sábado, junho 26, 2004

TRILOGIA DE MANUEL BATISTA COLAÇO

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PUBLICA-SE AGORA O
II POEMA DA TRILOGIA

de
MANUEL BATISTA COLAÇO
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NOMES DE MULHERES
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Maria, Rita, Mariana
Cristina, Dulce, Joaquina
Isabel, Carlota, Ana
Constância, Lucrécia, Sabina
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Angela, Heloisa, Alice
Aline, Angélica, Arçete
Barbara , Beatriz, Bianca
Bruna, Camila, Elisabete
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Cândida, Clara, Constância
Dalva, Daniela, Berenice
Débora, Denise, Dora
Dóris, Eliane, Clarice
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Érica, Enice, Eva
Fabiana, Fátina, Florência
Fernanda, Flávia, Flora
Floriana, Helena, Hortência
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Hermínia, Iara, Inês
Isabel, Isadora, Ivone
Jéssica, Júlia, Jurema
Karen, Lúcia, Simone
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Milena, Natália, Natércia
Nina, Nívea, Marina
Olga, Paloma, Patricia
Rebeca, Renata, Regina
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Samanta, Sandra, Silvia
Tânia, Teresa, Rosana
Mónica, Vanessa, Vera
Verónica, Valéria, Tatiana
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Câncida

sexta-feira, junho 25, 2004

QUEM QUER RESPONDER??

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CONCURSO DO NOSSO BLOG
PARA DIVERSÃO E CONHE-
CIMENTO.
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A primeira questão é especialmente
dedicada ao pequenino Zé Francisco
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1 - ESTA BANDEIRA É DE QUE PAÍS?

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A - KAZAQUISTÃO
B - ARMÉNIA
C - AFEGANISTÃO
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2 - EM QUE SÍTIO DO ALENTEJO
EXISTE UM MONUMENTO A BATALHA
DE OURIQUE?
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A - SENHORA DE ARACELIS
B - ENTRADAS
C - SÃO PEDRO DAS CABEÇAS
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3 - QUANTOS REIS MOUROS FORAM DER-
ROTADOS POR DOM AFONSO HENRIQUES
NA BATALHA DE OURIQUE?
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A - 5
B - 7
C - 6

POEMA AOS MOTORISTAS DA LISNAVE

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PRIMEIRO DE UMA TRILOGIA
DE POEMAS
de
MANUEL BATISTA COLAÇO
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AOS MOTORISTAS DA LISNAVE.
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I
Bento, Bolinha, Adão
Andrade, António, Albertino
Azevedo, Batista, Vitorino
Coelho, Colaço, Encarnação
Cabrita, Brito,Abílio
Candeias, Canto, Edilio
Cardoso, Carlos, José da Luz
Carmo, Cartaxo, Vitorino
Pinto, Correia, Lino
Costa, Dorindo, Cruz
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II
Edison, Fachadas, Vaz
Espírito Santo, Drago, Vieira
Falamino, Fernandes, Pereira
Falcão, Fidalgo, Tomas
Fitas, Figueiredo Rogério
Fonseca, Francisco, Tibério
Freitas, Gabriel, Constantino
Freire, Galhós, Eduardo
Gonçalves, Carvalho, Ricardo
João Pereira, Jacinto, Adelino
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III
Carvalho, Lopes, Castelinho
José da Silva, Lebre, Figueira
José Marques, Lourenço, Moreira
José Martins, Luciano, Coucinho
Joaquim Pedro, Curto, Furtado
M.Marques, Maia, Amado
Mateus, Silva, Alegria
M.Freitas, Martins, Moutinho
Matos, Meleiro, Martinho
Belo, Mendonça, Zé Maria
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IV
Milfontes, Miranda, Horácio
Viegas, Nunes, Espinhal
Passos , Patricio, Vidigal
Pedro, Teles , Inácio
Pombo, Procópio, Tomé
Reis Robalo, António José
Teles, Tavares, Vizinha
Sousa, Silva, Humberto
Balagueira, Victor, Alberto
Santos, Valente, Farinha

sexta-feira, junho 18, 2004

A LENDA DAS MOSCAS

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CONTINUAMOS A DIVULGAR
LENDAS E MITOS DE
CASTRO VERDE

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Mitos e Lendas de Castro Verde
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A LENDA DAS MOSCAS

... Uma vez, viajava Nossa Senhora por um caminho que não conhecia, quando encontrou um maioral de vacas, deitado à sombra de uma frondosa azinheira, a dormir regaladamente a sua sesta; perto de si, à sombra de outras árvores folgava tranquilamente a manada. Nesse tempo, a mosca não atacava as vacas, atacava só as ovelhas. Estas por causa disso não pastavam com sossego, nem deixavam descansar o pastor.
Nossa Senhora, dirigiu-se ao vaqueiro e humildemente pediu para que este lhe
indicasse o caminho que desejava seguir. Este, que estava a dormir profundamente,
despertou mal humorado e disse:
-“Então a Senhora acorda-me para uma coisa dessas?... Eu não lhe posso indicar o
caminho porque não tenho vagar!... Estou na hora do descanso e preciso dormir. Siga
o seu caminho e mais adiante encontrará o maioral das ovelhas, que não tem vagar
para estar sentado, porque elas não param, por causa das moscas... ele que a ajude!...”
Nossa Senhora agradeceu desculpando-se por ter incomodado o homem e seguiu o
mesmo caminho. Mais adiante avistou o infeliz pastor, que de cajado em riste, ajudado
pelo cão, procurava em vão reunir as ovelhas à sombra, de modo a ter tempo para
comer e descansar um pouco. Nossa Senhora, chegou perto dele e pediu-lhe que a
ajudasse a encontrar o caminho que havia perdido. O pastor sentia-se cansado, sem
que o gado lhe desse tempo para se sentar um pouco, mas com bons modos
respondeu à Santa Senhora, sem saber com quem falava:
-“Ó minha senhora, com muito agrado lhe ensinava o caminho, mas eu não dou conta
do gado!... “
A novo pedido, o homem não foi capaz de recusar a auxiliar a senhora, convicto de
que quando voltasse não encontraria aí as ovelhas...
Mas, ao regressar, ficou agradavelmente surpreendido, quando as viu todas à sombra.
Feliz com a coincidência, foi comer e descansou um pouco. E como o gado continuou
tranquilo, pensou:
-“Vou mas é ver o meu amigo vaqueiro e dar uma léria que há muitos dias que não o
vejo”... Foi, mas ao chegar ao local onde esperava encontrá-lo com a manada ficou
admirado por não o ver; vacas e vaqueiro, tinham desaparecido. Intrigado com o caso,
foi procurá-lo e avistou-o à distância a correr atrás das vacas, que com a mosca só
queriam fugir.
Foi o castigo sofrido, em consequência da sua maldade.
O vaqueiro, foi obrigado a pensar que ninguém deve fazer mal desejando que lhe
venha por bem... e as vacas, ficaram as grandes vítimas da mosca, na Primavera

POESIA DO ALENTEJO

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Alentejaninha

Atão moça, aonde vás
Que tás tam bonita?
Ora...vou a aldeia...
Que arranjei um pé de meia
Vou comprar qualquer coisita.
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Olha... podias-me fazer um favor!
Eu dou-te aqui um dinheirito,
Compravas-me lá um panito
Queste já tem bolor!
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Tá bem ó ti Manel...
Mas tem que se despachar,
Senão logo faz-se noite
Inda tenho muito c'andar.
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Ó Maria... vai-te embora
Nam testejas a empatar,
Mas leva aqui uma boxita
Pode a fome ta pertar.
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Ó ti Manel... ti Manel,
Eu vou-me demorar pouco,
Nam vai ser preciso...
Vou num pé, venho no outro.


da POETISA ALENTEJANA
BIA

quinta-feira, junho 03, 2004

IDAS AOS BAILES

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De JOSÉ A.BATISTA COLAÇO
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IDAS AOS BAILES
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Idas aos Bailes


Numa altura pelo Carnaval, quando eu tinha dezanove anos, andava a querer namoriscar uma miúda muito gira ali para os lados do Brengelinho, onde havia um grande baile de Carnaval. Mas o Inverno estava bastante rigoroso, chovia muito, faziam grandes trovoadas, muito vento e a água cai por vezes com grande intensidade, logo o vento rasgava as nuvens, parava de chover e a lua aparecia como se fosse de prata e iluminava tudo em redor de nós.
Nesse dia resolvi ir ao baile, apesar da ameaça duma grande tempestade, que se adivinhava pelo rugido do vento e o negrume das nuvens que vinham do lado do Norte.
A minha mãe dizia para eu não ir, mas eu como andava com aquele desejo de namorar com a miúda, sempre fui.
Depois de fazer o meu serviço e deixar tudo tratado para o trabalho do outro dia, saí de casa pelas vinte horas, já com um escuro de breu - era noite cerrada.
Dei ar na roda da bicicleta, que estava um pouco vazia ( era uma bicicleta de travão de alavanca, que correspondia aos 4x4 todo o terreno que conhecemos actualmente ).
Passei pela estrada do Forno da Cal, passei o Porto do Seixo com a bicicleta às costas por cima das passadeiras e quando cheguei ao barranco da horta do Madraço ouvi uns ruídos e comecei a ter medo, pois constava que os malteses iam dormir no monte velho que se encontrava em ruínas e abandonado.
Saí para fora da estrada e meti-me pelo mato dentro.

Deixei a bicicleta e fui mais para o pé do barranco e abriguei-me atras dum chaparro grande que estava inclinado sobre o barranco. Como diziam que andavam lobos por aqueles sítios, os cabelos começaram a pôr-se de pé e eu tremia com medo, pois se os lobos aparecessem ali esfomeados, o mais certo era eles me comerem. Tentei acalmar um pouco e pensei. Só tinha uma maneira de sair disto...era subir para cima do chaparro e ficar por lá até vir a manhã. Assim fiz. Subi ao chaparro até a uma altura em que pensei que já não houvesse perigo... a uns dez metros. Mas havia outro inconveniente, as pernadas do chaparro aí , já eram muito delgadas e com o grande vendaval que se formou e com a chuva que caía, eu sentia-me mal seguro e resolvi ligar-me á pernada com o meu próprio cinto... apertei bem a fivela e já me sentia mais seguro, pois não tinha medo do vento me fazer sair do esconderijo, pois estava bem atado.
Pressenti algo estranho... dois homens aproximaram-se do chaparro e um disse para o outro – “ É neste chaparro que ele está.”. Eu fiquei estarrecido, só não caí porque estava amarrado ao chaparro com o cinto. Nisto, começaram a fazer uma cova mesmo debaixo de mim no fundo do barranco. Eu tremia de medo, de frio. Já tinha a roupa toda molhada e arrependia-me de não ter tomada os conselhos da minha mãe... eu jurava que não me meteria em mais aventuras por causa das moças... eu estava desesperado.
O vento soprava mais forte e a água caía mais fria. O meu pé escorregou da pernada e eu não caí ao chão por estar preso com o cinto. O vento calou um pouco e eu ouvi um dos homens dizer – “...a cova já tem profundidade suficiente.”.
As noite estavam tão escuras que eu mal via os homens lá embaixo. Foi nesta altura que o homem que parecia ser o chefe, perguntou – “Quem é que vai lá em cima desamarrar o gajo? ”. Aquele instante pareceu-me uma eternidade, sem saber o que fazer, atado como estava ao chaparro, não tinha qualquer hipótese ; foi então que me enchi de coragem e gritei com toda a força que me restava:
- NÃO É PRECISO VIR CÁ NENHUM, QUE EU MESMO VOU JÁ PARA BAIXO!!!

Os dois homens deixaram as paz e enxadas caídas no chão e cada um desapareceu no mato. Eu sentia as forças a faltarem-me, a chuva caía agora com mais força, o vento rosnava naqueles montados, o que impedia que mesmo que eu gritasse por socorro, ninguém me poderia ouvir. Veio uma rajada de vento mais forte, enrolou a copa do chaparro e eu tive a sensação que ia ser projectado para longe, senti um frio tão forte pela espinal medula. Creio que desmaiei por momentos. Quando dei por mim tinha os pés na forca das pernadas, e agora, já tinha condições de poder desapertar a fivela do cinto e sair daquela situação embaraçosa, mas as minhas mãos estavam tão geladas que quase não obedeciam aos estímulos fracos que vinham do meu cérebro. Apelei para todas as minhas forças e consegui soltar-me da pernada do chaparro, mas estava completamente exausto. Descansei um pouco para retemperar as energias.
O vento quase que se tinha calado, as nuvens rasgaram-se, a lua apareceu por entre elas a iluminar os montados, o carreiro molhado batido pela luz da lua brilhava e reflectia uma luz brilhante para o céu.
Foi nessa altura que eu acompanhando essa luz mágica, olhei para cima e vi um metro mais acima que a minha cabeça, os pés de um homem que estava enforcado no dito chaparro. Agarrei-me com mais força à pernada do chaparro, fechei os olhos, tive medo, chorei e comecei a acalmar e compreendi o que estava a acontecer.
Os malteses tinham brigado, tinham morto aquele homem e penduraram-no no chaparro até vir a noite para depois o enterrarem no fundo do barranco da horta do Madraço.
Veio uma rajada de vento mais forte, a pernada do chaparro deu um estalo, lascou até á forca mais próxima, e eu caí no chão...nesse momento acordei e... acabei o sonho, ou o pesadelo!!!

sexta-feira, maio 28, 2004

AS CAMPONESAS DE CASTRO VERDE

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O cante alentejano, cujas origens se confundem e mergulham no canto gregoriano segundo uns ou nas profundezas do espírito árabe no entender de outros, é o traço cultural mais vincado do Povo que entre o Tejo e a serra algarvia vive na largueza dos horizontes.

Canto polifónico, de letra singela, deixa à melodia quanto se pretende transmitir. O sentimento que sobressai nas vaias prolongadas, impõe-se como queixumes contidos disfarçando mesmo alguma alegria que os dizeres possam sugerir.

Cantava-se à ida para o trabalho, no trabalho e depois do trabalho sempre colectivamente. Começa um ponto, um alto levanta a moda, canta depois o coro, em uníssono como junta as fraquezas para fazer a força que lhes concede o prazer do brado que se ouve mais longe.


Quando há meio século o cante passou a ser ensaiado e gerado em Grupos Corais, já sem carácter expontâneo, já com propósitos distintos do cantar porque apetece, assistiu-se à marginalização das vozes femininas.

As mulheres ficaram de fora, as mulheres calaram-se porque o seu estatuto, a sua condição e o seu papel não permitiam que andassem em Grupos a cantar em público por aqui e por ali.

E isto aconteceu durante décadas em que o silêncio das vozes delas constituía uma afrontra e uma perda que não se podia prolongar sob pena de a nossa Cultura passar a ser meia verdade.


Assim, em Março de 1984, sob a égide da "Castra Castrorum" - Associação de Defesa do Património Natural e Cultural do Concelho de Castro Verde, um grupo de mulheres quebrou o medo e a mudez, formando um Grupo Coral Feminino que logo em Junho desse mesmo ano obteve o primeiro lugar no concurso do traje que se realizou em Beja.

Desde então, têm-se multiplicado as actuações do Norte ao Sul do País, levando, qual embaixada, o testemunho fiel da nossa Cultura genuína.

As modas que cantam resultam de aturadas pesquisas em que se montam, peça a peça, sílaba a sílaba, versos esquecidos, estilos perdidos e costumes abandonados na pressa imposta pela corrida atrás do "progresso".

Entretanto, contra a corrente, enfrentando os ventos adversos como todos os que ousam, em Castro Verde um grupo de mulheres afirma-se elevando-se individualmente e arroga-se colectivamente o direito de defender a sua Cultura cantando de novo as modas que há muitos anos atrás cantavam na ida para o trabalho, no trabalho e depois do trabalho.

quarta-feira, maio 19, 2004

OS MALTESES

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OS MALTESES PERCORRIAM O
ALENTEJO DOURADO, SEMPRE
PROCURANDO ONDE COMER E
DORMIR
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"Maltêz significa natural da ilha de Malta,
ou cavaleiro da Ordem de Malta.
Contudo em Portugal, sobretudo no Alentejo,
não se sabe bem porquê, atribuiu-se o nome
de maltês, a mendigos de passagem, índividuos
mal encarados, "homens desprezíveis". A pala-
vra maltês, é quase sempre empregada com sen-
tido prejurativo"

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As condições de vida no Alentejo, por meados do sec XX, eram muito penosas, e o número de pessoas sem trabalho fixo, ou mesmo, sem nenhum trabalho, era muito elevado, sendo a única possibilidade de sobrevivência, a esmola.
Parte desses homens que andavam de Vila em Vila, de aldeia em aldeia, e até de Monte em Monte, eram denominados malteses.
Ao contário dos ciganos, que chegavam a permanecer num sítio, por vezes, uma semana; os malteses, esses, nunca dormiam no mesmo sítio mais que uma noite, circulando sempre, entre os locais onde sabiam ter certa uma esmola, quase sempre em alimentos, como sopas de pão aletejano , migas, etc, etc.
Na região Castro-Almodôvar, os malteses circulavam, por exemplo, entre o Pereiro, o Barrigão, Monte-Gordo (ao pé do Rosário), Várzea da Fôrca, São Marcos da Ataboeira, Torre Vã, Do Testa, etc. etc-
No Do Testa, os senhores de terras da Casa Grande, instituíram mesmo, aquilo a que chamavam a Casa da Malta, ou Casa dos Pobres, onde diàriamente permitiam que os malteses pernoitassem, fornecendo sacos que estes enchiam de palha apanhada na eira, no monturo, e também lhes davam o jantar:
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"Olhem lá, vâo ali para o pé
da casa, quando soar a corneta,
venham, que têm uma sopa que
lhes damos
"
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diziam os da Casa Grande aos malteses que iam chegando dos caminhos.
O Tio João Guerreiro, maltês de São Marcos da Ataboeira, que andava sempre com uma concertina, por vezes, ficava mais de um noite, animando os serões com as suas modas e as suas estórias e ditos.
Os senhores de terras tinham vantagens em ajudar os malteses, pois, estes. eram gente pacata que não roubava, aceitando de boamente o que "generosamente" lhes ofereciam, e até defendiam a propriedade com a sua presença.
Um dos principais protectores dos malteses, (além do já falado, Senhor da Do Testa) era o José Nobre da Torre Vã. Era tal o Poder do fazendeiro que, todo o maltez que se acoitasse na Torre Vã, sentia-se protegido até da própria GNR, e dizia-se, que quem não queria ir à tropa, ia trabalhar para as terras da Torre Vã.
Alguns dos malteses passavam frequentemente no Monte da Ribeira. O Blé Careto, que era de Almodôvar, chegava a fazer pequenos serviços, como arranjar paredes, muros, "porteiras" e outros trabalhos.
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"Oh Tia Felicidade, hoje venho cá
almoçar, arranjei ali uma parede
...."
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Mas para ser maltês, havia que adquirir alguns conhecimentos básicos, como contava o Tio Abílio, no dizer do Zé Batista;
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"Havia como que um verdadeiro curso de maltês. Era
tirado na Marateca, e lá os "candidatos", aprendiam
a jogar o pau, e fazer migas, atiçando uma fogueira
debaixo da Ponte. Diz a lenda, que eles só estavam
preparados, quando atiravam ao ar as migas, e as
apanhavam, correndo com a frigideira para o outro
lado da Ponte
"
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terça-feira, maio 18, 2004

TRANSMISSÃO EM CADEIA

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colaboração de
JOSÉ A.BATISTA COLAÇO
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A comunicação, clara e segura
é de enorme importância, espe-
cialmente na tropa. Imagine-se
o que teria sido a perturbação
de uma transmissão mal entendida
:
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DIZ O CAPITÃO AO SARGENTO:
-"Vai haver àmanhã um eclipse do sol. Mande formar a Companhia em farda de trabalho na parada, onde explicarei o fenómeno que não acontece todos os dias. Se chover, não se verá e deixe a Companhia na caserna"
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o SARGENTO TRANSMITE A ORDEM AO FURRIEL:
-"Por ordem do nosso Capitão, àmanhã vai haver eclipse do Sol em farda de trabalho. Toda a Companhia forma na parada, onde o nosso Capitão dará as explicações, o que não acontece todos os dias. Se chover o eclipse na caserna."
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O FURRIEL DIZ AO CABO:
-"O nosso Capitão vai fazer um eclipse do Sol na parada se chover, o que não sucede todos os dias, não se vê nada; então o Capitão,dará a explicação em farda de trabalho na caserna."
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ENTÃO ,O CABO TRANSMITE A ORDEM AOS SOLDADOS:
-"Soldados, àmanhã, para receber o eclipse que dará a explicação sobre o nosso Capitão em farda de trabalho, devemos estar na caserna onde não chove todos os dias.
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POR FIM, COMENTÁRIOS ENTRE OS SOLDADOS:
-Amanhã, se chover, parece que o capitão vai ser eclipsado na parada. É pena que isso não aconteça todos os dias...

-"

sexta-feira, maio 14, 2004

DITOS , PROVÉRBIOS E POEMAS DO ALENTEJO

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AINDA DA RECOLHA DA PÁSCOA,
PUBLICA-SE HOJE ALGUNS
POEMAS E PROVÉRBIOS


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-A semente que se paga mais depressa , é a da língua
-Custa mais um mosquito no olho, do que pedra no sapato.
-Natal na rua, Páscoa no fogo
-Guarda pão para Maio e lenha para Abril, que não sabes o tempo que há-de vir
-No dia de São Matias emparelham as noites pelos dias, e correm as bogas pelas setias.
-Se não chover em São Braz, tarde a verás
-No mês de Abril, vai a velha onde há-de ir, e ainda volta ao seu covil.

POEMAS POPULARES.
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As moças da minha aldeia
Vão todas mijar à rua
dizem umas às outras
a minha é maior que a tua
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(dita por tio Pereirinha
pastor do Forno da Cal
)
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Não invejo o que é teu
carros e lindas parelhas
só me inveja as tuas botas
pr.a coleira das ovelhas.
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Pobre humilde mas sou
sincera para toda a gente
os abastados às vezes
mentem aquilo que sentem
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Não tenho amores nem quero
vivo assim muito bem
não dou e nem recebo
repreensões de ninguém
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Menina da saia azul
de casaquinho encarnado
diga lá por cantigas
quem é o seu namorado.
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O nome do meu amôr
trago na palma da mão
o nome do meu amado
a ti não te digo não.
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Contrária minha contrária
vamos fazer um contrato
eu fico com a pessoa
tu ficas com o retrato.

sexta-feira, maio 07, 2004

CASTRO VERDE E OS SEUS GRUPOS DE CANTE

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CASTRO VERDE tem 3 grupos de cante,
hoje falamos de um deles "OS GANHÔES
DE CASTRO VERDE"
:

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O cante dos Ganhões de Castro Verde é um hino à vida no Alentejo. O grupo nasceu em 1972 da restruturação de uma formação anterior. Em 1975 gravaram o LP "Castro Verde é Nossa Terra". Em 1980 gravaram o LP "Os Ganhões de Castro Verde" e ganharam nesse ano o 1º prémio do 1º Festival de Coros Alentejanos. Em 1993 gravaram o seu 1º CD, que foi considerado pela crítica especializada como o melhor disco de música étnica. Em 1993 participaram no Festival Internacional de Música Folk de Vancouver (Canadá). Em 1998 gravam o 2º CD, denominado de "É Tão Grande o Alentejo". Em 1999 participam no álbum "Primeiro Canto" de Dulce Pontes e integram a digressão nacional da cantora durante o Verão de 2000. Em Agosto de 2001, participam no Festival Internacional Glatt & Verkerht, na Áustria, onde abrem o espectáculo dos Madredeus, e são aclamados pelo público e pela comunicação social.

quarta-feira, maio 05, 2004

RECOLHA DE POESIA POPULAR

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QUANDO SE JUNTAM À
VOLTA DE UMA MESA
LOGO SURGEM MEMÓRIAS
DE POEMAS DITOS EM
BAILES, AQUI SE PUBLI-
CAM MAIS UNS QUANTOS

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Eu julgava que o amôr
era só mangar e rir
um dia fui experimentar
até me tira o dormir
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Não me inveja de quem tem
carros, parelhas e montes
só me enleva quem bebe
água em todas as fontes.
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Algum dia pra te ver
punha-me à porta da rua
agora já dou dinheiro
pra não ver a sombra tua
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Algum dia pra te ver
pulava sete quintais
agora pra não te ver
pulo sete e pulo mais.
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Amôr palavra tão doce
mas tão má de traduzir
amôr é como se fosse
lá longe a estrela a luzir

Ó ZÈ APERTA O CINTO

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CASA-DAS-PRIMAS, publica hoje
mais um trabalho de ZÉ ARSÈNIO

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do Grupo Zé Aperta o Cinto
(a ser cantado com a música
de "As Meninas do Sado").
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Já ...lá..vai mais um aumento
está tudo a aumentar
eu já não aguento
quando é que isto vai parar
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Hó...Zé aperta o cinto
Hó Zé aperta bem
o cinto bem apertado
Hó Zé fica-te também
.
Hó Zé fica-te também
o cinto bem apertado
ó Zé aperta o cinto
aperta meu desgraçado
.
Eu já estou todo chalado
já passei do sentido
de tanto apertar o cinto
já tenho cinto partido.

domingo, maio 02, 2004

TIO ANTÓNIO JESUÍNA ,DIZ POESIA

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Quando eu ia para a Semblana
vi um vulto na fronteira
enganei-me que era falso
saíu-me uma travisqueira
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Pulei leve que nem gato
pr.a cima duma azinheira
lá passei a noite inteira
vendendo cerol barato
capaz de alagar a beira
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Ó besta de raça do diabo
que eu não sei onde me tenho
que não te acolha o rabo
pra fazer um cedenho.
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Tanta passada que dei
à busca sem te achar
e abalei pró Carrascal
que era a minha obrigação
carregando sacos todo o dia
e não comia ração.
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O maroto do aguadeiro
que até lhe chamam brejeiro
pôs comigo num lameiro
que ia sendo uma desgraça
e se alguém por lá passa
quando eu me estava erguendo
o que havia de ir dizendo
sempre são bestas de má raça.
.
Levem-me prá arramada
dá-me uma mão cheia de folha
uma fina e outra grossa
mais das vezes não é nada
pr.a cima lá vai varada
e o burro do diacho não come
se o sustento é a pancada
façam lá isso a um homem.
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Poema do Tio ANTÓNIO JESUÍNA

sexta-feira, abril 30, 2004

PROVÉRBIOS POPULARES ,em quadras,por ZÉ ARSÉNIO

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ZÉ ARSÉNIO mostra-nos hoje
alguns provérbios e quadras
populares

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SABEDORIA E FILOSOFIA DO POVO
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Moça que o Povo eleva
Não perde tempo à janela
Sardinha que o gato leva
Perdida estará ela
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Não é por mais Madrugar
Que nos erguemos mais cedo
Quem desdenha quer comprar
Quem tem cú também tem medo
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Não há Galo nem Perú
Que não tenha o seu Entrudo
Quem quer Peixe molha o cú
Quem tem uma Mãe tem tudo.
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Quem espera,,,desespera
Lá diz o velho Ditado
Eu passei a vida à espera
E fiquei desesperado
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Quem muito tem muito vale
E quem nada não se afoga
Quem os pariu que os embale
Quem tem poder não roga

ZÉ ARSÈNIO

LENDA DO MILAGRE DA BATALHA DE OURIQUE

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A CASA-DAS-PRIMAS, publica hoje
um texto das LENDAS DO ALENTEJO
sobre a LENDA DO MILAGRA DA BA-
TALHA DE OURIQUE, que de resto,
está amplamente dicumentado em
azulejo, nas paredes da Igreja Matriz
de CASTRO VERDE


CAPELA DE SÃO PEDRO DAS CABEÇAS

Lenda do milagre da Batalha de Ourique
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Conta a lenda que a batalha de Ourique decorreu no concelho de Castro Verde, mais propriamente em São Pedro das Cabeças. Esta batalha foi o momento decisivo da independência do pequeno condado portucalense e que, no fim da peleja, Afonso Henriques foi aclamado pelos combatentes como rei.
Era noite. Véspera da batalha. Nos dois arraiais os guerreiros tentavam descansar.
Nas coloridas tendas mouras o movimento fora intensíssimo durante todo o dia. De cinco reinos haviam chegado homens aguerridos, decididos a não deixar progredir o pequeno exército dos cristãos. Tinham vindo muitos de Sevilha e Badajoz para se juntarem à hoste composta por gente de Elvas, Évora e Beja. Diz-se mesmo que tinha vindo gente de além-mar.
Durante o dia, não tinha havido descanso para ninguém. Os alfagemes afiaram alfanges, adagas, pontas de lança. As setas tinham sido cuidadosamente vistoriadas e guardadas nas aljavas. Os velozes alfarazes da cavalaria moura tinham tido ração suplementar e agora relinchavam respondendo aos puros-sangues árabes dos grandes senhores que, impacientes, esperavam pela acção, pelo combate. Enfim, era noite e a
algazarra que pairara todo o dia sobre o arraial esmorecera um pouco e só se ouvia como que um zumbir de moscas.
No acampamento cristão também agora pairava um como que silêncio, em comparação com a azáfama que se vivera de dia. Também os ginetes de guerra estavam prontos e impacientes; também as espadas tinham sido afiadas; os peões haviam experimentado as bestas para que tudo corresse como desejavam. Os guerreiros descansavam nas tendas, recostados em leitos improvisados com as peles dos animais mortos lá mais ao norte, nas selvas que bordejavam as suas tenências e propriedades.
Também Afonso Henriques estava recostado na sua tenda. Dera ordem aos escudeiros para que ninguém o incomodasse, a menos que a urgência fosse extrema. Não conseguia dormir. Pensava na batalha que haveria no dia seguinte, na enorme cópia de gente moura que se ajuntara contra a sua minúscula hoste. Corria até que o exército árabe tinha uma ala de mulheres guerreiras... Mas, era necessário vencer... Deus se encarregaria de mostrar ao infiel o seu poder pelo braço dos guerreiros.
Neste balanço se encontrava Afonso I quando o apanhou o sono. E nesse estado de semi adormecimento apareceu-lhe, como que em sonho, um ancião. Fez sobre ele o sinal-da-cruz, chamou-lhe escolhido por eus e alertou-o para a batalha. Entretanto, um pequeno ruído á cortina da tenda fê-lo acordar soressaltado: era um seu escudeiro que vinha dizer-lhe que estava ali um velho que queria falar-lhe com muita urgência.
Estupefacto, Afonso Henriques viu, na penumbra, surgir-lhe diante dos olhos, bem
despertos, o velho do sonho de há pouco:
- Tu, outra vez? Quem és afinal, ancião? O que me queres?
- Quem sou não interessa... Acalma-te e ouve o que venho dizer-te da parte de Jesus, Nosso Senhor: daqui a uns instantes, quando ouvires tocar os sinos da ermida onde há já sessenta e seis anos vivo, deves sair do arraial, só e sem testemunhas. É isto que ele manda dizer-te!
Antes que o guerreiro pudesse abrir a boca, o velho desapareceu na noite, sem deixar rasto.
Daí a instantes, soou, efectivamente o sino da ermida e Afonso Henriques pegou na espada e no escudo, com gestos quase automáticos, e saiu da tenda embrenhando-se na noite, sem destino, só, como lhe fora recomendado pelo velho.
Subitamente, um raio iluminou a noite e de dentro dele saiu uma cruz esplendorosa. Ao centro, estava Jesus Cristo rodeado de anjos. Afonso Henriques, ajoelhado, deixou-se ficar boquiaberto, sem saber o que dizer, sem se atrever a quebrar o instante, até que dentro de si ouviu Jesus dizer-lhe:
- Afonso, confia na vitória de amanhã. Confia na vitória de todas as batalhas que empreenderes contra os inimigos da Cruz. Faz como a tua gente que está alegre e esforçada. Amanhã serás rei.
Apagou-se o céu e a visão celestial desapareceu, como viera.
No dia seguinte a batalha foi terrível. Os mouros eram aos milhares e avançavam ferozmente contra os guerreiros afoitos de Afonso Henriques. Ao primeiro embate muitos homens caíram ao chão trespassados pelas lanças. Puxou-se então por espadas e alfanges e a planície foi invadida por um tinir de ferros misturados com a gritaria de toda aquela imensa multidão e os relinchos doloridos dos cavalos feridos e moribundos.
Durante muito tempo, foi um verdadeiro inferno.
Os guerreiros cristãos, porém, levaram a melhor. Em breve, os mouros sobreviventes fugiram pela planície fora, deixando o solo pejado de corpos mutilados de cadáveres e moribundos. Do lado cristão também eram muitos os mortos e feridos, mas os sobreviventes proclamavam a vitória gritando excitados:
- Real! Real! Por Afonso, Rei de Portugal!
Diz a tradição que nesse momento, e em memória do acontecimento, o rei pôs no seu pendão cinco escudos, representando os cinco reis mouros que havia decapitado e consequentemente derrotado. Pô-los em cruz, pela cruz de Nosso Senhor, e dentro de cada um mandou bordar trinta dinheiros, que por tanto vendera Judas a Jesus Cristo.
Nas mais belas igrejas de Castro Verde- Nossa Senhora dos Remédios e a Basílica Real, pintura e azulejos, não deixaram morrer a lenda de que Cristo teria aparecido a D. Afonso Henriques, antes da famosa batalha.
Relembre-se que "Campos de Ourique" era a denominação de uma vasta região, que incluía a zona de Castro Verde, e terá sido por isso que a batalha passou à história com esse nome. Além disso, foram encontradas numerosas ossadas e muitas caveiras separadas dos respectivos esqueletos, o que poderia ser explicado pela dureza da
batalha.

terça-feira, abril 27, 2004

PROVÉRBIOS

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PROVÉRBIOS
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Mais alguns, recolhidos em pleno Monte da Ribeira:
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-Abril frio, pão e vinho
-Dia de São Lourenço, vai à vinha e enche o lenço
-Em Janeiro pergunta ao parceiro
Em Fevereiro recoqueiro
Em Março três e quatro
Em Abril enche o covil
Em Maio passarinho em raio
Em Junho tamanho de punho
Em Julho e Agosto espigando ao rosto

domingo, abril 25, 2004

QUADRAS SOLTAS

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O nosso BLOG, regista com muita
satisfação as primeiras colaborações
do ZÉ ARSÉNIO, de quem hoje se
publica o Poema
:
-
QUADRAS SOLTAS
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Dedicadas ao Alentejo

Alentejo...Alentejo
As costas te vou virando
minha boca vai sorrindo
meu coração vai chorando
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Ceifeira que andas à calma
à calma ceifando o trigo
tem cautela não ceifes
o sonho que trazes contigo
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Alentejo...Alentejo
onde a loira espiga dança
desde a charneca à campina
muitas marés de esperança
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Não há poeta que diga
por muito que dissesse
cantar o Alentejo
de tudo o que ele merece
.
Se fôres ao Alentejo
não leves vinho nem pão
leva teus braços abertos
para abraçares teu irmão.
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Poema de ZÉ ARSÉNIO

sexta-feira, abril 23, 2004

Ó MINHA MÃEZINHA QUERIDA

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Poema dedicado pelo António
à mãe, FELICIDADE LÚCIA,
quando estava na recruta
no serviço militar, em
Lisboa:
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Nas serras a caminhar
e sem poder descansar
mãezinha do coração
caminhando no escuro
fosse mole ou fosse duro
mãezinha não tinha pão.
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Fome e vontade de dormir
sem roupas para me cobrir
minha mãe o que eu passei
andadando a restejar
ouvindo as balas cantar
ó mãe de ti me lembrei
.
Dentro do acampamento
onde estava o mantimento
para nos alimentarmos
mas foi grande o sofrimento
nós dormimos ao relento
sem roupa para nos taparmos
.
Ouvi estoirar as granadas
eu caí em emboscadas
na frente de metralhadoras
e junto a colegas meus
eu só tinha esperança em Deus
e na Virgem Nossa Senhora
.
Andando léguas quase dez
e com tanta dôr nos pés
minha mãezinha adorada
abalámos às nove horas
nunca tivémos demoras
chegámos de madrugada.
.
Minha bela mocidade
na flôr da minha idade
estou metido na prisão
minha sorte foi ruim
não quero que chore por mim
mãezinha do coração.
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Tenho tanta saudade
deixar a velha unidade
e voltar à minha vida
logo há-de chegar o dia
de ir para a sua companhia
ó minha mãezinha querida.
.
Também temos uma pista
que nos faz perder a vista
minha mãezinha adorada
e quando nós lá passamos
logo todos pensamos
que temos a morte chegada.
.
Nas ruas da cidade
caminhando com velocidade
ó minha mãezinha querida
por ser grande o movimento
às vezes em pouco tempo
alguns perdem a vida.

Poema escrito em 1961
ANTÓNIO JOSE COLAÇO
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Este poema foi dito de
viva voz pelo autor,
na noite mágica, no
Monte da Ribeira e na
presença de
Joana
Tó Zé
Maria Alice
Maria Helena
Ana
e da filha Lena
e do genro José Francisco.

POEMAS POPULARES

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A riqueza da recolha conseguida na Páscoa, em Castro, permite-me divulgar hoje ,alguns poemas repentistas, que, segundo a Ana e o António, os jovens diziam uns aos outros nos bailies:
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A minha mãe é joeireira
que joeira em casas ricas
o meu pai caçador de lebres
e eu de moças bonitas
.
Há mães que têm filhos
e sentem satisfação
só a minha mãe criou filhas
para desgosto e paixão
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as duas próximas quadras são de BLÉ CARETO
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Se Almodôvar se arrasasse
com um copo de água fria
o meu amôr coitadinho
era o primeiro que morria
.
Se Almodôvar fosse minha
como é dos estudantes
mandava-lhe pôr ao pé
uma estrela de brilhantes
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E mais verso foram sendo lembrados, todos, ditos por moços e moças em bailes, uns para os outros.
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Saudades quem as não tem
saudades quem as não sente
saudades do nosso amôr
saudades da nossa gente
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Olhos que não vêem olhos
senão de meses a meses
esses são os mais queridos
por se verem menos vezes
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Dizer adeus é bem triste
mesmo que seja a mangar
quem parte, parte e não sabe
se tornará a voltar.
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POEMAS POPULARES
RECOLHIDOS NO
SERÃO MÁGICO DO
MONTE DA RIBEIRA

sexta-feira, abril 16, 2004

POEMA DO ANTÓNIO

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EM 1961. o António partiu
para Lisboa, para a tropa ,tendo
assentado praça, no Batalhão de Ca-
çadores 5. Nessa época, escreveu dois
poemas, dedicados à mãe. São 2
documentos muito intensos, de
alguém que abandonava a terra e
os seus, pela primeira vez, trans-
pondo para a sua poesia ,toda a
carga da emoção que então sentiu.
.
Hoje publicamos :
"
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O DIA EM QUE ASSENTEI PRAÇA"
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No dia que assentei praça
dia da minha desgraça
eu que fiz foi chorar
deixei minha mãe sòzinha
que está velha coitadinha
e já não pode trabalhar.
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Cada vez que eu pensava
na terra onde eu trabalhava
era um desgosto de morte
adeus terra onde eu nasci
eu só outra conheci
e foi por minha pouca sorte
.
Disse adeus minha mãezinha
um dia de manhãzinha
e fui para a vida militar
fui cumprir o meu dever
mãezinha se eu não morrer
eu um dia hei-de voltar.
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Eu sou soldado português
estamos em guerra outra vez
vivemos todos em perigo
é matar para não morrer
nós temos que se defender
das forças do inimigo.
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Lá na província de Angola
seja em colégio ou escola
tudo serve de quartéis
para abrigar graduados
primeiros cabos e soldados
sargentos e até coronéis.
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Uma guera de guerrilhas
que ataca por armadilhas
e tem causado tantos áis
é um caso de terror
que a ninguém tinham amôr
e mataram filhos e pais.
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Pendurados em pernadas
com braços e pernas cortadas
portugueses nossos irmãos
à falta de armamento
e à força do regimento
judeus mataram cristãos.
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O senhor ministro da guerra
que mandou para cada terra
aonde havia soldados
as guias para se apresentarem
os passes para se transportarem
os que estavam mobilizados.
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Muitos batalhões formou
e os terroristas atacou
com granadas e com balas
foi um caso de terror
que andava um tratôr
a enterrá-los em valas.
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Pedra Verde , Nambuangongo
mais em Maquela do Zombo
mas os portugueses ganharam
portugueses afamados
praças e graduados
nós somos heróis de guerra
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Seja do Algarve ao Minho
Vamos todos a caminho
defender a nossa terra
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de ANTÓNIO J.COLAÇO
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Este poema foi agora recitado
pelo António, no Monte da
Ribeira, na noite mágica de
10 de Maio de 2004






quinta-feira, abril 15, 2004

PASCOA ALENTEJANA

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Foi uma Páscoa alentejana, entre família e amigos.
A alegria do reencontro com a terra e com as pessoas.
A bica na esplanada do Bate Papo, ao sol já quente de Abril,ali , na Praça da República.
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A saborosa açorda alentejana da Ana , onde o azeite, o alho , e os coentros , alteraram , melhoraram ,o sabor do pão.
Os Porteirinhos , uma etapa familar.
Neves da Graça, e Graça de Padrões e a lojinha do Zé Rodrigues.
O Monte da Ribeira é Alentejo profundo, é o príncipio de tudo, é a matriz..
Era grande a vontade de recolher a maior quantidade possível de material ,para enriquecimento do nosso Blog, e esse objectivo foi superado.
A Ana e o António contribuíram ,e revelaram-se uma fonte inesgotável de memórias, uma verdadeira jazida de conhecimento do passado histórico da família e da região.
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SERÃO MÁGICO
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O serão no Monte da Ribeira, foi ponto alto, foi inesquecível, foi mágico.
De repente, ali todos juntos, à volta da fogueira, as memórias foram-se tornando realidade, o passado fez-se presente, e pela palavra emocionada do António, verdadeiro "guardião do templo" ,depararam-se-nos imagens nítidas, de nove catraios a invadiram aquele espaço a rodearem o tio Branco, que lhes ia contando "a Princesa d.Austria, ao mesmo tempo, que sentimos os passos do tio António Luis, no corredor, enquanto ia perguntando em voz alta: " Quem é que quer que lhe faça sapatos hoje?"
E foi ainda um tanto confusos, que vimos, claramente visto, as moças do Pardieiro entrarem em grande algazarra para mais um baile.
-"Vamos aos arquinhos até ao nosso Monte" gritou a Aliete, logo secundada pela Eduarda e as demais irmãs:
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"OH MOÇAS FAÇAM ARQUINHOS
OH MOÇAS FAÇAM ARCAIS
PARA PASSAR MEU BENZINHO
PARA PASSAR MEU RAPAZ"
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e o sonho continuou,
todos nós vimos, como num filme com côres- e -cheiro, a casa ficar toda enfeitada com folhas de palmeira, e a imagem do Manuel Serrenho, com a sua concertina, a tocar ,e todos a dançar, e a "passarem par", enquanto versejavam, no seu cerco de côrte:
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"OLHOS LINDOS EXPRESSIVOS
VÁGUOS E SONHADORES
SÓ EU SEI POR MIL MOTIVOS
QUANTO SÃO ENGANADORES"
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Naquela época os bailes eram quase expontâneos contava a Ana, e os "assaltos para "bailar", de monte para monte, eram muito desejados e muito divertidos.
Voltámos à ilusão, e lá estava agora o Chico da Quinta ,com o seu bandolim, acompanhando o Manuel do Doze e meio:
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"FUI NASCIDO NUMA ALDEIA
E CRIADO NUM MONTINHO
SOU O MANUEL ANTÓNIO DEODATO
QUE ME PÔS MEU PADRINHO"
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"ALMODÔVAR MEU CONCELHO
QUE NO MEIO TEM UMA PONTE
ROSÁRIO MINHA FREGUESIA
DOZE E MEIO É O MEU MONTE"
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E eis que alguém suspeita ,que alguém andava com alguma, e solta uma quadra:
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"DIZEM QUE NÃO PODE SER
MATO NOVO DAR OREGÃOS
ANDA AÍ UM AMÔR NOVO
E QUEREM FAZER OS MAIS, CEGOS"
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De quando em quando, a voz da Joana soava, a chamar-nos à realidade, interrompendo-nos por momentos o sonho:
-"Vá Lena, come mais um queijinho, Alice, deixa lá as dietas, não pode aqui ficar nada.!"
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para logo voltarmos a ouvir:

"TENHO UM PALÁCIO ENTRE AS NUVENS
AO DESAMPARO DO VENTO
QUANDO ESTOU ABORRECIDO
VOU PARA LÁ PASSAR O TEMPO".

e ainda ouTra se ouviu:
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"A LÍNGUA DA MINHA SOGRA
TEM DOIS METROS E OITENTA
FEITA DE SAL REFINADO
POLVILHADA COM PIMENTA"
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"NAMOREI UMA SOPEIRA
ELA ERA UMA MOÇA BOA
DÁVA-ME COSTAS E BOLOS
QU' ELA ROUBAVA À PATROA.
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e pela noite dentro foram desfilando outras memórias, contaram-se estórias de malteses, dos bailes dos Porteirinhos na casa do tio Luis, falou-se da Tia Ana do Forno da Cal, das partidos dos moços, do lavrador do Testa e a sua Casa da Malta.
De tudo isso voltarei a falar neste Blog.





sexta-feira, abril 09, 2004

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TEXTO DE
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

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CONTO DE ABRIL
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Era uma vez…um povo que vivia tolhido, em clausura, dentro de um reino inventado lá para o fim do mundo. Num lugar recôndito ,longe de todos os países ,distante de todas as nações ,orgulhosamente só, num cenário onde os dias se sucediam sempre tingidos com o cinzentismo da tristeza e as noites se repetiam sempre idênticas, no tom anilado do medo. Uma ansiedade surda e inconfessável trespassava as vidas, generalizadamente pequeninas, limitadas na quadratura do regime ,sem que se lhes permitisse terem horizontes rasgados para além da distância que as mãos podiam tocar. A pátria e a religião eram dogmas que legiões de guardas ,bufos e fantasmas defendiam implacável e fervorosamente ,em nome da mesma fé e da vil intolerância que fez dos cruzados seus aios. A escravidão tinha prendido o futuro dos homens aos penedos do conformismo e assim ,agrilhoados , mourejavam , enquanto podiam e quando lhes era permitido, para ganharem uma côdea de pão amargo .
Quando nos campos deixaram de poder viver, de saco às costas procuraram os arrabaldes da cidade capital onde se instalaram .Com o seu suor e sangue alimentaram as industrias nascentes e experimentaram a saudade. Sentimento igual , já haviam vivenciado os pigmeus seus antepassados quando, pelo mar fora, dentro de cascas de nozes ,desbravaram os oceanos dando novos mundos ao mundo e em gloriosa odisseia propagaram a fé, salvando das profundezas dos infernos tantas almas ímpias.
Deserdados da sorte, despojados de tudo ,são só possuidores da força do seu trabalho que vendem barato e sem condições aos poucos empregadores que nessa terra havia, outro tipo de gente, outra realidade social que existia no fausto e com as mordomias de quem domina .
Nesse reino inventado ,lá para as bandas do fim do mundo ,os meninos não iam à escola. Por carência absoluta, iam para os campos ,guardavam gado, lutavam pelo sustento, empreendendo o sacrifício como um ritual de vida que de geração para geração se mantinha.
Mas um dia os homens descobriram que havia uma esperança para lá das fronteiras. Encheram uma mala de cartão de coragem e partiram no seu encalço. Conheceram então, mais profundamente, o sentido e os contornos da saudade. Souberam que o sofrimento das casas de lata ainda superava o já suportado das charnecas. Os filhos deixaram de conhecer os pais. As mulheres ficaram viúvas sem terem os maridos defuntos .Mas de fora vinham francos , marcos, divisas que alimentavam a economia e ajudavam o regime, indiferente à imensa dor gerada pela debandada .Tanto que chorou o vento na sua passagem pelos campos abandonados. Terras incultas , casas vazias, camas arrefecidas.
Mas como se tal não bastasse, o governo começou a sacrificar a juventude, oferecendo o seu sangue e a sua vitalidade, em altares de guerra, em paragens distantes, onde os naturais se haviam erguido de armas na mão na luta pela sua independência ,contra o velho domínio do império.
Acrescentou-se a angustia que os discursos do regime não debelavam. Aprofundou-se a saudade que os aerogramas não atenuavam.
Foi então que nesse país longínquo e distante de todos, orgulhosamente só ,numa madrugada de Abril ,abriram-se os corações à esperança, os sonhos inundaram as ruas e acreditou-se na utopia. Partiram-se grilhões, soltaram-se as algemas ,abriram-se os peitos ,transbordou a liberdade.
As multidões, eternamente caladas, gritaram o que até então não tinham ousado pensar. Uns porque acreditaram, num novo rumo para a história, sumiram e os outros ,pela mesma razão, impuseram-se nas atitudes ,nos gestos, nas ocupações, nas reivindicações, na expressão dos sentimentos,na revolução dos cravos.
Por isso, a guerra que consumia a juventude, no ultimo altar do império, acabou .Por isso,os presos políticos ,passaram da masmorra à luz do dia, erguendo o punho, sorrindo ao futuro,brandindo as suas ideias como armas .
E houve quem acreditasse ,se calhar ainda há quem acredite, que nessa terra donde os pigmeus partiram em casquinhas de nozes ,dominando os oceanos para darem novos mundos ao mundo,a liberdade e a igualdade se tinham enraizado e eram doravante flores desabrochadas no rumo das suas vidas.
Mas, para lembrar as utopias e renovar os sonhos ,todos os anos, no dia vinte cinco do mês das aguas mil, tocam as fanfarras, estalam os foguetes, fazem-se discursos, e renovam-se as juras de manter vivo o espírito da tal madrugada em que os corações se abriram à esperança ,naquele país inventado e à beira mar plantado.


LENDAS DE CASTRO VERDE

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AS LENDAS DE CASTRO VERDE
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A riqueza de um Povo, de uma região, assenta na sua História, e também nas suas Lendas.
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Lenda da Cabeça de São fabião
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Consta que a cabeça teria sido trazida para o alentejo pela princesa Vataça, neta de um imperador Grego, que passou pelo concelho de Castro Verde.

Crê-se que este relicário foi fabricado na primeira metade do séc.XIII.

Se é inaceitável para a época a que foi atribuída, o seu fabrico ter quaisquer intencões de retrato naturalista, foram plenamente atingidos os objectivos do artífice, se este pretendeu com esta cabeça sugerir forças ocultas. Se o seu criador lhe abriu os ouvidos para que pudesse escutar os lamentos, as narinas para sentir as doenças e a boca para fazer saír o bafo generoso, deixou intactas as pupilas dos olhos, leva a crêr que os encomendadores iniciais, não pretendiam mandar encastoar e adorar uma simples relíquia, conhecendo perfeitamente os poderes a realçar e os perígos a evitar. De qualquer homem morto e muito mais de um Saudador, era preciso evitar o olhar e nomeadamente a insondável pupila, sempre perigosa ligação com os mundos do Além.

Apesar de há muito ter perdido a sua função, a cabeça- relicário permanecia viva na memória colectiva local, sendo identificada com S. Fabião, papa e mártir. Na opinião de alguns moradores mais idosos, o seu poder e virtudes procediam da facildade de sarar as doenças do gado.

Hoje, apesar de despojada de quase todas estas fabulosas roupagens que alimentaram os medos e os sonhos de tantas gerações, a cabeça- relicário de Casével continua a manter aquele olhar condescendente e inofensivo, aquele infindável sorriso de quem sabe que o seu mistério nunca será desvendado.



A Cabeça

A primeira referência documental à cabeça- relicário de S. Fabião, encontra-se num processo de visitação da comenda de Casével, do ano de 1565. Nas diversas visitações anteriores a 1565, um tanto estranhamente, não é feita qualquer alusão à cabeça relicário de S. Fabião. Numa visita empreendida por uma equipa do campo arqueológico de Mértola, em 1986, à pequena aldeia de Casével, com o objectivo de reunir e inventariar a documentação histórica dapositada na junta de freguesia, ocorreu uma insólita e extraordinária descoberta. Entre várias alfais litúrgicas em prata e em prata dourada, surgiu uma cabeça de prata de tamanho natural, contendo no seu interior, como depois se constatou, um crâneo humano.

A cabeça, em tamanho natural, é um trabalho em repuxado sobre chapa de prata de elevado teor argentífero. Através de um largo orifício zenital, onde se encontra rebitada uma cruz pátea é perceptível a calote craniana, à qual foi possível aceder, separando as duas partes do invólucro metálico, juntas entre si por pequenos parafusos de cabeça lavrada (trabalhada). O pescoço plinto é interiormente preenchido por um toro de azinho que serve de contrapeso e de suporte a uma pequena chapa de cobre com banho de prata, onde estão os restos ósseos, constituídos por uma calote craniana e quatro esquírolas. (O ertudo prévio osteológico foi efectuado em 1986, por um membro do campo arqueológico de Mértola. Citamos o telatório: " O material analisado é constituído por: 1 calote craniana; 1 osso lacrimal; parte inferior do temporal esquerdo (...) O material ósseo estudado pertence a um indivíduo do sexo masculino, com a idade compreendida entre os 30 e os 45 anos").

Envolvidos num pano de seda e apertados por um fio de prata, estes fragmentos de osso guardavam-se no interior da calote, que por sua vez assentava na chapa de suporte por uma fita côr de rosa. A parte posterior da cabeça é constituída por uma só chapa alongada a martelo e fixada ao plinto por solda e rebites. A face tem várias componentes, soldadas entre si e todas em repuxado, com excepção para a boca e o nariz que foram fundidos numa só peça.

Para além da abertura practicada no alto da cabeça e do seu adorno cruciforme, notam-se comunicando com o interior, seis pequenas perfurações entre os lábios, duas a servir de narinas e uma em cada orelha.
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Crónica escrita em1972
por
JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

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AO ROMPER DO DIA.
Nas manhãs orvalhadas pelas veredas serpentinas, lá vão os ranchos rompendo o dia em cantigas alegres.
O Sol ainda se esperguiça por entre os montados, as poças do caminho ainda estão vidradas pelo frio da noite e os pastores almoçam sopas nas malhadas de penumbra.
Moços pequenos, estenguidos com a geada que ainda alveja nas bermas do caminho e no palhuço das estrumeiras, correm à frente das mães inchadas de sono.
A Evangelina, que costuma começar as modas, hoje não canta nem conta novidades.
A tia Jesuína que já fez mais de sessenta mondas e tem os filhos e alguns netos "lá fóra", abana a moça fria e dá as duas carcachadas irónicas.
A passarada já começa a esvoaçar pelos céus de vapor e vai poisar nas árvores onde as cegonhas arraias fazem ninho..
Os homens que lavram a terra com charruas e arados já comeram pão com azeitonas e fazem-se ao caminho com parelhas fumegantes. No monte as moças vão ao poço, a mãe faz os despejos atrás do manturo, varre o portal e cáia a chaminé tostada pelo borralho da véspera.
As galinhas já sentiram o dia e os galos sobre o tendal do carro velho cantam a despique.
Cada qual governa a vida à sua maneira, debaixo da pipa da água que pinga, os gatos disputam com o perú uma espinha que tido ido na água engorcinada do balde.
Os porcos afossam o trigo e o porcariço incauto faz um cigarro de musgo de azinheira.
O rafeiro cativo impacienta-se com a espera das sopas de rolão do costume e late indignado.
O tio Branco "barre" a casinha com a vassoura de mata pulga e faz ranger o carrinho-de-mão até à estrumeira atrás do monte.
-Quita,quita, quita...no balão do avental de lã a bicharada já sente a alimpadura e corre em alvoroço até ao calcadoiro onde esta vai ser semeada.
Meio-dia passa sem os Homens olharem os seus destinos...
É hora de jantar e nem a sombra amiga dum chaparro fará comer Evangelina que é quem costuma começar as modas e hoje não canta nem conta novidades...

quinta-feira, abril 08, 2004

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IR À TERRA
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Desde que conheço Castro Verde, já lá vão 36 anos, fiquei ligado àquela terra, àquela região.
É sabido, diz-se amiúde, que os naturais de Lisboa, como eu, "não têm terra", o que leva a que, nas quadras festivas e nos períodos de férias grandes, quando a capital se começa a esvaziar de residentes, a caminho da (sua) terra, os lisboetas, sintam um certo "vazio" ,uma pontinha de inveja.
Gosto muito da Lisboa, é a minha cidade, sinto-me muito identificado com ela, contudo, já não compartilho aquele tal desconforto que sentem os meus conterrâneos. Agora, é com certo alvoroço, com "uma véspera de sono agitado", que estou de partida para a "terra" no dia seguinte.
Castro Verde, é já também a minha terra.
"Este fim de semana vou à terra" , ja dei comigo a pensar.
A "terra física", mas sobretudo "a terra emocional, de identificação com o "luogo totale", com as pessoas que gosto, com os seus hábitos, o seu "receber", o seu "dar-se", a química que agora funciona quando nos falamos, trocamos ideias, identificamos sinais, quando tomo o pequeno almoço no Café César, ali na Praça da Républica, , quando compro o "Expresso" e" a Bola" na Tabacaria ao lado, ou na Estação das Camionetas, quando desço a rua da Cooperativa até ao recinto da Feira onde sempre me espanto,deliciado,perante a imensidão da planície, amarelo-torrada, no Verão, verde-erva no Inverno. Confesso que prefiro a côr dourada do Verão, por que é o que faz a diferença do resto do país. Agora já tenho história naquela terra, já criei os meus liames, as minhas saborosas rotinas.
Ir ao Monte da Ribeira, sentir o cheiro da terra, imaginar aquela casa em plena azáfama em dia de colheitas, ou sementeiras, transportar, situar naquele espaço-físico que se me depara, as "estórias" que tenho ouvido sobre os seus serões em família, os contos, as adivinhas, os cantares, os ralhetes, os sonhos. As brincadeiras sem fim de nove gaiatos à solta, as chegadas dos "moirais" com estórias fantásticas, as passagens dos malteses a caminho de sítio nenhum, os banhos na Ribeira de Cobres,



as visitas das meninas do Pardieiro,as malgas de café da Tia Anica do Forno da Cal.
Tudo isto são registos que já povoam o meu imaginário. É já a minha história alentejana.
J.Júlio Herdeiro

segunda-feira, abril 05, 2004

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O Zé FRANCISCO veio estudar para
Lisboa, muito jovem, e desde logo,
revelou um talento muito especial
para a escrita, sobretudo , para
a prosa. Com 17 anos já escrevia
para o Jornal do Alentejo saborosas,
e por vezes polémicas crónicas. Estou
a lembrar as que levantaram a questão
do verdadeiro local da Batalha de Ou-
rique.
A Avó FELICIDADE LÚCIA, que muito
orgulho tinha no seu neto "que es-
crevia tão bem", guardou religiosamen
te , dois recortes de 2 dos artigos , que
ele publicou , no ano de 1972.
Graças à ALICE, que os recuperou,pu-
blicamos hoje o primeiro dos dois, pro-
metendo para muito breve a outra Cró-
nica , também de grande qualidade..
.
CRÓNICA.
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...SINCERAMENTE
.
Quem conhece o Alentejo das Planícies?
Quem passou fome por entre charnecas (agora aramadas)? Quem ouviu o cantar fresco de moças roliças quando vão para o poço?
Quando comes um pão de leite ou uma tosta mista reforçada, acreditas que quem lançou e arrancou a semente à terra está roendo pão de semanas com toucinho velho ou azeitonas?
Já viste suar um cavador que em alvercas fundas vai derramando sonhos? Já viste lavrar terra de bronze onde pés de ganhões esmagam torrões de aço? Já entraste em casas sem solo onde em camas de pedra se deitam irmãos teus? Já viste mulheres eternamente prenhas mergulhadas em rios de gelo a lavar roupas brancas de leitos fofos? Já sonhaste com pastores tristes isolados do mundo beijando cabritos assados por sóis cruéis? Já limpaste o rosto queimado de ceifeiros tostos em restolhos pardos? Já beijaste mondadeiras frias como a geada que queima searas que são pão teu? Já viste homens pegando servilmente o chapéu quando cumprimentam seus iguais? Já sentiste o calôr abafado que torra crianças analfabetas? Já viste homens desconfiados dos chaparros por nada terem para sonhar? Já afagaste o pêlo assovelado de cães-macacos magros da pobreza e do trabalho? Já respiraste o vapôr do café preto na mesa dos pobres? Já lançaste a tua mão branca a um povo que a cantar manifesta o labirinto-sorte donde não consegue fugir-se?
Então...


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Poema de
NATERCIA MARIA
dedicado ao MIGUEL
-
MIGUEL.
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Miguel
Toma atenção
o que aqui te vou escrever
mas peço-te que não te rias
do que te estou a dizer.
.
Vou-te contar um segredo
quero que o saibas também
ficámos muito felizes
quando soubémos que estavas
na barriga da tua mãe.
.
Pr.a mim foi uma surpresa
na altura não esperava
ao saber que a tua mãe
dentro dela trazia
um Sêr que desabrochava.
.
No dia 30 de Junho
cá vens tu, meu rebentinho
com os teus cabelos negros
um tanto ou quanto magrinho.
.
E tu meu pequeno Miguel
tens uma mãe muito atenta
com o seu próprio leitinho
pouco a pouco te alimenta
.
Agora mais crescidinho
já comes a tua sopinha
que te prepara com carinho
a tua querida mãezinha.
.
Tens uma mãe muito atenta
um pai muito embevecido
nas suas caras se vê
como bébe ,tu lhe és querido
.
Foste benvindo bébé
és por todos muito amado
já viste quantos amigos
tu tens sempre a teu lado?
.
Teu avô fica vaidoso
não podemos duvidar
quando ele te tem ao colo
ficas tão encostadinho
e não o queres deixar
.
A tua avó adora-te
diz-te coisas malucas
canta-te à alentejana
e tu meu pequenino
ao fim de um bocadinho
já estás dormindo na cama.
.
Estou desejando te vêr
no Pavilhão a brincar
nós ,sentados no lago
tu, por ali a saltar
.
E o tempo vai passando
Miguel, tu vais crescendo
simpático e brincalhão
és bastante sorridente
gostas de sorrir prá gente
e a tudo dás atenção.
.
Agora pr.a terminar
bébé vou-te dizer
tinhas uma tia velhinha
que gostava de ti a valer
.
Não calculas o carinho
com que ela te pegava
e o seu olhar muito atento
quando para ti olhava..


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domingo, abril 04, 2004

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Do MANUEL BATISTA COLAÇO
publicamos hoje este poema,
que se espera seja o primeiro
entre muitos, e que seguramente
vem enriquecer o património
do nosso Blog.

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POEMA GEOGRÁFICO
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CASTRO VERDE CONCEIÇÃO
BEJA ALVITO FERREIRA
MOURA SERPA BALEIZÃO
SINES CUBA VIDIGUEIRA
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I
SÃO JOÃO DOS CALDEIREIROS
ALBERNOA ALCARIA
ERMIDAS SANTA LUZIA
FIGUEIRA DOS CAVALEIROS
ALDEIA DOS PALHEIROS
AMOREIRAS SÃO ROMÃO
PANÓIAS SABÓIA ARVÃO
ALMEIRIM SÃO MIGUEL
AMIEIRA LUZ PORTEL
CASTRO VERDE CONCEIÇÃO
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II
GRÂNDOLA JUNGEIROS ALJUSTREL
OURIQUE ALCÁCER DO SAL
CÓLOS ODEMIRA CERCAL
ALMODÔVAR ERVIDEL
AMARELEJA BRINGEL
SÃO MARCOS DA ATABOEIRA
ROSÁRIO CANAL CAVEIRA
TRIGACHES SANTA IRIA
VILA NOVA DA BARONIA
BEJA ALVITO FERREIRA
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III
ALMOGRAVE ZAMBUJEIRA
SAFARA SANTO AMADOR
CASÉVEL VALE DE AÇOR
PORTO CÔVO TANGANHEIRA
VALE DE VARGO VERGUEIRA
CABEÇA GORDA TORRÃO
SÃO DOMINGOS POMARÃO
MOREANES FIGUEIRINHA
CASA BRANCA BARROSINHA
MOURA SERPA BALEIZÃO
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IV
RELÍQUIAS AIVADOS MESSEJANA
BRINCHES BARRANCOS PIAS
ODIVELAS SÃO MATIAS
MINAS DA JULIANA
CARREGUEIRO SANTA SUZANA
PORTEIRINHOS AMEIXOEIRA
ENTRADAS AMENDOEIRA
CANHESTROS ALVALADE
CÓRTE PINTO TRINDADE
SINES CUBA VIDIGUEIRA



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sábado, abril 03, 2004

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AS PALAVRAS SÃO COMO AS CEREJAS
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E como tal, de novo reunida
a família em Casa das Primas,
novos "ditos e proverbios
alentejanos" surgiram na
palavra, e aqui lhes damos
conta:
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Pão torrado não farta velhaco
Não caga nem sai detrás da moita
Nem o pai morre , nem a gente almoça
Conversa de alforge, sardinhas a dez
Amarga-lhe o cú que nem um pepino
O que me a mim faltava
Faz tanta falta como viola no enterro
Assenta tão bem que nem dedo em cú de cónego
Quem tem unhas é que toca viola
Quem muitos burros toca, algum há-de deixar pr.a trás
Tão ladrão é o que rouba , como o que fica à porta a guardar
Ovelha que berra , prado que perde
Se não te acomodares vai haver cachapuz com couve
Mais vale um pássaro na mão que dois a voar
É como manteiga em focinho de cão.

Quem tem mais "ditos" para o nosso Blog?


quarta-feira, março 10, 2004

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POEMA DA TIA ALICE
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CARTA DO MIGUEL
NO DIA DO ANIVERSÁRIO DA MÃE
ANA LÚCIA
9 DE MARÇO DE 2004
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É hoje o dia de anos
da minha mamã querida
eu quero dar-te um beijo
mãezinha, deste-me à vida
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Beijo-te a ti mamã
a ti papá também beijo
sejamos três bons amigos
é isso que mais desejo.
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Hei-de ser sempre bonzinho
pr.á mamã e pr.ó papá
a mamã dá-me beijos
o papá beijos me dá.
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A mamã trata de mim
fica comigo a brincar
com o papá brinco à noite
de dia vai trabalhar.

Poema de Maria Alice Colaço

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domingo, março 07, 2004

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DITOS DO ALENTEJO
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Os alentejanos
têm
especial apetência para a
poesia, mas também são
grandes contadores de estórias,
e manejam a língua portuguesa
duma forma muito ágil e especial,
polvilhando-a com fantásticas
metáforas, colorindo de forma
talvez única , as imagens do
seu dia a dia.
Publica-se hoje uma recolha
não exaustiva de alguns
desses deliciosos ditos:


-Muita vontade tem de beber leite, quem beija o cú ao cabreiro.
-Deixa torrar que está brando
-Ainda as palavras não eram ditas, já os cajados andavam no ar
-..isso é o mesmo que comparar o olho do cú com a Feira de Castro..
-O quê? Olha nada, vai voltar a burra que anda na cevada, quando a minha foi, já a tua lá andava, ela é tua cunhada e a mim não me é nada.!!
-Tenha à mão e faça força, (que é capaz de ser verdade)
-Ao ruim cagador, até as calças lhe fazem mal.
-Galinha gorda a pastor , choca vai ela.
-Pássaro que há-de picar, nasce logo com o bico.
-Cardo que há-de picar, nasce logo com o pico.
-Diz o tacho à sertã, -"chega pr.a lá não me tisnes".
-É como o cão da palha, não come nem deixa comer.
-Quem o feio ama, bonito lhe parece.
-Dizer e não dizer, é o mesmo que chover no molhado.
-Fia-te na virgem e não corras, e depois diz que é o diabo que "t.atenta"
-Mais cada um alentejano que cem mosquitos.
-Conforme é o toque assim é a dança
-Quem lhe quer bem não olha a sapatos.
-Hum, aquilo não é puta que se confesse.
-Quem nasceu para dez reis não chega a vinte.
-Cagando e andando
-Enquanto se canta não se assobia
-Chico larico da perna assada comeu uma galinha a semana passada
-A mim não fazem o ninho atrás da orelha.
-Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.
-Andas com esse charôco metido no cú.
-Galinha que canta, galo que quer.
-Quem não é para cavandelas, não se mete nelas.
-Cão que ladra, cão que guarda.
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Muitas mais haverá, e publicá-las-emos à medida que as recolhermos

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

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Soneto que dediquei à Mariana
na Primavera de 2001, após
ter lido o seu livro de Poemas

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SONETO PARA MARIANA
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Silhueta leve e frágil
olhos negros, grandes, expressivos
solta sorrisos evasivos
tem verbo fácil, palavra ágil
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Mariana, sua graça escolhida
Alentejo, seu berço de raiz
Castro Verde, Castelinho ,sua matriz
Embora no Algarve nascida
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Encanta pela simplicidade
alegra, pelo seu humôr
surprende, que com tão pouca idade
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Junte com tanto vigôr
palavras como solidariedade
ternura, paz e amôr.
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JÚLIO

sábado, fevereiro 21, 2004

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HOMENAGEM À MINHA FAMÍLIA ALENTEJANA
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Não sendo alentejano de nascimento, considero-me já um deles por adopção.
Ainda com verdes anos, tive o privilégio de "entrar" para uma família do Baixo Alentejo, e com o decorrer dos tempos, (já lá vão trinta e tal Verões , para não falar em Invernos e nas outras estações) tem sempre vindo a crescer a minha admiração , o meu respeito e a minha integração no seu mundo.
Desde o ínicio, me impressionou, o seu sentido de solidariedade, a sua grande abertura, desprendimento e sobretudo a sua forma de receber os forasteiros.
Há sempre um lugar à mesa, por mais desconhecido de quem chegue, há sempre uma cama que se "ajeita", qualquer que seja o espaço que se tenha.
A minha primeira visita ao Alentejo, por alturas da Feira de Castro de 1968, permanece na minha memória como um marco prazeiroso, da minha ligação àquela terra (Castro Verde) àquela região, e àquela família, que desde então , passou também a ser a minha.
Filho único, eis que num só dia, (o da chegada) , passei a conhecer não um , mas uma mão cheia de "irmãos" , sobrinhos e novos primos às dezenas. De tantos beijos, apertos de mão e abraços, dei por mim, pois então, a cumprimentar até, os que depois soube, nem todos eram familiares, ou mesmo conhecidos. Mas na Feira, e no Alentejo é mesmo assim, soube-o mais tarde, sei agora.
A ideia deste blog, é pois, para além dos motivos que aduzi, aquando da sua criação, uma homenagem que quiz, e quero prestar ,à grande alma alentejana, e o grande valôr que atribuo à oportunidade de neste espaço, pôr toda a família a participar, quer escrevendo poemas, quer contando estórias que façam reviver as suas orgulhosas memórias.


Júlio

sábado, fevereiro 14, 2004

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AS MATANÇAS
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DE

JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO..
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.Vêm dos montes, dos bastios sombreados, arrojam-se para a morte sob as arrobas de carne posta por fartanços de bolota e lande ,mais de alguma guloseima apanhada para desenfastiar. No verão correram os restolhos à cata de espigas e espiolharam os pegos lodosos com a cegueira dos almeijões .Mas não foi daí que lhes veio o peso.
Até meados de Outubro andavam ligeiros, corriam como centelhas deste poiso para aquele, fossando e revolvendo pedras e torrões à pus da bicharada. Mas logo que as bolotas começaram a arraiar e as mangaras desataram a pingar, era vê-los de fujota de arvore para arvore, com as orelhas afitadas para pressentirem onde podiam morder as caídas.
Daí para diante, abancavam de manhã à noite de focinho pregado ao chão , solvendo as soleiras das boletas ,desprendidas dos cascabulhos por força do vento ou varejadas pelo porcariço , preocupado com a engorda da vara com que tinha encabeçado o montado.
Apetecia-lhes agora beber mais amiúde que o costume e de quando em vez abocanhavam o ervaçum para refrescarem as bocas escaldadas pelo tasquinhar continuado.
De dia para dia viam-se aumentar. Desapareceu o espinhaço, cresceu-lhes a papada,ficaram corpulentos.
Já nem dão trabalho com as escapadelas para as semeadas. Comem, comem e de quando em vez jogam os joelhos a terra para descansar.
Por fim, redondos e lustrosos já lhes custava ir beber à ribeira duas vezes por dia. Nas horas mais quentes deitavam-se e dormiam com grande afegada. Para se levantarem , tornou-se o cabo dos trabalhos. Tinha de ser a prestações. Primeiro erguiam-se nas patas dianteiras ,de cu a rojo, e só depois em solavanco se alçavam.
O maioral andava satisfeito e o patrão outro tanto ou ainda mais. Tantas arrobas a tanto, dava tanto. Aquilo não se sabia ao certo, nem se podia saber, só a olho, o peso da carne toda, porque uns eram maiores e outros mais pequenos, mesmo que manos da mesma ninhada. O que valia era a média , não se podia fazer a conta pelos mais estrigados nem pelos outros que pareciam barcas, mas eram os menos .
Em três meses fizeram-se para a faca.
Uns para aqui, outros para ali, todos foram apreçados e já tinham o rumo marcado.
E assim abalaram em dias marcados pelas estradas velhas, deixando os montados, a caminho das bancas ,onde as facas sem dó nem piedade lhes ditam o destino, ficando no ar os gornidos profundos que nos marcam a memória das matanças.
Depois é a festa, a azáfama, o sangue, o vinagre, os alhos, o colorau ,a pimenta, os cominhos. A gordura e os cheiros. A moleja, as cacholas fritas. As banhas, os torresmos ,os lombos, as espáduas, os presuntos, as linguiças ,as chouriças e os paios. A carne frita, a manteiga de pingo .As queixadas assadas, a língua de fricassé ,as orelhas de coentrada .As folhas de toucinho arrecadadas no sal. O saber e os preceitos. Os varais no fumeiro. Os sabores um ano inteiro.
Ritual que se repete todos os Invernos, quando os frios chegam para curar as carnes e nos campos a fartura acaba, para poder acrescer, nem tão pouco para manter, as arrobas postas por uma comezaina rica.

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CASTRO VERDE

Porque a maioria dos frequentadores da Casa das Primas são oriundos das regiões de Castro Verde e Almodôvar , e apenas eu (o Júlio) ser de Lisboa, embora hoje em dia, e após mais de 35 anos de ligação estreita com bons alentejanos, já me sinta, não só da família, mas também mesmo ,mais um "alentejano", vou publicar neste blog, alguns textos sobre estas vilas e regiões.
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...A antiga vila surgiu junto a uma fortaleza que se levantou no cimo de um cabeço a 1,7 Km a norte da margem esquerda da Ribeira de Cobres e a 2 Km a Sudoeste da margem direita do Ribeiro de Terges.

A sua fundação é muito remota, desconhecendo-se a sua origem, sabe-se no entanto, que no começo da monarquia Lusitana já era habitada.

Pensa-se que a origem do povoado terá as suas raízes na cultura Turdetana, passando mais tarde por um acampamento militar romano, como a origem do seu topónimo " Castrum Veteris " assim o indica, bem como a planta do núcleo antigo da povoação, de forma quadrangular e com um traçado viário ortogonal, típico dos acampamentos romanos, diferencia-se da tradição hurbanistica do Sul do território nacional.




A implantação do território sobre uma pendente pouco acentuada, terminando junto a uma linha de água de certa expressão, bem como a dimensão da àrea ocupada, enquadrando-se na descrição dos acampamentos militares.

Crê-se que a vida urbana se iniciou em Castro Verde após o abandono do acampamento pela legião, como era práctica corrente na época, uma parte considerável da população que habitava as "canabae" (acampamentos de pequenos comerciantes, artíficies, etc, que acompanhavam as legiões), bem como indígenas da região, tenham ocupado o "Pomerium" (acampamento romano), imediatamente após o abandono da construção defensiva pela legião.

Acredita-se, que a rede viária hurbana se manteve e as edificações se foram desenvolvendo ao longo de todo o período clássico e de Idade Média.

É também possível que os Romanos tivessem conquistado a fortaleza Lusitana em meados do Séc. II A.C. (cerca de 150 anos antes de Cristo), transformando-a numa base militar de ocupação e guarda da estrada militar que, vinda de Aljustrel, prosseguia para Ossobona (perto de Faro).

Desconhece-se a data em que foi tomada aos Mouros.

Foi em CastroVerde e segundo a lenda que se deu a famosa batalha de Ourique, apontando vários historiadores o local de São Pedro das Cabeças como o local exacto desse acontecimento, lenda essa que descreve a aparição de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques e a sua gloriosa vitória contra cinco reis Mouros.

A região de Castro Verde enquadra-se, desde o Período do Bronze do Sudoeste (II milénio A.C.), numa àrea cultural vasta que se designa por cultura Turdetana.

Durante a Proto-História, na primeira Idade do Ferro,e numa fase em que os contactos com povos do mediterrâneo foram assíduos e próximos, que se designa por Período Orientalizante, o Baixo Alentejo e o Algarve desenvolveram uma subcultura especial (dentro de Turdetana) comumente chamada Tartéssica ou de Sudoeste.

A primeira Idade do Ferro e o Período Orientalizante, permitiram definir uma facies local, que foi designada por Neves Corvo e que se caracteriza, principalmente, por rituais funerários próprios, para além da aplicação da escrita a fins não relacionados com o culto dos mortos, bem como pela existência de povoados e habitats de tipo patriarcal alargado, sem vestígios de estroturas defensivas.

A existêmcia desta facies no concelho de Castro Verde, relaciona-se com a presença de minérios, nomeadamente a prata e o chumbo, em ocorrências filonianas superficiais, o que os colocava ao alcance da tecnologia extractiva da época.

Existem no concelho de Castro Verde alguns Castros (designação para os castelos da segunda idade do ferro, na gíria arqueológica), como é o exemplo do Castro do Montel (Castelo Grande de Cobres), que fica situado na freguesia de Entradas.

O concelho de Castro Verde revelou materiais arqueológicos de origem romana, datando dos finais do séc. III, inicios do séc. II A.C.

Foram identificados 22 monumentos de fundação Augusteia que pontuam uma faixa que se estende de Castro Verde ao sul de Alcoutim. A tradição popular chama-lhes "Castelos", porque são constituidos por três recintos quadrangulares concêntricos, que ocupam o topo de pequenas colinas, o seu edificio central é sempre dotado de paredes muito espessas que lembram de facto muralhas.

A dominação romana está amplamente documentada na aldeia de Santa Bárbara de padrões, através de um conjunto arquitectónico descoberto junto da igreja e cemitério e por numerosos vestígios que se espalham por toda a povoação.Leite de Vasconcelos propôs, em 1986,a classificação destas ruínas, como de uma cidade romana que se identificou hipotéticamente, com Arannis.

Até ao século XIX o progresso económico de Castro Verde basear-se-ía não tanto na agricultura devido aos seus solos fracos, mas na pecuária e no facto de ser local privilegiado de passagem e cruzamento de vias comerciais que do sul algarvio conduziam à planície alentejana e que do litoral Oeste, devido à importância de Vila Nova de Milfontes como porto de pesca e comércio, demandavam o interior e a sua capital, Beja.

No século XIX, o Liberalismo teve mais um reflexo no concelho. Com efeito, a região sofreu incursões das guerrilhas miguelistas do Remexido e dos Baioas de Beja, que ficaram registados na tradição popular e nalguma toponímia.

Nos finais do século XIX, a cerealícultura tornou-se um dos maiores factores produtivos da região, tendo mesmo sido reforçada esta opção, nos primeiros decénios do século XIX, durante os quais se assistiu a um certo bem estar económico, que se reflectiu no hurbanismo da sede do concelho, tanto no edificio da Câmara Municipal como em residências privadas.

A partir dos anos 50, o concelho entrou em fraca regressão, um pouco colmatada pelo surto migratório, e actualmente, pela instalação do complexo mineiro de Neves- Corvo.

Castro Verde, experimentou, por via da Mina , um grande aumento de perimetro, e de construção, nunca , porém se descaracterizando, É mesmo, hoje por hoje, das vilas mais bonitas e com melhor qualidade de vida do Baixo Alentejo.

A sua vida cultural sofreu, também ele, um grande incremento, quer com infra-estruturas , quer com inúmeras iniciativas voluntristas de castrenses que não se acomodam.




.
Poema especialmente escrito por mim
para ser adaptado à musica de duas
baladas alentejanas que se entrecruzam


ALENTEJO
.

Alentejo nossa terra
onde um dia voltarei
Castro Verde ,Porteirinhos
berço donde abalei
.
Para longe pr.a Lisboa
eu parti
à procura de trabalhO
consegui
tristeza, solidão
eu venci
de angústia, de saudade
quase morri.
.
Alentejo, minha terra
onde um dia voltarei
Testa, Monte da Ribeira
juro que, sempre te amei.
.
Cá de longe no Feijó
nos juntamos
a saudade do Alentejo
nós matamos
a memória doutros tempos
nós cantamos
as estórias lá dos montes
nós recordamos.
.
Alentejo minha terra
onde um dia voltarei!!!!

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

...
ALENTEJO , TU ÉS LINDO
.

.
Alentejo na Primavera
é lindo, cheio de flores
azuis, roxas, amarelas
eu sei lá de quantas côres.
.
Seja Outono ou Primavera
quer seja Inverno ou Verão
Alentejo tem beleza
numa qualquer estação.
.
Vejam lá que bem que cheira
a flôr do rosmaninho
do poejo e do mantrasto
que se encontra no caminho.
.
E que bonito é vêr no campo
os rebanhos a pastar
o pastor com o seu cajado
e o cão para ajudar.
.
Alentejo tu és lindo
tens beleza, tens encanto
tu tens tantas maravilhas
por isso te queremos tanto.
.
E quando chega o Verão
todo o campo está dourado
já está o trigo maduro
à espera de ser ceifado.
.
É bonito de manhã
ouvir-se muito cedinho
aquele cantar tão lindo
como é o do passarinho.
.
E os grilos cantam, cantam
até essa noite fóra
e depois começa o galo
assim ao romper d.aurora
.
Quem vive numa cidade
não pode avaliar
todas estas maravilhas
que aqui estou a falar..

Poema de
NATÉRCIA MARIA

segunda-feira, janeiro 19, 2004

..
A FEIRA DE CASTRO
.


de

JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

.
.Fazendo uma retrospectiva do evoluir desta vila ao longo dos tempos ,parece-nos existirem três coordenadas essenciais pelas quais passou o seu crescimento e prestigio.
Antes de tudo o mais, valeu-nos a "Lenda do Milagre de Ourique" que em nosso entender foi a cúpula espiritual necessária para a afirmação deste lugar como agregado urbano . De povoado insignificante com umas dezenas de vizinhos ,passou mais tarde a vila ,sede de concelho, subalternizando outras vilas como Entradas que em finais do Sec. XVI tinha uma importância económica e social incomparavelmente superior.
Mas à pala do "Milagre de Ourique" , aqui se erigiram obeliscos e monumentos e construiram duas igrejas que ao compasso dos anos foram sendo sistematicamente ampliadas e melhoradas, malgrado à data o numero de fieis ser diminuto para a grandeza dos templos.
Porém, a razão ultima da sua edificação não era própriamente a de dar guarida aos devotos locais, mas era antes, a de elevar para os céus a materialização da fé ou do agradecimento de reis e eclesiásticos pela excelsa graça vinda do Supremo para o rei primeiro.
Em torno das igrejas grandes ,romperam e encostaram-se as casinhas pequenas e pouco a pouco o casco urbano do lugar foi-se definindo ,consolidando sempre pobrezinho, muito insipiente.
E assim era de tal forma vera que quando o Rei Moço, antes de Alcacer Quibir, passou por aqui para ajoelhar em gesto de veneração à heroicidade de D.Afonso e à bravura dos seus feitos ,teve de pernoitar em Entradas, porque neste sitio não havia casa com dignidade para acolher sua Alteza .Findava então o Sec. XVI.
Cerca de meio século depois e tendo já finado o dito D.Sebastião ,sendo o rei de Espanha soberano de Portugal, funcionou de novo o reflexo do "Milagre de Ourique".
Na altura , a Igreja dos Remédios ou das Chagas do Salvador , templo evocativo da bravura afonsina, evidenciava ruínas atentatórias da memória que evocava ,e para fazer face a custos inerentes ao restauro, transferiu-se para aqui uma feira antes existente em Padrões, com o propósito de suportar com os rendimentos dos respectivos terradegos tais despesas inadiáveis .
Foi a partir daqui que praticamente nasceu e ganhou dimensão de realce o "Crasto" .
Este é o segundo vector pelo qual passa a afirmação deste lugar ,sendo no nosso entender a feira,o factor mais decisivo para que aqui se forjasse um aglomerado urbano crescente em tamanho e nomeada .
Por outro lado, a feira ganhou com a mudança e aqui veio rapidamente a florescer graças à posição geo-estratégica que ocupamos .
Foi grande a oposição externa consubstanciada em acções diversas que só o tempo e uma decisão judicial acabaram por dirimir. Lembra-me ,a propósito, uma história recente relacionada com o Centro de Saúde de Castro , da qual se infere que o reconhecimento desta terra como pólo de inegável importância sub-regional de quando em vez vem à tona.
Mas mais tarde, já nos nossos dias, a exploração mineira em Neves Corvo, constituiu a terceira coordenada determinante de nova vitalidade económica e comercial do lugar imprimindo-lhe novo salto em termos de crescimento urbano.
Das armas de Castro ,fazendo jus à gratidão e à memoria das gentes ,constam o primeiro e o ultimo vector antes referidos mas ignora-se o segundo.
Despreza -se hoje, tem-se alias vindo repetidamente a menosprezar, a razão vital que tornou um lugarejo num burgo aglutinador da confluência de interesses diversos ,para onde convergem anualmente, como que por impulso ,milhares de almas ,em negócio ,em romaria , quase em devoção.
A feira deveria ser o ex-libris desta terra em nome da história e da razão de existirmos .
De facto, embora agora já se tenha perdido muita da mística e voltemos as costas à feira, a empurremos cada vez mais para longe de portas ,maldizendo o dia e meio da sua duração, dantes abríamos-lhe as casas os braços e o coração.
Metade da vila de antanho foi construída às tensas da feira, de todo o alentejo ,lavradores e mercadores vinham aqui fazer casa para utilizarem na semana da feira. Eram as "casas de pousada" que deram nova dimensão à terra e durante o ano inteiro serviam de morada a trabalhadores locais que as ocupavam sem renda , ficando o uso pela sua manutenção e guarda.
Paralelamente ,as casas restantes, nos dias da feira eram juncadas e nos quartos ,casas de fora e corredores, apinhavam-se de gente que nelas faziam quartel . Nos quintais abriam-se poços e cisternas e faziam-se grandes cavalariças para receber as alimárias que pagavam um tanto à argola. Tudo era ganho ,tudo era proveito.
Fora disso, valia mais ainda a vibração espiritual proporcionada a residentes e feirantes pelo desejo crescente de vir, de receber, de conviver e partilhar emoções. E este sentimento enformou o estar das nossas gentes , proporcionou-lhe a abertura de horizontes que têm. Ensinou-os a conviver com tendeiros, receber forasteiros e respeitar os ciganos ,num misto de altivez e de humildade.
È Outubro. Chegou a Feira . A tradição ainda corre pelas ruas de Castro.


domingo, janeiro 18, 2004

..ARVORE GENEOLÓGICA.
JOSÉ ANTÓNIO.XJESUINA.............................MANUEL LUIS.XMARIA
filhos
ANTÓNIO JESUINA............................................JOSE BATISTA
JOÃO JOSE.......................................................MANUEL LUIS
FELICIDADE......................................................MARIA BATISA
MARIA JESUINA ................................................JOAQUIM MARIA
........................................................................

casaram com:
.
JOÃO JOSÉ .X. BARBARA.
filhos
NATÉRCIA
HERMINIA
ILDA.
-
FELICIDADE.X.JOSE BATISTA
filhos
MARIA
ANA CATARINA
BARBARA
JOSÉ BATISTA
ALICE
AUGUSTA
MANUEL
ANTÓNIO
MARIA HELENA
.
(em construçâo)

.

.
...
GUIZADO DE BORRÊGO.
.

.
Há Poucos dias jantámos
em casa da prima Lena
um saboroso guizado
mas as batatas...foi pena
.
Sabem porque foi pena?
pois estavam ataluadas
mas tudo isso serviu
para umas boas risadas
.
Não querendo falar na sopa
porque estava bem temperada
mas como a fome era pouca
preferimos a carne guizada.

E vejam como as batatas
tanto deram que falar?
e como uma simples coisa
fez-se um alegre jantar.

Estava bom o guizadinho
e permitam que lhes diga
o que gerou esta polémica
foi a batata mal cozida
.
Com toda esta conversa
espero não demorar
uma outra ocasião
para ir aí jantar
.
E a nossa prima Lena
depois de muito falar
diz-nos simpàticamente
-"nunca mais vens cá jantar"
.
Lena tu és a maior
mas dou-te uma sugestão
podes fazer guizadinho
mas com batatas...nãããão!!!!.
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Poema de NATÈRCIA MARIA

quinta-feira, janeiro 15, 2004

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NATÉRCIA FAZ POESIA -

passeio a S.Vicente



Há cerca de 3 anos, as primas Natércia e Hermínia, a Alice a Lena e eu, fomos passar um fim de semana a São Vicente de Pereira, aldeia situada a 5 km de Ovar, e que é a terra de meus avós paternos.
Ficámos em casa da minha tia Amélia, e daí fizémos quartel general , para uns passeios pelo Furadouro, ria de Aveiro (Carrgal e Murtosa) , Souto da Feira, Cucujães, São João da Madeira e por fim a Santa Maria da Feira, tendo assistido no Castelo daquela cidade a um espectáculo medieval, com simulação de combates à espada, feira medieval com artigos de época, visita às dependências do castelo, povoado por "fidalgos-a-fingir" trajados igualmente co vestes medievais.
Vale este enquadramento para justificar mais um trabalho de poesia, de autoria da prima Natércia:
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NATÉRCIA MARIA , faz poesia

Adoramos o passeio
que fizémos a São Vicente
são visitas que nos marcam
e que ficam para sempre
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Aquela visita à fonte
que gostei tanto de vêr
toda aquela maravilha
eu jamais irei esquecer
.
E a D.Amélia então
como irei descrever?
toda a sua simpatia
e maneira de receber?
.
O chàsinho no jardim
com a tolha de linho
conversando alegremente
apanhando um solinho
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Foram dois dias fantásticos
na verdade bem passados
que para mim acreditem
serão sempre recordados
.
E agora vou falar
naquilo que me encantou
a casa em que noutro tempo
o primo Herdeiro morou
.
E a casa do avô Catorze?
valha-me Deus que loucura
pois eu fiquei fascinada
com a sua arquitectura.
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Ao primo Júlio, à prima Lena
aos dois muito obrigado
pl.o passeio que nos ofereceram
que foi muito bem passado.

NATÉRCIA MARIA..


terça-feira, janeiro 13, 2004

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TENHO SAUDADES DO MEU ALENTEJO.
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Tenho saudades
Do meu Alentejo
Todo florido
É como eu o vejo

O cheiro a esteva
A urze também
E o rosmaninho !!
O cheiro que tem

A branca margaça
O pimpilho dourado
E com as papoilas
Ficava encarnado

E os passarinhos
Entre o arvoredo
Com os nossos gritos
Fugiam com medo

Com seu papo branco
A negra andorinha
Construia o ninho
Onde os filhos tinha

Corria a ribeira
D.água cristalina
Lavavam a roupa
Mesmo a mais fina

Era lindo vêr
A roupa a corar
A ouvir a rã
Na rocha a cantar

A cegonha branca
Andava a pescar
O peixe de prata
Pr.ó flho sustentar

O rebanho ia
A sede matar
Estava calôr
Ia-se acarrar

Poema de Maria Alice Colaço


domingo, janeiro 11, 2004

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SALVÉ 11 DE JANEIRO.


O ZÉ BATISTA FAZ ANOS


O pessoal da CASA DAS PRIMAS comemora este dia com ele.
Fazer anos é sinal de vida, e nós estamos todos com o Zé .
Parabéns!!!!!!

quarta-feira, janeiro 07, 2004

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SONETO PARA A TIA BARBARA
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No dia do seu 93º. aniversário, escrevi este poema à tia Bábara
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Foi na planície generosa
onde as searas são de ouro
onde Afonso-rei venceu o mouro
que nasceu Bárbara formosa.
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Verdes anos na do Testa
espalhou alegria e amôr
suas filhas amou com fervôr
da sua vida fez uma festa
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Tia Bárbara nós cá estamos
com alegria a festejar
uma tia que muito amamos
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com quem gostamos de recordar
dum passado que nos orgulhamos
e do que só a tia sabe contar.

José Júlio

terça-feira, janeiro 06, 2004

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PORTEIRINHOS
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Poema de José Batista Colaço
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Porteirinhos tu tens magia
Com os teus poços velhinhos
e uma velha moradia
onde as cegonhas fazem os ninhos.
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Logo que o Inverno passa
na empena do sobrado
ficas com beleza e graça
com o teu velho moinho ao lado.
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Teu lavadouro enquadrado
no cerro dos Poleirais
com o pèzinho caiado
as tuas ruas são roseirais.
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De rosas brancas e vermelhas
crescendo junto à parede
onde de dia as abelhas
tiram o suco pra matar a sede.
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Com tuas belas hortas
junto à cerca do Boi Coxo
de noite nas horas mortas
ainda ouvimos cantar o mocho.
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Se o vento sacode as fragas
de noite a coruja mia
lá no meio das azinhagas
Porteirinhos tu tens magia.

Zé Batista

sexta-feira, janeiro 02, 2004

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MONTE DA RIBEIRA - SEUS SERÕES


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Na casa das primas, o principal tema das conversas dos domingos à  tarde, é o Alentejo, lá onde quase todos os "habituais" são familiares, se entralaçam , sendo a maioria primos uns dos outros.
Brevemente vamos publicar neste espaço , uma árvore genealógica do pessoal cá da casa. e então se constatará isso mesmo.
Muito se fala do Monte do Testa , dos Porteirinhos, na Graça, no Pardieiro, no Forno da Cal . no Brigelinho no Rosário, e, entre outros , no Monte da Ribeira.
Pois é do Monte da Ribeira que hoje vamos tratar.
Não tive o privilégio de lá ter vivido, mas, ao longo destes anos, fui ouvindo dos seus intérpretes -Lena e meus cunhados Manel, Zé Batista, Maria Alice, Ana, da saudosa e muito querida Augusta, da Bárbara, e do resistente António, relatos do seu dia a dia, das suas brincadeiras, e especialmente de como decorriam os seus serões em família.
Dessas recolhas, dessas memórias, retirei a matéria com que escrevi o poema da cançao alentejana que me atrevi a construir, que a seguir reproduzo, e que todos cantamos no estilo de balada alentejana:

MONTE DA RIBEIRA - SEUS SERÕES

A estória que vou Contar,
Vem cheia de recordações,
leva-nos todos a lembrar
do Alentejo os seus serões

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À beira daquelas brasas,
todos juntos à  lareira,
comendo chouriço e favas,
lá no Monte da Ribeira
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Os irmãos todos reunidos,
Contavam estórias d.encantar
faziam-se queijos, também enchidos,
adivinhas, renda e às s cartas jogar.

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"Princesa d.Austria", sua linda estória.
"A totinegra do Moinho"
Muitos contos de memória,
contava ti Chico Paulino.
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"Carlos Magno" contava o Zé,
o tio Branco, contos sem rima,
"Os dois Castelos","Cabra cabrez"
dizia então o Ti Jesuína
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Vinham amigos de longe e de perto,
do PArdieiro, do Forno da Cal,
também do Testa, dos Porteirinhos,
Ti Chico da Mina, qu.era o moiral
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Aqui fica para a história,
do Alentejo , o seus serões,
Que não nos sáia da memória,
pr.alegrar nossos corações

José Júlio