTRAREMOS AQUI NO BLOG O PROGRAMA)
NA SEMANA DE 4 A 11 DE JUNHO
Vai ter lugar a semana de cante alentejano.
Muitos grupos vão actuar na Cova da Piedade, Laranjeiro e Feijó.
O fecho vai ser como sempre no Parque do Pavilhão Desportivo do Feijó.
Entre outros estarão presentes os GANHÕES DE CASTRO VERDE, AS CAMPONESAS DE CASTRO VERDE, OS CARDADORES DA SETE, AS PAPOILAS DO CORVO ETC..
NA FOTO OS CARDADORES DA SETE
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No dia 10, alguns destes grupos (Os Cardadores e as Papoilas) irão desfilar no Feijó, partindo da Igreja do Feijó, descerão pela Alameda Guerra Junqueiro até ao Pavilhão Gimnodesportivo, onde actuarão.
Vamos todos lá . claro!!!
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(EM BREVE MOSTRAREMOS AQUI NO BLOG O PROGRAMA)
sexta-feira, maio 06, 2005
letras de modas alentejanas
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NÓS SOMOS TRABALHADORES
.
O homem trabalha a terra
Para produzir o pão
Hoje é o mesmo que era
Continua ainda à espera
De melhor situação
Nós somos trabalhadores
Que no campo trabalhamos
Trabalhamos a rigor
A servir o Lavrador
Para ver se nos mantemos
Quando trabalho não temos
À Câm’ra nos dirigimos
A pedir ao Presidente
Que tenha dó desta gente
E nos dê algum destino
Que nos dê algum destino
Que nos dê algum agasalho
À Câm’ra nos dirigimos
A alegar o que sentimos
Quando não temos trabalho
Não é a ceifa que mata
Não é o cavar que custa
Custa é ver-mos desprezada
Até quando abandonada
Esta causa certa e justa
Nós somos trabalhadores
Que no campo trabalhamos
Etc.
NÓS SOMOS TRABALHADORES
.
O homem trabalha a terra
Para produzir o pão
Hoje é o mesmo que era
Continua ainda à espera
De melhor situação
Nós somos trabalhadores
Que no campo trabalhamos
Trabalhamos a rigor
A servir o Lavrador
Para ver se nos mantemos
Quando trabalho não temos
À Câm’ra nos dirigimos
A pedir ao Presidente
Que tenha dó desta gente
E nos dê algum destino
Que nos dê algum destino
Que nos dê algum agasalho
À Câm’ra nos dirigimos
A alegar o que sentimos
Quando não temos trabalho
Não é a ceifa que mata
Não é o cavar que custa
Custa é ver-mos desprezada
Até quando abandonada
Esta causa certa e justa
Nós somos trabalhadores
Que no campo trabalhamos
Etc.
ESCOLAS DE CANTE
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ESCOLAS DO CANTE – Os Carapinhas de Castro Verde
De
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
Quando há quase duas décadas esboçámos o primeiro gesto para desenhar a ideia do que viria a ser o nosso grupo coral e etnográfico infantil, estávamos longe de imaginar que o nosso sonho continha tanta oportunidade e probabilidade de vingar.
Lidávamos então, com uma descrença constante acerca do futuro do cante ,forçado a declinar exausto pelo inexorável envelhecimento dos seus cantadores e pela nula renovação dos seus intérpretes. Os novos estavam ,ainda mais arredios do que agora, de qualquer ligação afectiva ou efectiva à moda. Tinha-se chegado ,nos meados da década de oitenta, ao nível mais baixo do crenço pelo cante, quase se desprezava o nosso modo de cantar, ninguém queria vestir a pele da identidade com uma tradição sempre conotada com o trabalho duro e com o suor amargo.
O cante é filho dos campos e das searas . Cresceu no coração dos rurais e impregnou a alma alentejana assumindo plenamente a sua poesia. Emprestou-lhe ,em troca, a sua sonoridade e o ritmo que alonga as sílabas como ecos que se arrastam e procuram chegar ao fim das planícies. Cheira a estevas, lembra lavouras custosas e restolhos curtos.
Deste estigma fogem os aculturados,filhos e netos de ganhões ,agora portadores de outras referencias.
Por isso, o nosso folclore , embora por nós muito querido em abstracto , é também de todos os outros, o menos assumido na realidade, por razões de índole sócio-cultural inconfessáveis mas indisfarçáveis.
Se indagarmos a proveniência sócio-económica e social dos membros dos ranchos folclóricos existentes no país, constata-se uma grande heterogeneidade de origens, ao passo que nos corais, nos nossos grupos , só milita ,por via de regra, gente com uma relação actual ou passada com o trabalho rural.
Confrange-nos ,por isso, a circunstância de num panorama como o actual, em que em termos laborais o peso dos serviços ser tão grande ,ser tão diminuto, em termos culturais, o envolvimento dos seus agentes na dinâmica da interpretação da nossa expressão vocal mais autentica.
Era tempo de se exorcizarem os estigmas e os preconceitos fazendo deslizar o cante para o campo da cultura, tornando a sua interpretação como factor de dignificação e de enriquecimento daqueles que podem fazê-lo.
Era já tempo de se acabar com tanta rejeição à moda, e altura de se entender que por se ser cantador não nos caem os parentes na lama, qualquer que seja os nosso mister.
Pelo contrário, é um gesto de entendimento e de inteligência já que nos interliga com referencias ,marcas e valores que importa abraçar em nome de um reforço da nossa identidade e da busca de um referencial colectivo que precisamos ter.
Mas para que se consiga tornear o actual torpor das mentes, julgamos que o caminho adequado è a criação de escolas do cante que tenham por embrião quaisquer associações e como seus dinamizadores actuais mestres da moda.
Foi assim que procedemos há quase duas décadas, quando em Castro Verde criámos os Carapinhas . Pela nossa escola já passaram centenas de crianças que agora,já adultos , alguns ainda cantam e outros poderão voltar a fazê-lo mais tarde.Mas mesmo que nunca cheguem a integrar grupos corais,conforta-nos a certeza de que a sua atitude face à moda será sempre de grande proximidade e nunca de rejeição ou de aviltamento como por vezes, neste mesmo Alentejo, lamentamos
ESCOLAS DO CANTE – Os Carapinhas de Castro Verde
De
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
Quando há quase duas décadas esboçámos o primeiro gesto para desenhar a ideia do que viria a ser o nosso grupo coral e etnográfico infantil, estávamos longe de imaginar que o nosso sonho continha tanta oportunidade e probabilidade de vingar.
Lidávamos então, com uma descrença constante acerca do futuro do cante ,forçado a declinar exausto pelo inexorável envelhecimento dos seus cantadores e pela nula renovação dos seus intérpretes. Os novos estavam ,ainda mais arredios do que agora, de qualquer ligação afectiva ou efectiva à moda. Tinha-se chegado ,nos meados da década de oitenta, ao nível mais baixo do crenço pelo cante, quase se desprezava o nosso modo de cantar, ninguém queria vestir a pele da identidade com uma tradição sempre conotada com o trabalho duro e com o suor amargo.
O cante é filho dos campos e das searas . Cresceu no coração dos rurais e impregnou a alma alentejana assumindo plenamente a sua poesia. Emprestou-lhe ,em troca, a sua sonoridade e o ritmo que alonga as sílabas como ecos que se arrastam e procuram chegar ao fim das planícies. Cheira a estevas, lembra lavouras custosas e restolhos curtos.
Deste estigma fogem os aculturados,filhos e netos de ganhões ,agora portadores de outras referencias.
Por isso, o nosso folclore , embora por nós muito querido em abstracto , é também de todos os outros, o menos assumido na realidade, por razões de índole sócio-cultural inconfessáveis mas indisfarçáveis.
Se indagarmos a proveniência sócio-económica e social dos membros dos ranchos folclóricos existentes no país, constata-se uma grande heterogeneidade de origens, ao passo que nos corais, nos nossos grupos , só milita ,por via de regra, gente com uma relação actual ou passada com o trabalho rural.
Confrange-nos ,por isso, a circunstância de num panorama como o actual, em que em termos laborais o peso dos serviços ser tão grande ,ser tão diminuto, em termos culturais, o envolvimento dos seus agentes na dinâmica da interpretação da nossa expressão vocal mais autentica.
Era tempo de se exorcizarem os estigmas e os preconceitos fazendo deslizar o cante para o campo da cultura, tornando a sua interpretação como factor de dignificação e de enriquecimento daqueles que podem fazê-lo.
Era já tempo de se acabar com tanta rejeição à moda, e altura de se entender que por se ser cantador não nos caem os parentes na lama, qualquer que seja os nosso mister.
Pelo contrário, é um gesto de entendimento e de inteligência já que nos interliga com referencias ,marcas e valores que importa abraçar em nome de um reforço da nossa identidade e da busca de um referencial colectivo que precisamos ter.
Mas para que se consiga tornear o actual torpor das mentes, julgamos que o caminho adequado è a criação de escolas do cante que tenham por embrião quaisquer associações e como seus dinamizadores actuais mestres da moda.
Foi assim que procedemos há quase duas décadas, quando em Castro Verde criámos os Carapinhas . Pela nossa escola já passaram centenas de crianças que agora,já adultos , alguns ainda cantam e outros poderão voltar a fazê-lo mais tarde.Mas mesmo que nunca cheguem a integrar grupos corais,conforta-nos a certeza de que a sua atitude face à moda será sempre de grande proximidade e nunca de rejeição ou de aviltamento como por vezes, neste mesmo Alentejo, lamentamos
quinta-feira, maio 05, 2005
Provérbios de MAIO
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Previsão Agrícola:
- Água de Maio, pão para todo o ano.
- A boa cepa, Maio a deita.
- Em Maio, gradai-o.
- Favas, o Maio as dá e o Maio as leva.
- Jeira de Maio vale os bois e o carro e a de Junho vale os bois e o jugo.
- Maio hortelão, muita palha e pouco grão.
- Maio pardo, Junho claro, fazem o lavrador honrado.
- Maio pardo, ano farto.
- Maio pardo faz o pão grado.
- Quando Maio chegar quem não arou tem que arar.
Chuva:
- Chovam trinta maios e não chova em Junho.
- Maio me molha, Maio me enxuga.
- Maio que não der trovoada não dá coisa estimada.
- Quando chove na Ascensão até as pedrinhas dão pão.
- Trvoada de maio depressa passa.
Animais:
- Em Maio deixa a mosca o boi e toma o asno.
- Em Maio, o rafeiro é galgo.
- Enxame de Maio, a quem o pedir dai-o; o de Abril, guarda-o para ti.
- O rocim em Maio se torna cavalo.
- Vacas em maio e mulheres em dia de boda, venha o diabo e escolha.
Bom tempo:
- Maio frio, Junho quente, tornam o lavrador valente.
Fruta:
- Em maio, copme as cerejas ao borralho.
Pesca:
- Peixe de Maio, a quem vo-lo pedir dai-o.
- Quem quiser mal à vizinha dê-lhe em Maio uma sardinha e em Agosto a vindima.
- Raia em Maio, tumba à porta, mas venha a raia, que a tumba não me importa.
- Touro, galgo e barbo, todos tês sazão em Maio.
Vinho:
- Maio couveiro não é vinhateiro.
- Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.
- Vinho que nasce em Maio é para o gaio; o que nasce em Abril vai para o funil; o que nasce em Março vai para o regaço.

Previsão Agrícola:
- Água de Maio, pão para todo o ano.
- A boa cepa, Maio a deita.
- Em Maio, gradai-o.
- Favas, o Maio as dá e o Maio as leva.
- Jeira de Maio vale os bois e o carro e a de Junho vale os bois e o jugo.
- Maio hortelão, muita palha e pouco grão.
- Maio pardo, Junho claro, fazem o lavrador honrado.
- Maio pardo, ano farto.
- Maio pardo faz o pão grado.
- Quando Maio chegar quem não arou tem que arar.
Chuva:
- Chovam trinta maios e não chova em Junho.
- Maio me molha, Maio me enxuga.
- Maio que não der trovoada não dá coisa estimada.
- Quando chove na Ascensão até as pedrinhas dão pão.
- Trvoada de maio depressa passa.
Animais:
- Em Maio deixa a mosca o boi e toma o asno.
- Em Maio, o rafeiro é galgo.
- Enxame de Maio, a quem o pedir dai-o; o de Abril, guarda-o para ti.
- O rocim em Maio se torna cavalo.
- Vacas em maio e mulheres em dia de boda, venha o diabo e escolha.
Bom tempo:
- Maio frio, Junho quente, tornam o lavrador valente.
Fruta:
- Em maio, copme as cerejas ao borralho.
Pesca:
- Peixe de Maio, a quem vo-lo pedir dai-o.
- Quem quiser mal à vizinha dê-lhe em Maio uma sardinha e em Agosto a vindima.
- Raia em Maio, tumba à porta, mas venha a raia, que a tumba não me importa.
- Touro, galgo e barbo, todos tês sazão em Maio.
Vinho:
- Maio couveiro não é vinhateiro.
- Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.
- Vinho que nasce em Maio é para o gaio; o que nasce em Abril vai para o funil; o que nasce em Março vai para o regaço.
sexta-feira, abril 29, 2005
imagens do alentejo
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VISTA DA VILA COM O CASTELO AO FUNDO
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Mourão é onde vivem a Augustinha, o Zé Carlos e o filho Zé Duarte.
N.º Habitantes: 3.196
Área: 278,5 Km2
Freguesias: 3
--------------------------------------------------------------------------------
Acessos Rodoviários: LISBOA 188 Km PORTO 483 Km FARO 257 Km
Do Porto utilize a A1 até Lisboa. De Lisboa utilize a A2 (ponte 25 de Abril) ou a A12 (ponte Vasco da Gama), continue pela A2 até Marateca, siga pela A6 até Évora, daí siga pela N18 e pela N256 para Mourão. De Faro utilize a Via do Infante, depois a A2 até Ourique e o IP2 em direcção a Évora, seguindo pela N256 até Mourão. E boa viagem...
--------------------------------------------------------------------------------
A fundação da actual vila de Mourão deve-se aos árabes, que no século IX construíram as primeiras fortificações, dando-lhe o nome de Mogron.
Cercada por D. Afonso Henriques em 1166, a vila foi abandonada pelos árabes, tendo ficado deserta até 1226, ano em que D. Gonçalo Egas, prior da Ordem do Hospital e subordinado do rei de Castela, a povoa, atribuindo-lhe carta de foral para que as populações ai se fixassem.
O concelho passa a integrar o reino português por doação de D. Afonso X de Castela à sua filha D. Beatriz de Gusmão, casada com D. Afonso III.
Em Janeiro de 1296 D. Dinis confirma a carta de foral a Mourão.
A agricultura em Mourão é essencialmente de base familiar e a exploração da propriedade condicionada pela capacidade de trabalho do agregado.

VISTA DA VILA DAS AMEIAS DO CASTELO
Do património histórico fazemos destaque aos seguintes monumentos: o castelo de Mourão, a igreja Matriz de N. Sr.ª das Candeias, a igreja de S. Francisco, a igreja da Sta. Casa da Misericórdia, a ermida de N. Sr.ª dos Remédios, a ermida de S. Bento, os Paços do Concelho, o convento de N. Sr.ª do Alcance, a igreja de São Braz e o castelo da Lousa.
Concelho de gastronomia tipicamente alentejana, o pão, o tomate, a carne de porco e o borrego são os principais intervenientes.
As festividades do concelho são as seguintes: a festa da Sr.ª das Candeias, a 2 de Fevereiro, a festa de S. Sebastião, a 20 de Janeiro, a romaria de S. Pedro, na segunda-feira de Páscoa e a feira do Gado, a14 de Setembro.
Com pouca expressão económica mas de grande qualidade artística, registam-se a cestaria e a criação de esteiras, na freguesia da Granja, a produção de rendas e bordados, disseminada um pouco por todo o concelho, e a confecção de artigos de pele e curtumes.
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A ESCOLA DA GRANJA (UMA DAS 3 FREGUESIAS DE MOURÃO) ONDE A AUGUSTINHA E O ZÉ CARLOS DÃO AULAS
VISTA DA VILA COM O CASTELO AO FUNDO
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Mourão é onde vivem a Augustinha, o Zé Carlos e o filho Zé Duarte.
N.º Habitantes: 3.196
Área: 278,5 Km2
Freguesias: 3
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Acessos Rodoviários: LISBOA 188 Km PORTO 483 Km FARO 257 Km
Do Porto utilize a A1 até Lisboa. De Lisboa utilize a A2 (ponte 25 de Abril) ou a A12 (ponte Vasco da Gama), continue pela A2 até Marateca, siga pela A6 até Évora, daí siga pela N18 e pela N256 para Mourão. De Faro utilize a Via do Infante, depois a A2 até Ourique e o IP2 em direcção a Évora, seguindo pela N256 até Mourão. E boa viagem...
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A fundação da actual vila de Mourão deve-se aos árabes, que no século IX construíram as primeiras fortificações, dando-lhe o nome de Mogron.
Cercada por D. Afonso Henriques em 1166, a vila foi abandonada pelos árabes, tendo ficado deserta até 1226, ano em que D. Gonçalo Egas, prior da Ordem do Hospital e subordinado do rei de Castela, a povoa, atribuindo-lhe carta de foral para que as populações ai se fixassem.
O concelho passa a integrar o reino português por doação de D. Afonso X de Castela à sua filha D. Beatriz de Gusmão, casada com D. Afonso III.
Em Janeiro de 1296 D. Dinis confirma a carta de foral a Mourão.
A agricultura em Mourão é essencialmente de base familiar e a exploração da propriedade condicionada pela capacidade de trabalho do agregado.
VISTA DA VILA DAS AMEIAS DO CASTELO
Do património histórico fazemos destaque aos seguintes monumentos: o castelo de Mourão, a igreja Matriz de N. Sr.ª das Candeias, a igreja de S. Francisco, a igreja da Sta. Casa da Misericórdia, a ermida de N. Sr.ª dos Remédios, a ermida de S. Bento, os Paços do Concelho, o convento de N. Sr.ª do Alcance, a igreja de São Braz e o castelo da Lousa.
Concelho de gastronomia tipicamente alentejana, o pão, o tomate, a carne de porco e o borrego são os principais intervenientes.
As festividades do concelho são as seguintes: a festa da Sr.ª das Candeias, a 2 de Fevereiro, a festa de S. Sebastião, a 20 de Janeiro, a romaria de S. Pedro, na segunda-feira de Páscoa e a feira do Gado, a14 de Setembro.
Com pouca expressão económica mas de grande qualidade artística, registam-se a cestaria e a criação de esteiras, na freguesia da Granja, a produção de rendas e bordados, disseminada um pouco por todo o concelho, e a confecção de artigos de pele e curtumes.
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A ESCOLA DA GRANJA (UMA DAS 3 FREGUESIAS DE MOURÃO) ONDE A AUGUSTINHA E O ZÉ CARLOS DÃO AULAS
quinta-feira, abril 28, 2005
AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU, de ARY DOS SANTOS
..

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
«As Portas que Abril Abriu«
José Carlos Ary dos Santos
.Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1937.
Aos catorze anos, a sua família publica-lhe alguns poemas, considerados maus pelo poeta. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se -ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas " A Liturgia do Sangue".
Em 1969, ano que o próprio Ary dos Santos considerava ter marcado decisivamente a sua vida, inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".
Entretanto, concorre, sob pseudónimo, ao Festival da Canção da RTP com os poemas "Desfolhada"e "Tourada", obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo –o da música que o poeta melhor se tornaria conhecido entre o grande público.
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.
À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos, e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.
O poeta deixou-nos a 18 de Janeiro de 1984. Postumamente, o seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.
Também aqui no Feijó, foi daso o seu nome a uma rua, no chamado Cinza-parque.
Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
«As Portas que Abril Abriu«
José Carlos Ary dos Santos
.Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1937.
Aos catorze anos, a sua família publica-lhe alguns poemas, considerados maus pelo poeta. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se -ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas " A Liturgia do Sangue".
Em 1969, ano que o próprio Ary dos Santos considerava ter marcado decisivamente a sua vida, inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".
Entretanto, concorre, sob pseudónimo, ao Festival da Canção da RTP com os poemas "Desfolhada"e "Tourada", obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo –o da música que o poeta melhor se tornaria conhecido entre o grande público.
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.
À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos, e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.
O poeta deixou-nos a 18 de Janeiro de 1984. Postumamente, o seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.
Também aqui no Feijó, foi daso o seu nome a uma rua, no chamado Cinza-parque.
Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.
terça-feira, abril 26, 2005
poemas e poetas alentejanos -FLORBELA ESPANCA
..

FLORBELA ESPANCA
.
Escreve-Me ...
--------------------------------------------------------------------------------
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.
Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos.
Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporádicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento de emancipação da mulher.
Os seus três casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas em geral e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem a ligavam fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra.
Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos. O seu suicídio foi socialmente manipulado e, oficialmente, apresentada como causa da morte, um «edema pulmonar».
Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas.
A sua Poesia é de uma imensa intensidade lírica e profundo erotismo. Cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina sem que alguns críticos não deixem de lhe encontrar, por isso mesmo, um "dom-joanismo no feminino
Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas.
A sua Poesia é de uma imensa intensidade lírica e profundo erotismo. Cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina sem que alguns críticos não deixem de lhe encontrar, por isso mesmo, um "dom-joanismo no feminino".
Eu quero amar,
amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele,
o Outro e toda a gente...
Amar! Amar!
E não amar ninguém
O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a imensa ternura e a um desejo de
felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito, constituem a temática veiculada pela veemência passional da sua linguagem. Transbordando a convulsão interior da poetisa pela natureza, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas.
Florbela Espanca não se liga claramente a qualquer movimento literário. Próxima do
neo-romantismo de fim-de-século, pelo carácter confessional e sentimentalista da sua obra, segue a poética de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, pode considerar-se influência de Antero de Quental e de Camões.
FLORBELA ESPANCA
.
Escreve-Me ...
--------------------------------------------------------------------------------
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.
Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos.
Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporádicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento de emancipação da mulher.
Os seus três casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas em geral e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem a ligavam fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra.
Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos. O seu suicídio foi socialmente manipulado e, oficialmente, apresentada como causa da morte, um «edema pulmonar».
Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas.
A sua Poesia é de uma imensa intensidade lírica e profundo erotismo. Cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina sem que alguns críticos não deixem de lhe encontrar, por isso mesmo, um "dom-joanismo no feminino
Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas.
A sua Poesia é de uma imensa intensidade lírica e profundo erotismo. Cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina sem que alguns críticos não deixem de lhe encontrar, por isso mesmo, um "dom-joanismo no feminino".
Eu quero amar,
amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele,
o Outro e toda a gente...
Amar! Amar!
E não amar ninguém
O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a imensa ternura e a um desejo de
felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito, constituem a temática veiculada pela veemência passional da sua linguagem. Transbordando a convulsão interior da poetisa pela natureza, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas.
Florbela Espanca não se liga claramente a qualquer movimento literário. Próxima do
neo-romantismo de fim-de-século, pelo carácter confessional e sentimentalista da sua obra, segue a poética de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, pode considerar-se influência de Antero de Quental e de Camões.
segunda-feira, abril 25, 2005
AS CAMPONESAS
..
"AS CAMPONESAS" de Castro Verde
de
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
.

Quando fizeram o seu primeiro ensaio, dificilmente podiamos imaginar que o seu “atrevimento” lhes possibilitasse romper preconceitos antigos e a sua resistência, às adversidades do tempo e das falas, conseguisse abrir o espaço necessário para o sonho vingar.
Até então, o cante colectivo em feminino só tivera lugar no campo, no trabalho e nas lidas, onde lhes era permitido e naturalmente aceite, expressarem, ao lado dos homens, a sua sensibilidade e o seu apego cultural à moda. Quando acabaram os trabalhos agrícolas que podiam absorver numa só herdade muitas dezenas de assalariados, em mondas, nas ceifas, na apanha da azeitona e do grão, as mulheres remeteram-se à execução das tarefas caseiras, faltou-lhes lugar na produção, isolaram-se e perderam a oportunidade de continuar a cantar em coro. Pouco a pouco, da memória varreram-se as suas vozes e o seu silencio ganhou foros de costume. Durante tempos assim foi.
Hoje, passados que são já dezanove anos sobre o surgimento venturoso das “Camponesas” e habituados que estamos a ver vários outros coros femininos pontuando de palco em palco e cadenciando de desfile em desfile, não causa mais espanto, nem provoca engulhos ou resistência, aceitar de novo, como natural o canto das mulheres .
Foi assim reposta a verdade, a justiça e a normalidade no cantar da moda.
As “Camponesas” com a sua tenacidade , puseram de pé um projecto cultural que constitui uma dádiva , empenhada e aprofundada , de “Modas Alentejanas" que elas interpretam com uma devoção enorme, nascida da certeza de que assim estão a contribuir para que se avive a nossa memória colectiva e não se restrinja a nossa trajectória vocal ao “canto às vozes” em masculino , deixando-se à mercê do esquecimento uma grande parte da nossa riqueza cultural que também reside no imaginário e na arte das nossas mulheres.
Lembramo-nos ,por exemplo, dos “Mastros” cujas origens julgamos remontarem à época dos descobrimentos, se atentarmos no simbolismo dos seus adereços e enfeites, os bailes de roda dantes feitos “em pagamento de promessas” e agora organizados como marcadores da tradição, por ocasião dos Santos Populares.
Vincando a natureza específica deste cantar informal, "As Camponesas" fizeram regressar à lembrança outros cantes e outras tradições vocais perdidas.
Tiveram assim o condão de trazer à tona do nosso imaginário, com o cunho autentico que as caracteriza, a interpretação de modas de baile de roda que constitui um interessante repositório do nosso cante tradicional . Persistem cantando exemplos de beleza e de grande rigor etno-musical, modas às quais elas emprestam a beleza das suas vozes e o timbre das suas vivências como mulheres e como pioneiras do ressurgir do cante em feminino.
Importa ainda agora sublinhar a entrega imensa que "As Camponesas" fizeram desde logo ao projecto de Grupo,o qual , em si mesmo, implicava uma ruptura com um estar anterior,já sedimentado,feito costume que afastava as mulheres da vida cultural colectiva feita de acções e praticas publicas.Foi necessária uma coragem imensa para romper com as amarras ,para ultrapassar as vergonhas,para vencer os medos. E eram os maridos,bem habituados à mesa posta em horas rigorosas,e eram os filhos presos aos cadilhos,e eram os netos delas dependentes, todos incomodados com a atitude nova daquelas mulheres, por passarem a serem donas de alguns tempos livres.
Foi assim ha quase vinte anos, quando tudo era mais custoso.
Todavia, muitas foram as vozes boas, os cantares bonitos que não se chegaram a ouvir ou logo se calaram, porque a liberdade ainda não desabrochou o bastante para permitir que as mulheres desta terra cantem em grupo.
Ainda assim é. Não raro vemos, tantas vezes sentimos, os olhares tristonhos de mulheres impedidas de fruir o prazer de juntarem a sua voz ao coro, de sairem para fora, cantarem em palcos, participarem em iniciativas longe de suas casas, despontarem elas mesmas sem as peias da observação tutelar dos maridos.
Mas aquelas que insistiram, que venceram e agora se afirmam como protagonistas da arte do cante, porta-vozes da defesa dos valores mais profundos da nossa memória etno-musical, sentem-se compensadas, libertas, diferentes e também indiferentes ao falatório que as linguas viperinas impiedosamente provocavam. Não podemos esquecer o desabafo de uma "Camponesa" septuagenária que em geito de confissão uma vez nos disse: "que me interessa que falem ...o mal delas é inveja de não terem homens iguais aos nossos que nos deixam cantar...eu cá por mim...hei-de continuar a vir até que possa...mesmo que esteja em casa com dôr de cabeça...venho para o ensaio ... ao fim de um pouco estou mais aliviada". E depois... acrescentou: "e a pena que eu tenho é ter a duração quase acabada..." e quando o disse, virou a cara para o lado para esconder as lágrimas que brotavam sentidas, grandes, desprendidas da alma, donde também nascem as "modas" que as "Camponesas" cantam.
"AS CAMPONESAS" de Castro Verde
de
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
.
Quando fizeram o seu primeiro ensaio, dificilmente podiamos imaginar que o seu “atrevimento” lhes possibilitasse romper preconceitos antigos e a sua resistência, às adversidades do tempo e das falas, conseguisse abrir o espaço necessário para o sonho vingar.
Até então, o cante colectivo em feminino só tivera lugar no campo, no trabalho e nas lidas, onde lhes era permitido e naturalmente aceite, expressarem, ao lado dos homens, a sua sensibilidade e o seu apego cultural à moda. Quando acabaram os trabalhos agrícolas que podiam absorver numa só herdade muitas dezenas de assalariados, em mondas, nas ceifas, na apanha da azeitona e do grão, as mulheres remeteram-se à execução das tarefas caseiras, faltou-lhes lugar na produção, isolaram-se e perderam a oportunidade de continuar a cantar em coro. Pouco a pouco, da memória varreram-se as suas vozes e o seu silencio ganhou foros de costume. Durante tempos assim foi.
Hoje, passados que são já dezanove anos sobre o surgimento venturoso das “Camponesas” e habituados que estamos a ver vários outros coros femininos pontuando de palco em palco e cadenciando de desfile em desfile, não causa mais espanto, nem provoca engulhos ou resistência, aceitar de novo, como natural o canto das mulheres .
Foi assim reposta a verdade, a justiça e a normalidade no cantar da moda.
As “Camponesas” com a sua tenacidade , puseram de pé um projecto cultural que constitui uma dádiva , empenhada e aprofundada , de “Modas Alentejanas" que elas interpretam com uma devoção enorme, nascida da certeza de que assim estão a contribuir para que se avive a nossa memória colectiva e não se restrinja a nossa trajectória vocal ao “canto às vozes” em masculino , deixando-se à mercê do esquecimento uma grande parte da nossa riqueza cultural que também reside no imaginário e na arte das nossas mulheres.
Lembramo-nos ,por exemplo, dos “Mastros” cujas origens julgamos remontarem à época dos descobrimentos, se atentarmos no simbolismo dos seus adereços e enfeites, os bailes de roda dantes feitos “em pagamento de promessas” e agora organizados como marcadores da tradição, por ocasião dos Santos Populares.
Vincando a natureza específica deste cantar informal, "As Camponesas" fizeram regressar à lembrança outros cantes e outras tradições vocais perdidas.
Tiveram assim o condão de trazer à tona do nosso imaginário, com o cunho autentico que as caracteriza, a interpretação de modas de baile de roda que constitui um interessante repositório do nosso cante tradicional . Persistem cantando exemplos de beleza e de grande rigor etno-musical, modas às quais elas emprestam a beleza das suas vozes e o timbre das suas vivências como mulheres e como pioneiras do ressurgir do cante em feminino.
Importa ainda agora sublinhar a entrega imensa que "As Camponesas" fizeram desde logo ao projecto de Grupo,o qual , em si mesmo, implicava uma ruptura com um estar anterior,já sedimentado,feito costume que afastava as mulheres da vida cultural colectiva feita de acções e praticas publicas.Foi necessária uma coragem imensa para romper com as amarras ,para ultrapassar as vergonhas,para vencer os medos. E eram os maridos,bem habituados à mesa posta em horas rigorosas,e eram os filhos presos aos cadilhos,e eram os netos delas dependentes, todos incomodados com a atitude nova daquelas mulheres, por passarem a serem donas de alguns tempos livres.
Foi assim ha quase vinte anos, quando tudo era mais custoso.
Todavia, muitas foram as vozes boas, os cantares bonitos que não se chegaram a ouvir ou logo se calaram, porque a liberdade ainda não desabrochou o bastante para permitir que as mulheres desta terra cantem em grupo.
Ainda assim é. Não raro vemos, tantas vezes sentimos, os olhares tristonhos de mulheres impedidas de fruir o prazer de juntarem a sua voz ao coro, de sairem para fora, cantarem em palcos, participarem em iniciativas longe de suas casas, despontarem elas mesmas sem as peias da observação tutelar dos maridos.
Mas aquelas que insistiram, que venceram e agora se afirmam como protagonistas da arte do cante, porta-vozes da defesa dos valores mais profundos da nossa memória etno-musical, sentem-se compensadas, libertas, diferentes e também indiferentes ao falatório que as linguas viperinas impiedosamente provocavam. Não podemos esquecer o desabafo de uma "Camponesa" septuagenária que em geito de confissão uma vez nos disse: "que me interessa que falem ...o mal delas é inveja de não terem homens iguais aos nossos que nos deixam cantar...eu cá por mim...hei-de continuar a vir até que possa...mesmo que esteja em casa com dôr de cabeça...venho para o ensaio ... ao fim de um pouco estou mais aliviada". E depois... acrescentou: "e a pena que eu tenho é ter a duração quase acabada..." e quando o disse, virou a cara para o lado para esconder as lágrimas que brotavam sentidas, grandes, desprendidas da alma, donde também nascem as "modas" que as "Camponesas" cantam.
quinta-feira, abril 21, 2005
letras de modas alentejanas
..
CEIFEIRA LINDA CEIFEIRA

O Sol é que alegra o dia
Pela manhã quando nasce
Ai de nós o que seria
Se o Sol um dia faltasse
Ceifeira!
Ceifeira, linda ceifeira!
Eu hei-de,
Eu hei-de casar contigo!
Lá nos cam ...
Lá nos campos, secos campos
Lá nos campos, secos campos,
À calma
À calma a ceifar o trigo,
Pela fo ...
Pela força do calor!
Ceifeira!
Ceifeira, linda ceifeira
Ceifeira, linda ceifeira,
Hás-de ser o meu amor!
Não é,
Não é a ceifa que mata,
Nem os ca ...
Nem os calores do “V’rão”!
É a é ...
É a erva unha-gata,
É a erva unha-gata,
Mais o cardo beija-mão!
Ceifeira!
Ceifeira, ó linda ceifeira
Eu hei-de casar contigo
Etc.
CEIFEIRA LINDA CEIFEIRA
O Sol é que alegra o dia
Pela manhã quando nasce
Ai de nós o que seria
Se o Sol um dia faltasse
Ceifeira!
Ceifeira, linda ceifeira!
Eu hei-de,
Eu hei-de casar contigo!
Lá nos cam ...
Lá nos campos, secos campos
Lá nos campos, secos campos,
À calma
À calma a ceifar o trigo,
Pela fo ...
Pela força do calor!
Ceifeira!
Ceifeira, linda ceifeira
Ceifeira, linda ceifeira,
Hás-de ser o meu amor!
Não é,
Não é a ceifa que mata,
Nem os ca ...
Nem os calores do “V’rão”!
É a é ...
É a erva unha-gata,
É a erva unha-gata,
Mais o cardo beija-mão!
Ceifeira!
Ceifeira, ó linda ceifeira
Eu hei-de casar contigo
Etc.
imagens do alentejo
..

ENTRADAS é uma das mais bonitas da região. O nome desta vila deve-se ao seguinte facto: em tempos idos, a paisagem da região era densamente arborizada e as pastagens da região (os "pastos dos Campos de Ourique") mantinham-se verdes todo o ano. Em consequência, os rebanhos do Centro e Sul de Portugal vinham em transumância a estas paragens de todo o país, de tal modo que se pagava uma taxa de entrada para os "pastos dos Campos de Ourique". Um dos locais onde se pagava esta taxa situava-se em Entradas, nome que terá sido atribuído por D. Sebastião.

Na Igreja Matriz de Entradas, do séc. XVIII (fig. 18), pode ser encontrado um belo altar-mor em mármore preto e branco, tido como o mais valioso da diocese de Beja. A tradição oral explica desta forma a sua origem: sendo destinado originalmente para Faro (talvez para a Sé), as pedras, já desbastadas e aparelhadas, vinham da pedreira de Estremoz e eram transportadas em carros de bois. Estes carros foram surpreendidos por um longo e rigoroso Inverno, em que pessoas e animais tiveram muita dificuldade em passar regatos e rios de grande caudal. Como resultado, estas pessoas desistiram de efectuar o transporte até ao Algarve, abandonando a carga nos campos junto a Entradas. Assim, o altar acabou por ficar na Igreja, dedicada a Santiago.
Um pouco à frente da Matriz, encontra-se a Igreja da Misericórdia. Construída nos sécs. XVII e XVIII, possui no seu interior alguns azulejos setecentistas hispano-árabes.
A estepe cerealífera é o palco de todo o percurso, podendo ser observadas várias espécies de aves estepárias.
Na vila de Entradas existem vários cafés e restaurantes típicos, onde se pode recarregar energias no final do percurso.
ENTRADAS é uma das mais bonitas da região. O nome desta vila deve-se ao seguinte facto: em tempos idos, a paisagem da região era densamente arborizada e as pastagens da região (os "pastos dos Campos de Ourique") mantinham-se verdes todo o ano. Em consequência, os rebanhos do Centro e Sul de Portugal vinham em transumância a estas paragens de todo o país, de tal modo que se pagava uma taxa de entrada para os "pastos dos Campos de Ourique". Um dos locais onde se pagava esta taxa situava-se em Entradas, nome que terá sido atribuído por D. Sebastião.
Na Igreja Matriz de Entradas, do séc. XVIII (fig. 18), pode ser encontrado um belo altar-mor em mármore preto e branco, tido como o mais valioso da diocese de Beja. A tradição oral explica desta forma a sua origem: sendo destinado originalmente para Faro (talvez para a Sé), as pedras, já desbastadas e aparelhadas, vinham da pedreira de Estremoz e eram transportadas em carros de bois. Estes carros foram surpreendidos por um longo e rigoroso Inverno, em que pessoas e animais tiveram muita dificuldade em passar regatos e rios de grande caudal. Como resultado, estas pessoas desistiram de efectuar o transporte até ao Algarve, abandonando a carga nos campos junto a Entradas. Assim, o altar acabou por ficar na Igreja, dedicada a Santiago.
Um pouco à frente da Matriz, encontra-se a Igreja da Misericórdia. Construída nos sécs. XVII e XVIII, possui no seu interior alguns azulejos setecentistas hispano-árabes.
A estepe cerealífera é o palco de todo o percurso, podendo ser observadas várias espécies de aves estepárias.
Na vila de Entradas existem vários cafés e restaurantes típicos, onde se pode recarregar energias no final do percurso.
quinta-feira, abril 14, 2005
POESIA POPULAR
..
Já aqui falei dos bailes expontâneos e da potencialidade fantástica que as gentes da planície têm para o versejo.
Estas quadras são o exemplo de muitas que se ouviam no calôr do bailar:
.
MINHA MÃE PRA EU CASAR
PROMETEU-ME 3 OVELHAS
UMA É MÔCA , OUTRA É CEGA
OUTRA É TRONCHA DAS ORELHAS
.
MINHA MÃE PRA EU CASAR
DEU-ME TUDO QUANTO TINHA
DEPOIS DE ME VÊR CASADA
DEU-ME UMA AGULHA SEM LINHA
Já aqui falei dos bailes expontâneos e da potencialidade fantástica que as gentes da planície têm para o versejo.
Estas quadras são o exemplo de muitas que se ouviam no calôr do bailar:
.
MINHA MÃE PRA EU CASAR
PROMETEU-ME 3 OVELHAS
UMA É MÔCA , OUTRA É CEGA
OUTRA É TRONCHA DAS ORELHAS
.
MINHA MÃE PRA EU CASAR
DEU-ME TUDO QUANTO TINHA
DEPOIS DE ME VÊR CASADA
DEU-ME UMA AGULHA SEM LINHA
sábado, abril 09, 2005
DANÇAS CAMPANIÇAS
..
DANÇAS CAMPANIÇAS
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
Os novos nem sonham e os mais velhos só lembram que aqui ,na terra da quietude, as gentes bailavam. A toque de viola, flaita ,concertina ou movidos simplesmente pelo cante, os pares marcavam os ritmos do fascínio e da paixão , em danças que se repetiam noite fora.
Bailes cantados, exercícios vocais e poéticos que aliavam a melodia e a rima ao toque carnal tão desejado.
Namoros que se faziam e se desmanchavam à custa de uma cantiga, por mor de uma resposta.
Vinha também à tona a malandrice de alguns , misturada às vezes com o arrojo que aos forasteiros não era permitido:
Um copinho, dois copinhos,
Tres copinhos de aguardente
As moças desta terra
Fazem andar um homem quente
Para atalhar, logo no flagrante, algum pai, mano ou namorado incomodado ,também cantando e rimando respondeu:
Um copinho, dois copinhos,
Três copinhos de licor
Levas com um banco nos cornos
Passa-te logo o calor.
Nas casas dos montes ,para a vizinhança, ou nos celeiros das aldeias para adjuntos maiores, dançava-se sempre, dançava-se muito, ao uso da moda .Bailes de roda, bailes encadeados ,baile dos arquinhos ,todos eram tradição arreigada entre as gentes campaniças que faziam destas práticas o modo primeiro da sua distracção. Quem cantar sabia, tinha primazia ,porque fazia figura nesses balhos onde a voz e a poesia eram a mola real do evento.
Dum lado os homens, doutra banda as mulheres, com as mães atentas. Nas paredes penduravam-se as candeias e mais tarde os candeeiros para alumiar. Tal dia ,às tantas, há baile às tensas de qualquer coisa e fulano já ofereceu o petróleo, anunciava-se de boca em boca.
Dada a ordem para a dança ,uns fitando nelas, outros de cabeça baixa, avançavam para as escolhidas perguntando: Vamos abatê-las?
E quase sempre respondiam: Abatê-las vamos! Lá davam as mãos. Lá se agarravam. Toques que valiam por mil sonhos.
De inverno os homens dançavam de capote vestido e cajado pendurado no braço, preparados para as cenas piores que podiam derivar do ciúme ou de alguma alarvidade.
Uns tinham sorte, outros ,como agora, calhava-lhes sempre a mais feia para a dança.
Noites à fio, depois dos trabalhos, retemperavam-se forças à custa do viço.
Voltas e mais voltas ,no chão de terra batida ,no verão juncado de mantrastos e junça que mesmo assim , não evitavam o pó que se levantava fininho e ao misturar-se com a fuligem das iluminarias, ia colar-se nos rostos suados dos dançarinos.
Cantiga atras de cantiga, desafios de namoros e invejas, trocas de razões sempre rimadas, voltas e passos marcados, eram os ingredientes de saborosas noites dançantes.
Mas agora ,nesta terra só se canta a moda, pensa-se que nunca foi doutro jeito ,não há memória de outros cantares e danças, por aqui, ninguém se lembra delas.
O resto do país , folclorizou e guardou parte da sua tradição. Nós, vimos tudo reduzido ao cante interpretado pelos grupos formais. O resto apagou-se, por culpa nossa e da política estranguladora do SNI. Valha-nos agora a memória e a vontade de quantos não se acomodam nem conformam com este cenário de desolação cultural e vão experimentando, em vários lugares ,o reinventar das danças e de outras praticas da tradição.
DANÇAS CAMPANIÇAS
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO
Os novos nem sonham e os mais velhos só lembram que aqui ,na terra da quietude, as gentes bailavam. A toque de viola, flaita ,concertina ou movidos simplesmente pelo cante, os pares marcavam os ritmos do fascínio e da paixão , em danças que se repetiam noite fora.
Bailes cantados, exercícios vocais e poéticos que aliavam a melodia e a rima ao toque carnal tão desejado.
Namoros que se faziam e se desmanchavam à custa de uma cantiga, por mor de uma resposta.
Vinha também à tona a malandrice de alguns , misturada às vezes com o arrojo que aos forasteiros não era permitido:
Um copinho, dois copinhos,
Tres copinhos de aguardente
As moças desta terra
Fazem andar um homem quente
Para atalhar, logo no flagrante, algum pai, mano ou namorado incomodado ,também cantando e rimando respondeu:
Um copinho, dois copinhos,
Três copinhos de licor
Levas com um banco nos cornos
Passa-te logo o calor.
Nas casas dos montes ,para a vizinhança, ou nos celeiros das aldeias para adjuntos maiores, dançava-se sempre, dançava-se muito, ao uso da moda .Bailes de roda, bailes encadeados ,baile dos arquinhos ,todos eram tradição arreigada entre as gentes campaniças que faziam destas práticas o modo primeiro da sua distracção. Quem cantar sabia, tinha primazia ,porque fazia figura nesses balhos onde a voz e a poesia eram a mola real do evento.
Dum lado os homens, doutra banda as mulheres, com as mães atentas. Nas paredes penduravam-se as candeias e mais tarde os candeeiros para alumiar. Tal dia ,às tantas, há baile às tensas de qualquer coisa e fulano já ofereceu o petróleo, anunciava-se de boca em boca.
Dada a ordem para a dança ,uns fitando nelas, outros de cabeça baixa, avançavam para as escolhidas perguntando: Vamos abatê-las?
E quase sempre respondiam: Abatê-las vamos! Lá davam as mãos. Lá se agarravam. Toques que valiam por mil sonhos.
De inverno os homens dançavam de capote vestido e cajado pendurado no braço, preparados para as cenas piores que podiam derivar do ciúme ou de alguma alarvidade.
Uns tinham sorte, outros ,como agora, calhava-lhes sempre a mais feia para a dança.
Noites à fio, depois dos trabalhos, retemperavam-se forças à custa do viço.
Voltas e mais voltas ,no chão de terra batida ,no verão juncado de mantrastos e junça que mesmo assim , não evitavam o pó que se levantava fininho e ao misturar-se com a fuligem das iluminarias, ia colar-se nos rostos suados dos dançarinos.
Cantiga atras de cantiga, desafios de namoros e invejas, trocas de razões sempre rimadas, voltas e passos marcados, eram os ingredientes de saborosas noites dançantes.
Mas agora ,nesta terra só se canta a moda, pensa-se que nunca foi doutro jeito ,não há memória de outros cantares e danças, por aqui, ninguém se lembra delas.
O resto do país , folclorizou e guardou parte da sua tradição. Nós, vimos tudo reduzido ao cante interpretado pelos grupos formais. O resto apagou-se, por culpa nossa e da política estranguladora do SNI. Valha-nos agora a memória e a vontade de quantos não se acomodam nem conformam com este cenário de desolação cultural e vão experimentando, em vários lugares ,o reinventar das danças e de outras praticas da tradição.
letras de modas alentejanas
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É TÃO GRANDE O ALENTEJO
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É TÃO GRANDE O ALENTEJO

Daqui para a minha terra
Tudo é caminho e chão
Tudo são cravos e rosas
Tudo são cravos e rosas
Dispostos por minhas mãos
É tão grande o Alentejo
Tanta terra abandonada
A terra é que dá o pão
Para bem desta nação
Devia ser cultivada
Tem sido sempre esquecido
Da margem ao sul do Tejo
Há gente desempregada
Tanta terra abandonada
É tão grande o Alentejo
Nesses campos solitários
Onde a desgraça me tem
Brado ninguém me responde
Olho, não vejo ninguém
É tão grande o Alentejo
Tanta terra abandonada
A terra é que dá o pão
Para bem desta nação
Devia ser cultivada
É TÃO GRANDE O ALENTEJO
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É TÃO GRANDE O ALENTEJO
Daqui para a minha terra
Tudo é caminho e chão
Tudo são cravos e rosas
Tudo são cravos e rosas
Dispostos por minhas mãos
É tão grande o Alentejo
Tanta terra abandonada
A terra é que dá o pão
Para bem desta nação
Devia ser cultivada
Tem sido sempre esquecido
Da margem ao sul do Tejo
Há gente desempregada
Tanta terra abandonada
É tão grande o Alentejo
Nesses campos solitários
Onde a desgraça me tem
Brado ninguém me responde
Olho, não vejo ninguém
É tão grande o Alentejo
Tanta terra abandonada
A terra é que dá o pão
Para bem desta nação
Devia ser cultivada
terça-feira, abril 05, 2005
provérbios de ABRIL
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Previsão Agícola :
- A aveia, até Abril, está a dormir.
- Do grão te sei contar que em abril não há-de estar nado nem por semear.
- Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
- O que Abril deixa nado, Maio deixa-o espigado.
Animais:
- Porco que nasce em Abril vai ao chambaril.
Pesca:
- Solho de Abril, abre a mão e deixa-o ir.
Frio:
- Abril frio, pão e vinho.
- Em Abril, queima a velha o carro e o carril; e uma camba que deixou, em Maio a queimou.
- Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
Chuva:
- Abril chove para os homens e mais para as bestas.
- Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.
- A ti chova todo o ano e a mim Abril e Maio.
- Inverno de Março e seca de Abril deixam o lavrador a pedir.
- Em Abril, águas mil.
- A água que no verão há-de regar em Abril há-de ficar.
- Chuvas na Ascensão, das palhinhas fazem pão.
- Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.
Vinho:
- Vinha que rebenta em Abril dá pouco vinho para o barril.
Páscoa:
- Páscoas altas, Páscoas baixas, em Abril hão-de cair.
- Páscoa em Março, ou muita fome ou muito mortaço.

Previsão Agícola :
- A aveia, até Abril, está a dormir.
- Do grão te sei contar que em abril não há-de estar nado nem por semear.
- Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
- O que Abril deixa nado, Maio deixa-o espigado.
Animais:
- Porco que nasce em Abril vai ao chambaril.
Pesca:
- Solho de Abril, abre a mão e deixa-o ir.
Frio:
- Abril frio, pão e vinho.
- Em Abril, queima a velha o carro e o carril; e uma camba que deixou, em Maio a queimou.
- Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
Chuva:
- Abril chove para os homens e mais para as bestas.
- Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.
- A ti chova todo o ano e a mim Abril e Maio.
- Inverno de Março e seca de Abril deixam o lavrador a pedir.
- Em Abril, águas mil.
- A água que no verão há-de regar em Abril há-de ficar.
- Chuvas na Ascensão, das palhinhas fazem pão.
- Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.
Vinho:
- Vinha que rebenta em Abril dá pouco vinho para o barril.
Páscoa:
- Páscoas altas, Páscoas baixas, em Abril hão-de cair.
- Páscoa em Março, ou muita fome ou muito mortaço.
segunda-feira, abril 04, 2005
PÁSCOA NO ALENTEJO
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O MIGUEL ESTEVE NO MONTE DA RIBEIRA

E ficou encantado especialmente com os animais que só conhecia dos livros.
Os perús , as vacas , as ovelhas, as cabras, tudo o fascinou. Percorreu kms atrás deles, imitando os sons, especialmente os "més"...
O MIGUEL ESTEVE NO MONTE DA RIBEIRA
E ficou encantado especialmente com os animais que só conhecia dos livros.
Os perús , as vacas , as ovelhas, as cabras, tudo o fascinou. Percorreu kms atrás deles, imitando os sons, especialmente os "més"...
sexta-feira, abril 01, 2005
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