sexta-feira, fevereiro 25, 2005

letras de modas alentejanas

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MENINA QUE ESTÁS À JANELA
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Além daquela janela
dois olhos me estão matando
Matem-me devagarinho,
Que eu quero morrer cantando!

Menina‘stás à janela
Com o teu cabelo à lua,
Não me vou d’aqui embora,
Sem levar uma prenda tua,
Sem levar uma prenda tua,
Sem levar uma prenda dela,
Com o teu cabelo à lua
Menina‘stás à janela

Amanhã me vou embora,
E hoje faço a despedida!
Adeus pai, e adeus mãe,
E adeus minha rapariga!

Menina‘stás à janela
Com o teu cabelo à lua,
Etc.

CARTAZES DA CAMPANHA (OS RESTOS)

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imagens do alentejo

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OURIQUE
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UMA RUA DE OURIQUE

sábado, fevereiro 19, 2005

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

É CÁ NO FEIJÓ QUE CANTAMOS

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"Feijó foste o preferido
hoje todos cá moramos
somos teus filhos adoptivos
e é aqui que cantamos"

IMAGENS DO JARDIM DO PAVILHÃO GIMNO E DO PARQUE DA PAZ
Tendo o nosso Blog,e a sua "ideia", nascido no Feijó, era já tempo de falar na sua terra-berço, e na forte ligação ao Alentejo, matriz previligiada da temática do Blog.
O Feijó, que é a mais nova Freguesia do Concelho de Almada, possui um número muito elevado de residentes oriundos do Alentejo, e já muitos em segunda e até terceira geração., pois foi nos anos 50/60, que se registaram as maiores vagas de migrantes daquela região, para estas bandas.
Vieram procurar novas e melhores condições de vida, na sua maioria para o Arsenal do Alfeite, e para as indústrias siderúrgicas das redondezas , como a Lisnave, a Setenave, a Siderurgia e outras.
Vieram de várias origens do Baixo Alentejo. Do Redondo, de Barrancos, Serpa, Vila Verde de Ficalho, S.Matias, Odemira, Portel, Castro Verde, Almodôvar, Do Testa, Pias, Porteirinhos e outras terras do Sul.
Trouxeram os seus costumes, o seu linguajar cantante, a sua generosidade, a sua solidariedade, espírito de grupo, e a sua tradição.
Reunem-se sempre que podem, e falam apaixonadamente do seu Alentejo.
Os termos que usam, nas suas conversas , continuam a ser os que utilizavam nas suas terras, e todos sabemos da grande capacidade que têm os alentejanos para criar novas palavras, especialmete os adjectivos.
A "óxaria", o "xarôco" ouvem-se hoje, em qualquer espaço público do Feijó. Quer seja no Mercado Municipal, na "Pérola do Feijó", na "Papinha feita", no talho , na Tabacaria, nos passeios da António Elvas, ouve-se sempre alguém falar com os modos da planície. É como se estivéssemos em Castro Verde,no Café da Praça da República , ou nas ruas dos Porteirinhos, na do Testa, Rosário ou Monte da Ribeira.
Todo o Alentejano é um potencial poeta. A capacidade de versejar é espantosa, e aqui no Feijó, mesmo longe do seu habitat, continuam a criar poemas com temas que falam das planicies douradas, das suas meninices, da saudade dos tempos da ceifa, dos calôres de Agosto, dos banhos na Ribeira de Cobres.
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Porteirinhos tu tens magia
Com os teus poços velhinhos
e uma velha moradia
onde as cegonhas fazem os ninhos .
(JOSÉ BATISTA COLAÇO)
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"Tenho saudades
Do meu Alentejo
Todo florido
É como eu o vejo"
(MARIA ALICE COLAÇO)


.Caracterização da Freguesia
A Freguesia de Feijó situa-se no extremo sul do Concelho de Almada, distrito de Setúbal e possui, segundo dados apontados pelo Censos de 2001, uma população de 15.575 habitantes e 13.366 eleitores.

Apesar de se tratar da mais jovem freguesia do Concelho, a sua história remonta ao século XVII, época em que se caracterizava por um espaço rural, coberto de matos e pinhais, intercalados com azinhagas e courelas.

Território afecto ao antigo termo de Almada, a agricultura assumia-se como o grande meio de subsistência das famílias locais, repartidas entre proprietários, rendeiros e foreiros, pertencendo algumas das propriedades rústicas, ao tempo, existentes, a diversas famílias nobres, tais como os Marqueses de Alorna, Borba e Sabugosa.

O cultivo da vinha, cujo vinho era vendido a taberneiros e armazenistas da região, os produtos hortícolas e a fruta, designadamente o damasco e o figo gentio, assim como a produção de leite, constituíam as principais fontes de receita.

Dadas as características dos seus terrenos, a generalidade da actividade agrícola era de sequeiro, pois, a maioria das quintas não possuía poços e aquelas que os tinham, viam-nos secar logo que chegava o Verão, situação que levava a população a abastecer-se no Poço da Quinta da Macieira, o único que mantinha água todo o ano.

A circulação de pessoas e bens, transportados por veículos de tracção animal, processava-se por azinhagas rasgadas na zona da actual Rua Dr. António Elvas e a actual Rua Ramalho Ortigão, além de que um dos mais antigos núcleos rurais, então, denominado de Vale dos Castanheiros, designação popular que caiu em desuso, pouco tempo depois da fundação “Clube do Vale dos Castanheiros”, do qual o “Clube Recreativo do Feijó” é o seu legitimo herdeiro.

Terra de bons ares, aos quais não era alheia a existência de uma extensa e aprazível mata, pertença do Dr. António Elvas, a sua fama levou-a a ser procurada por elevado número de pessoas que padeciam de doenças pulmonares para se restabelecerem das suas maleitas. A par disso, o referido pinhal era ainda frequentemente utilizado por destacados elementos da oposição ao regime fascista, para, a pretexto da realização de pique niques, efectuarem as suas reuniões clandestinas, sobretudo, depois da ilegalização do MUD Juvenil.

Fruto da pressão demográfica exercida sobre os concelhos da Margem Sul, em consequência da ligação rodoviária entre as duas margens feita através da Ponte sobre o Rio Tejo, a localidade de Feijó registou também uma acentuada expansão urbanística e com ela um exponencial crescimento demográfico, em fundação do qual se encontra entre as mais populosas Freguesias do Concelho.

A sua população escolar ronda os 2.700 alunos, dos quais cerca de 900 frequentam o 1º. Ciclo do Ensino Básico e os restantes, o 2º e 3º Ciclos e o ensino secundário.

Um processo de crescimento urbanístico e populacional gerador de um significativo desenvolvimento económico, reflectido, entre outros aspectos, na criação de um parque industrial não poluente e, mais recentemente, na abertura de uma das maiores superfícies comerciais do país,o Forum de Almada, na qual se instalaram várias dezenas de lojas de diferentes ramos de actividade, diversos cinemas e outros espaços vocacionados para a industria cultural.
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Númeroa da Freguesia:

Freguesia do Feijó
População Residente1: 16 072
N.º de Edifícios1: 2 300

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

LETRAS DE MODAS ALENTEJANAS

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HOJE ACRESCENTAMOS À LETRAS
UM GRUPO QUE A INTERPRETA
QUE É O NOSSO
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GRUPO CORAL E ETNOGRÁFICO
AMIGOS DO ALENTEJO DO
CLUBE RECREATIVO DO FEIJÓ

<.

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Fiz uma cova na areia
Para enterrar minha mágoa
Entrou por ela o mar todo
Não encheu a cova de água

Meu Alentejo querido
Cheio de sol e calor
És meu torrão preferido
Meu Baixo Alentejo
És para nós encantador
És para nós encantador
Embora vivas esquecido
Cheio de sol e calor
Meu Baixo Alentejo
Meu Alentejo querido

cartazes de campanha

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sábado, fevereiro 05, 2005

serões no MONTE DA RIBEIRA

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Ja aqui falei nos Serões no Monte da Ribeira.
Hoje tenho comigo o Zé Batista, que recorda para o nosso Blog, essas noites , quando ele, lia para toda a família, e mais pessoal que por lá passasse ; moirais, como o Tio Branco, os célebres livros do Tio Chico Zé, trazidos pelo filho, Manuel Francisco, e também, outros, emprestados ,de casa da D.Barbara Figueira.
"CARLOS MAGNO E OS DOZE PARES DE FRANÇA" , "JULIA TORDIÊ", "O MOINHO À BEIRA DO RIO" e uma obra , assim tipo-encicliopédia, que versava sobre diversos saberes relacionados com algebra e matemática ( tipo:máximo divisor comum, regras de três simples, de três composta e outras)
Na época, os personagens desses livros , lidos e escutados nos serões, com a mesma emoção e ansiedade com que hoje se vê na TV, episódios das telenovelas, eram faladas e comentadas como hoje se fala da Escrava Isaura da Tieta do Agreste, da Maria do Carmo do "Senhora do destino" ou da Gabriela Cravo e Canela.
O personagem OLIVEIROS do livro "Carlos Magno", o "ROLDÃO", grande herói espadachim invencível, e o FERRABRAZ DE ALEXANDRIA, figura de grande força física, que trepava, escalava, dava pancada, enfim, uma espécie de Rambo da altura, eram o motivo de conversa que se espalhava entre todos, que aguardavam com ansiedade a próxima noite para ouvir a continuação da leitura das estórias.
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"Carlos Magno ficou
certo de que ninguém ia,
disse que mesmo queria
ver quem o desafiou
quando a notícia chegou
aos ouvidos de Oliveiros
que soube que os cavaleiros
não tinham lhe obedecido
ficou bastante sentido
desta ação dos companheiros"

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Leitura que fosse feita hoje , àmanhã já era contada na hora do almoço aos companheiros de trabalho . O primo Manuel, que tinha ouvido a leitura do Zé Batista, logo a tornava a contar no serão em casa da irmã dele, Maria Gertrudes.
O mais amado entre as personagens dos romances, era o OLIVEIROS, a quem se atribuía grande inteligência, bravura e honestidade. Era um grande estratega, na luta contra os turcos.
Também era muito admirada, a JULIA TORDIÊ, marrequinha, , que em Londres, começando por andar a vender hortaliças e fruta com um carrinho de mão, acabara riquissima ao criar uma espécie de cooperativa,e chegando a gerir uma "frota de 1200 carrinhos de mão. Conseguiu mesmo a dominar o comercio da fruta de Londres. Era umas personagem controversa, que tinha os seus defensores entre os ouvintes, que a achavam boazinha. havendo contudo ,quem a considerasse velhaca e exploradora de quem dela dependesse.
Eram assim os serões do Monte da Ribeira.


sexta-feira, fevereiro 04, 2005

preliminares

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Num autocarro, um padre senta-se ao lado de um sujeito completamente bêbado, que tenta, com muita dificuldade, ler o jornal. Com voz empastada,o bêbado pergunta ao padre:
- O senhor sabe o que é artrite?
Irritado, o pároco respondeu:
- É uma doença provocada pela vida pecaminosa e desregrada: mulheres,promiscuidade, farras, excesso do consumo de álcool e outras coisas que nem digo! O bêbado calou-se e continuou com os olhos fixos no jornal.
Alguns minutos depois, achando que tinha sido muito duro com o bêbado, o padre tenta amenizar dizendo:
- Há quanto tempo o senhor está com artrite?
- Eu? Eu não tenho artrite! Segundo este jornal, quem tem é o Papa!


quinta-feira, fevereiro 03, 2005

JÁ NEM OS DA CÔR ACREDITAM

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Consta que.

O SANTANA LOPES, JÁ SÓ CONTA OS APOIANTES DELE NO PPD/PSD, PELOS DEDOS DE UMA SÓ MÃO.

SABEDORIA POPULAR

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-Quem a galinha de EL Rey come magra, gorda a paga
-Quem dá depressa, dá 2 vezes
-Quem esperneia , ainda não morreu
-Quem cospe para cima, na cara lhe cai
-Só vale, quem tem-!!
-Um dia é da caça, outro do caçador
-Em Janeiro, o boi e o leitão engordarão
-Quem azeite colhe antes de Janeiro, azeite deixa no madeiro.
-Em Janeiro sobe o outeiro, se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar.
-Em Janeiro, um porco ao sol, outro no fumeiro.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

ALQUEVA

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POEMA AO ALQUEVA
DE UM AMIGO DO
ALENTEJO
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O alqueva é realidade
Diz o nosso presidente
Sorrindo de vaidade
Com tanta água corrente

Perante tanta fartura
O povo vai perguntar
Com tanta água segura
Não irá faltar o ar

Um lúcio todo enfeitado
Com arrogância dizia
Já não pasta aqui o gado
Vão fazer uma bacia

Por baixo daquele sobreiro
Onde deitei minha amada
Mora agora um achegã
Sem competência para nada

E vejam lá meus senhores
Que tamanha heresia
Moram as putas das carpas
Na campa da minha tia

Poema de PEDRO MELO

segunda-feira, janeiro 31, 2005

31 de JANEIRO, dia do ANTONIO.

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Parabéns ANTÓNIO.
O Monte da Ribeira festeja hoje o aniversário do ANTÓNIO, e nós cá de longe, juntamo-nos aos festejos e lembramos o carinho que temos por ele, e pela importância que significa para a sua família, como gurdião da matriz familiar, que é o seu Monte da Ribeira.

Força António!!!

domingo, janeiro 30, 2005

30 de janeiro, dia do MANUEL BATISTA

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O nosso BLOG assinala hoje o dia de aniversário do MANEL DA ONDINHa, como carinhosamente lhe chamavam os irmãos e irmãs, tendo em conta a sua pôpa.
Hoje é dia de festa no Fogueteiro ,mas também no Feijó.
O mais entusiasmado será sem dúvida o netinho ZÉ FRANCISCO, que lhe vai cantar o PARABÉNS A VOCÊ e a dar-lhe um presente. Não é FRANCISCO?

quinta-feira, janeiro 27, 2005

receitas da deliciosa cozinha alentejana

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MIGAS ALENTEJANAS
COM CARNE DE PORCO.


Ingredientes:

250 gr carne de porco entremeada ;
100 gr toucinho (fatias finas) ;
350 gr pão branco ;
Massa de Pimentão ;
3 dentes de alho esborrachados ;
Água q.b. ;
Sal q.b.
Confecção:

Corta-se a carne em pedacinhos miúdos, temperando com sal, alhos e a massa de pimentão.
Deixa-se ficar durante 1 hora remexendo-os de vez em quando.
Derrete-se o toucinho em lume brando, retirando em seguida e deitando-se a carne com os temperos.
Vai-se fritando em lume brando, mexendo de vez em quando, até ficar loura e guarda-se em sítio quente.
Deita-se água a ferver no tacho, mete-se dentro o pão, cortado em fatias muito delgadas, tempera-se com sal e deixa-se ferver em lume brando mexendo sempre até enxugar.
Vai-se sacudindo o tacho e dando voltas ao pão para ficar como um bolo, com uma capa levemente dourada.
Servem-se as migas rodeadas com a carne frita.
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Este manjar comido ao ar livre, no Monte da Ribeira, é de chorar por mais..

quinta-feira, janeiro 20, 2005

letras de modas do alentejo

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VOU-ME EMBORA VOU PARTIR (A vida de um marinheiro)
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Jurámos amor eterno, branca flor!
Eu parti e tu ficaste, com talento!
Eu voltei com as andorinhas, meu amor
Mas tu nunca mais voltaste, com o tempo
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Vou-me embora, vou partir, mas tenho esperança,
Vou correr o mundo inteiro, quero ir!
Quero ver e conhecer, rosa branca,
A vida do marinheiro, sem dormir!
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A vida do marinheiro, branca flor,
Que anda lutando no mar com talento!
Adeus, adeus, minha mãe, adeus, meu amor!
Eu hei-de ir, hei-de voltar com o tempo!

sábado, janeiro 15, 2005

JÁ NEM OS MACACOS ACREDITAM

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O SANTANA LOPES CONVIDOU-ME PARA O GOVERNO . ENTÃO O GOVERNO NÃO SE DIMITIU JÁ?
JÁ NEM EU QUE SOU MACACO ACREDITO NALGUMA COISA DO QUE ELE DIZ, OU PROMETE.!!!

sexta-feira, janeiro 14, 2005

terça-feira, janeiro 11, 2005

o ZÉ BATISTA está em festa

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HOJE é dia 11 de JANEIRO


Festejamos o dia de aniversário do ZÈ BATISTA.
Ele sabe que todos nós estamos com ele, neste, e em todos os dias.
Mas lá que fazer anos é bom, lá isso é.
E como o Zé tem uma grande família, imagine-se os telefonemas que hoje não teve de atender. Imaginem as lagrimonas que lhe caírão pela face , ao ouvir as vozes das netas a darem-lhe -"Parabéns avô".
E prendas? E doces? E a família reunida?
Pronto , é isso o "dia de anos", por mais que se diga que se fica mais velho, gosta-se sempre de celebrar esse dia mágico.
Parabéns da "Casa das Primas"

segunda-feira, janeiro 10, 2005

sugestão para um cartaz

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Conselho de ministros-tipo, à moda de Santana

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CONSELHO DE MINISTROS-TIPO, NA ERA SANTANA
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Grande barafunda à porta da Sala Nobre onde se reune o Conselho de Ministros (quer dizer, quando o PM não se lembra de o realizar na Guarda, Alpiarça,Freixo de Espada à Cinta, Romarigães, Cabeça Gorda e outras terriolas do País) o Conselho de Ministros.

Os putos, perdão, os Ministros, juntam-se em grupinhos barulhentos no corredor, qual pátio de recreio. Uns contam as últimas gafes do Chefe, rindo-se até às lágrimas, outros "metem o pau" na Manelinha feiosa, outros ainda fazem um "casaquinho" ao Sócrates", e há os que se engalfinham por causa do Sporting-Benfica do próximo fim de semana.
Eis senão quando, toca a campaínha de entrada, sonora, irritante.
Há um ar de aborrecimento em alguns rostos.
O Arnaud, que de cócoras, estava a ganhar "às caricas" contra o Sarmentão, revolta-se:
-"Dâsse", já??, agora que estava a dar uma abáda a este cromo…
O Paulinho, que estava a brincar aos submarinos na banheira, usando um modelo muito estranho da" Toys are us", solta uma sonora imprecação de desagrado (irrevelável) e diz:
-"Ai filha, nem deixam um ministro-de-bem ,brincar aos submarinos em paz. Tenho de ralhar com a bicha-contínuo!!!

Pachola, com aquela bonomia herdada dos tempos dos "Donos da Bola", aparece o Chefe ,com um convite do Lux debaixo do braço, enquanto cede o outro membro superior, ao Bagão Félix, a quem "ouve não-ouvindo", uma arenga pastosa e interminável:
-"Oh Pedro, desculpa este desabajo deste teu amigo mais velho, mas o menino não deve ir à Televisão responder a tudo que dizem do Governo..bla,bla,bla.."
Ao vê-lo entrar dependurado no braço do chefe, alguém susurra com desprezo:
-"Lá vai o "puxa -saco do chefe", baaahhhh!!!
Santana bate com o martelo na mesa e diz sonolento, como quem não quer comer a pápa:
-Vamos lá despachar isto. Para começar alguma sugestão-off-the record?
-"E se transformássemos esta reunião num magusto'", chasqueou o Sarmentão.
-Vamos lá a calar e virar para a frente, ralhou o PM.
-"Organizem-se", choramingou o Bagão com a bagunça.
E o Sarmentão arregagando as mangas:
-"Que maldades vamos fazer hoje?"
-"Bem, hoje vamos colocar nos cartazes a emendar, por causa da néga do Cavaco, a foto do Mourinho no lugar daquele cromo de Boliqueime. Já devia adivinhar o falsete desse senhor, pois ele foi um dos que foi lá à incubadoura dar estaladas no bébé.
(palmas) e (apoiados)
-"Boa, eu cá sugiro que nos vamos outra vez demitir ao Jorge, a Belém, propôs o Gomes da Silva (recém promovido a "valet de chambre" do Homem.
(aplausos) (algumas reticências)
De repente um grande basqueiro:
-"Binóculo", gritou o Sarmentão, após ter dado um grande cachação no pescoço do Guedes da Arrábida, mimando com os dedos em circulo, (o dedão, e o apontador da mão direita ) à volta do olho do mesmo lado.
-"Oh Sarmentão, poça, já lhe pedi para não ter essas rapaziadas comigo. Sou frágil de pescoço, você até parece o Frota com aquelas brutezas desmedidas. Oh homem, contenha-se, vai.", e virando-se para o (in)contestado líder:
-"Olhe já agora senhor PM. Queria um decretito lei que protegesse a minha casita da Arrábida, que afinal defende ecològicamente a serra, (risos) Palavra de honra, tá bem?, E queria também ,antes que nos dispensem ,(risos) que me "descolasse" uma Comenda ou um Colar, de Cavaleiro, claro. Afinal de contas fartei-me aqui de bulir..
-Ai. Ai!!, ouviram-se dois gritinhos.
O Paulinho levantou-se nervoso, esboçando um "não-muito veeemente protesto":
-"Quem é que me apalpou"
(galhofa geral)
-"Deve ter sido o Frota", disse alguém..!!(risos)
E o Paulo:
-"Já agora aproveito", e dirigindo-se ao PM:
-"Agora é "à séria". Tá?
-"Bem, oh Pedro, eu hoje trago aqui um esboço de diploma,que me encomendaram a Cinha e o White Castle, que visará proibir, repito, proibir, o abate da porca Camila e dos 8 bacorinhos da Quinta dos Nossos Amigos, que nasceram num directo, com todos os portugueses a chorar ao vêrem a festa da vida.É até um libelo contra o aborto, não acham?,
(mutos aplausos) (apoiados)
-"É pá, não apareças na Bairrada",…ouviu-se em off.
-"Está descansado Paulo", vou-lhes criar uma Fundação, ou uma Secretaria de Estado, afinal a bicha até tem o nome duma talvez, futura rainha sexónica.
Entretanto, o Ministro Barreto, agoniado e branco como uma cêra, abandona a sala cabisbaixo:
-"Assim não, assim não"
Levanta-se o Mexia.
-"Senhor PM, tenho aqui uma ideia, que acalento desde puto, mesmo, desde a catequese. E se substituíssemos o transito de viaturas e pessoas na avenida da Liberdade ,por elevadores horizontais? O povo ficava mais feliz, pois passaria a andar deitado.!!!
(muitos aplausos, olés e missas cantadas)
-"Bem pessoal", comandou o PM:
-"Vamos terminar por hoje, tenho um chá dançante na Kapital ,daqui a bocado, e por hoje já fizémos muito pelo nosso Povo"

sábado, janeiro 08, 2005

sexta-feira, janeiro 07, 2005

CASTRO VERDE , e os seus grupos de cante

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.."Castro Verde
tem uma mina.."
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Já aqui referimos os GANHÕES e as CAMPONESAS DE CASTRO VERDE.
Hoje temos OS CARAPINHAS.


Criou-se, em Castro Verde, em 27/03/87, uma escola para ensinar a "moda" e o gosto pela nossa maneira de ser, uma possibilidade de as crianças fazerem a aprendizagem dos nossos usos e costumes, fazendo-lhes, simultaneamente crescer a consciência da identidade .
Houve o cuidado de que difundissem , não só a música do Alentejo, mas também,o de mostrar a forma de trajar das gentes da sua região, do seu Alentejo.
Apresentam-se em público vestidos de :apanhadeiras de azeitonas, almocreves, ajudantes de pastor, meninas que vão à escola, ao azeite, meninos que brincam com uma roda, padeiras,pastores, moirais etc.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

DIA DO ELISIÁRIO CANDEIAS

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SALVÉ O DIA 6 DE JANEIRO.
Hoje é dia do aniversário do nosso companheiro ELISIÁRIO CANDEIAS.
Festejamos o seu dia anos e damos-lhe os parabéns, pois fazer anos é sinal de vida, e o Elisiário é dos que gosta de viver.
Consta que vai haver festa rija na Torre da Marinha.
É claro que no domingo, na Casa ds Primas, queremos uma fatia do bolo....

quinta-feira, dezembro 30, 2004

OS MINISTROS DA RIBEIRA DO SADO

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"É lá no Feijó à das primas
...e o Zé Arsénio toca acordeon..."
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ARRANJO DO ZÉ ARSÉNIO
do poema da Canção
AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO.
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OS MINISTROS DA RIBEIRA DO SADO.

Estrá-lá....bomba
e o governo vai ao ar
cai no chão fica todo queimado
não há quem governe mais mal
que os ministros da Ribeira do Sado.
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Os ministros da Ribeira do Sado é que é...
tratam das Finanças
com as unhas dos pés
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Foi num dia bem chalado
o Sampaio chamou o Santana
e disse-lhe está tudo acabado
vai-te embora...meu sacana
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Vai-te embora meu sacana
que já não és capaz
vai-te embora ó Santana
vai-te embora Santanás.
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Vai para a rua vai pr.á rua
que esta casa não é tua

sexta-feira, dezembro 24, 2004

LETRAS DE MODAS ALENTEJANAS

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ALENTEJO ÉS NOSSA TERRA
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Quando o melro assobia
Escondido no silvado
Quer de noite, quer de dia
É tão lindo o seu trinado.
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Alentejo, que és nossa terra
Ai quem nos dera lá estarmos agora!
Para a mocidade,
Com saudade,
De ouvir cantar, como ouvia outrora!.
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Terra bela, tão desejada,
Casas singelas de branco caiadas,
Eu nunca esqueço,
Que fostes meu berço,
Lindo cantinho desta Pátria amada!.
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Quando eu não tinha
Desejava ter
Uma hora no dia
Meu bem p’ra te ver
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.MOREANES É MEU POVO

Os corações também choram
Eu ainda não sabia
Ontem à noite acordei eu
Ao pranto que o meu fazia.
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Moreanes és meu povo
A minha aldeia é Santana
És das terras mais porreiras
Pra cantar à alentejana
Todos cantam lindamente
Desde o mais velho ao mais novo
A minha aldeia é Santana
Moreanes és meu povo.
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Anda cá se tu queres água
Os meus olhos t’a darão
É pouca mas é clara
Nascida do coração
Moreanes és meu povo
A minha aldeia é Santana

quarta-feira, dezembro 08, 2004

O CANTO DO CANTE

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O CANTO DO CANTE

JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO .
Importa ter consciência

Quem nasceu neste território, lidou desde sempre com modas, com cante e com grupos corais. Crescemos a ouvi-los, amadurecemos na sua companhia e por serem de nós tão próximos, não nos apercebemos da sua decadência paulatina, do seu envelhecimento progressivo e porque se banalizou tanto o seu existir nunca nos preocupámos com o seu futuro.
Poucos perderam horas de sono a pensar nesta realidade e menos se deixaram afectar com um amanhã, que está quase aí, quando e onde o cante seja já um resto de memórias agarradas numa qualquer gravação antiga que escutamos ou na raridade de uma interpretação esporádica a que assistimos, vinda de fora e de longe.
Entrados que somos num processo incontrolável de esvaziamento de alentos e de paixão, importa ter ao menos a consciência de que o cante é o nosso património mais valioso, um elemento aglutinador das espiritualidades alentejanas, uma verdadeira argamassa que nos liga a todos e cada um de nós, a um imaginário sócio cultural colectivo e, por essa via, se constituiu como um verdadeiro farol da nossa identidade.
Mas o cante como expressão viva da nossa cultura, está em plena degradação, minguando de dia para dia o número dos seus intérpretes, esvaziando-se de força e de energia, já que os seus actuais baluartes que são em exclusivo – os Grupos Corais , há pelo menos três décadas que vêm envelhecendo sem que tenham logrado conseguir gerar dentro de si mesmos uma dinâmica de renovação.

Temos de ser realistas

Face a este cenário, temos de ser realistas e não podemos tapar a cabeça com a manta!
Muito embora gostemos de nos animarmos a nós próprios, negando sistematicamente o que é mais do que evidente, envergonhados ou sem coragem para acreditar num fim à vista, é forçoso que olhemos séria e conscientemente para o futuro, lutando para arredarmos da nossa frente o fatalismo de vermos os Grupos caírem, um a um, como as folhas das árvores caem desamparadas no Outono.
A nossa capacidade de acomodação às circunstâncias é grande e por isso ainda vamos aguentando, apesar de tudo, o actual panorama sem grande sofrimento.
Mas se fizermos um esforço de concentração e nos distanciarmos, recuando no tempo, todos concluiremos que eram incomparavelmente diferentes há trinta anos atrás, no visual, na força, na garra e na própria interpretação, qualquer um dos Corais que ainda temos.
O cante de hoje, na óptica da dinâmica dos seus interpretes, é pois, uma sombra daquilo que já foi.

A quantidade é uma ilusão

Por isso, é ilusório fazermos as contas ao número de Grupos inventariados e concluirmos que ainda rondam a centena.
Na sua grande maioria, esses mesmos Grupos estão abalados, têm poucos elementos, falta-lhes estrutura, não têm organização, não têm iniciativa, têm pouca voz, em suma, arrastam-se agarrados ao bordão da vontade de não desistirem.
Por outro lado, os grupos corais infantis que alguns anos atrás surgiram como uma esperança de ressurgimento do cante, pouco a pouco foram sucumbindo e deles quase nada resta.
Paralelamente, os grupos corais femininos que nos últimos anos vieram dar um novo ímpeto ao nosso movimento coral, reduzem-se quase todos à valia das iniciativas em si mesmas e subsistem escorados na força de vontade de meia dúzia de mulheres que teimam em não baixar os braços nem calar a sua voz.

É alarmante

Perante este quadro, temos de rotular como alarmante o estado actual do Cante Alentejano e consequentemente, como eminente, a perda irreparável da fatia mais preciosa da nossa memória colectiva.
E não se trata de falso alarme o que aqui dizemos, nem muito menos, poderá ser uma visão pessimista da nossa realidade.
É antes, a real constatação de um estado de debilidade provocada por um somatório de factores negativos e adversos que empurraram para um beco quase sem saída o nosso movimento coral, pensando no modo como sempre o perspectivámos e idealizámos.
Nunca sonhámos com um Alentejo cantado por três ou quatro afamados Grupos Corais.
Sempre nos batemos pela vulgarização do gosto pelo cante de modo a que a organização, o surgimento e a manutenção de grupos corais em vilas e aldeias fizesse parte e fosse a expressão natural e saudável do nosso estar colectivo.
Mas o silêncio vai-se impondo e em sua antecipação começa a medrar o mal estar, motivado pelo desconforto que resulta da incapacidade de se cantar como sempre por cá se fez.
Uma semana vêm poucos ao ensaio e não se canta.
Na outra semana por uma razão qualquer não se ensaia.
Na outra semana discute-se e não há ensaio.
Menos, cada dia aparecem menos homens e mulheres a formar.
Grande parte dos Grupos não acaba só por falta de coragem de se lhes ditar a morte efectiva, mas a tristeza senta-se todos os dias ao lado dos cantadores e desfila com eles nas arruadas, até que chegue a altura do homem da chave deixar de ir abrir a porta e as vozes dispersarem e logo a seguir emudecerem.

O cante está abandonado à sua má sorte

Se chegámos a este estado, se perdemos a alegria de cantar, se nos faltam as forças para cadenciar no presente, a culpa reside no estado de abandono a que foi votado o cante.
Dada a sua génese rural, o seu futuro tenderia a ser difícil, numa sociedade cada vez mais urbana e onde, por razões de ordem sócio- cultural se rejeitam os estigmas ligados a situações de pobreza, de sofrimento e até de algum aviltamento vividos pelas gerações antes da nossa.
Mas após a ruptura política verificada em setenta e quatro, todos podíamos e devíamos ter crescido, do ponto de vista intelectual, pelo menos o bastante para dissociarmos o cante do trabalho duro e a moda da pobreza.
Podíamos e devíamos ter assumido o cante como nosso, repositório de memórias, coração de um peito grande que é a nossa cultura.
Mas assim não foi.
Os políticos da esquerda aproveitaram-se e os de direita demarcaram-se dos Grupos. Mas, nem uns nem outros, inscreveram o cante na prioridade das suas preocupações.
Distribuíram as côdeas que até já vão negando, às bocas pouco exigentes dos corais.O miolo do bolo foi e continua a ser distribuído por outros folclores, com outros artistas, com mais gabarito e de maior rentabilidade nas estatísticas eleitorais.
Isto do cante, é coisa de gente pobre que não é esquisita nem reivindicativa. Se saírem de vez em quando, a passear e bebendo uns copos, não precisam de mais . E o cante, propriamente dito …que graça tem aquilo?
Por isso, os serviços sócio-culturais das Câmaras e os seus vereadores e os seus assessores, nunca perderam muito tempo idealizando soluções para retirar dos braços da morte, há muito tempo anunciada, os corais dos seus concelhos.
Relvaram-se campos de futebol, fizeram-se parques desportivos, alinhavaram-se dezenas de planos de actividade, organizam-se milhentas semanas culturais com orçamentos pesados, mas para o cante faltou sempre a vontade de intervir de molde a proporcionar aos Grupos os meios e os afectos de que eles careciam para viver.

Talvez já seja tarde

Perante este cenário, só a MODA- Associação do Cante Alentejano, poderá desenvolver iniciativas e continuar a apostar e a acreditar no futuro dos Grupos Corais.
Talvez já seja tarde, mas é sempre ocasião de recusar a aceitação deste estado moribundo em que o cante mergulhou.
Deve a MODA multiplicar-se em contactos com os corais, abraçando e acalentando as energias ainda disponíveis, incentivando as vontades ainda de pé, motivando os intérpretes mais arredios, imprimindo organização e qualidade a quantos existem.
Deve também a MODA projectar-se de mil modos, em busca de protagonismo, para que a sua voz possa ser ouvida e respeitada.
Tem de ganhar o estatuto de parceiro cultural, alicerçando o seu poder reivindicativo na valia do cante e, em especial, no espectro dramático daquilo que seria o Alentejo sem os seus cantares, trazendo para o seu seio todos quantos sentem e vivem esta terra na plenitude dos seus valores e como tal recusam admitir tal eventualidade.
Cabe à MODA a ultima esperança de podermos estancar uma sangria velha que conduziu os nossos Grupos a um estado de debilidade já insuportável por mais tempo.
Paralelamente, impõe-se que todos os que ainda sentem a chama da cultura mãe a cerrarem fileiras em torno da defesa intransigente do nosso património mais valioso, mas também em perigo de ruína maior .

domingo, dezembro 05, 2004

sábio chinês

..
Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado.
Ele vira-se para o chinês e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, quando o seu vier cheirar as flores!!!

sexta-feira, dezembro 03, 2004

QUE FAZER à Lei da Rendas, à das SCUTS, à da Segurança Social, à Central de Comunicações Estatal

...
AGORA QUE O GOVERNO SANTANA LOPES CAÍU...

A NAU CATRINETA,última versão

..

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
.
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar
D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
.
Razando o Cabo Espichel
eram três da madrugada
armou-se um bruto granel
num canto junto à amurada
.
Mas o que é que motivara
toda aquela confusão?
O que fôra que gerara
gritaria até mais não?
.
O calafate-arquiteto
que ordenara proibir
passar por baixo de um teto
que ameaçava ruir
.
Era o teto da passagem
de um corredor estreitinho
usado p'la marinhagem
para encurtr o caminho
que desde o convés levava
bem ao fundo do porão
vejam o transtorno que dava
fechá-lo do pé para a mão!
.
..."Ide chamar D. Mexia...
-vociferava a horda irada -
...queremos esta porcaria
quanto antes arranjada!"
.
.."Quanto antes? Ora essa!
que pescam disto vocês?
fazendo bem e depressa
no mínimo demora um mês!"
.
..."Que ninguém tente passar
se houver quem desobedeça
está sujeito a levar
com o teto na cabeça!"
.
"...A culpa de tal estado
foi do nosso Capitão
que ali no salão ao lado
fez um buraco no chão
quando uma certa vez
teve uma ideia bué estranha:
ligar o salão Marquês
com a saleta Saldanha...
.
...Ao desatar à mocada
no duro chão de carvalho
a vibração provocada
fez este belo trabalho!...
.
...Não escutou o engenheiro
tal a sua obsessão
e foi mais um sapateiro
a querer tocar rabecão!...
.
...Aqui o vosso parceiro
só vê uma solução:
usar a sala Areeiro
que tem escada p'ró porão!"
.
Após nova gritaria
e apupos a Santanás
eis que surge D. Mexia
e o capitão logo atrás
.
"...Ora vamos lá a saber
o que se passa afinal!
falai que quero entender
a causa do cagaçal!...
.
...Triste sina a que me segue
"encosto" um bocado e záz!
Já um homem não consegue
dormir uma sesta em paz?...
.
Mais uma vez vos pergunto:
Qual é então a razão
qual o motivo, o assunto
>>de mais esta confusão?"
.
"...D. Santanás, Senhor Nosso
-exclama um na molhada -
a razão deste alvoroço
é que a malta está lixada!
.
O que vos deu, capitão?
p'ra sacardes da marreta
e fazer um buracão
no chão da Nau Catrineta?
.
O que fosteis arranjar!
Vós só fazeis é cagada!
agora temos que dar
volta e meia na amurada!"
.
...Se fossem inteligentes
conseguiam alcançar
mas como são uns dementes
lá vou ter que explicar!
.
Representas os canalhas
agitador comunista?
Pensarás que és o Carvalhas
ou o Louçã Bloquista?
.
Sabede que antes de El-Rei
fazer de mim Capitão
nos sítios onde passei
em tudo o que puz a mão
No Sporting, na Figueira,
na Câmara da Capital
arranjei sempre maneira
de deixar o meu sinal
.
Se prestassem atenção
seus marujinhos da treta
achariam a razão
porque agarrei na marreta
é a sina que eu abraço
p'ra lá de outras desgraças
meter tudo onde passo
num buraco do caraças!

quinta-feira, dezembro 02, 2004

QUE SIRVA DE VACINA

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Santana ultrapassou o "máximo de Peter". Revelou finalmente a sua falta de arcaboiço político, intelectual e humano.

A sua "superficialidade", as suas limitações técnicas e incapacidade de coordenação, conseguiu resistir vinte e tal anos sem se revelasse em toda a sua crueza. Não foi por acaso que foi dos poucos (muito poucos) candidatos ao mestrado que chumbaram . Quem se candidata a "mestre" , em qualquer Faculdade, é por príncipio bom aluno, que prepara a sua "tese" com muito estudo, muito trabalho, e muito conhecimento. Santana apresentou-se na área de Direito Constitucional perante um juri presidido pelo insigne Prof. Jorge Miranda , e no dia da discussão , face à sua fragilidade de conhecimentos foi reprovado. No dia seguinte veio para os jornais afirmar que tinha sido um "chumbo político".
A sua falta de capacidade foi notória, já na Câmara de Lisboa, mas atingiu o zénite, nesta sua desastrada passagem por Primeiro Ministro.
Nunca num só Governo havia coexistido tanta mediocridade, sendo que , a solução encontrada por Jorge Sampaio há 4 meses, acabou por ser ajustada, pois assim, ficámos todos a saber o que não queremos. Foi uma espécie de vacina, que espero seja suficiente para que os próximos tempos, não voltemos a ter uma epidemia tão dolorosa, e que tantas sequelas vai deixar.
Disse isso desde o primeiro minuto, após ouvir a decisão do Presidente da Republica, em Julho últomo. Afirmei então, que o PSD deveria continuar por mais algum tempo a fazer as asneiras que vinha fazendo, com o Santana Lopes seria ainda pior, pois tal serviria como vacina em futuras eleições.
A falência do Portugal SA do Durão, que desenhou um país à imagem duma empresa, no qual nós cidadãos, um dia, correríamos o risco de ser despedidos...!!!,teve esta adenda exemplar. Tomara que tenhamos todos aprendido

sexta-feira, novembro 26, 2004

PROVÉRBIOS

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-Quem tem rabo de palha, não chega perto do fogo
-Quem vai dar, leva um saco para trazer
-Quem tem boca não manda soprar
-Quem tem padrinho não morre pagão
-Quem semeia abrolhos, espinhos colhe
-Quem perfuma o porco, perde o cheiro e o juízo
-Quem mexe o angu, sabe a dureza que ele tem
-Quem furta pouco é ladrão, quem furta muito é barão
-Onde não há, perde el-rei
-Bezerro enjeitado, não escolhe teta
-Quando o nal é de morte, o remédio é de morrer

CADA MACACO NO SEU GALHO

..
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Estava um homem a guardar ovelhas, quando repentinamente, por um carreiro inóspito, lhe aparece o Eng.º montado num tractor 4x4 último modelo, todos os extras, CD com MP3 incluído, vestido com fato Hugo Boss e sapatos DKNY óculos Kalvin Klein. Aproxima-se do velho pastor e diz-lhe:
"Senhor, se eu determinar o número de ovelhas existente no seu rebanho, ganho uma?"
Assombrado, o velhote concordou. O Engº dirige-se ao 4x4, saca de um Toshiba Tecra 8000 com 1024 MB de RAM, liga-se à
Internet por GSM, faz download de uma base de dados de 300 MB, entra numa página da NASA localizando por satélite a região exacta onde se encontra o rebanho. Executa uma média histórica da massa de uma ovelha Merino mediante uma tabela dinâmica de Excel, com a execução de algumas macros personalizadas em Visual Basic, obtém um diagrama de fluxo, e ao cabo de 3 horas responde ao velho:
"Você tem 1347 ovelhas no seu rebanho, e provavelmente 4 estão grávidas."
O velho assentiu, e disse-lhe que podia levar a ovelha. Quando o outro já estva para partir, o pastor chamou-o e perguntou:
"Ouça, se eu adivinhar onde você estudou, e que curso, devolve-me a ovelha?"
O Eng.º executivo sorriu e respondeu:
"Claro, claro", enquanto continuava a preparar o tractor para partir.
"O senhor estudou Gestão de Empresas na Universidade Católica".
Foi a resposta imediata do pastor. O outro desceu do carro e, espantado, perguntou-lhe como sabia isso.
"É fácil", respondeu o pastor. "Por 4 razões. Primeiro, pela sua ganância. Segundo, porque apareceu sem que eu o tivesse chamado. Terceiro, cobrou por me informar de algo que eu já sabia. E, por último, por que você, na verdade, não percebe nada do negócio. Agora, se não se importa, DEVOLVA-ME O CÃO!

sexta-feira, novembro 12, 2004

O BALDÃO

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O CANTE DO BALDÃO

Em volta de uma mesa sentam-se os cantadores, normalmente juntinhos e sobre a mesma dispõem-se os copos e coloca-se o mais. Buscam posições, procuram parceiros, trocam olhares fugidios, disfarçadamente miram a aparência dos concorrentes, tossem, pigarreiam, limpam a garganta, passam sugestivamente a mão pelo pescoço e invariavelmente lamentam-se pela sua fala que hoje para nada presta.
Tenho estado tão constipado ... se calhar até nem canto, é o costume dizerem.
Mas cantam sempre, é uma desculpa adiantada para qualquer falho ou para iludir os outros se eles se fiarem nas queixas.
Entretanto, todos se aconchegam, ajeitando-se nos lugares para darem largueza ao tocador. E a campaniça começa a retenir a moda da marianita do princípio ao fim. Sempre assim foi e assim será. Tal como o rumo das cantigas, segue obrigatoriamente o percurso inverso ao sentido dos ponteiros do relógio. É um preceito. Uma regra que ficou estabelecida desde o início deste cante para que cada vez que se juntam não tenham de estar a preocupar-se com os pormenores da volta.
Mas depois dos primeiros acordes, os olhares fixam-se na boca e os sentidos nos dizeres do cantador que é o mão. Cresce a tensão, aumenta o desejo, redobra o frenesim e o silêncio do principiante é insuportável. O tocador que já percorreu a moda ponto por ponto então sustem-se, já não abala, pisa as cordas com os dedos esquerdos e desata a repetir a chamada com a unha acrescentada do polegar direito fazendo soltar à viola ganidos de impaciência. Chegados aqui, o cantador já sem saída, ganha fôlego, fecha os olhos, enterra a boina e lá vai.
Lançada a primeira cantiga, as demais já se sucedem sem tanto receio, naquele dito rodar às avessas do tempo.
Enquanto a vez não chega, matina-se na cantiga seguinte, debica-se no petisco e vazam-se os copos. Pouco se fala para não entreter, para não fazer fugir o tino e a rima.
E aos dizeres dos cantadores os outros respondem no flagrante só com incontidos acenos de cabeça ou piscadelas de olho furtivas.
Quando chegar a sua vez logo ripostam se for caso disso e se a habilidade lhes bastar. São regras, são preceitos.
O cante depois começa a buscar-se a si próprio, engendra um fundamento, tem de encontrar um rumo. E a poesia fervilha, repentista, cortante, às vezes marota. De tudo se trata, ali tudo se diz, rimando, com uma musicalidade e uma entoação que nos transportam longe.
Os cantes são desafios à imaginação, à inspiração e à resistência. Duram horas a fio, sempre sem quebras nem pausas, penetram pelas madrugadas como se o tempo a cantar não contasse.
O tocador nada lhes diz, ouve-os, olha-os, de quando em vez deixa escapar um sorriso. Os outros levantam-se nos intervalos da sua vez quando precisam de despejar o bebido, mas o mestre aperta-se, sustem-se, para não quebrar a magia que a viola e o rodopiar das razões geram em volta da mesa.
Discutem mil assuntos, acertam contas antigas, mas filosofam invariavelmente acerca da valia da honra, do dinheiro, do ferro, do ouro, do campo e da serra.
Que saber o seu, que arte a deles.
Do fundo de tal tempo, guardam a memória de cantares antigos, de génios andantes que de feira em feira ganhavam sustento e acrescentavam a fama.
Derivado do despique este cante arreigou-se nas fraldas da serra*, ali se forjou e ali perdura, alimentado pela seiva de gentes ricas em valores tradicionais e senhores plenos da sua identidade.
Readquiriu, recentemente, grande fôlego esta expressão vocal e poética tendo os seus intérpretes voltado a sentir brio na sua arte. O baldão furtou-se a uma morte anunciada e ganhou alma, alento, adeptos, ouvintes, apreciadores. Tem, presentemente, tudo o que é necessário para vencer o esquecimento e continuar a cantar-se no sentido inverso ao dos ponteiros que marcam o ritmo dos dias.

José Francisco Colaço Guerreiro


CANTE ALENTEJANO

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O CANTE ALENTEJANO
As origens do Cante continuaram a dividir as opiniões, onde era talvez esta a questão mais polémica relacionada com o Cante. Queriam uns que as suas raízes estivessem na fusão das polifonias arcaica e clássica dos séculos XII e XV com influências do chamado « Fabordão » ( sistema popular de improvisação ). Para outros a influência dominante seria o árabe, onde o Alentejo foi a região que mais preservou as influências dessa cultura. De influências árabes ou gregorianas, certo era ser o Cante, nas palavras do Padre António Mourão, a perfeita imagem do Povo Alentejano, no seu quotidiano, durante séculos, e que se manteve viva, em toda a sua beleza sentimental e nostalgica, que embalou a sua gente, a fez trabalhar, cantar, chorar, sofrer, rezar e morrer, numa epopeia bem digna da pena de um povo, ainda que rústico ou épico.
OUTROS CANTES
Para além do Cante, outras formas folclóricas floresceram no grande Alentejo.
Entre elas as mais significativas foram sem dúvidas as saias, as cantigas ao despique e o cante ao baldão.
SAIAS
Implantadas em toda a zona interior do Alto Alentejo, as saias eram ao mesmo tempo um canto e uma dança. De carácter mexido, atrevido, e por vezes mesmo brejeiro, o jeito alegre e descontraído das saias propiciavam um contraste flagrante com a simplicidade austera e melancólica do Cante. Ao contrário deste, exclusivamente polifónico, as saias incluíam uma variedade considerável de instrumentos musicais.
As saias exerceram profunda influência sobre a generalidade de grupos de música popular, mesmo os das zonas do Cante. A confluência das influências destes dois tipos de folclore, , resultou no aparecimento de grupos hibridos, anatemizados por alguns, mas alcançaram bastante sucesso a nível nacional. Um dos exemplos pode ser mesmo a moda de « O Passarinho » lançado pelo Grupo de Cantadores de Portel, e que foi um sucesso de vendas em todo o País, e que nada tem de tradicional.
CANTE AO BALDÃO
O santuário do Cante ao Baldão era sem dúvida nas zonas de serras entre os concelhos de Ourique e Castro Verde. Servido e acompanhado da viola campaniça,
o Cante ao Baldão era também ele uma manifestação musical popular única.
Assistir ao balão , na Feira de Castro, é um dos momentos mais altos da romaria do terceiro fim de semana de Outubro.
É sobre o Baldão que se segue um artigo do José Francico Colaço Guerreiro.

quarta-feira, novembro 10, 2004

ADEUS Ó FEIRA DE CASTRO

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ADEUS, OH FEIRA DE CASTRO!

Colaço Guerreiro

Vem do tempo em que a poesia e os ditos envolviam e amenizavam a vida madrasta desta gente quase toda que por aqui nascia, labutava e perdurava até se lhe acabar o existir.
Quando nada havia, para além dos gemidos contidos nas vidas apertadas, as vozes e os cantes erguiam-se e esbracejavam inconformados com o vazio, estendendo-se pelos horizontes de limites indefinidos, em busca de uma largueza inexistente, na essência de cada qual, só conseguida e cimentada num movimento colectivo, fosse ele murmúrio ou moda, fosse enterro ou adjunto.

E por isso, as feiras tinham uma magia que galvanizava os imaginários, onde a solidão entontecia nas voltas dos carrosséis, os olhos abriam-se para os passantes todos e embriagavam-se de novidades, das vistas das coisas não tidas, mas assim possuídas por instantes breves.
A barafunda contrastava com a monotonia dos dias e excitava os desejos mais profundos de animações, de contactos e de afectos negados no quotidiano.

Quando tanto se poupava, sabia bem a extravagancia de uma nesga de polvo assado, da compra de uma flaitinha, de uma plica mais grave, de um cabresto enfeitado, de umas guisadas estridentes.

E fazia bem à economia familiar, vender-se um gadinho, desempatar algumas das mantas tecidas durante o ano inteiro, peugos, cestos, cadeiras ou cajados feitos sem fazer conta ao tempo.Os da terra apuravam uns tostões vendendo barrigadas de água, alugando argolas de manjedoura ou cedendo espaços nas suas casas feitas quartel ou pousada.

Por isso, chegado o Setembro, quando o sol começava a entrar no declínio outonal cortando mais baixo a travessia do dia, a efervescência acendia-se aqui e nas redondezas.
Ainda faltava mais de um mês e a propósito de nada já se dizia que cheirava a feira de Castro. Tudo servia para lembrar o adjunto.
“Vê lá se dás notícia de passar por aí o caleiro que eu preciso de comprar umas arrobas de cal para derregar, porque tenho o pote lá por aí abaixo e daqui a pouco quero começar a caiação, porque não tarda os quartos de um cão, está aí a feira” - recomendavam as vizinhas umas às outras, muito antes de se começarem as ver pelas ruas as escadas empinadas contra as empenas e os vassouricos manobrando na alvura das paredes, enquanto rente ao chão, as que menos podiam faziam os baixinhos.
Depois, à medida que o tempo ia passando, a chuva ou o estio, entravam nos cumprimentos em forma de adivinhação, em concordância de prognóstico ou não, mas acabando sempre com um vamos lá ver, pode ser que não tenha dúvida.
Se caíam uns pingos e as formigas de asa, moles e tontas, apareciam trepando às paredes para depois caírem, aumentava o murmúrio, mergulhava-se numa tristeza colectiva, porque a feira ia ser molhada.
Se a lua levava círculo, se o vento vinha do lado do caldeirão, se as maravalhas penduradas nas paredes se encolhiam, se os ladrilhos mudavam de cor, se as badaladas do sino da igreja se ouviam de modo diferente, se os ossos doíam, se a ferrugem da chaminé se desprendia, se à tardinha o astro se punha de certo jeito, era mais que certo, tínhamos o tempo mudado.
O bom era que chovesse, umas cargas boas aí umas semanas antes da feira. Dava outra vida, porque aumentava a esperança de termos um arraial melhor, acrescentado com o viço dos campos que começavam a esverduengar e das searas também abicando, prometendo boas pastagens para a borregada e boas fundalhas para os celeiros. Vinha ainda a tempo de segurar as bolotas e de engradecer as azeitonas.
Desgraça era se o estio se prolongava até Outubro, sem um bico de erva nos campos e com as semeadas empoeiradas ainda sem um bago de trigo agalhotado.
Antevia desgraça e os gastos na feira eram mais contidos. No lugar três, só se comprava uma panela de barro, em vez de umas botas novas tinha de se ver se as velhas ainda seguravam umas trombas, em vez de um chapéu novo usava-se o desboto, em vez de uma prenda para o enxoval da filha casadoira, levava-se só uma nesga de torrão de Alicante. Contendo até ao limite do nada o gosto inigualável de vir à feira e enfeirar muito mais que um rábano, um cartucho de azeitonas massanilhas e um litro de fava assaria para enterrar dali a semanas.
Mas desnoca maior era quando nas vésperas da feira os céus se rompiam e do ar caíam esgarrões de água sem conta, enchendo barrancos, esvarjando ribeiras, fazendo das estradas atasqueiros e do largo da feira um mar de lama.
Os feirantes sumiam, os ciganos desarvoravam e um ano inteirinho de expectativas e sonhos gorava-se, numa decepção imensa, sem diversão nem proveito, sem registo de prazer, excepção feita para os cantadores do despique e do baldão porque esses, chovendo ou ventando, permaneciam nas barracas durante três dias a fio, agarrados às cantigas, tasquinhando castanhas e emborcando copinhos de medronho.



quarta-feira, outubro 27, 2004

POEMAS DE MARIANA

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POEMA ESCRITO PELA
MARIANA , QUANDO
TINHA 9 ANOS DE IDADE

.
A MELANCOLIA DE OUTONO

As folhas caiem
como gotas de cristal
as folhas navegam
num mar de poeira
.
É o Outono que já chegou
os riachos correm lentamente
as cascatas correm dos montes altivos
beijam a água dos lagos
e mergulham para sempre

As lagoas reflectem um céu nublado
o Sol atrás das nuvens
parece querer dizer-nos
pra nos consolar:
-Esperem pelo próximo Verão

Lá voltarei a brilhar

CONSELHO DE INISTROS OU CONSELHO DE REDACÇÃO???

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CONSELHO DE REDACÇÃO OU DE MINISTROS???!!!
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Agenda da reunião do Conselho de Ministros:
Grelha de Programação da RTP 1 para Quarta-Feira.

Morais Sarmento - Vemos então, caros colegas, preparar hoje a grelha de Quarta-Feira da RTP 1. Cada um faz as suas propostas.
Rui Gomes da Silva - Eu quero o Domingo Desportivo.
Santana dá calduço a Gomes da Silva
Santana Lopes - O Domingo Desportivo não pode ser à Quarta, ó Amélia.
Rui Gomes da Silva - Porquê?
Maria do Carmo Seabra - E se convidássemos gente gira, sei lá. Gente que se destacou em qualquer coisa, sei lá.
Morais Sarmento - Mas tem alguma ideia?
Maria do Carmo Seabra - Sei lá.
Paulo Portas - Devia ser uma coisa mais sóbria. Uma parada militar. Se há problemas com dinheiro, já tenho patrocinador: as pastilhas Gorila.
Santana Lopes - Seeeeeeca!!!
Bagão Félix - E porque não a repetição da Eucaristia Dominical.
Santana Lopes - Seeeeeeeca!!!
Bagão Félix - Pronto, ok, pode ser o Preço Certo em Euros.
Álvaro Barreto - As saudades que eu tenho da TV Rural.
Santana Lopes - Seeeeeeeca!!!
José Luís Arnaut - Os donos da Bola, pode ser os donos da Bola?
Santana Lopes - Não é mal pensado.
Morais Sarmento - Isso vai ser a segunda parte do telejornal, já está decidido.
Maria João Bustorff - Eu acho que podíamos ter um programa de entrevistas a pessoas da área da cultura. Aquele da Ana Sousa Dias, que dá no canal 2.
Santana Lopes (em segredo para Morais Sarmento) - Quem é esta freirinha?
Morais Sarmento (em segredo para Santana Lopes) - É a da cultura.
Santana Lopes (em segredo para Morais Sarmento) - uuuuui. E essa Sousa Dias? É nossa?
Morais Sarmento - Não sei. Ó Gomes, essa Sousa Dias é nossa?
Rui Gomes da Silva - Estou a ver isso aqui nos meus papeis. Pelo menos não está na lista de assessores. Mas ainda me faltam verificar 240.
António Mexia - O McGiver é que era. Uma coisa cheia de explosões, estão a ver?
Luís Nobre Guedes - Posso ser eu o bom?
Álvaro Barreto - Tirem-me este gajo da frente.
Luís Nobre Guedes - Olha, olha, quem está mal muda-se. E se fosse um programinha de bricolage e arquitectura?
Rui Gomes da Silva - Por mim, continuo a achar que o melhor era o Domingo Desportivo.
Morais Sarmento - Ó Rui, vai lá abaixo comprar-nos uns cafés. E não fales com estranhos, por favor. Leva a Maria do Carmo.
Santana Lopes - Pessoal, o Sampaio está muito interessado nisto. Sabem que desde que se retirou da vida política que vê muita televisão. Por isso, vamos atinar
Morais Sarmento - Passamos alguma coisa à hora da tua sesta?
Risos
Santana Lopes - Engraçadinho! Tive uma ideia genial: vamos passar um programa que se chame "Contraditório". Uma coisa com um gajo da oposição sempre disposto a engolir sapos. Podia ser o Sousa Tavares. E depois uns gajos que representassem a direita livre e independente. Podia ser o Luís Marinho, o que está na RDP, o Luís Delgado e o Carlos Magno. O que acham? É mortaaaaal, como dizia o outro.
Morais Sarmento - Já fiz isso na Antena 1.
Santana Lopes - Bolas! É que não consigo ter uma ideia. Estou com sono. Vou mesmo dormir uma sestinha.

sexta-feira, outubro 08, 2004

CAMINHOS DO MONTE DA RIBEIRA

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No mês de Maio, quem toma o caminho que leva do Monte da Ribeira à do Testa, encontra estas espantosas paisagens, lindas de morrer...

Espantado com tanta beleza, comecei a fazer imagens, quer fotográficas, quer captadas pela minha câmera de filmar, sofregamente, e soltando adjectivos cada vez mais eleborados:
Que espanto!!!
Fantástico!!!
Olhem para esta côr!!
O António, logo me invectivou:
-"Sabes o que é essa flor amarela? Não sabes, claro, estes senhores de Lisboa..ahahah!!
-"Isto tão bonito são pimpilhos, homem, que destroiem as sementeiras."
Enbora aceite a reprimenda dum homem que necessàriamente tem que valorizar o elemento prático, não posso deixar de "gritar" o meu espanto, o meu agrado, por tão enorme beleza:

Registo aqui, e convido todos a irem na Primavera a este local espantoso:
Xaminho entre o Monte da Ribeira e o do Testa.

quinta-feira, setembro 30, 2004

MONTE DA RIBEIRA , o brazão de uma família unida

..

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O Monte da Ribeira tem a importância para a família Colaço, de um brazão, de um ícone, de uma matriz. pois foi construído com o esforço dum pai de 9 filhos, como se edificasse com amôr, cimento, sabêr, suor e tijolos, a estrutura forte da sua numerosa família.
Pisar o seu chão, sentir os seus cheiros. respirar o seu ar, tem para os descendentes do José Batista Colaço e da Felicidade Lúcia, o significado de tocar, de sentir, as suas origens , as suas raízes.
E é assim com uma emoção renovada, que sempre que revisitam o "Monte", os filhos, netos e bisnetos , revigoram a sua pertença, fortalecem os seus laços, se sentem mais integrados, mais uns dos outros.
Recordam a sua meninice, repetem relatos das suas traquinices, lembram as suas brincadeiras, as doces reprimendas da mãe Felicidade, as estórias e os ensinamentos do pai José, tudo, aquele local, aquela casa, lhes trás à memória.
Coube ao António, o mais novo dos rapazes, a orgulhosa missão de guardião do símbolo físico da Familia, do seu brazão, e para isso muito trabalhou, muito batalhou, conseguindo-o com o suor do seu rosto, com o sacrificio de um homem talhado para vencer.
Relembro o poema que já antes se publicou, e que nos fala dos serões desta "casa", deste "Monte".:
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MONTE DA RIBEIRA - SEUS SERÕES

A estória que vou Contar,
Vem cheia de recordações,
leva-nos todos a lembrar
do Alentejo os seus serões

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À beira daquelas brasas,
todos juntos à lareira,
comendo chouriço e favas,
lá no Monte da Ribeira
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Os irmãos todos reunidos,
Contavam estórias d.encantar
faziam-se queijos, também enchidos,
adivinhas, renda e às s cartas jogar.

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"Princesa d.Austria", sua linda estória.
"A totinegra do moinho"
Muitos contos de memória,
contava ti Chico Paulino.
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"Carlos Magno" contava o Zé,
o tio Branco, contos sem rima,
"Os dois Castelos","Cabra cabrez"
dizia então o Ti Jesuína
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Vinham amigos de longe e de perto,
do Pardieiro, do Forno da Cal,
também do Testa, dos Porteirinhos,
Ti Chico da Mina, qu.era o moiral
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Aqui fica para a história,
do Alentejo , o seus serões,
Que não nos sáia da memória,
pr.alegrar nossos corações

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sexta-feira, setembro 24, 2004

PRELIMINARES

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Depois das conferências do dia, muitos colegas médicos encontram-se no Bar
do hotel.
O álcool ajuda à extraversão e alguns contam as suas últimas conquistas
científicas.
O australiano começa:
- Tivemos um fulano que foi atropelado e a única coisa intacta que tínhamos
era o seu dedo mindinho.
Pois, a nossa equipe conseguiu, pelo DNA, refazer a mão, um novo braço, um
novo corpo! O paciente ficou tão capacitado ao ter alta, que tirou o emprego
de cinco pessoas!
- Isso não é nada! - Diz o americano.
- Nós tivemos o caso de um operário que caiu no reactor atómico de um
central nuclear! A única coisa que sobrou dele foi um cabelo.
Pois pelo DNA dele conseguimos reconstituir completamente todo o seu corpo.
Depois de ter alta, esse sujeito mostrou-se tão eficiente que cinquenta
pessoas perderam o emprego!
O português pede a palavra:
- O caso que vou contar é muito mais interessante: um dia em que eu estava a
andar pelo hospital senti o cheiro de um "traque"
Imediatamente, eu o capturei num saco que levei até o laboratório. Chamei
minha equipe e começamos a trabalhar. Primeiro, a partir do "traque", fizemos
um ânus, em seguida reconstituímos o intestino, e depois, pouco a pouco,
todo o corpo, por fim o cérebro. O projecto desta criatura foi chamada
SANTANA LOPES e está a ter um desempenho tão fantástico que milhares de
pessoas vão perder o emprego!!!


terça-feira, setembro 21, 2004

O NOSSO BLOG, TAMBÉM NOS ESTADOS UNIDOS, ISNT.IT JIMY?

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Quando no Verão de 1992 estiveram de férias entre nós, o João a Benedita o Jim e a Maria joão, tivémos oportunidade de os melhor conhecer e após alguns dias de convívio e alguns passeios juntos, por Sintra , Évora entre outros sítios ,

, ficou no ar uma mais sólida amizade e o som das gargalhadas do Jimy. Ainda hoje ao rever as imagens que então recolhi, me demancho a rir,ao revê-lo em plena marginal do Estoril, após termos saído do Casino, a comer e
a dar tremendas gargalhadas ,reveladoras da satisfação que sentia e do sentido de
humôr que a todos contagiava.
Alem de que, tendo o Jimy e a Maria João ficado na nossa casa do Feijó, a ela ficaram "ligados" para sempre, pois a filha mas velha de ambos, nove meses depois nasceu... É a eles que hoje me dirijo, convidando-os a participar no nosso Blog, quer lendo-o de quando em vez, quer enviando escritos seus, sobre a sua experiência nos Estados Unidos , quer sobre as suas memórias do Alentejo.
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Now Jimy, I.m talking to you. First of all ask Maria João to translate the above periods, but , besides , I.ll be plesead, if you will decide to join us, writing something to our Blog, about your own land, or, your experince in Portugal, or even, reading (through your wife help) our Blog.
Can we have your cooperation? Sure you will