quarta-feira, março 10, 2004

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POEMA DA TIA ALICE
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CARTA DO MIGUEL
NO DIA DO ANIVERSÁRIO DA MÃE
ANA LÚCIA
9 DE MARÇO DE 2004
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É hoje o dia de anos
da minha mamã querida
eu quero dar-te um beijo
mãezinha, deste-me à vida
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Beijo-te a ti mamã
a ti papá também beijo
sejamos três bons amigos
é isso que mais desejo.
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Hei-de ser sempre bonzinho
pr.á mamã e pr.ó papá
a mamã dá-me beijos
o papá beijos me dá.
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A mamã trata de mim
fica comigo a brincar
com o papá brinco à noite
de dia vai trabalhar.

Poema de Maria Alice Colaço

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domingo, março 07, 2004

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DITOS DO ALENTEJO
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Os alentejanos
têm
especial apetência para a
poesia, mas também são
grandes contadores de estórias,
e manejam a língua portuguesa
duma forma muito ágil e especial,
polvilhando-a com fantásticas
metáforas, colorindo de forma
talvez única , as imagens do
seu dia a dia.
Publica-se hoje uma recolha
não exaustiva de alguns
desses deliciosos ditos:


-Muita vontade tem de beber leite, quem beija o cú ao cabreiro.
-Deixa torrar que está brando
-Ainda as palavras não eram ditas, já os cajados andavam no ar
-..isso é o mesmo que comparar o olho do cú com a Feira de Castro..
-O quê? Olha nada, vai voltar a burra que anda na cevada, quando a minha foi, já a tua lá andava, ela é tua cunhada e a mim não me é nada.!!
-Tenha à mão e faça força, (que é capaz de ser verdade)
-Ao ruim cagador, até as calças lhe fazem mal.
-Galinha gorda a pastor , choca vai ela.
-Pássaro que há-de picar, nasce logo com o bico.
-Cardo que há-de picar, nasce logo com o pico.
-Diz o tacho à sertã, -"chega pr.a lá não me tisnes".
-É como o cão da palha, não come nem deixa comer.
-Quem o feio ama, bonito lhe parece.
-Dizer e não dizer, é o mesmo que chover no molhado.
-Fia-te na virgem e não corras, e depois diz que é o diabo que "t.atenta"
-Mais cada um alentejano que cem mosquitos.
-Conforme é o toque assim é a dança
-Quem lhe quer bem não olha a sapatos.
-Hum, aquilo não é puta que se confesse.
-Quem nasceu para dez reis não chega a vinte.
-Cagando e andando
-Enquanto se canta não se assobia
-Chico larico da perna assada comeu uma galinha a semana passada
-A mim não fazem o ninho atrás da orelha.
-Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.
-Andas com esse charôco metido no cú.
-Galinha que canta, galo que quer.
-Quem não é para cavandelas, não se mete nelas.
-Cão que ladra, cão que guarda.
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Muitas mais haverá, e publicá-las-emos à medida que as recolhermos

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

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Soneto que dediquei à Mariana
na Primavera de 2001, após
ter lido o seu livro de Poemas

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SONETO PARA MARIANA
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Silhueta leve e frágil
olhos negros, grandes, expressivos
solta sorrisos evasivos
tem verbo fácil, palavra ágil
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Mariana, sua graça escolhida
Alentejo, seu berço de raiz
Castro Verde, Castelinho ,sua matriz
Embora no Algarve nascida
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Encanta pela simplicidade
alegra, pelo seu humôr
surprende, que com tão pouca idade
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Junte com tanto vigôr
palavras como solidariedade
ternura, paz e amôr.
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JÚLIO

sábado, fevereiro 21, 2004

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HOMENAGEM À MINHA FAMÍLIA ALENTEJANA
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Não sendo alentejano de nascimento, considero-me já um deles por adopção.
Ainda com verdes anos, tive o privilégio de "entrar" para uma família do Baixo Alentejo, e com o decorrer dos tempos, (já lá vão trinta e tal Verões , para não falar em Invernos e nas outras estações) tem sempre vindo a crescer a minha admiração , o meu respeito e a minha integração no seu mundo.
Desde o ínicio, me impressionou, o seu sentido de solidariedade, a sua grande abertura, desprendimento e sobretudo a sua forma de receber os forasteiros.
Há sempre um lugar à mesa, por mais desconhecido de quem chegue, há sempre uma cama que se "ajeita", qualquer que seja o espaço que se tenha.
A minha primeira visita ao Alentejo, por alturas da Feira de Castro de 1968, permanece na minha memória como um marco prazeiroso, da minha ligação àquela terra (Castro Verde) àquela região, e àquela família, que desde então , passou também a ser a minha.
Filho único, eis que num só dia, (o da chegada) , passei a conhecer não um , mas uma mão cheia de "irmãos" , sobrinhos e novos primos às dezenas. De tantos beijos, apertos de mão e abraços, dei por mim, pois então, a cumprimentar até, os que depois soube, nem todos eram familiares, ou mesmo conhecidos. Mas na Feira, e no Alentejo é mesmo assim, soube-o mais tarde, sei agora.
A ideia deste blog, é pois, para além dos motivos que aduzi, aquando da sua criação, uma homenagem que quiz, e quero prestar ,à grande alma alentejana, e o grande valôr que atribuo à oportunidade de neste espaço, pôr toda a família a participar, quer escrevendo poemas, quer contando estórias que façam reviver as suas orgulhosas memórias.


Júlio

sábado, fevereiro 14, 2004

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AS MATANÇAS
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DE

JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO..
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.Vêm dos montes, dos bastios sombreados, arrojam-se para a morte sob as arrobas de carne posta por fartanços de bolota e lande ,mais de alguma guloseima apanhada para desenfastiar. No verão correram os restolhos à cata de espigas e espiolharam os pegos lodosos com a cegueira dos almeijões .Mas não foi daí que lhes veio o peso.
Até meados de Outubro andavam ligeiros, corriam como centelhas deste poiso para aquele, fossando e revolvendo pedras e torrões à pus da bicharada. Mas logo que as bolotas começaram a arraiar e as mangaras desataram a pingar, era vê-los de fujota de arvore para arvore, com as orelhas afitadas para pressentirem onde podiam morder as caídas.
Daí para diante, abancavam de manhã à noite de focinho pregado ao chão , solvendo as soleiras das boletas ,desprendidas dos cascabulhos por força do vento ou varejadas pelo porcariço , preocupado com a engorda da vara com que tinha encabeçado o montado.
Apetecia-lhes agora beber mais amiúde que o costume e de quando em vez abocanhavam o ervaçum para refrescarem as bocas escaldadas pelo tasquinhar continuado.
De dia para dia viam-se aumentar. Desapareceu o espinhaço, cresceu-lhes a papada,ficaram corpulentos.
Já nem dão trabalho com as escapadelas para as semeadas. Comem, comem e de quando em vez jogam os joelhos a terra para descansar.
Por fim, redondos e lustrosos já lhes custava ir beber à ribeira duas vezes por dia. Nas horas mais quentes deitavam-se e dormiam com grande afegada. Para se levantarem , tornou-se o cabo dos trabalhos. Tinha de ser a prestações. Primeiro erguiam-se nas patas dianteiras ,de cu a rojo, e só depois em solavanco se alçavam.
O maioral andava satisfeito e o patrão outro tanto ou ainda mais. Tantas arrobas a tanto, dava tanto. Aquilo não se sabia ao certo, nem se podia saber, só a olho, o peso da carne toda, porque uns eram maiores e outros mais pequenos, mesmo que manos da mesma ninhada. O que valia era a média , não se podia fazer a conta pelos mais estrigados nem pelos outros que pareciam barcas, mas eram os menos .
Em três meses fizeram-se para a faca.
Uns para aqui, outros para ali, todos foram apreçados e já tinham o rumo marcado.
E assim abalaram em dias marcados pelas estradas velhas, deixando os montados, a caminho das bancas ,onde as facas sem dó nem piedade lhes ditam o destino, ficando no ar os gornidos profundos que nos marcam a memória das matanças.
Depois é a festa, a azáfama, o sangue, o vinagre, os alhos, o colorau ,a pimenta, os cominhos. A gordura e os cheiros. A moleja, as cacholas fritas. As banhas, os torresmos ,os lombos, as espáduas, os presuntos, as linguiças ,as chouriças e os paios. A carne frita, a manteiga de pingo .As queixadas assadas, a língua de fricassé ,as orelhas de coentrada .As folhas de toucinho arrecadadas no sal. O saber e os preceitos. Os varais no fumeiro. Os sabores um ano inteiro.
Ritual que se repete todos os Invernos, quando os frios chegam para curar as carnes e nos campos a fartura acaba, para poder acrescer, nem tão pouco para manter, as arrobas postas por uma comezaina rica.

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CASTRO VERDE

Porque a maioria dos frequentadores da Casa das Primas são oriundos das regiões de Castro Verde e Almodôvar , e apenas eu (o Júlio) ser de Lisboa, embora hoje em dia, e após mais de 35 anos de ligação estreita com bons alentejanos, já me sinta, não só da família, mas também mesmo ,mais um "alentejano", vou publicar neste blog, alguns textos sobre estas vilas e regiões.
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...A antiga vila surgiu junto a uma fortaleza que se levantou no cimo de um cabeço a 1,7 Km a norte da margem esquerda da Ribeira de Cobres e a 2 Km a Sudoeste da margem direita do Ribeiro de Terges.

A sua fundação é muito remota, desconhecendo-se a sua origem, sabe-se no entanto, que no começo da monarquia Lusitana já era habitada.

Pensa-se que a origem do povoado terá as suas raízes na cultura Turdetana, passando mais tarde por um acampamento militar romano, como a origem do seu topónimo " Castrum Veteris " assim o indica, bem como a planta do núcleo antigo da povoação, de forma quadrangular e com um traçado viário ortogonal, típico dos acampamentos romanos, diferencia-se da tradição hurbanistica do Sul do território nacional.




A implantação do território sobre uma pendente pouco acentuada, terminando junto a uma linha de água de certa expressão, bem como a dimensão da àrea ocupada, enquadrando-se na descrição dos acampamentos militares.

Crê-se que a vida urbana se iniciou em Castro Verde após o abandono do acampamento pela legião, como era práctica corrente na época, uma parte considerável da população que habitava as "canabae" (acampamentos de pequenos comerciantes, artíficies, etc, que acompanhavam as legiões), bem como indígenas da região, tenham ocupado o "Pomerium" (acampamento romano), imediatamente após o abandono da construção defensiva pela legião.

Acredita-se, que a rede viária hurbana se manteve e as edificações se foram desenvolvendo ao longo de todo o período clássico e de Idade Média.

É também possível que os Romanos tivessem conquistado a fortaleza Lusitana em meados do Séc. II A.C. (cerca de 150 anos antes de Cristo), transformando-a numa base militar de ocupação e guarda da estrada militar que, vinda de Aljustrel, prosseguia para Ossobona (perto de Faro).

Desconhece-se a data em que foi tomada aos Mouros.

Foi em CastroVerde e segundo a lenda que se deu a famosa batalha de Ourique, apontando vários historiadores o local de São Pedro das Cabeças como o local exacto desse acontecimento, lenda essa que descreve a aparição de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques e a sua gloriosa vitória contra cinco reis Mouros.

A região de Castro Verde enquadra-se, desde o Período do Bronze do Sudoeste (II milénio A.C.), numa àrea cultural vasta que se designa por cultura Turdetana.

Durante a Proto-História, na primeira Idade do Ferro,e numa fase em que os contactos com povos do mediterrâneo foram assíduos e próximos, que se designa por Período Orientalizante, o Baixo Alentejo e o Algarve desenvolveram uma subcultura especial (dentro de Turdetana) comumente chamada Tartéssica ou de Sudoeste.

A primeira Idade do Ferro e o Período Orientalizante, permitiram definir uma facies local, que foi designada por Neves Corvo e que se caracteriza, principalmente, por rituais funerários próprios, para além da aplicação da escrita a fins não relacionados com o culto dos mortos, bem como pela existência de povoados e habitats de tipo patriarcal alargado, sem vestígios de estroturas defensivas.

A existêmcia desta facies no concelho de Castro Verde, relaciona-se com a presença de minérios, nomeadamente a prata e o chumbo, em ocorrências filonianas superficiais, o que os colocava ao alcance da tecnologia extractiva da época.

Existem no concelho de Castro Verde alguns Castros (designação para os castelos da segunda idade do ferro, na gíria arqueológica), como é o exemplo do Castro do Montel (Castelo Grande de Cobres), que fica situado na freguesia de Entradas.

O concelho de Castro Verde revelou materiais arqueológicos de origem romana, datando dos finais do séc. III, inicios do séc. II A.C.

Foram identificados 22 monumentos de fundação Augusteia que pontuam uma faixa que se estende de Castro Verde ao sul de Alcoutim. A tradição popular chama-lhes "Castelos", porque são constituidos por três recintos quadrangulares concêntricos, que ocupam o topo de pequenas colinas, o seu edificio central é sempre dotado de paredes muito espessas que lembram de facto muralhas.

A dominação romana está amplamente documentada na aldeia de Santa Bárbara de padrões, através de um conjunto arquitectónico descoberto junto da igreja e cemitério e por numerosos vestígios que se espalham por toda a povoação.Leite de Vasconcelos propôs, em 1986,a classificação destas ruínas, como de uma cidade romana que se identificou hipotéticamente, com Arannis.

Até ao século XIX o progresso económico de Castro Verde basear-se-ía não tanto na agricultura devido aos seus solos fracos, mas na pecuária e no facto de ser local privilegiado de passagem e cruzamento de vias comerciais que do sul algarvio conduziam à planície alentejana e que do litoral Oeste, devido à importância de Vila Nova de Milfontes como porto de pesca e comércio, demandavam o interior e a sua capital, Beja.

No século XIX, o Liberalismo teve mais um reflexo no concelho. Com efeito, a região sofreu incursões das guerrilhas miguelistas do Remexido e dos Baioas de Beja, que ficaram registados na tradição popular e nalguma toponímia.

Nos finais do século XIX, a cerealícultura tornou-se um dos maiores factores produtivos da região, tendo mesmo sido reforçada esta opção, nos primeiros decénios do século XIX, durante os quais se assistiu a um certo bem estar económico, que se reflectiu no hurbanismo da sede do concelho, tanto no edificio da Câmara Municipal como em residências privadas.

A partir dos anos 50, o concelho entrou em fraca regressão, um pouco colmatada pelo surto migratório, e actualmente, pela instalação do complexo mineiro de Neves- Corvo.

Castro Verde, experimentou, por via da Mina , um grande aumento de perimetro, e de construção, nunca , porém se descaracterizando, É mesmo, hoje por hoje, das vilas mais bonitas e com melhor qualidade de vida do Baixo Alentejo.

A sua vida cultural sofreu, também ele, um grande incremento, quer com infra-estruturas , quer com inúmeras iniciativas voluntristas de castrenses que não se acomodam.




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Poema especialmente escrito por mim
para ser adaptado à musica de duas
baladas alentejanas que se entrecruzam


ALENTEJO
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Alentejo nossa terra
onde um dia voltarei
Castro Verde ,Porteirinhos
berço donde abalei
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Para longe pr.a Lisboa
eu parti
à procura de trabalhO
consegui
tristeza, solidão
eu venci
de angústia, de saudade
quase morri.
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Alentejo, minha terra
onde um dia voltarei
Testa, Monte da Ribeira
juro que, sempre te amei.
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Cá de longe no Feijó
nos juntamos
a saudade do Alentejo
nós matamos
a memória doutros tempos
nós cantamos
as estórias lá dos montes
nós recordamos.
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Alentejo minha terra
onde um dia voltarei!!!!

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

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ALENTEJO , TU ÉS LINDO
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Alentejo na Primavera
é lindo, cheio de flores
azuis, roxas, amarelas
eu sei lá de quantas côres.
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Seja Outono ou Primavera
quer seja Inverno ou Verão
Alentejo tem beleza
numa qualquer estação.
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Vejam lá que bem que cheira
a flôr do rosmaninho
do poejo e do mantrasto
que se encontra no caminho.
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E que bonito é vêr no campo
os rebanhos a pastar
o pastor com o seu cajado
e o cão para ajudar.
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Alentejo tu és lindo
tens beleza, tens encanto
tu tens tantas maravilhas
por isso te queremos tanto.
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E quando chega o Verão
todo o campo está dourado
já está o trigo maduro
à espera de ser ceifado.
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É bonito de manhã
ouvir-se muito cedinho
aquele cantar tão lindo
como é o do passarinho.
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E os grilos cantam, cantam
até essa noite fóra
e depois começa o galo
assim ao romper d.aurora
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Quem vive numa cidade
não pode avaliar
todas estas maravilhas
que aqui estou a falar..

Poema de
NATÉRCIA MARIA

segunda-feira, janeiro 19, 2004

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A FEIRA DE CASTRO
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de

JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

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.Fazendo uma retrospectiva do evoluir desta vila ao longo dos tempos ,parece-nos existirem três coordenadas essenciais pelas quais passou o seu crescimento e prestigio.
Antes de tudo o mais, valeu-nos a "Lenda do Milagre de Ourique" que em nosso entender foi a cúpula espiritual necessária para a afirmação deste lugar como agregado urbano . De povoado insignificante com umas dezenas de vizinhos ,passou mais tarde a vila ,sede de concelho, subalternizando outras vilas como Entradas que em finais do Sec. XVI tinha uma importância económica e social incomparavelmente superior.
Mas à pala do "Milagre de Ourique" , aqui se erigiram obeliscos e monumentos e construiram duas igrejas que ao compasso dos anos foram sendo sistematicamente ampliadas e melhoradas, malgrado à data o numero de fieis ser diminuto para a grandeza dos templos.
Porém, a razão ultima da sua edificação não era própriamente a de dar guarida aos devotos locais, mas era antes, a de elevar para os céus a materialização da fé ou do agradecimento de reis e eclesiásticos pela excelsa graça vinda do Supremo para o rei primeiro.
Em torno das igrejas grandes ,romperam e encostaram-se as casinhas pequenas e pouco a pouco o casco urbano do lugar foi-se definindo ,consolidando sempre pobrezinho, muito insipiente.
E assim era de tal forma vera que quando o Rei Moço, antes de Alcacer Quibir, passou por aqui para ajoelhar em gesto de veneração à heroicidade de D.Afonso e à bravura dos seus feitos ,teve de pernoitar em Entradas, porque neste sitio não havia casa com dignidade para acolher sua Alteza .Findava então o Sec. XVI.
Cerca de meio século depois e tendo já finado o dito D.Sebastião ,sendo o rei de Espanha soberano de Portugal, funcionou de novo o reflexo do "Milagre de Ourique".
Na altura , a Igreja dos Remédios ou das Chagas do Salvador , templo evocativo da bravura afonsina, evidenciava ruínas atentatórias da memória que evocava ,e para fazer face a custos inerentes ao restauro, transferiu-se para aqui uma feira antes existente em Padrões, com o propósito de suportar com os rendimentos dos respectivos terradegos tais despesas inadiáveis .
Foi a partir daqui que praticamente nasceu e ganhou dimensão de realce o "Crasto" .
Este é o segundo vector pelo qual passa a afirmação deste lugar ,sendo no nosso entender a feira,o factor mais decisivo para que aqui se forjasse um aglomerado urbano crescente em tamanho e nomeada .
Por outro lado, a feira ganhou com a mudança e aqui veio rapidamente a florescer graças à posição geo-estratégica que ocupamos .
Foi grande a oposição externa consubstanciada em acções diversas que só o tempo e uma decisão judicial acabaram por dirimir. Lembra-me ,a propósito, uma história recente relacionada com o Centro de Saúde de Castro , da qual se infere que o reconhecimento desta terra como pólo de inegável importância sub-regional de quando em vez vem à tona.
Mas mais tarde, já nos nossos dias, a exploração mineira em Neves Corvo, constituiu a terceira coordenada determinante de nova vitalidade económica e comercial do lugar imprimindo-lhe novo salto em termos de crescimento urbano.
Das armas de Castro ,fazendo jus à gratidão e à memoria das gentes ,constam o primeiro e o ultimo vector antes referidos mas ignora-se o segundo.
Despreza -se hoje, tem-se alias vindo repetidamente a menosprezar, a razão vital que tornou um lugarejo num burgo aglutinador da confluência de interesses diversos ,para onde convergem anualmente, como que por impulso ,milhares de almas ,em negócio ,em romaria , quase em devoção.
A feira deveria ser o ex-libris desta terra em nome da história e da razão de existirmos .
De facto, embora agora já se tenha perdido muita da mística e voltemos as costas à feira, a empurremos cada vez mais para longe de portas ,maldizendo o dia e meio da sua duração, dantes abríamos-lhe as casas os braços e o coração.
Metade da vila de antanho foi construída às tensas da feira, de todo o alentejo ,lavradores e mercadores vinham aqui fazer casa para utilizarem na semana da feira. Eram as "casas de pousada" que deram nova dimensão à terra e durante o ano inteiro serviam de morada a trabalhadores locais que as ocupavam sem renda , ficando o uso pela sua manutenção e guarda.
Paralelamente ,as casas restantes, nos dias da feira eram juncadas e nos quartos ,casas de fora e corredores, apinhavam-se de gente que nelas faziam quartel . Nos quintais abriam-se poços e cisternas e faziam-se grandes cavalariças para receber as alimárias que pagavam um tanto à argola. Tudo era ganho ,tudo era proveito.
Fora disso, valia mais ainda a vibração espiritual proporcionada a residentes e feirantes pelo desejo crescente de vir, de receber, de conviver e partilhar emoções. E este sentimento enformou o estar das nossas gentes , proporcionou-lhe a abertura de horizontes que têm. Ensinou-os a conviver com tendeiros, receber forasteiros e respeitar os ciganos ,num misto de altivez e de humildade.
È Outubro. Chegou a Feira . A tradição ainda corre pelas ruas de Castro.


domingo, janeiro 18, 2004

..ARVORE GENEOLÓGICA.
JOSÉ ANTÓNIO.XJESUINA.............................MANUEL LUIS.XMARIA
filhos
ANTÓNIO JESUINA............................................JOSE BATISTA
JOÃO JOSE.......................................................MANUEL LUIS
FELICIDADE......................................................MARIA BATISA
MARIA JESUINA ................................................JOAQUIM MARIA
........................................................................

casaram com:
.
JOÃO JOSÉ .X. BARBARA.
filhos
NATÉRCIA
HERMINIA
ILDA.
-
FELICIDADE.X.JOSE BATISTA
filhos
MARIA
ANA CATARINA
BARBARA
JOSÉ BATISTA
ALICE
AUGUSTA
MANUEL
ANTÓNIO
MARIA HELENA
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(em construçâo)

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GUIZADO DE BORRÊGO.
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Há Poucos dias jantámos
em casa da prima Lena
um saboroso guizado
mas as batatas...foi pena
.
Sabem porque foi pena?
pois estavam ataluadas
mas tudo isso serviu
para umas boas risadas
.
Não querendo falar na sopa
porque estava bem temperada
mas como a fome era pouca
preferimos a carne guizada.

E vejam como as batatas
tanto deram que falar?
e como uma simples coisa
fez-se um alegre jantar.

Estava bom o guizadinho
e permitam que lhes diga
o que gerou esta polémica
foi a batata mal cozida
.
Com toda esta conversa
espero não demorar
uma outra ocasião
para ir aí jantar
.
E a nossa prima Lena
depois de muito falar
diz-nos simpàticamente
-"nunca mais vens cá jantar"
.
Lena tu és a maior
mas dou-te uma sugestão
podes fazer guizadinho
mas com batatas...nãããão!!!!.
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Poema de NATÈRCIA MARIA

quinta-feira, janeiro 15, 2004

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NATÉRCIA FAZ POESIA -

passeio a S.Vicente



Há cerca de 3 anos, as primas Natércia e Hermínia, a Alice a Lena e eu, fomos passar um fim de semana a São Vicente de Pereira, aldeia situada a 5 km de Ovar, e que é a terra de meus avós paternos.
Ficámos em casa da minha tia Amélia, e daí fizémos quartel general , para uns passeios pelo Furadouro, ria de Aveiro (Carrgal e Murtosa) , Souto da Feira, Cucujães, São João da Madeira e por fim a Santa Maria da Feira, tendo assistido no Castelo daquela cidade a um espectáculo medieval, com simulação de combates à espada, feira medieval com artigos de época, visita às dependências do castelo, povoado por "fidalgos-a-fingir" trajados igualmente co vestes medievais.
Vale este enquadramento para justificar mais um trabalho de poesia, de autoria da prima Natércia:
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NATÉRCIA MARIA , faz poesia

Adoramos o passeio
que fizémos a São Vicente
são visitas que nos marcam
e que ficam para sempre
.
Aquela visita à fonte
que gostei tanto de vêr
toda aquela maravilha
eu jamais irei esquecer
.
E a D.Amélia então
como irei descrever?
toda a sua simpatia
e maneira de receber?
.
O chàsinho no jardim
com a tolha de linho
conversando alegremente
apanhando um solinho
.
Foram dois dias fantásticos
na verdade bem passados
que para mim acreditem
serão sempre recordados
.
E agora vou falar
naquilo que me encantou
a casa em que noutro tempo
o primo Herdeiro morou
.
E a casa do avô Catorze?
valha-me Deus que loucura
pois eu fiquei fascinada
com a sua arquitectura.
.
Ao primo Júlio, à prima Lena
aos dois muito obrigado
pl.o passeio que nos ofereceram
que foi muito bem passado.

NATÉRCIA MARIA..


terça-feira, janeiro 13, 2004

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TENHO SAUDADES DO MEU ALENTEJO.
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Tenho saudades
Do meu Alentejo
Todo florido
É como eu o vejo

O cheiro a esteva
A urze também
E o rosmaninho !!
O cheiro que tem

A branca margaça
O pimpilho dourado
E com as papoilas
Ficava encarnado

E os passarinhos
Entre o arvoredo
Com os nossos gritos
Fugiam com medo

Com seu papo branco
A negra andorinha
Construia o ninho
Onde os filhos tinha

Corria a ribeira
D.água cristalina
Lavavam a roupa
Mesmo a mais fina

Era lindo vêr
A roupa a corar
A ouvir a rã
Na rocha a cantar

A cegonha branca
Andava a pescar
O peixe de prata
Pr.ó flho sustentar

O rebanho ia
A sede matar
Estava calôr
Ia-se acarrar

Poema de Maria Alice Colaço


domingo, janeiro 11, 2004

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SALVÉ 11 DE JANEIRO.


O ZÉ BATISTA FAZ ANOS


O pessoal da CASA DAS PRIMAS comemora este dia com ele.
Fazer anos é sinal de vida, e nós estamos todos com o Zé .
Parabéns!!!!!!

quarta-feira, janeiro 07, 2004

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SONETO PARA A TIA BARBARA
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No dia do seu 93º. aniversário, escrevi este poema à tia Bábara
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Foi na planície generosa
onde as searas são de ouro
onde Afonso-rei venceu o mouro
que nasceu Bárbara formosa.
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Verdes anos na do Testa
espalhou alegria e amôr
suas filhas amou com fervôr
da sua vida fez uma festa
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Tia Bárbara nós cá estamos
com alegria a festejar
uma tia que muito amamos
.
com quem gostamos de recordar
dum passado que nos orgulhamos
e do que só a tia sabe contar.

José Júlio

terça-feira, janeiro 06, 2004

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PORTEIRINHOS
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Poema de José Batista Colaço
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Porteirinhos tu tens magia
Com os teus poços velhinhos
e uma velha moradia
onde as cegonhas fazem os ninhos.
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Logo que o Inverno passa
na empena do sobrado
ficas com beleza e graça
com o teu velho moinho ao lado.
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Teu lavadouro enquadrado
no cerro dos Poleirais
com o pèzinho caiado
as tuas ruas são roseirais.
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De rosas brancas e vermelhas
crescendo junto à parede
onde de dia as abelhas
tiram o suco pra matar a sede.
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Com tuas belas hortas
junto à cerca do Boi Coxo
de noite nas horas mortas
ainda ouvimos cantar o mocho.
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Se o vento sacode as fragas
de noite a coruja mia
lá no meio das azinhagas
Porteirinhos tu tens magia.

Zé Batista

sexta-feira, janeiro 02, 2004

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MONTE DA RIBEIRA - SEUS SERÕES


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Na casa das primas, o principal tema das conversas dos domingos à  tarde, é o Alentejo, lá onde quase todos os "habituais" são familiares, se entralaçam , sendo a maioria primos uns dos outros.
Brevemente vamos publicar neste espaço , uma árvore genealógica do pessoal cá da casa. e então se constatará isso mesmo.
Muito se fala do Monte do Testa , dos Porteirinhos, na Graça, no Pardieiro, no Forno da Cal . no Brigelinho no Rosário, e, entre outros , no Monte da Ribeira.
Pois é do Monte da Ribeira que hoje vamos tratar.
Não tive o privilégio de lá ter vivido, mas, ao longo destes anos, fui ouvindo dos seus intérpretes -Lena e meus cunhados Manel, Zé Batista, Maria Alice, Ana, da saudosa e muito querida Augusta, da Bárbara, e do resistente António, relatos do seu dia a dia, das suas brincadeiras, e especialmente de como decorriam os seus serões em família.
Dessas recolhas, dessas memórias, retirei a matéria com que escrevi o poema da cançao alentejana que me atrevi a construir, que a seguir reproduzo, e que todos cantamos no estilo de balada alentejana:

MONTE DA RIBEIRA - SEUS SERÕES

A estória que vou Contar,
Vem cheia de recordações,
leva-nos todos a lembrar
do Alentejo os seus serões

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À beira daquelas brasas,
todos juntos à  lareira,
comendo chouriço e favas,
lá no Monte da Ribeira
.
.
Os irmãos todos reunidos,
Contavam estórias d.encantar
faziam-se queijos, também enchidos,
adivinhas, renda e às s cartas jogar.

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"Princesa d.Austria", sua linda estória.
"A totinegra do Moinho"
Muitos contos de memória,
contava ti Chico Paulino.
.
"Carlos Magno" contava o Zé,
o tio Branco, contos sem rima,
"Os dois Castelos","Cabra cabrez"
dizia então o Ti Jesuína
.
Vinham amigos de longe e de perto,
do PArdieiro, do Forno da Cal,
também do Testa, dos Porteirinhos,
Ti Chico da Mina, qu.era o moiral
.
.
Aqui fica para a história,
do Alentejo , o seus serões,
Que não nos sáia da memória,
pr.alegrar nossos corações

José Júlio

quinta-feira, janeiro 01, 2004

NOTÍCIA DE UM PASSEIO QUE NÃO SE REALIZOU



No Verão, salvo erro , de 1999, e no decorrer de mais um convívio de domingo à tarde, foi proposta, e muito bem aceite, uma visita a Évora e aos menires de Almendres, que faríamos nos nossos carros, num determinado sábado.
Houve mesmo quem avançasse a ideia de alugar uma carrinha grande, no caso de haver grande aderência, que seria conduzida pelo Manuel.
Na véspera da data escolhida, começaram a surgir desistências inesperadas, por motivos de carácter muito pessoal, mas que, pelo seu elevado número, inviabilizaram o passeio, para o qual , havia até já, alguns "comes e bebes" preparados e embalados. O passeio não se fez, a decepção foi grande.
Vai daí , a Natércia, com o seu enorme talento para a poesia-repentista, escreveu o poema que a seguir se publica, e que registou para a história, este episódio delicioso:

PASSEIO DESFEITO
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Um dia nós combinámos,
irmos todos passear,
mas por causa do calôr,
o Elisiário e o Manel,
tiveram mêdo d.afrontar.
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Estava tudo tão contente,
o dia estava a chegar,
mas por causa do calôr
O Elisiário e o Manel,
não quizeram arriscar.
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....REFRÃO..
...ORA VEJAM LÁ,
...COMO AS COISAS SÃO,
...O QUE ELES MUDARAM,
...DESDE QUE CÁ ESTÃO.
.
Estava tudo entusiamado
era um passeio a preceito,
mas por causa do calôr,
do Elisiário e do Manel,
ficou tudo sem efeito.
.
Porque ficou sem efeito?
é fácil de adivinhar,
não estão habituados
o Elisiário e o Manel,
tinham medo de se queimar.
.
(REFRÂO)
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Chegou o fim de semana,
era já um alvoroço,
só nos faltava saber,
que o Elisiário e o Manel,
não guiam depois do almoço.
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Tantos calôres que apanharam
charõcos, frios, geada,
e agora não suportaram,
O Elisiário e Manel,
uma coisinha de nada..
.
A desculpa do calôr,
não convenceu muito bem,
vocês meus espertalhões,
como os carros eram novos
não queriam levar ninguém.
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Esperamos que não façam,
outra nova palhaçada,
pois iremos sem vocês,
Elisiário e Manel,
Não nos importamos nada.
.
(REFRÂO)

Poema de Natércia de Jesus

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RECORDAÇÕES DE CRIANÇA


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Eu recordo o Alentejo
os meus tempos de criança
e as minhas brincadeiras
ainda as tenho na lembrança.
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Eu nunca tive brinquedos,
mas gostava de brincar,
eram pobres os meus pais,
não mos podiam comprar.
.
Mesmo assim era feliz,
com as minhas brincadeiras,
um madeiro era a mesa,
e as pedras as cadeiras.
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Fazia os meus banquetes,
tinha muitos convidados,
os bolos feitos de cinza,
e com a cal enfeitados.
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As minhas bonecas eram
feitas pela minha mão,
eram bonecas de trapos,
com muita imaginação.
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Fazia casas com barro,
nunca era uma casa só,
estava sempre à lareira,
sentada a minha avó.
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Mas na minha vida havia,
um outro entretenimento
em seguir as formigas
na busca de mantimento.
.
Quando eu no Verão
na eira brincava
a palha branca
que bem que cheirava.
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Ainda me lembra,
do cheiro do trigo,
muitos outros cheiros
eu tenho comigo.

Poema de Maria Alice Colaço
(Publicado no site da
Terravista GENTES E LUGARES
em 17-11-2002

HINO DA CASA DAS PRIMAS
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Para as nossas reuniões de domingo à tarde, escrevi a letra de uma canção , que se tornou o nosso "hino" e que hoje aqui reproduzo
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É LÀ NO FEIJÒ
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É lá no Feijó, à das primas,
Ao fim da tarde todos os domingos,
Que nós cantams, comemos e rimos,
Jogamos às cartas e nos divertimos.
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O Zé Arsénio toca acordeon,
Puxando as modas de todos sabidas,
Canta a Natércia, canta a Hermínia,
E até canta o Chico ,e toda a família.
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Castro Verde a nossa terra,
Menina, que estás à janela,
Uma cartada, pão com toucinho,
Vá lá ó Júlio, come outro docinho.
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Canta a Henriqueta, canta o Manel,
Agora a Alice, canta o refrão,
Estuda a Lena, come um pastel,
Cant.ó Elisiário, vamos ao baldão.
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A tia Bárbara também participa,
Petisca, fala, vê televisão,
Com peixe fresco, chega o Fernando,
Vamos grelhar, preparem carvão.
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Canta a Maria dos Anjos,
Canta a Maria Adelina,
Canto eu, cantamos todos,
E nunca ninguém desafina.
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Jósé Júlio

sábado, dezembro 27, 2003

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TRIBUTO À TIA BÁRBARA
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A tia Bárbara tinha uma enorme capacidade de captar a simpatia de quem com ela privasse, ainda que só por breves instantes. A empatia era quase imediata. Não conheço ninguém que tenha resistido à sua autenticidade, ao seu calôr humano, ao seu "dar-se sem nada esperar em troca".
Na sua presença sempre me senti seu sobrinho de verdade, mesmo como de seu sangue o fosse.
Recordarei para sempre , a sua presença vigilante nas reuniões dos domingos à tarde. Atenta ao mínimo detalhe, vigiava para que tudo estivesse perfeito, não faltassem os guardanapos, os copos, para que a sopa estivesse bem quente.
.- "Oh Herminia, olha que o Júlio não tem colher"; ou então : "Natércia, então não vais pôr os queijinhos na mesa?".
Mesmo já nos últimos tempos, não deixava de controlar, para que tudo, no seu entender,estivesse nos seus devidos lugares, fosse feito "com preceito" ,corresse bem.
Conservarei para sempre a sua imagem de contentamento entusiástico, mal nos via chegar, para mais um domingo de convívio em família. E quando alguém, ao fim da tarde/noite, manifestava a intenção de ir embora, de imediato tentava prolongar por mais alguns minutos que fossem, a nossa presença :-"Já vão embora?. mas ainda é cedo".
Mas onde se surpreendia melhor a autenticidade do seu prazer de nos têr todos junto dela, era quando nas despedidas, sempre insistia com alguma ansiedade : -"Então até Sábado ou Domingo,vêm cá, não vêm?" .
Ùltimamente vinha perdendo as forças, com grande serenidade, mas de forma cada vez mais evidente, e dá que pensar, na força da sua persistência em esperar pelo nascimento do neto, e do Miguel ,"o menino da Ana Lúcia" ,como costumava chamar. Na primeira vez que viu, e teve o Miguel ao colo,estava tão contente, com os olhos tão brilhantes, que, como depois contaram as filhas Natércia e Hermínia, custou a adormecer.
A tia Bárbara vai ser sempre a Alma da casa das primas. Sentiremos sempre a sua presença vigilante.
Anos atrás, quando completou os 90 anos, fiz-lhe um Poema, que lhe ofereci e li, no decorrer da dua festinha de aniversário. Aqui o transcrevo:

TIA BARBARA

Vinda lá de baixo
De terras do Sul
Onde há poucas nuvens
E o céu é azul.

Chegou ao Feijó
Tinha menos anos
Pr.a junto das filhas
Deixou lá os manos

Bárbara é seu nome
Testa a sua terra
Deixa o Alentejo
Onde o trigo medra

Trigo que dá pão
A quem o colher
À Barbara trigueira
Deu força e saber

Barbara aos noventa
Junta à sua mesa
A sua Família
Que mantém coesa

Ela é a força
Ela é o caminho
Fiz-lhe este poema
Com muito carinho
.

José Júlio
r

quinta-feira, dezembro 25, 2003

SAUDADES DO MONTE DO TESTA

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SAUDADES DE DOTESTA..
Vindas do monte DOTESTA, a poucos kms de Almodôvar e de Castro Verde, a Natércia , a Herminia e a mãe Bárbara, encontraram no Feijó, uma numerosa comunidade de alentejanos, que muito bem as integraram, e onde se sentem em casa.
Contudo, as suas memórias da terra, especialmente do Dotesta, são muitas, e a tristeza de , quando lá vão de visita, constatarem a ruína da casa senhorial e do monte em geral, levaram a Natércia a escrever um poema, para ser cantado com uma conhecida música de Paco Bandeira, "A ternura dos quarenta".

É esse poema que publicamos hoje:

Oh Dotesta quem te viu
Quem te vê agora então
Fica triste e desolada
Pois estás mesmo abandonada
As pedaços pelo chão.

Eras um Monte bonito
Todos gostavam de ti
Quem lá ia uma vez
Ia uma, duas , três
Que bons tempos lá vivi

REFRÃO

Era tão bom
Os que te vêem agora
Que te voltassem a vêr
Como tu eras outrora.
Que maravilha
Se voltasses novamente
Ao que eras noutro tempo
Para alegria da gente.

Não importava que o Monte
Por outros fosse habitado
Mas gostasse isso sim
De te poder vêr ainda
Novamente restaurado.

Quem te conheceu um dia
Ao vêr-te fica pasmado
De vêr o Monte que eras
Lamentam profundamente
Ao que tu tenhas chegado.

Era gente de Lisboa
Que te vinham visitar
Ficavam maravilhados
Ao vêr a casa de campo
Pr.as suas férias passar.

Muito havia pr.a dizer
Sobre ti Monte da Testa
Mas é verdade porém
Que era lá sempre uma festa.


Poema de Natércia de Jesus
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RAZÃO DE SER DO BLOG.
As primas Natércia e Herminia e a tia Bárbara, há muitos anos vieram do Baixo Alentejo para o Feijó, e desde cedo a sua casa, se tornou, aos fins de semana, um autêntico centro de convívio , não sá para a família, que é muito numerosa, como para conterrâneos e amigos.

Quase todos alentejanos, juntam-se a cantar as famosas modas da terra, e ùltimamente, com poemas deles-mesmo.
Todo o alentejano é um poeta. Acho que quase todos, em algum momento, tenham rabiscado em algum pedaço de papel, versos seus ..

Este blog, tem como fim, publicar, os poemas, as canções . as estórias e as notícias, relacionadas como esta comunidade .